Wednesday, December 20, 2017

"Compre uma varanda, ganhe uma lagosta"

















Há naufrágios de todos os tipos e gostos mas o que nunca se viu foi o de uma varanda. Nem quando Pedro disse à mãe que andava uma varanda no mar a mãe acreditou. Mas que lá estava, estava. Não se falava de outra coisa e até se dizia que fora a Ana, a tempestade, que a trouxera. Ora como era uma varanda cheia de vasos floridos toda a gente a queria ver de perto. Havia quem dissesse que era um barco disfarçado de varanda, outros diziam que era movida a rodas, enfim, disparates; para tirar a coisa a limpo foram em botes de borracha tomá-la de assalto. Chegaram à varanda. Na varanda haviam côdeas de pão, dejectos de pássaros, um ancinho, um pente, molas da roupa, um cêntimo, um preservativo, um livro de merceeiro com os calotes da Beatriz, além dos vasos com as flores e ainda caracóis que se banqueteavam vagarosamente nas plantas. Trazer a varanda para a praia era um problema, deixá-la ali e fazer da zona um empreendimento turístico, a melhor solução. Assim fizeram e é esta a história que agora todos contam aos turistas, não sem um sorriso na boca, com mais ou menos floreados nas palavras, com mais ou menos patacos nos bolsos.


(1. "Piadas de mau gosto - o naufrágio do " Reijin "", "in" navios e navegadores de 2008/01/01: "(...) Compre um Toyota, ganhe uma lagosta. Esta foi curiosamente a piada de mau gosto, que correu a cidade aquando do naufrágio do navio transporte de automóveis " Reijin ", próximo à barra do rio Douro, na praia da Madalena, em 26 de Abril de 1988."; 2. Imagem em cima: composição a partir de reprodução fotográfica (recorte de jornal); 3. Dicionário: a) Pataco: antiga moeda de bronze, do valor de 40 réis; b) Patacos: dinheiro, riqueza; c) Árvore das patacas: alusão à facilidade de ganhar dinheiro, principalmente no Brasil, noutros tempos.)

No comments: