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Saturday, June 06, 2020

Um touro repimpado

Um de muitos assuntos do jornal da noite de 2020/06/06, na SIC.




















Ferdinando é um touro caseiro. Gosta de coçar a barriga repimpado na erva, apreciar a paisagem e admirar touras bravias. Escangalha-se a rir com touradas com anões e a ver forcados a ir pelos ares. Além da erva cai-lhe no goto um bom pão-de-ló. Ultimamente vê vídeos do TikTok e voltou à escola. A última vez que andou à pancada, e já vai há muito tempo, deu uma valentíssima sova no Marialva, um ganadeiro alentejano. Todos os touros da região foram unânimes em dizer que foram poucas as que lhe deu. Devem ter sido, portanto, razões muito fortes. Desde esse dia passou a dispor de todo o tempo para si e agora, com a pandemia, entrou em teletrabalho. E nesse estágio deve ficar pois a sua apetência por esforços foi sempre a da malandragem. Quer é que o deixem em paz e sossego!


(1. A propósito: «Cinco lições que aprendemos com O Touro Ferdinando» ("O touro Ferdinando foi escrito em 1936 pelo norte-americano Munro Leaf em parceria com seu amigo, o ilustrador Robert Lawson.") - «in» intrínseca BLOG; 2. «Coronavírus» neste «blog» e «Coronavírus - Até os extraterrestres estão preocupados!» (idem); 3. Nota: composição com o Touro Ferdinando (imagem disponível na Web))

Thursday, May 21, 2020

O coronavírus, a moca medieval estrela da manhã, os Demogorgon, os Democães e as tranças das crianças de Nairobi

Já vem de longe o gosto humano por laboratórios ainda que improvisados e incipientes. O Homem nunca se conformou com a sua condição humana e sempre aspirou ao lugar dos deuses.

Como se disse, os primeiros laboratórios começaram por ser incipientes. Um caldeirão a céu aberto, fogueira por baixo, "asas" de morcego lá dentro (se assim se podem chamar), plantas que só uns poucos conhecem, de misteriosas propriedades e difíceis de encontrar, mais uns pozinhos de perlimpimpim e uns bons litros de água, tudo a lume brando, e aí está um laboratório e uma poção mágica.

No ano 50 a.C. uma aldeia de irredutíveis gauleses cercada por guarnições de legionários romanos resiste graças ao poder mágico da poção criada pelo druida Panoramix que dá aos gauleses uma força sobre-humana. Numa das histórias os romanos tentam roubar a preciosa poção, único meio de derrotar os intrépidos gauleses.

Desde sempre os laboratórios, os palcos ou da mágica ou da ciência, foram motivo de disputa.

Nós sabemos que há poções que dão uma grandessíssima moca. Mas uma valentíssima mocada também produz o mesmo efeito. Que o diga o Artur, O Fantasma Justiceiro, que viveu num castelo medieval e que com as suas muitas aventuras (81) sabia bem da força de uma estrela da manhã. Não, não é essa que vemos no céu pela alvorada, mas uma que transforma o dia em noite num piscar de olhos e põe um tipo a ver estrelas: uma maça composta por uma esfera metálica com espinhos ligada por uma corrente ou presa directamente à clava. Volteava no ar contra o inimigo e ZÁS!, CATRAPUMBA! Com forma de coroa e a beleza de fazer corar um coronavírus, a ideia haveria de ser aproveitada como fura-lagartas, na guerra, como sempre.

Coronavírus e outras coroas


No séc. XV (1456-1462), o conde Drácula, ou conde Vlad III Dracul, é um torturador implacável cuja prática favorita é o empalamento dos inimigos. Quatrocentos anos e uns trocos depois (1897) surge com a fama de vampiro: aquele que se alimenta de sangue. A própria natureza humana se encarrega de transformar o corpo humano no seu próprio laboratório.

Ainda no séc. XIX (1818), nasce uma criatura sem nome, conhecida pelo Monstro de Frankenstein, que se revolta com a sua condição e persegue o seu criador até à morte.

Na esteira dos estrupícios segue-se Demogorgon, um demónio, habitante do submundo, criatura humanóide com cabeça de planta carnívora, forma de pétalas e coroa. E quando se fala de Demogorgon fala-se do Democão, ser que deambula entre a larva e o cão e caçador de grupo como os leões, mais animal que humano mas apreciador de toda a carne, ainda assim possuidor de alguma sensibilidade, de quase gente dir-se-ia.

Destes horrores veio um há pouco tempo. Partilha dos morcegos a casa-mãe, dizem, e transmitiu-se ao homem através de outro animal, dizem também. Mas o novo Júlio César, que governa o Império e não sei se menos a Gália e que diz que a coisa se resolve ingerendo uns litros de lixívia, vem dizer que o novo coronavírus foi fabricado num laboratório na China, em Wuhan.

Em Nairóbi, Quénia, as crianças começaram a fazer tranças imitando uma coroa, antevendo já a nova moda, e os Maasai, que muito sofreram com a civilização na década de 1890, deixaram agora de ser semi-nómadas com medo de serem afectados pela nova pandemia.

Teme-se agora pela vida dos morcegos e pela economia mundial. Do pangolim nada se diz.

Ora os morcegos são muito úteis à biblioteca do Convento de Mafra para limpar dos livros os insectos; a Maga Patalójika e a Madame Min precisam deles para a poção (as "asas", vamos chamá-las assim, porque não o são de facto, são especialmente apreciadas); e o conde Drácula e o Batman sem a imagem que têm deixarão de ser o que são.

E teme-se também por tudo o que invoque a forma do novo coronavírus: a moca medieval estrela da manhã, os Demogorgon, os Democães e as tranças das crianças de Nairobi.


(1. Notas: a) Corona: o mesmo que coroa; em forma de coroa; b) “o novo Júlio César” (parágrafo 9.º): Donald Trump; e c) Composição a partir de imagens disponíveis na Web;

2. Um artigo que vale a pena ler a propósito da nova pandemia: «ccu cgg cgg gca - Las doce letras que cambiaron el mundo» - El País;

3. Estrela da manhã, Demogorgon e Democão: a) «Estrela da manhã (arma)» - Wikipedia; b) «AO ATAQUE: CONHEÇA 15 ARMAS INSANAS USADAS NA ÉPOCA MEDIEVAL» - «in» MegaCurioso; c) «The Demogorgon» «in» Stranger Things (Wiki); d) «Demogorgon» - Wikipedia; e e) «Stranger Things: o que é o Democão (e não é um Demogorgon)» - «in» Aficionados;

4. Neste «blog»: a) «Coronavírus» e b) «Coronavírus - Até os extraterrestres estão preocupados!»)

Sunday, May 10, 2020

Rinoceronte em tempos de Coronavírus

Imagem do Primeiro Jornal de 2020/05/10, na SIC.





















(1. «Rinoceronte» e «Rinoceronte-branco» - Wikipedia; 2. «Jardim Zoológico de Lisboa»; 3. «Coronavírus» neste «blog» e «Coronavírus - Até os extraterrestres estão preocupados!» (idem))

Coronavírus - A biblioteca de Marques Mendes, o fim.

Com o regresso à estação de televisão do comentador, chega finalmente ao fim a saga da biblioteca de Marques Mendes.

Cabe agora fazer uma análise a tudo quanto escrutinámos e ver se de facto chegamos a algumas conclusões válidas.

Repararam que fizemos tábua rasa das análises políticas domingueiras, não porque não tivessem o seu valor mas porque não era esta a nossa finalidade. Debruçámo-nos sobre o conteúdo da biblioteca, verificámos se era mexida ou não, e, por acaso, só nos esquecemos de verificar se limpavam o pó aos livros. Mas achamos que sim, seria coisa que se notava logo pois onde há livros poeirentos há aranhiços e nós não vimos nenhum. Quisémos saber se aquilo era uma biblioteca para inglês ver, isto é, se era para consumo voyeurista dos portugueses ou antes, e como deve ser, uma biblioteca realmente digna do nome.

Tiramos agora algumas conclusões:

1.ª - Trata-se de uma biblioteca generalista que aborda as frases do ano, a política e outras coisas de A a Z, com autores conhecidos e para todos os gostos, uns mais eruditos, outros, se calhar, nem tanto. Isso abona a favor do seu proprietário.

Análise de Marques Mendes no jornal da noite de 2020/05/10, na SIC.


2.ª - Tem, como qualquer biblioteca, um adereço, que, no caso, é um passepartout, invocativo de alguma memória familiar. Fica bem, pois alegra o olhar. Notámos também que há livros que, por falta de espaço, são depositados por cima de outros, mas isso é a coisa mais normal do mundo.

3.ª - Não é uma biblioteca a armar ao pingarelho. Não há livros encadernados a couro e debroados a letras douradas. São, tudo indica, livros de uso.

4.ª - É uma biblioteca bastante variada em termos de cores, sendo certo que algumas dessas cores se destacaram, ou porque mudassem de lugar, ou porque desaparecessem subitamente, ou porque andassem de tempos a tempos às cambalhotas, ou seja, de cabeça para baixo. Foi o caso de um certo livro amarelo.

5.ª - Como em todas as bibliotecas que são bibliotecas tem que haver sempre uma nova entrada, um caloiro, um livro que vem apimentar o gosto. Foi o caso dum certo livro azul. E quando assim acontece geralmente sai um velho, no caso um vermelho que foi para outras paragens. O desaparecimento de um livro, ao contrário do que se possa pensar, é um bom sinal pois toda a gente sabe - ou devia saber - que quando um livro vai de viagem o mais certo é estar na casa de banho ou então na mesinha de cabeceira. Quem lê verdadeiramente lê em qualquer lugar e muita da boa cultura adquire-se sentado na sanita mesmo enquanto se assobia. Excelente sinal, portanto.

6.ª - O livro azul levantou uma interrogação maior pois não chegamos a saber se se prendia com algum entusiasmo por OVNIS e conspirações alienígenas. Seja como for, livros deste género ou fascículos de banda desenhada, policiais, livros de espiões vindos do frio, ficam sempre bem numa biblioteca e podem impressionar muito as visitas.

Por tudo isto tiramos o chapéu a Marques Mendes e à sua biblioteca!


«Post» anterior: «Coronavírus - "Um cego é o que temos aqui"»


(«Coronavírus» neste «blog» e «Coronavírus - Até os extraterrestres estão preocupados!» (idem))

Monday, May 04, 2020

Coronavírus - A vingança dos animais!

Imagem do filme O Leopardo, de Luchino Visconti.






















(1. A propósito: «O Leopardo» (Il Gattopardo), de Luchino Visconti - Cine Cartaz Público; e «THE LEOPARD Trailer» - YouTube; 2. «Coronavírus» neste «blog» e «Coronavírus - Até os extraterrestres estão preocupados!» (idem))

Coronavírus - "Um cego é o que temos aqui"

Na dança do livro azul um ali à beira sempre saltou à vista e tinha lombada vermelha com o nome de José Saramago. Mas esse livro desapareceu. Provavelmente porque Marques Mendes o tem à sua mesinha de cabeceira, e, quem sabe?, se lá não estarão as notas ao Ensaio sobre a Cegueira? Se bem se lembram uma epidemia de cegueira branca espalha-se numa cidade e o governo decide colocar as pessoas infectadas em quarentena. Apenas uma mulher mantém uma visão lúcida perante os acontecimentos: “O medo cega, disse a rapariga dos óculos escuros, São palavras certas, já éramos cegos no momento em que cegámos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos, Quem está a falar, perguntou o médico, Um cego, respondeu a voz, só um cego, é o que temos aqui.

Análise de Marques Mendes no jornal da noite de 2020/05/03, na SIC.



















O medo torna-nos primitivos.

Paralelamente - e nada acontece por acaso, dizem. - um novo título que até aqui se escondia nas costas de Marques Mendes deu a lombada à luz, a Teoria Geral do Direito Civil do Mota Pinto? E perguntam vocês: mas afinal o que tem a ver a Teoria Geral do Direito Civil com o Ensaio sobre a Cegueira? Sinceramente, não sabemos. Mas se calhar há uma relação qualquer... Fica para exercício da vossa imaginação.


«Post» seguinte: «Coronavírus - A biblioteca de Marques Mendes, o fim.»; «Post» anterior: «Coronavírus - A Biblioteca de Marques Mendes - VI»


(1. A propósito: «Ensaio sobre a Cegueira» - Wikipedia; 2. «Coronavírus» neste «blog» e «Coronavírus - Até os extraterrestres estão preocupados!» (idem))

Saturday, May 02, 2020

Coronavírus - Fim do estado de emergência e começo do estado de calamidade

Zig e Zag falam do fim do estado de emergência e começo do estado de calamidade (cartoon):






















(1. «Qual a diferença entre estado de emergência e estado de calamidade?» - Visão de 2020/04/28; 2. Notícia do dia: «Dever de recolhimento domiciliário é para todos e não só para os idosos» - Público de 2020/05/02; 3. «Coronavírus» neste «blog» e «Coronavírus - Até os extraterrestres estão preocupados!» (idem))

Coronavírus - Dupont e Dupont

Quem fala por repetições? Só mesmo os Irmãos Dupont. Já repararam que um "Dupond tem o bigode com corte recto, penteado para baixo, enquanto o outro Dupont tem as pontas do bigode enroladas"? E que este é o único pormenor que os distingue? São distraídos, trapalhões e incompetentes. Por vezes chegam a conclusões precipitadas: "Dizer que nós pisamos o solo da Lua onde a mão do homem jamais pôs o pé." E como reagiriam a um coronavírus?

Mas agora dois cavalos imitam, no seu linguarejar, os Irmãos Dupont:

Imagem do jornal da noite de 2020/05/01, na SIC.





















(1. E porque se fala dos Irmãos Dupont: «Dupont e Dupont - Gêmeos???» - «in» Tintim por Tintim; 2. «Coronavírus» neste «blog» e «Coronavírus - Até os extraterrestres estão preocupados!» (idem))

Wednesday, April 29, 2020

Coronavírus - Até os extraterrestres estão preocupados!

Os vídeos são antigos (2004 e 2015) mas só agora foram divulgados por fontes oficiais:

Jornal da Noite da SIC, de 2020/04/29.























(1. A notícia: «Pentágono divulga vídeos de OVNI para “esclarecer quaisquer equívocos”» - Público de 2020/04/29; 2. «Coronavírus» neste «blog».)

Coronavírus - #FiqueEmCasa

Imagem de "Descalços no Parque", transmissão da RTP de 2020/04/29.





















(1. A propósito: «Descalços no Parque» (filme norte-americano, do género comédia, com Robert Redford e Jane Fonda.) - Wikipedia; 2. «Coronavírus» neste «blog».)

Coronavírus - Livros de amor para ler na Quarentena com Siamês

Quiosque na Rua Antero de Quental, no Porto.





















(«Coronavírus» neste «blog»)

Tuesday, April 28, 2020

Coronavírus - Eu disse mãos ao alto!

"Prós e Contras" de 2020/04/27, na RTP1: aspecto de uma desinfecção.





















(1. E uma imagem/notícia: «Mãos ao Alto» ("A polícia deteve um homem depois de este ter corrido para a praia de Galveston, no Texas, fechada devido à pandemia. A polícia já vinha a perseguir o homem, que segundo testemunhas tinha perturbado a circulação de veículos na Seawall Boulevard.") - MUNDO | COVID-19, RTP Notícias de 2020/04/28; 2. «Coronavírus» neste «blog»)

Coronavírus - Hoje sinto-me verde!

Zig e Zag falam do coronavírus e do estado de saúde (cartoon):





















RTP1 de 2020/07/27, a seguir ao Jornal da Noite.














(1. «China atribui código QR aos cidadãos para conter Coronavírus» (verde, se não há motivo para se isolarem; amarelo, quando são necessários 7 dias de isolamento; vermelho, quando são necessários 14 dias de isolamento) - Público de 2020/03/06; 2. «Coronavírus» neste «blog»)

Monday, April 27, 2020

Coronavírus - Livros de amor para ler na Quarentena

Quiosque na Rua Antero de Quental, no Porto.





















(«Coronavírus» neste «blog»)

Coronavírus - O pensamento democrático de Rui Rio

Não foi bem assim que foi dito, mas a ideia foi esta:

Isto É GOZAR com quem TRABALHA, programa de Ricardo Araújo Pereira de 2020/04/26, na SIC.






















(1. A propósito: «As cadeiras vazias de Rui Rio», neste «blog»; 2. «Coronavírus», idem.)

Coronavírus - A Biblioteca de Marques Mendes - VI

Se tivéssemos que fazer uma História dos Livros e ordená-la por cores dois surgiriam à cabeça: o Livro Vermelho, de Mao Tsé-Tung, e o Livro Verde, de Kadhafi. Ainda encontraríamos um terceiro, pois é comum que as Bíblias tenham capa preta e letras douradas, embora nos digam que o preto não é cor.

Análise de Marques Mendes no jornal da noite de 2020/04/26, na SIC



Já antes aqui tínhamos falado de um certo livro azul que está na biblioteca de Marques Mendes e interrogámo-nos na altura se seria um que pensamos conhecer e que por agora não revelamos para manter o suspense. Mas o problema é que livros azuis, raros, há alguns e o mais parecido que encontrámos foi o Project Blue Book. Chegados aqui, perguntámo-nos: será o relatório, em forma de livro, que está ali na estante ou o filme coberto com uma capa?

Ainda assim fica a pergunta: Será que Marques Mendes é um entusiasta de OVNIS e conspirações alienígenas? Fica a questão que vamos resolver em breve. Está prometido!


«Post» seguinte: «Coronavírus - "Um cego é o que temos aqui"»; «Post» antecedente: «Coronavírus - A Biblioteca de Marques Mendes - V»


(1. O "Livro Vermelho" de Mao Tsé-Tung:

O "Fim da História", a "Síntese", não termina com a conquista do poder pelo proletariado. A luta de classes continua mesmo depois do proletariado conquistar o poder.

Na luta de classes existem "classes antagónicas", que tenderão irremediavelmente a combater-se, e "classes não-antagónicas", cujos interesses não são necessariamente antagónicos. É o caso dos intelectuais em relação aos camponeses ou destes em relação aos operários;

2. E o "Livro Verde" de Kadhafi: «'Livro Verde’ resumia pensamento de Kadhafi durante governo da Líbia» - Globo.com;

3. E porque se fala de alienígenas: «Project Blue Book» - Wikipedia;

4. «Coronavírus» neste «blog»)

Wednesday, April 22, 2020

Dia da Terra em tempos de Coronavírus

Coisas que nem um urso sabe:

Imagem do jornal da noite de 2020/04/22, na SIC.





















(1. A propósito: «Dia da Terra» (22 de Abril) - Wikipedia; 2. «Coronavírus» neste «blog».)

Tuesday, April 21, 2020

Coronavírus - A Biblioteca de Marques Mendes - V

O mistério do Livro Azul

Era nas falsas folhas de rosto dos livros que Fabien colocava o seu nome para que não houvesse dúvidas de que era o proprietário. Fazia isso também para dar valor a cada livro, mostrando que era um livro lido, não um livro só, abandonado. Abaixo do nome, numa segunda linha, ia o nome completo de Margaret, depois uma vírgula, e logo à frente, a cidade onde viviam, Paris.

Assim foram marcados uns quinhentos livros. E assim permaneceram durante anos, expostos, lidos e estimados.

Mas um dia as circunstâncias mudaram. Os livros viajaram para outra casa, ganharam uma nova companheira - Christine - e a segunda linha nas falsas folhas de rosto passou a ser uma intrusa da casa. Acrescentar uma terceira linha não costuma ser bem visto nestas ocasiões e nem a terceira linha se via de bom grado a conviver com a sua rival. De modo que a solução foi amputar dos 500 livros dono, rival e cidade nas falsas folhas de rosto, com muita tristeza, é certo, mas também como prova de tolerância pela terceira linha que sofria - e se calhar ainda sofre - de psicose maníaco-depressiva, vulgo bipolaridade.

O facto é que quinhentas falsas folhas de rosto foram rasgadas e meticulosamente deitadas a um cesto que não chegou a ir para o lixo. Recolhidas e guardadas à sucapa, esperam pelo dia em que voltem a unir-se aos livros a que pertencem. É uma questão de tempo e paciência. Quando a terceira linha já não estiver a ver.

Análise de Marques Mendes no jornal da noite de 2020/04/19, na SIC



Na biblioteca havia um livro especial, conhecido por Livro Azul. O Livro Azul era muito valioso por ser uma primeira edição de que restam uma meia dúzia de exemplares. Tirando a falsa folha de rosto que lhe está em falta está como novo. Provavelmente já não vai a tempo de ser recauchutado. Foi entretanto vendido e comprado num alfarrabista, e é tudo quanto se sabe. E dos 500 restam agora 499.

Será este o Livro Azul que vemos agora na biblioteca de Marques Mendes? O mistério Azul continua. Não percam os próximos episódios!


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(«Coronavírus» neste «blog»)

Sunday, April 12, 2020

Coronavírus - A Biblioteca de Marques Mendes - IV

O nosso faro policial não abrandou na tentativa de encontrar uma explicação sociológica para a biblioteca de Marques Mendes bem como para os hábitos e motivações pessoais do seu proprietário.

Grão a grão enche a galinha o papo e, assim, pelo menos enquanto durar o confinamento, lá chegaremos.


Análise de Marques Mendes no jornal da noite de 2020/04/12, na SIC


Desta vez dois livros de lombada aparentemente de cor cinza trocaram de lugar entre si: o mais alto mudou-se da direita para a esquerda. Será que Marques Mendes está-se a render aos fascínios de António Costa? Fica a pergunta.

A outra observação parece, por enquanto, inócua para a solução: o livro amarelo que andava constantemente aos trambolhões - ora de cabeça para baixo ora de cabeça para cima - deu lugar a uma nova entrada, um livro azul. Mas vamos ficar de olho neste livro azul sem esquecer o amarelo que por agora desapareceu do mapa. Talvez esteja aqui a chave final do problema!


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(«Coronavírus» neste «blog»)

10 estratégias de combate ao Coronavírus e uma para descontrair

1. Bater à porta com o pé. Adquirindo, assim, novas habilidades.

2. Fechar as portas agarrando-as pelo sítio mais alto. Não dá para tarrecos.

3. Ligar os interruptores da luz com os cotovelos à boa maneira de um Bruce Lee.

4. Fugir de tipos mascarados. Provavelmente estão doentes e também não usam a máscara certa.

5. Cumprimentar as pessoas com emojis mantendo o distanciamento social.

6. Evitar os passeios estreitos onde há gente. Caminhar pelo meio da rua. Os carros, poucos, que se afastem.

7. Lavar frequentemente as mãos com sabão, o tempo suficiente de cantar o Coro dos Escravos Hebreus na ópera Nabbuco, de Verdi.



8. Para os destros, utilizar a mão esquerda. Para os outros o inverso. Imaginar que somos uma espécie nova sem boca, nariz e olhos. 

9. Dar uma boa bordoada nos tipos que escarram no chão pois os que fazem isto fazem muito pior. Utilizar pau de longa distância para a bordoada. 

10. Olhar com ar recriminatório à passagem dos nossos inimigos. Esta é uma boa forma de os condenar ao ostracismo.


(1. Para descontrair: «Va, pensiero» (Coro dos Escravos Hebreus) na ópera «Nabucco» (1842), de Giuseppe Verdi, que "relembra a história dos exilados judeus na Babilónia, após a perda do Primeiro Templo em Jerusalém". "A ação da ópera conta a história do rei Nabucodonosor da Babilónia" e suscitou, na época, o sentimento nacionalista italiano - Wikipedia; 2. «Coronavírus» neste «blog».)