O Marcelo que andou como um pardal pelos telhados de Beja em 1975, fugido à extrema-esquerda, que atravessou o Tejo a nado com uns calções à Maria Cachucha só para provar que o rio não estava poluído, que chamou lelé da cuca ao Balsemão e mais tarde, em 2025, activo russo ao Trump, que, em directo, na televisão, ofereceu um leitão da Bairrada ao Júlio Magalhães, o Marcelo jornalista, fazedor de opiniões e professor universitário, que em campanha para Presidente se transformou em cabeleireiro de loiras e, finalmente, Presidente de todos nós, o mais próximo que temos de um rei que quereria ser se Portugal fosse uma monarquia, alguém disse, homem das "selfies", dos beijinhos e abraços e optimista (só superado nisto pelo António Costa), o distribuidor de afectos e amante de geringonças (e quem diz destas diz também de caranguejolas), que por causa de um desejo antigo de unir toda a direita numa frente comum e dos seus improvisos fez uma grandessíssima cacaborrada, o presidente chamuscado por um filho no caso de umas gémeas e há que cortar relações com o “insolente”, que fique no Brasil e esqueça a herança, o presidente dos salgadinhos, de uma bola de berlim, um queijinho da serra, uma ginjinha, uma poncha, uma carninha tenrinha ou um "pexinho" assado na brasa, tanto faz, “hum-hum!”, “divinal!”, “de comer e morrer por mais…”, o presidente contador de histórias do beco dos Távoras ao início da noite com um batalhão de jornalistas atrás e uma militar ao lado, passeios nocturnos depois da ginjinha, com mensagens sub-reptícias, alegorias, ferroadas, nunca revelando, verdadeiramente, o que lhe vai na alma, gerindo os silêncios, porque agora é o tempo da justiça, porque agora é o tempo dos partidos, porque agora é o tempo do rescaldo das eleições, ou os jogos de palavras como na greve dos motoristas de 2019, “os fins são legítimos mas os meios prejudicam os fins e os sacrifícios prejudicam a comunidade”, com as suas observações à Pantagruel, como em 2025, quando disse que os portugueses têm de escolher entre um hipotético sucessor de “gastronomia forte” ou “gastronomia mais suave” e, ao contrário do que se previa, sai um da gastronomia mais suave, o Seguro, a quem acusou em 2012 de ter promovido uma golpaça (4.b)) com a revisão dos Estatutos do PS, e de querer vitimizar-se, coisa que se desculpa pelo tempo que já lá vai e porque era na altura comentador de domingo na TVI, sim, o Marcelo, o presidente, o homem que os portugueses adoram pela sua afectividade, que chegou a pé e saiu a pé da Presidência, foi ontem à sua vida de cidadão comum e deixa uma marca difícil de igualar.
Mas achamos que foi uma saída inglória!
Por isso, fabricámos esta:
Se ia tirar brilho à cerimónia de posse do seu sucessor? Claro. Brilho e lustro!
(1. Retrospeciva: «Chegou ao fim a era Marcelo: imagens de um presidente que mudou Belém» (com “algumas das imagens dos dois mandatos de Marcelo Rebelo de Sousa, dez anos depois de se ter tornado no "presidente dos afetos".”) – Jornal de Notícias de 2026/03/08;
2. As notícias: a) «Aí está a despedida de Marcelo do Palácio de Belém» – CNN Portugal de 2026/03/09; b) «Últimas palavras de Marcelo como Presidente foram à saída de um supermercado» – TVI Player de 2026/03/09; c) «Dia de despedida: Marcelo sai do Palácio de Belém e ouve-se o hino nacional» – SIC Notícias de 2026/03/09; e d) «Seguro cumpre tradição e condecora Marcelo com o grande-colar da Ordem da Liberdade» – RTP Notícias de 2026/03/09;
4. Notas: a) Composição com Nano Banana (Gemini) e recurso a imagem disponível na Web; e b) Dicionário: «Golpaça vs. golpada» (“O que fez Marcelo Rebelo de Sousa? Pegou no substantivo golpada, retirou-lhe o sufixo -ada e substituiu-o pelo sufixo aumentativo -aça, conferindo uma conotação mais pejorativa a uma palavra que já a tem.”) – Ciberdúvidas da Língua Portuguesa.)

No comments:
Post a Comment