Friday, October 09, 2026

Orçamento do Estado para 2027

O Ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, entregou ontem ao Presidente da Assembleia da República a Proposta de Lei n.º 110/XVII/2.ª do Governo que aprova o Orçamento do Estado para 2027.

A Proposta será discutida no Parlamento até à votação final global a 24 de Novembro.

“Verbas para a Saúde caem 1,5% no próximo ano” (1.a));

“Verbas para Ensino Superior, Ciência e Inovação caem 7,6%” (1.a));

“No próximo ano letivo, a matriz curricular do ensino Básico e Secundário será atualizada a par da conclusão da revisão das Aprendizagens Essenciais. As dimensões estruturantes serão a "leitura, matemática, literacia financeira, competências digitais e conhecimento sobre Inteligência Artificial".” – assaz curioso e dá que pensar!... (1.b));

“Verbas para a Defesa sobem 1,4% para 3798,8 milhões” (1.a)).

Caso para dizer ao Primeiro-Ministro...


Esquecíamos esta: “Previsão da receita efetiva total da Segurança Social para o próximo ano é de 53.151,4 milhões de euros” – Trate-a bem, Senhor Primeiro-Ministro! (1.a)).


(1. As notícias sobre o OE2027: a) «OE2027 confirma política de habitação do Governo. Tabaco e álcool valem mais 166 milhões em impostos»  – Diário de Notícias de 2026/10/08, COM OS MOMENTOS-CHAVE;

b) «PS avisa que podem não estar cumpridas condições para viabilizar OE2027» – Jornal de Notícias de 2026/10/08, COM OS VÁRIOS MOMENTOS-CHAVE, como exemplo este: JN/Agências: “Chega diz que Governo apresentou um “mau orçamento” e recusa ser “muleta””;


2. a) «Entrega da Proposta de Lei do Orçamento do Estado para 2027» (“A Proposta de Lei n .º 110/XVII/2.ª​, que aprova o Orçamento do Estado para 2027, foi entregue ao Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, pelo Ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, no dia 8​ de outubro​.”) – Assembleia da República;

e b) «Proposta de Lei 110/XVII/2» – Assembleia da República;

3. Fotografia do autor com colagem de composição feita em Nano Banana (Gemini).)

Wednesday, October 07, 2026

Comunicado de Cristiano Ronaldo

Dissemos aqui há dias, é certo que na brincadeira, que...

anda o país entretido com o abandono do Cristiano Ronaldo da selecção nacional, as suas picardias com o malvado do Jorge Jesus que ainda por cima diz que o Cris é um símbolo da selecção e de Portugal, com o Pedro Proença e as interferências do Montenegro que em vez de trabalhar mete-se onde não é chamado

(crítica, aliás, injusta)

e com a partida do jogador para a Arábia Saudita, com alguns ainda na esperança de que regresse, brevemente, tal qual um dom Sebastião,

e, não satisfeitos com tudo isto, fomos buscar uma história idêntica: a história do “Zé das Medalhas” e do seu treinador “O Homem que não dá tréguas”,

em que o Zé via os milhões sumirem por abandono das marcas e dos patrocínios e, no entanto,

nada mais errado!

I

Deixemos o Zé das Medalhas e foquemo-nos no Cristiano Ronaldo:

1. O abandono do Cristiano Ronaldo do estágio da selecção nacional tem um impacto muito mais severo para a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e para a “Marca Portugal” do que para o próprio Cristiano Ronaldo e a “Marca CR7”.

2. Ronaldo já demonstrou intenção de cumprir eventuais castigos e procurar uma saída digna que servirá para selar o seu legado histórico sem manchar a narrativa de “herói nacional”, protegendo o valor comercial da sua marca no mercado, que depende das suas próprias redes sociais, dos seus negócios privados e de contratos que estão assegurados e não vinculados à selecção.

3. Os riscos a longo prazo são significativamente maiores para a FPF do que para a marca CR7.

4. Embora os contratos actuais de patrocínio da FPF estejam amplamente salvaguardados até 2030, sem Cristiano Ronaldo Portugal continua a ser uma selecção talentosa mas perde o estatuto de potência a nível mundial, baixando no “ranking”.

5. Vários patrocinadores podem exigir renegociações se sentirem que os pressupostos comerciais mudaram radicalmente, visto que as marcas internacionais investem para ter acesso à imagem de Ronaldo e, não a tendo, é natural que a atracção de investimento estrangeiro diminua no futuro próximo.

6. O verdadeiro desafio estratégico e financeiro reside agora do lado da Federação, que já sentiu o impacto nas plataformas digitais, e terá agora de aprender a vender o produto “Selecção Nacional” sem o seu maior embaixador económico.

II

Implicações que extravasam o desporto

1. A crise em torno de Cristiano Ronaldo tem implicações que extravasam o desporto e tocam a economia nacional, que justificam que o Governo tenha motivos fundados para acompanhar a situação com preocupação. O jogador é um activo económico vital para a recuperação externa do país.

2. “Muitos só conhecem Portugal por causa de Cristiano Ronaldo” e o seu afastamento constitui uma perda de atractividade reputacional para o país.

3. Com Cristiano Ronaldo fora da selecção, tanto a FPF como a projecção internacional do país “valem muito menos”. O interesse global por conteúdos, notícias e eventos ligados a Portugal sofre uma quebra imediata.

4. Ronaldo funciona como um motor de promoção turística. O litígio dele com as estruturas nacionais enfraquece as campanhas internacionais baseadas na associação da hospitalidade e sucesso à figura do astro do futebol.

5. A ausência do capitão Ronaldo em jogos oficiais e amigáveis prejudica o valor dos direitos de transmissão televisiva internacionais e diminui o fluxo de adeptos estrangeiros que viajam propositadamente para ver a selecção jogar.

6. Estando Portugal na rota da organização do Mundial de 2030, Ronaldo é a figura de cartaz natural para atrair grandes investidores internacionais, patrocinadores multinacionais e dinamizar infraestruturas no país. Uma ruptura permanente com a selecção enfraquece o trunfo comercial e diplomático mais forte que o país detém para potenciar as receitas extraordinárias previstas para aquela organização.

7. A garantia dada ontem por Ronaldo afasta o cenário de uma reforma definitiva e amarga, abrindo a porta a um entendimento futuro que proteja os interesses financeiros do país.

III

Hierarquia do impacto e perdas financeiras potenciais

1. A “Marca selecção” (FPF) tem um risco considerado de alta vulnerabilidade de quebra a médio prazo. Embora os contratos vigentes estejam blindados até 2030, a capacidade de negociar novos patrocínios, as receitas extraordinárias de digressões e os contratos de direitos de transmissão televisiva internacionais estão sob risco de desvalorização sem a presença de Cristiano Ronaldo em campo.

2. A “Marca Portugal” tem um risco considerado de moderada vulnerabilidade de impacto indirecto na projecção externa, em termos turísticos. O impacto não se traduz num perda imediata de facturação mas sim numa quebra de projecção mediática, atractividade turística e capacidade de levar a cabo investimentos estrangeiros privados na fase de promoção do Mundial de 2030.

3. A “Marca CR7” tem um risco considerado de baixa vulnerabilidade por ser uma marca completamente globalizada e desvinculada do futebol internacional português, com receitas provenientes de contratos e negócios noutras áreas que se mantêm intactos, ou seja, um impacto financeiro mínimo, resultado de um recuo imediato (e temporário) nas audiências das suas redes sociais locais no mercado português.

4. A FPF ficou privada do seu elemento mais valioso, enquanto a “Marca CR7” manteve o seu modelo de negócio global que também opera no mercado asiático e do Médio Oriente.

IV

Subordinação do poder político ao poder económico

1. No capitalismo actual, o governo já não actua como regulador social mas sim como um zelador da “reputação de mercado” do país. Quando o Estado intervém na esfera desportiva para proteger a imagem de Cristiano Ronaldo está a agir para salvaguardar um activo intangível que exporta: a “Marca Portugal”.

2. Tradicionalmente, o Estado detinha o monopólio da representação externa. Hoje, um indivíduo (com a “Marca CR7” que além do seu muito valor tem uma audiência digital enorme) possui mais poder de influência e diplomacia que um governo. O poder político subordina-se porque reconhece que o seu próprio poder de atracção económica depende do consentimento e da saúde financeira da supermarca.

V

Interferência política nas instâncias desportivas

1. A FPF é juridicamente uma pessoa colectiva de direito privado, sem fins lucrativos, com estatuto de utilidade pública desportiva que na prática opera como um ministério informal da propaganda e do turismo do governo. A pressão política exercida sobre a FPF e o seleccionador Jorge Jesus para resolver o diferendo com Ronaldo demonstra que o critério puramente desportivo (disciplina, táctica, autoridade do treinador) é secundário quando colide com as metas macroeconómicas do país (como a viabilidade comercial do Mundial de 2030).

2. O poder político interfere porque o futebol é a ferramenta mais eficaz para a coesão social e a anestesia política a curto prazo. Garantir que a selecção mantém a sua estrela máxima não visa apenas ganhar jogos; visa garantir as audiências televisivas, o consumo interno de bens associados ao futebol e a estabilidade emocional de uma população que consome o desporto como a sua principal forma de catarse colectiva.

Legenda: Cristiano regressa à selecção como Consultor Estratégico, tendo como adjunto Jorge Jesus.

VI

Análise geral do capitalismo actual

1. O desporto foi transformado numa indústria de entretenimento puro; pela lógica de acumulação de capital, Ronaldo já não é apenas um trabalhador assalariado de elite; ele é o proprietário dos seus próprios meios de produção (as suas redes sociais, marcas, media, hotéis e clínicas).

2. Se o mercado português reage mal e a “Marca CR7” sofre uma quebra mínima, a marca compensa imediatamente a quebra expandindo a sua operação no Médio Oriente ou na Ásia através do Al-Nassr ou de contratos digitais. O capital é fluído, não tem pátria e é imune a considerações morais.

3. O valor de Ronaldo não reside na sua capacidade física de chutar uma bola aos 41 anos mas sim na sua capacidade de gerar atenção (likes, visualizações, tendências). No capitalismo actual a atenção é a moeda mais valiosa do mundo e quem controla o monopólio da atenção – como CR7 – dita as regras do mercado e do próprio Estado.


(1. O PODCAST: «Caso Ronaldo: O desafio da gestão das marcas» – Jornal de Negócios de 2026/10/06;


3. Já agora, e porque se fala da «Copa do Mundo FIFA de 2030» (Campeonato Mundial de Futebol FIFA de 2030. Será disputado em Espanha, Marrocos e Portugal) – Wikipedia;

4. Nota: composição com Nano Banana (Gemini).)

Palácio de Cristal Caminhos do Romântico

Dom Raimundo passeando com a sua esposa plebeia e dando mais uma aula de História do Porto.



(1. E perguntam vocês: onde fica o Palácio de Cristal? A resposta: «Palácio de Cristal (Porto)» (“O Palácio de Cristal (1865–1951) foi um edifício que existiu no antigo campo da Torre da Marca, na freguesia de Massarelos, na cidade do Porto, Portugal. Inaugurado em 1865, o Palácio de Cristal original acabou por ser demolido em 1951 para dar lugar ao Pavilhão dos Desportos (hoje oficialmente denominado "Super Bock Arena: Pavilhão Rosa Mota").” // “O Palácio de Cristal, da autoria do arquiteto inglês Thomas Dillen Jones, foi construído em granito, ferro e vidro, tendo o Crystal Palace londrino por modelo. Media 150 metros de comprimento por 72 metros de largura e era dividido em três naves.”) – Wikipedia;

2. A propósito (Os Caminhos do Romântico começaram com o Porto Capital Europeia da Cultura, em 2001):

a) «Jardins do Palácio de Cristal» (“Desde 1542, este espaço era conhecido como o Campo da Torre da Marca, por aqui ter sido construída uma Torre que servia de referência à entrada dos navios na barra do rio Douro. Em 1854, foi aqui construída a Capela Carlos Alberto em honra do Rei de Piemonte-Sardenha que se exilou no Porto depois de perder a Batalha de Novara e onde pouco tempo depois acabou por falecer.” // “As Camélias estão presentes em vários pontos dos Jardins do Palácio (...)”) – Câmara Municipal do Porto;

b) «CAMINHOS DO ROMÂNTICO» (“Os Caminhos do Romântico abrem a cidade a um rizoma de temas que percorrem o ideário Romântico portuense. Em 2022, o Museu da Cidade apresenta a reativação deste projeto originalmente criado no âmbito da Porto 2001 (...))” – Museu do Porto;

c) «CAMINHOS DO ROMÂNTICO — A QUINTA DOS PACHECO PEREIRA» (“A Quinta dos Pacheco Pereira afirma-se como um lugar-chave na leitura da transformação do Vale de Massarelos ao longo do século XIX, num tempo em que o Porto se expandia e se redesenhava sob o impulso de profundas mudanças sociais, económicas e urbanas.”/ “Mais do que uma propriedade, esta quinta testemunha um processo mais vasto de ocupação e consolidação do território, onde antigas estruturas rurais coexistem e, progressivamente, dão lugar a novas formas de habitar, produzir e circular.”) – Museu do Porto;

d) «Percurso da Água» (“O elemento água constitui-se como uma presença constante no território compreendido pelo vale de Massarelos. Se por um lado o modela de forma espontânea, abrindo caminhos naturais, através do Rio Douro e do Ribeiro de Vilar, por outro é pretexto para transformações humanas do território materializadas por chafarizes, fontes, lagos, moinhos ou canais no topo dos muros.”) – Museu do Porto;

e) «Percurso da Indústria» – Museu do Porto;

f) «Percurso da Natureza» (“Quinta do Meio [Quinta da Casa Tait]”) – Museu do Porto;

g) «CAMINHOS DO ROMÂNTICO — O VALE DE MASSARELOS A FERRO E FOGO — O CERCO DO PORTO 1832—1833» (“O extenso Vale de Massarelos é muito rico em espaços de memória do Cerco, tanto em locais de posições de artilharia e combates, como nas residências das famílias inglesas, proprietárias das caves – à época ocupadas pelas tropas Miguelistas, mas residentes na margem Norte do Douro. Destacam-se ainda ruas configuradas com o desenho urbano da época, como a Rua da Macieirinha ou a das Virtudes.”) – Museu do Porto;

h) «O Porto e a Europa do renascimento : Torre da Marca» (“Reprodução de uma gravura de Aguilar. Londres, 1797. Troço de parede ameada com arco central, que funcionava como sinalização para os navegantes. Foi construída para substituir um pinheiro de grandes dimensões. Situava-se perto do local onde se ergue actualmente a Capela de Carlos Alberto.”) – Arquivo Municipal do Porto;

i) E porque se fala da «Capela Carlos Alberto» – Wikipedia;

e j) E porque se fala de «Carlos Alberto da Sardenha» – Wikipedia;

3. Notas:
 
a) “O Vale de Massarelos é uma zona histórica e rica em memória na cidade do Porto, estreitamente ligada ao Cerco do Porto (1832–1833) e ao período romântico.”;

e b) composição a partir de fotografia e com Nano Banana (Gemini).)

Tuesday, October 06, 2026

Não é o Branco sobre branco de Kazimir Malevich

O quadro não é o “Branco sobre branco” do Kazimir Malevich. Poderia ser “Tela com manchas em moldura dourada” mas ficou sem nome.

Vemos um homem que admira profundamente a obra, um outro que está cheio de sono e um rapaz que só pensa em dormir.

De modo que é um quadro que já não incomoda ninguém!



(Grosso modo, pode-se dizer que “arte subversiva” é aquela que rompe com convenções estéticas e questiona as estruturas políticas e sociais, muitas vezes o próprio mercado de arte.

1. São vários os exemplos:

a) “Branco sobre branco” (Quadrado branco sobre fundo branco) (Suprematismo), 1918, de Kazimir Malevich;

b) “A Fonte” (ready-made: o valor da obra passa a ser o conceito, o significado e, principalmente, a ideia subjacente à obra, e não apenas a técnica, a habilidade manual de fabricar o objeto.), 1917, de Marcel Duchamp: um mictório comum em cerâmica;

c) “Jogadores de Skat” (Aleijados de Guerra Jogando Cartas), (Nova Objetividade, como reacção ao expressionismo), 1920, de Otto Dix: veteranos da Primeira Guerra Mundial terrivelmente mutilados a jogar cartas;

d) “My Bed” (“A Minha Cama”), 1998, de Tracey Emin: a artista expôs a sua própria cama desfeita, cercada por detritos íntimos (preservativos usados, pacotes de cigarros, manchas de sangue);

e) “Love is in the Bin / Girl with Balloon” (O amor está na lixeira / Menina com balão), (arte autodestrutiva), 2018, de Banksy: a tela auto-destruiu-se com um triturador escondido na moldura logo após ser leiloada;

f) “Merda de Artista” (Merda d'artista), (influência da ideia dos ready-made), 1961, de Piero Manzoni: latas lacradas com fezes do autor, vendidas a peso de ouro;

e g) «Grada Kilomba» (minimalismo pós-colonial): inverte a lógica tradicional do minimalismo, cruzando a tradição oral africana (a figura do griot, que não é apenas um contador de histórias mas o guardião da memória coletiva, da história oral, da genealogia e da sabedoria de uma comunidade.) com "um espaço contemporâneo e muito minimalista, com texto, narração e projeção de vídeo", como ferramenta política para "descolonizar o pensamento" e expor o silenciamento histórico colonialista, de modo que a mensagem decolonial ganhe força e clareza;

2 – Escolas artísticas:

a) «Suprematismo» – Wikipedia;

b) «Ready-made» (objectos do quotidiano: o valor da obra passa a ser a ideia e a escolha do artista, e não a habilidade manual de fabricar o objeto.) – Wikipedia;

c) «Nova Objetividade» – Wikipedia;

d) «arte autodestrutiva» (ADA) – Wikipedia;

e e) Minimalismo pós-colonial: ««Eu traduzo a tragédia humana em imagens poéticas, por vezes arrepiantes e assustadoras.» A arte subversiva e única de Grada Kilomba» (“Nas suas instalações imersivas e de grande escala, Kilomba conta histórias, lança perguntas e explora os conceitos de memória, trauma, repetição, violência cíclica e pós-colonialismo, usando vídeo, performance, instalações espaciais, escultóricas e sonoras.” // “Um novo minimalismo pós-colonial é a designação frequentemente dada a Grada Kilomba e à sua prática artística.” // “«O que diria o fundo do mar amanhã, se esvaziado de água hoje?» Ao imaginar o fundo do mar como um arquivo histórico da condição humana, onde milhões de corpos jazem no seu fundo ao longo dos séculos: da escravatura e travessia transatlântica, às políticas de exclusão e migração, às tragédias climáticas, guerras e genocídios, o mar memoraliza a violência da história humana.”) – Centro de Arte Moderna Gulbenkian de 2025/08/06;


3. Nota: composição com Nano Banana (Gemini).)

Sunday, October 04, 2026

Jato privado de Cristiano Ronaldo viaja este domingo para Riade

Anda o país entretido com o abandono do Cristiano Ronaldo da selecção nacional, as suas picardias com o malvado do Jorge Jesus que ainda por cima diz que o Cris é um símbolo da selecção e de Portugal, com o Pedro Proença e as interferências do Montenegro que em vez de trabalhar mete-se onde não é chamado e agora com a partida do jogador para a Arábia Saudita, com alguns ainda na esperança de que regresse, brevemente, tal qual um dom Sebastião.

Nós aqui achamos que é uma questão de ego e de milhões.

E fomos buscar uma história idêntica: a história do “Zé das Medalhas” e do seu treinador “O Homem que não dá tréguas” e que teve um Final Feliz.

(Foi só um sonho mau. Nunca as marcas e os patrocínios desapareceram e muito menos os milhões sumiram.)


Logo, às 19h45, temos o Portugal – Noruega. (Portugal venceu por 2 – 1 e garantiu o apuramento para os quartos de final da Liga das Nações de futebol)


(1. As notícias: a) «Jato privado de Cristiano Ronaldo viaja este domingo para Riade» – RTP Desporto de 2026/10/04;


2. Coisas ainda mais lamentáveis, que não deviam acontecer: a) «Polémica na seleção: primeiro-ministro falou ao telefone com Jorge Jesus e Cristiano Ronaldo» – SIC Notícias de 2026/10/01;

e b) «"Cristiano explodiu": amigo de Ronaldo explica saída do capitão e atrito com Jorge Jesus» (“O primeiro-ministro falou ao telefone com o selecionador depois do abandono do capitão.”) – SIC Notícias de 2056/10/01;

3. «“Dizer que sem o Ronaldo os patrocinadores vão-se embora é o mesmo que dizer que ele tem o lugar comprado na seleção nacional”» – SIC Notícias, PODCAST: Miguel Sousa Tavares (de viva voz) com Paula Santos e João Martins em 2026/10/01;

4. Já agora, o jogo de hoje Portugal – Noruega: «Jorge Jesus deixa defesa de fora do embate com a Noruega» – Zerozero de 2026/10/04;

5. O Portal da «UEFA NATIONS LEAGUE»;

6. Nota: composição com Nano Banana (Gemini).)

Friday, October 02, 2026

Rafael Leão assume camisola 7

Não é CRF = Carvalho Ribeiro & Ferreira, nem CR7 = Cristiano Ronaldo, agora é RL7 = Rafael Leão.

O Jorge Jesus (JJ para os amigos), que é mau como as cobras, entendeu que qualquer um pode ter o 7 e deu a camisola ao Rafael Leão no jogo de ontem Dinamarca – Portugal.

Encontrámos uma fotografia da repórter Câncio Limão, da TVTerror, que comprova isso mesmo.

À esquerda, um homem que ficamos na dúvida se chora compulsivamente ou chora de riso; ao fundo, o Cris, sem 7, mas com bom ar, que, segundo nos informaram, reformou-se e está agora nos escuteiros; à frente dele, vestindo a camisola 7, o Rafael Leão.

De modo que CR7 já foi, o que agora está a dar é RL7!


(Portugal ganhou 4 – 2)


(1. As notícias: a) «Rafael Leão assume camisola 7 após Ronaldo abandonar estágio da Seleção Nacional» (“Rafael Leão troca assim a camisola 17 pela número 7 e Fábio Silva fica com o número que pertencia Leão.”) – SIC Notícias de 2026/10/01;


c) «“Dizer que sem o Ronaldo os patrocinadores vão-se embora é o mesmo que dizer que ele tem o lugar comprado na seleção nacional”» – SIC Notícias, PODCAST: Miguel Sousa Tavares (de viva voz) com Paula Santos e João Martins em 2026/10/01;



2. Já agora: Portal da «UEFA NATIONS LEAGUE»;

3. Nota: composição com Nano Banana (Gemini).)

Thursday, October 01, 2026

Parlamento aprova nova lei do arrendamento com abstenção do Chega

De há dois dias para cá os nossos canais de televisão têm-nos brindado com questiúnculas futebolísticas em vez de falarem do mais importante: a autorização legislativa (Proposta de Lei 103/XVII/1) aprovada ontem, com a abstenção do Chega, para o governo, num prazo de 180 dias, rever o novo regime de arrendamento urbano (NRAU) que, entretanto, baixa à comissão parlamentar para discussão na especialidade.

E o que prevê, de mais importante, a autorização legislativa?

1. Fim do travão à renda nos novos contratos: eliminação do limite máximo de 2% que vigorava para a fixação da renda inicial;

2. Negociação livre de cauções: possibilidade de exigir até três cauções adiantadas, deixando de existir um limite máximo estrito para o valor global das mesmas;

3. Flexibilização de prazos contratuais: flexibilização da oposição à renovação do contrato de arrendamento;

4. Caducidade de arrendamentos pós-hipoteca: caso um imóvel seja vendido num processo executivo por dívida ao banco, os contratos de arrendamento celebrados depois da constituição da hipoteca caducam automaticamente com a venda, contrariando decisões judiciais anteriores do Supremo Tribunal de Justiça. 

Maricarmen! A pilhagem!



(1. As notícias: a) «Parlamento aprova nova lei do arrendamento com abstenção do Chega» (com os vários MOMENTOS-CHAVE) – RTP Notícias de 2026/09/30;




3. Maricarmen, artigos de opinião: a) «Expropriar os fundos imobiliários, já!» (“Maricarmen tem 87 anos, a renda passou de 500 para 2300 euros, ela foi despejada de cadeira de rodas, pelo Estado, com 8 polícias de corpo de intervenção, para que serve a polícia? A população de Madrid reagiu, numa manifestação espontânea. Ela – já no hospital, sentada na cama, quase mas 90 anos – , disse “não parem de lutar”. A partir daí ocupação da Praça do Sol, milhares na rua, e os professores e estudantes (maré verde pela educação pública) juntaram-se à manifestação pelo direito à habitação. Tento recordar-me da música Ay Carmela, cantada na revolução espanhola, e trauteio “Ay Maricarmen! Velhos são os trapos!”) – Raquel Varela, 2026/09/28;

e b) «Maricarmen» (“Andaram a brincar no centrão com a vida das pessoas com propostas moderadas, para captar o voto ao centro, como rendas subsidiadas. O resultado está à vista, a nova fase do capitalismo mundial é de pilhagem directa. As rendas subsidiadas só servem para aumentar o preço das casas e financiar proprietários.”) – Raquel Varela, 2026/09/25;

4. Notícias de Maricarmen: a) «Maricarmen dá o sim ao acordo para voltar a casa de Madrid e vai pagar cerca de 500 euros» – Diário de Notícias de 2026/09/29;


e c) «Idosa de 87 anos despejada em Madrid vai poder regressar a casa após acordo» (“A própria Maricarmen Abascal pediu no sábado, a partir do hospital onde está internada, que a manifestação sirva para que “mudem as leis que permitiram” o seu despejo e disse que "na terça-feira tem de ser aprovado o decreto-lei para dar um primeiro passo para acabar com este absurdo".”) – SIC Notícias de 2026/09/28;

5. Nota: composição com Nano Banana (Gemini).)

Friday, September 25, 2026

Lei das burcas entra em vigor

A lei que proíbe tapar o rosto em locais públicos entrou anteontem em vigor (23/09) e já fez uma vítima: Xerazade*.

Xerazade, apesar das suas origens persas (não é uma árabe), nasceu em Portugal, é portuguesa e católica. Aos Domingos vai à missa e põe um véu preto rendado sobre a cabeça e os ombros – uma espécie de hijab –, como antigamente faziam as nossas avós, e nunca o padre e o sacristão se importaram com isso. Sempre pensaram, e bem: “São gostos”. Trabalha em moda e é uma “avant-garde”**, o que a levou a vestir-se de forma diferente na praia.

O polícia, zeloso, apareceu e decidiu aplicar a lei acabadinha de parir e cortou as unhas rentes.

Mas, se visse melhor, concluiria que não era provável que debaixo da burca a senhora escondesse armas de pederneira, arcabuzes, gadanhas e formões, que nenhum motivo válido havia para identificá-la e multá-la, e que a leitura de “O Amante de Lady Chartelley” já por si despistava uma perigosa extremista muçulmana.

(Mas sempre a pulga atrás da orelha do zeloso mangas de alpaca.)

E a verdade, verdadinha, é que amanhã, por lei, Xerazade não pode sair à rua e muito menos ir à praia.

Mantemos a nossa: cada um anda como quer e o Estado não tem nada a ver com isso.

Legenda: Praia de Olhamar, Norte de Portugal. Xerazade é multada por uso de burquini (burca, óculos de sol e biquini.)


(1. As notícias: a) «"Lei das Burcas". Provedoria de Justiça analisa pedido de fiscalização da constitucionalidade do diploma» – RTP Notícias de 2026/09/23 (notícia actualizada em 24);



2. E porque se fala do livro «Lady Chatterley's Lover» (“O Amante de Lady Chatterley”, de  D. H. Lawrence, 1928: “O livro logo se tornou notório por sua história da relação física (e emocional) entre um homem da classe trabalhadora e uma mulher da classe alta, suas descrições explícitas de sexo e o uso de palavras profanas então impossíveis de serem impressas.”) – Wikipedia;



4. «Lei n.º 58/2026, de 24 de agosto» (“Estabelece as regras de segurança e prevenção alusivas à identificação do cidadão a adotar em espaços públicos.”) – Diário da República;

5. Dicionário do texto:

* «Xerazade» (“persas e árabes são dois povos distintos com origens, línguas e culturas diferentes, embora ambos sejam majoritariamente muçulmanos e tenham influenciado-se mutuamente ao longo da história.”) – Wikipedia;

** “avant-garde”: «Vanguarda» (“Nas artes, a vanguarda produz a ruptura de modelos preestabelecidos, defendendo formas antitradicionais de arte e o novo nas fronteiras do experimentalismo.”) – Wikipedia;

6. Nota: composição com Nano Banana (Gemini).)

Wednesday, September 23, 2026

The Cockroach Janta Party. E se todas as baratas se juntassem?

O Cockroach Janta Party (CPJ), ou, numa tradução livre, Partido Popular das Baratas (ou Partido das Baratas), é um movimento de sátira e protesto juvenil formado "para denunciar o colapso da educação e da política na Índia" e cujo título parodia o actual partido do governo, o Bharatiya Janata Party (BJP), do Primeiro-Ministro Narendra Modi. 

Abhijeet Dipke lançou o movimento a 16 de Maio de 2026 após um comentário de Surya Kant, o Chefe de Justiça da Índia (Presidente do Supremo Tribunal da Índia), que terá, involuntariamente, comparado os jovens (desempregados e politicamente activos) a “baratas” e “parasitas da sociedade”.

De um insulto nasceu a pergunta: “E se todas as baratas se juntassem?”





e c) «“Baratas, uni-vos!”» – Jornal Maio em 2026/09/19;

2. Na Wikipedia: a) «Cockroach Janta Party» – Wikipedia;

b) «Abhijeet Dipke» – Wikipedia;

e c) «Bharatiya Janata Party» (“O Partido Bharatiya Janata (lit. 'Partido do Povo Indiano') é um partido político nacionalista hindu na Índia, situado à direita ou à extrema-direita do espectro político; é um dos dois principais partidos políticos indianos, juntamente com o Congresso Nacional Indiano. Desde 2014, é o partido político governante na Índia sob o comando do atual primeiro-ministro Narendra Modi.”) – Wikipedia;

3. Dicionário: a) “E se todas as baratas se juntassem?”: “Cockroaches, unite!” ou “Roaches, unite!”: “Baratas, unam-se (ou uni-vos)!”; b) “Roach Power”: “Poder das Baratas”; c) “Baygon”: marca de um insecticida contra baratas; e d) “resistência rastejante”: resistência subtil, passando despercebida até causar um grande impacto;

4. Notas: a) "A conta oficial do Partido Cockroach Janta Party no Facebook foi bloqueada na Índia em 21 de Maio de 2026" mas o Tribunal Superior de Deli ordenou o desbloqueio da conta em 7 de Julho; e b) composição com Nano Banana (Gemini).)

Monday, September 21, 2026

Uma cerca dura 3 anos, um cachorro dura 3 cercas...

Encontrámos uma lengalenga curiosa (um provérbio alemão antigo?) e decidimos continuá-la com um burro, um corvo e uma fénix (sendo possíveis outras variantes). Deu nisto:


(1. E perguntam vocês: que ave é essa chamada de «Fénix»? (“Hesíodo, poeta grego do século VIII a.C., afirmou que a fénix viveria nove vezes o tempo de existência do corvo, que tem uma longa vida. Outros cálculos mencionaram até 97 200 anos.”) – Wikipedia;

2. Para quem não gostar de fazer contas: 3, 9, 27, 81, 243, 729 e 2187;

3. Nota: composição com Nano Banana (Gemini).)

Erupção explosiva

Comeu à tripa-forra (encheu a tripa) e deu nisto:


Para a próxima come sopinha de minhoca, ó lateiro!


(1. Dicionário: a) “à tripa-forra”: com abundância, até não querer mais; b) “encher a tripa”: comer muito até ficar farto; c) “come sopa de minhoca” («Dicionário aberto de calão e expressões idiomáticas» (recolha de José João Almeida, 2026/09/01)): alternativa insultuosa para quem se recusa a fazer um serviço (Br.); não é o caso aqui, que está como metáfora e ironia; e d) “lateiro”: comilão, lambão;

2. A propósito: a) «Vulcão» – Wikipedia; b) «Erupção vulcânica» – Wikipedia; c) «Fluxo piroclástico» – Wikipedia; d) «Lava» – Wikipedia; e e) «Magma» – Wikipedia;

3. Nota: composição com Nano Banana (Gemini).)

Saturday, September 19, 2026

As trotinetas não foram feitas para gordos


(1. A propósito: a) «E-scooter» – Wikipedia; 2. a) «Como será a mobilidade urbana nas cidades inteligentes?» – prio.pt; e b) «Mobilidade urbana» – Wikipedia; 3. Nota: composição com Nano Banana (Gemini).)

TRANSFORM LPT-X e-scooter

O Fanecas tinha os seus sonhos como qualquer criança. O pai queria que fosse engenheiro, como um avô lá para trás, mas não estava inclinado a isso, queria ser pintor rupestre, coisa impossível.

Com o tempo, acabou por convencer-se que as habilidades que tinha para destruir brinquedos ou deixar incompletos os seus desenhos talvez revelassem dotes de genialidade e conseguisse conciliar as duas actividades, a de engenheiro-inventor e a de pintor rupestre, coisas irrealizáveis como se veio a verificar.

Um dia deu por ele a imaginar coisas impossíveis.

Uma era um material que conseguisse sustentar-se no ar, que desafiasse a lei da gravidade, não subisse, nem descesse, mas não havia teias de aranha suficientes no quintal. Além disso, bastava a mais leve aragem, a porta do quarto abrir-se de supetão, ou um mosquito maldito a esvoaçar, para o projecto ir cano abaixo.

(E, claro, a aranha a rir-se dele, a bandeiras despregadas!)

A outra era construir uma réplica da “Sagrada Família”, do Gaudí, mas a qualidade e a pouca quantidade do material, o calor ambiente do quarto – que não propiciava a secagem ideal – e também a impaciência levavam a que a cola UHU acabasse por borrar-se num pastel translúcido informe.

(E, claro, a aranha e o mosquito agarrados às barrigas mortos de riso!)

Alguns anos passaram.

(E ainda o sarcasmo da aranha e do mosquito se sentia no ar...)

Apesar de afastadas há muito as ideias da genialidade, aqui há uns dias o Fanecas deu por ele a imaginar a trotineta-computador, outra coisa impossível.

Só que, desta vez, antes que algum sacripanta corresse a registar a ideia decidiu ele próprio torná-la pública. Com cartaz e manual de funcionamento, para que não houvesse dúvidas.

(E agora, sim, ele a rir-se da aranha e do mosquito.)


1. Descrição da TRANSFORM LPT-X electric scooter:

Uma trotineta-computador cujo princípio é reunir a máxima mobilidade e a máxima portabilidade num só dispositivo.

Um híbrido, portanto.

Como o nome indica, a "e-scooter" (trotineta eléctrica) muda de forma (TRANSFORMER) para ser um "laptop" (LPT), um computador portátil, modelo X.

2. Funcionamento da TRANSFORM LPT-X electric scooter:

Funciona por acção humana mas o aspecto mais importante é a capacidade que tem de se transformar por si própria.

O guiador e a coluna de direcção são desenhadas para se dobrarem, separarem e fecharem no interior de uma estrutura que confina com a plataforma central, ou "deck", da trotineta.

As jantes das rodas dianteira e traseira destravam-se dos eixos e expandem-se, transformando-se num par de colunas de som.

A plataforma central (deck), onde o condutor apoia os pés, divide-se ao meio, abrindo-se como um livro. As duas metades da plataforma, abertas, formam o "écran" e o teclado do computador portátil.

O núcleo de processamento central (CPU/GPU) "acorda", ligando-se à bateria da trotineta. Aí o dispositivo fica totalmente operacional.

Por último, o aparelho tem a capacidade de se transformar novamente numa trotineta.

3. Dicionário da TRANSFORM LPT-X electric scooter:

TRANSFORM: Indica a natureza híbrida do objeto (um dispositivo que muda de forma / Transformer).

LPT: Abreviatura para Laptop (computador portátil).

X: O nome do desenho do modelo (ex: "Laptop-X" ou "Modelo-X").


(1. A propósito: a) «E-scooter» – Wikipedia; 2. a) «Como será a mobilidade urbana nas cidades inteligentes?» – prio.pt; e b) «Mobilidade urbana» – Wikipedia; 3. «Nómada digital» – Wikipedia; 4. E porque se fala da “Sagrada Família”, do Gaudí: a) «Templo Expiatório da Sagrada Família» – Wikipedia; e b) «Antoni Gaudí» – Wikipedia; 5. Nota: composição com Nano Banana (Gemini).)