Sunday, April 26, 2026

Rui Tavares acusa Andre Ventura de citar Adolf Hitler e mito nazi

Uma das características do fascismo (e também do nazismo) é o populismo: basicamente a subversão dos acontecimentos históricos; a alimentação do ressentimento e do ódio; o discurso truculento, fácil, vazio e incoerente; a exploração do descontentamento das pessoas com o objectivo de erodir, desgastar e desacreditar as instituições democráticas.

Foi o que fez André Ventura na sessão solene, ontem, dos 52 anos das comemorações do 25 de Abril.

Pegando numa célebre frase de Hitler, não teve pudor em adaptá-la à luta de libertação em África (legítima e reconhecida internacionalmente), à guerra colonial (condenada internacionalmente) e a todos quantos lutaram para libertar Portugal de uma ditadura (donde muitos partiram por causa da guerra, das condições de vida e falta de liberdade; um país isolado internacionalmente), desvalorizando o 25 de Abril.

Disse do 25 de Abril:

1. Não é o dia dos capitães de Abril. É o dia dos capitães de Janeiro, de Fevereiro, de Março (passou Abril à frente), de Maio, de Junho, de Julho, de Agosto, é o dia de todas as Forças Armadas (repetiu 3 vezes). Não é o dia em que se celebram capitães de um mês, nem coronéis de outro mês.

2.Aqueles que aqui vêm hoje, sobem a esta tribuna e exaltam guerrilheiros que estavam a matar militares portugueses por todo o mundo. Da nossa parte eu quero que saibam (repetiu 2 vezes) que quem mata militares portugueses, quem mata autoridades portuguesas, não tem outro nome senão ser um assassino e nós não nos esqueceremos nunca deles (repetiu 2 vezes).

3. Apunhalados pelas costas, assim fomos.” (repetiu 6 vezes) – a frase de Hitler.

4.Enquanto uns lutavam outros louvavam os que nos matavam, e enquanto uns lutavam por um país outros aplaudiam aqueles que matavam em nome desse país.

5.Sem nunca achar que esta enorme nação começou numa madrugada de Abril, esta enorme nação começou há muitos séculos atrás, uns com mais liberdade, outros com menos liberdade, uns com mais crescimento económico, outros com menos crescimento económico.

(Rui Tavares, historiador e deputado do Livre estava atento (e também atenta a deputada do PS, Eva Cruzeiro) e acusou-o de citar por várias vezes na cerimónia uma frase de Adolf Hitler e um mito nazi: “apunhalado pelas costas”: “um mito político difundido na Alemanha após a Primeira Guerra Mundial, segundo o qual o exército alemão não teria sido vencido no campo de batalha, mas sim traído internamente por, entre outros, socialistas, bolcheviques e judeus alemães, tendo contribuído para a ascensão de Hitler do Partido Nazi” (notícia da SIC Notícias, em baixo), frase que aplicou para criticar “aqueles que "exaltam guerrilheiros que estavam a matar militares portugueses por todo o mundo"” e dizer que estes portugueses foram apunhalados pelas costas”, convocando, assim, “um imaginário político perigoso, assente na divisão, na desconfiança e na distorção da História” (quando, na verdade, a luta de libertação em África era legítima e reconhecida internacionalmente, a guerra colonial condenada internacionalmente e o país estava isolado internacionalmente), desvalorizando o 25 de Abril.)

Muitos não se darão ao luxo, nem terão paciência, de verificar se o que disse André Ventura tem correspondência na realidade. Embora um leigo veja que não. Mas as palavras do demagogo preenchem o vazio interior de muitos que, por fraqueza, são facilmente manipuláveis. O demagogo e populista sabe disso e sabe também que esses não se interrogam, porque nem têm tempo para isso.

Uma coisa é certa: a seriedade e a cultura passaram por ele e andaram. E o seu plano é perigoso.

Definitivamente, o 25 de Abril não lhe pertence. Ele é o contrário. Está nos antípodas.



(1. A boa notícia: «Milhares de pessoas saíram à rua para celebrar os 52 anos do 25 de Abril» – RTP Notícias de 2026/04/25;

2. A notícia que nos envergonha: a) «Rui Tavares acusa André Ventura de citar Adolf Hitler e mito nazi na sessão solene» – SIC Notícias de 2026/04/25;

e b) «25 de Abril. Os discursos dos partidos políticos na Assembleia da República» (Em “Ventura critica verbas gastas nas celebrações do 25 de Abril”, AS CONSIDERAÇÕES QUE FEZ SOBRE A FRASE DE ADOLF HITLER, APLICANDO-A AO 25 DE ABRIL) – RTP Notícias de 2026/04/25;

3. A propósito: «Lenda da punhalada pelas costas» – Wikipedia;

4. Composição com Nano Banana (Gemini) e recurso a imagem disponível na Web.)

Saturday, April 25, 2026

52 anos de 25 de Abril

52 anos passados do 25 de Abril de 1974 e o país retrocede a olhos vistos nas mãos de uma classe de terra-tenentes com cabeça de minhoca. Está em nós impedir que “o dia inicial inteiro e limpo” se transforme “no céu cinzento sob o astro mudo”, em que os “vampiros”, agora mais sofisticados, continuam a vir "em bandos com pés de veludo" chupar-nos o sangue.


I

25 de Abril

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen, «in» “O Nome das Coisas”, 1974

II

Os Vampiros

No céu cinzento sob o astro mudo
Batendo as asas pela noite calada
Vêm em bandos com pés de veludo
Chupar o sangue fresco da manada

Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada

Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada

A toda a parte chegam os vampiros
Poisam nos prédios, poisam nas calçadas
Trazem no ventre despojos antigos
Mas nada os prende às vidas acabadas

São os mordomos do universo todo
Senhores à força, mandadores sem lei
Enchem as tulhas, bebem vinho novo
Dançam a ronda no pinhal do rei

Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada

Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada

No chão do medo tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos na noite abafada
Jazem nos fossos vítimas dum credo
E não se esgota o sangue da manada

Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada

Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada

Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada

Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada

Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada

José Afonso, “Baladas de Coimbra”, 1963

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EM TEMPO:

1. A boa notícia: «Milhares de pessoas saíram à rua para celebrar os 52 anos do 25 de Abril» – RTP Notícias de 2026/04/25;

2. A notícia que nos envergonha: a) «Rui Tavares acusa André Ventura de citar Adolf Hitler e mito nazi na sessão solene» – SIC Notícias de 2026/04/25;

e b) «25 de Abril. Os discursos dos partidos políticos na Assembleia da República» (Em “Ventura critica verbas gastas nas celebrações do 25 de Abril”, AS CONSIDERAÇÕES QUE FEZ SOBRE A FRASE DE ADOLF HITLER, APLICANDO-A AO 25 DE ABRIL) – RTP Notícias de 2026/04/25;
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(1. Para começar: a) «25 de Abril: um guia para celebrar a Liberdade» – SIC Notícias de 2026/04/24;

e b) «Os poderes que o 25 de Abril te deu» (“A 25 de abril de 1974, um golpe militar organizado por um grupo de jovens (LERAM BEM: JOVENS) capitães das Forças Armadas pôs fim à ditadura que se vivia em Portugal há 48 anos.” – Público de 2026/04/24;

2. Composição com Nano Banana (Gemini))

Thursday, April 23, 2026

Lula da Silva esteve em Belém com Ventura a gritar. As algemas de Ventura.

Duas manifestações, separadas por um cordão policial, marcaram a visita de Lula da Silva ao Palácio de Belém. Uma contra o presidente brasileiro, promovida pelo Chega, outra de apoiantes.” – anteontem, dia 21 (notícia da RTP em baixo).

De um lado, a habitual barulheira e gritaria a que nos habitou o CHEGA. Desta vez com umas algemas exibidas por André Ventura, compradas por 8 euros numa loja de sexo – dizem as más línguas.


Findo o protesto, o “kit” dos brinquedos vai agora ser usado em reuniões familiares do CHEGA, mas o chicote, mais barulhento (previsto para um próximo protesto), ainda está em fase de testes.

Ficamos a aguardar...


(1. As notícias: a) «Lula da Silva foi recebido por manifestação a favor e outra contra» (COM O VÍDEO) – RTP Notícias de 2026/04/21; b) «Em visita a Portugal, Lula recebe apoio de brasileiros em manifestação em Lisboa» (“Para a nutricionista Nádia Santos, 47, Lula merece todo o apoio, por ser uma voz contra o fascismo e a xenofobia” e pela sua importância para “enfrentar o caos criado pela extrema-direita, que tem feito muito mal ao país europeu”) – Público de 2026/04/21; c) «Lula assinala sintonia entre Brasil e Portugal e brinca: “Lembrem-se disso no Mundial”» – Público de 2026/04/22; d) «Manifestação contra visita de Lula da Silva pode degradar a relação Portugal-Brasil?» (COM O DEBATE/CONFRONTO) – SIC Notícias de 2026/04/21; e e) «Lula da Silva esteve em Belém com Ventura a gritar: "Lula, ladrão, o teu lugar é na prisão"» – Diário de Notícias de 2026/04/21;

2. A propósito: a) «Acordo de Associação Mercosul-União Europeia» (“A União Europeia é o segundo parceiro comercial do Mercosul, atrás da China, e o primeiro em matéria de investimentos. Já o Mercosul, é o oitavo principal parceiro comercial extrarregional da União Europeia.”) – Wikipedia; e b) «Luiz Inácio Lula da Silva» – Wikipedia;

3. Composição com Nano Banana (Gemini), com recurso a imagem disponível na Web.)

Wednesday, April 01, 2026

Grande Prémio do Mónaco de Meio Triciclo

Sessão de treinos (antes da corrida).

Este sou eu, no meu quintal, com sete anos de idade, equipado dos pés à cabeça de Gato das Botas e empurrando meio triciclo com as pernas em marcha‑atrás.


Apreciem a elegância do equipamento, o metal enferrujado (quanto mais estragado é o bólide mais divertido é), o centro de gravidade baixo, a minha forma física felina dominando o metal com o uso da força bruta das minhas botas, e as curvas de alta velocidade (e a velocidade que vem da minha fúria e do meu estilo único) e o chiar dos pneus de borracha maciça que deixam qualquer piloto de fórmula 1, e vizinhos, com inveja.

Pista para a qual é necessária precisão milimétrica (sem retrovisor) para não acabar com as botas dentro de um canteiro e sabedoria para serpentear uma ameixoeira e duas pereiras sem bater o chapéu com a pena à d’Artagnan nos ramos baixos, tem ao fundo uma casota a servir de boxe de apoio para conserto das botas e mudança dos pneus.

Como eu era feliz!


(1. A propósito: a) «Grande Prêmio de Mônaco» (“Grande Prémio do Mónaco”) – Wikipedia; e b) «Fórmula 1» – Idem; 2. Ainda a propósito: a) «Puss in Boots» (“O Gato das Botas”) – Wikipedia; b) «Le Maître chat ou le Chat botté» (“O Gato de Botas”, conto da autoria do escritor francês Charles Perrault) – Idem; e c) «Charles Perrault» – Idem; 3. E porque se fala de «D'Artagnan» (“uma das personagens mais importantes do escritor Alexandre Dumas. D'Artagnan é considerado o quarto mosqueteiro (...)”) – Wikipedia;

4. Nota: Composição com Nano Banana (Gemini).)

Tuesday, March 31, 2026

Ele há coisas do diabo!

O Façanhudo faz um gesto obsceno e estraga o shot do Zé Cabeçudo.

Há pancadaria. Lencastres de um lado... Albuquerques do outro...

Vem a polícia...

E quem paga as favas é o dono do tasco!



(1. Dicionário: “Façanhudo”: capaz de fazer façanhas e também desordeiro e brigão; “Cabeçudo”: que tem cabeça grande e, em sentido figurado, também teimoso e estúpido; 2. Nota: Composição com Nano Banana (Gemini).)

Friday, March 27, 2026

Encontro inesperado



(Nota: Composição com Nano Banana (Gemini).)

Mais homens se afogam no copo que no mar



(1. A propósito: “Mais homens se afogam no copo que no mar”, o adágio em: «O vinho na literatura oral» – «in» Do Tempo da Outra Senhora, de Hernâni Matos; 2. Nota: Composição com Nano Banana (Gemini).)

Thursday, March 26, 2026

Feijoada à Transmontana



(1. De comer e morrer por mais: «Feijoada de Entrudo à Transmontana» – Roteiro Gastronómico de Portugal; 2. Nota: Composição com Nano Banana (Gemini).)

Wednesday, March 25, 2026

EUA enviam ao Irão plano de paz de 15 pontos

“Navios "não hostis" autorizados pelo Irão a passar Estreito de Ormuz, diz ONU”

A História contada do outro lado...



(1. As notícias: a) «EUA enviam ao Irão plano de paz de 15 pontos. Proposta inclui tornar Ormuz uma Zona Marítima Livre» e «OMI (Organização Marítima Internacional) confirma proposta iraniana para "navios não hostis" utilizarem o Estreito de Ormuz» (“"Os navios não hostis (...) podem --- desde que não participem em atos de agressão contra o Irão nem os apoiem e que cumpram integralmente as regras de segurança e proteção em vigor --- beneficiar de uma passagem segura pelo estreito de Ormuz, em coordenação com as autoridades competentes", refere o documento divulgado.” – RTP Notícias de 2026/03/24;


2. Nota: Composição com Nano Banana (Gemini).)

Monday, March 23, 2026

Trump, o espelho mágico, Ormuz, Irão e Albuquerque.

Há duas perguntas que não largam o Trump do seu espelho mágico e, por isso, todos os dias o questiona: a primeira é saber se algum dia vai ganhar o prémio Nobel da Paz; a outra, por paradoxal que pareça, é saber quem é o mais malvado do mundo. Às duas, o espelho tem respondido sempre sim.

Bem. Tem respondido sempre sim mas isso foi até ontem. Ora vejam:


De facto, o espelho mágico descobriu que quando Afonso de Albuquerque capturou a ilha de Ormuz em 1507 a sua fama de O Leão dos Mares, O Terrível, ou ainda d'O César do Oriente, fora a temível carranca*, foi tanta que ainda hoje**, na ilha de Ormuz e zonas costeiras próximas, no Irão, as mães iranianas dizem aos filhos “vem aí o Albukerk”, o equivalente ao nosso “bicho-papão”, sempre que os enganadores torcem o nariz à comida e precisam de ser “levados a bem”. Tão verdade, que nunca se ouviu uma mãe iraniana dizer “vem aí o Trump”.

Agora, uma coisa é deixar de ser o primeiro, outra, bem diferente, e nada bonita, é ser comparado por um espelho mágico a um frango de aviário! (e isso é mau, muito mau, pois pode tornar o visado ainda mais irritadiço.)


(* 1. «Afonso de Albuquerque» (pelos vistos, a imagem icónica que se associa a “Afonso de Albuquerque não é autêntica, mas uma adaptação feita sobre a figura do Governador Lopo Soares de Albergaria (...)”; seria ainda mais temível?) – Wikipedia;

** Na verdade, relatos de historiadores e viajantes; e faz parte da memória histórica e do folclore local;

2. Já agora, porque se fala tanto no “estreito de Ormuz”: «"Os EUA não podem declarar vitória com o Estreito de Ormuz encerrado"» – TVI Notícias de 2026/03/21;

3. «Estreito de Ormuz», «Ormuz» e «Hormuz Island» (Ilha de Ormuz: “Afonso de Albuquerque capturou a ilha em 1507 (...) Os portugueses construíram uma fortaleza na ilha para dissuadir potenciais invasores, chamando-a de Forte de Nossa Senhora da Conceição.”) – Wikipedia;

4. «Irã» (Irão) – Wikipedia;

5. Nota: Composição com Nano Banana (Gemini).)

Sunday, March 22, 2026

Agora que tanto se fala no estreito de Ormuz e no Irão

Agora que tanto se fala no estreito de Ormuz e no Irão, uma história nos vem à lembrança com o Afonso de Albuquerque, sim, o que foi governador da Índia Portuguesa (1509-1515) e ficou para a História com os terríveis nomes de O Leão dos Mares, O Terrível, ou ainda O César do Oriente, fora a temível carranca*.

A fama foi tanta que durou no tempo. De tal modo que ainda hoje**, na ilha de Ormuz e zonas costeiras próximas, no Irão, as mães iranianas dizem aos filhos “vem aí o Albukerk”, o equivalente ao nosso “bicho-papão”, quando os enganadores torcem o nariz à comida e precisam de ser “levados a bem”.

Nenhuma mãe iraniana diz “vem aí o Trump”, porque este comparado com o nosso “Albukerk” não passa de um frango de aviário.

Ora vejam o Arman com má catadura e o que o espera:



(* 1. «Afonso de Albuquerque» (pelos vistos, a imagem icónica que se associa a “Afonso de Albuquerque não é autêntica, mas uma adaptação feita sobre a figura do Governador Lopo Soares de Albergaria (…)”; seria ainda mais temível?) – Wikipedia;

** Na verdade, relatos de historiadores e viajantes; e faz parte da memória histórica e do folclore local;

2. Já agora, porque se fala tanto no “estreito de Ormuz”: «"Os EUA não podem declarar vitória com o Estreito de Ormuz encerrado"» – TVI Notícias de 2026/03/21;

3. «Estreito de Ormuz»«Ormuz» e «Hormuz Island» (Ilha de Ormuz: “Afonso de Albuquerque capturou a ilha em 1507 (...) Os portugueses construíram uma fortaleza na ilha para dissuadir potenciais invasores, chamando-a de Forte de Nossa Senhora da Conceição.”) – Wikipedia;

4. «Irã» (Irão) – Wikipedia;

5. Nota: Composição com Nano Banana (Gemini).)

Friday, March 20, 2026

Não é possível pôr a raposa no galinheiro?

Quem disse que "não é possível pôr a raposa no galinheiro" enganou-se!


"Não é possível pôr a raposa no galinheiro" é um ditado popular que se refere à imprudência de pôr uma raposa num galinheiro devido à sua natureza predatória. Por extensão de ideias é também alguém que não é confiável. O galinheiro, com a sua galinha de ovos de oiro, galo, galinhas e pintainhos, representa os recursos públicos, cargos, órgãos ou conjunto de instituições que há que salvaguardar de certos malandrins que andam por aí...

Porém, neste caso, só para chatear, a gente diz ao contrário.


(Nota: Composição com Nano Banana (Gemini))

Tuesday, March 10, 2026

Aí está a despedida de Marcelo do Palácio de Belém.Seguro condecora Marcelo

O Marcelo que andou como um pardal pelos telhados de Beja em 1975, fugido à extrema-esquerda, que atravessou o Tejo a nado com uns calções à Maria Cachucha só para provar que o rio não estava poluído, que chamou lelé da cuca ao Balsemão e mais tarde, em 2025, activo russo ao Trump, que, em directo, na televisão, ofereceu um leitão da Bairrada ao Júlio Magalhães, o Marcelo jornalista, fazedor de opiniões e professor universitário, que em campanha para Presidente se transformou em cabeleireiro de loiras e, finalmente, Presidente de todos nós, o mais próximo que temos de um rei que quereria ser se Portugal fosse uma monarquia, alguém disse, homem das "selfies", dos beijinhos e abraços e optimista (só superado nisto pelo António Costa), o distribuidor de afectos e amante de geringonças (e quem diz destas diz também de caranguejolas), que por causa de um desejo antigo de unir toda a direita numa frente comum e dos seus improvisos fez uma grandessíssima cacaborrada, o presidente chamuscado por um filho no caso de umas gémeas e há que cortar relações com o “insolente”, que fique no Brasil e esqueça a herança, o presidente dos salgadinhos, de uma bola de berlim, um queijinho da serra, uma ginjinha, uma poncha, uma carninha tenrinha ou um "pexinho" assado na brasa, tanto faz, “hum-hum!”, “divinal!”, “de comer e morrer por mais…”, o presidente contador de histórias do beco dos Távoras ao início da noite com um batalhão de jornalistas atrás e uma militar ao lado, passeios nocturnos depois da ginjinha, com mensagens sub-reptícias, alegorias, ferroadas, nunca revelando, verdadeiramente, o que lhe vai na alma, gerindo os silêncios, porque agora é o tempo da justiça, porque agora é o tempo dos partidos, porque agora é o tempo do rescaldo das eleições, ou os jogos de palavras como na greve dos motoristas de 2019, “os fins são legítimos mas os meios prejudicam os fins e os sacrifícios prejudicam a comunidade”, com as suas observações à Pantagruel, como em 2025, quando disse que os portugueses têm de escolher entre um hipotético sucessor de “gastronomia forte” ou “gastronomia mais suave” e, ao contrário do que se previa, sai um da gastronomia mais suave, o Seguro, a quem acusou em 2012 de ter promovido uma golpaça (4.b)) com a revisão dos Estatutos do PS, e de querer vitimizar-se, coisa que se desculpa pelo tempo que já lá vai e porque era na altura comentador de domingo na TVI, sim, o Marcelo, o presidente, o homem que os portugueses adoram pela sua afectividade, que chegou a pé e saiu a pé da Presidência, foi ontem à sua vida e deixa uma marca difícil de igualar.

Mas achamos que foi uma saída inglória!

Por isso, fabricámos esta:


Se ia tirar brilho à cerimónia de posse do seu sucessor? Claro. Brilho e lustro!


(1. Retrospeciva: «Chegou ao fim a era Marcelo: imagens de um presidente que mudou Belém» (com “algumas das imagens dos dois mandatos de Marcelo Rebelo de Sousa, dez anos depois de se ter tornado no "presidente dos afetos".”) – Jornal de Notícias de 2026/03/08;



4. Notas: a) Composição com Nano Banana (Gemini) e recurso a imagem disponível na Web; e b) Dicionário: «Golpaça vs. golpada» (“O que fez Marcelo Rebelo de Sousa? Pegou no substantivo golpada, retirou-lhe o sufixo -ada e substituiu-o pelo sufixo aumentativo -aça, conferindo uma conotação mais pejorativa a uma palavra que já a tem.”) – Ciberdúvidas da Língua Portuguesa.)