(1. A propósito: «A fome é Negra» (“As aventuras da raposa Salta-Pocinhas. Matreira e mandriona, ela faz tudo para encher a sua barriga roubando galinhas e enganando os outros animais.”) – 9.º episódio, desenho animado, adaptação de Marcello de Moraes d’O Romance da Raposa, de Aquilino Ribeiro, 1924 – RTP Arquivos de 1988/12/24; 2. «Aquilio Ribeiro» – Wikipedia; 3. Nota: composição com Nano Banana (Gemini).)
Corvomanias
Humor. Frases. Situações. Nem sempre. O «blog» de Vicente Carlos Sousa Brandão.
Tuesday, May 12, 2026
Monday, May 11, 2026
Encontros Diabólicos do Terceiro Grau
(1. A propósito: a) «Close Encounters of the Third Kind» (“Encontros Imediatos do Terceiro Grau”) – Wikipedia; E, já agora, b) «Steven Spielberg» – Wikipedia; 2. Composição com Nano Banana (Gemini), trabalhada digitalmente.)
Saturday, May 09, 2026
Os Dez Mandamentos do Borracho
Ao meio-dia, já o diabo andava dentro dele a nadar em vinho.*
Prática tinha, mas faltava a cartilha, a lei fundamental...
Os Dez Mandamentos do Borracho (que os borrachos “seguem à risca”) são citados no «Esbôço dum Vocabulário Agrícola Regional – Anais do Instituto Superior de Agronomia» (Prof. D. A. Tavares da Silva), p. 506, onde se diz que os mesmos “se encontram compendiados nos “Estudos Dourienses” (3), pág. 48 – Abade de Baçal – e que são:
1.º – Beber com assento;
2.º – Escorripichar o copo até ao fundo;
3.º – Fazer da garganta um rigueiro;
4.º – Beber até ficar farto;
5.º – Beber sempre do branco e do tinto;
6.º – Beber a qualquer pretexto;
7.º – Beber do seu, do alheio e do de empréstimo;
8.º – Beber até ficar como um cravo;
9.º – Beber no estio, na primavera, no inverno e no outono;
10.º – Beber até ficar com acréscimo.
Êstes dez mandamentos encerram-se em dois; convém saber:
1.º – Beber sempre; e
2.º – Nunca deixar de beber.”
(* “– Olhe, sôr João, eu não dou duas rasas de milho pelo dote que esse homem há de dar ao filho; mas, apesar de tudo, digo‑lhe que vá ter com ele, que nada se perde. Você sabe pintar as coisas a preceito. Veja se lhe toca no interior. O homem acabou de tomar a sagrada hóstia há pouco; pode ser que o demo lhe fugisse do corpo. Aproveite a maré; que ele, depois do meio dia, tem dentro de si o diabo a nadar em vinho; e lá por horas mortas lê uns livros que esconde de todos os padres que lá vão. Olhe que, para ter tudo, até borrachão se fez; mas é tão hipócrita, que se prega a dormir toda a tarde, e diz à parva da mãe que está a fazer oração mental. Ah! bom fueiro!...” – Camilo Castelo Branco, «O Demónio do Ouro»; Edição de Cristina Sobral; INCM, Lx, 2014; Livraria Editora de Mattos Moreira e Comp.ª; Vol. I, Cap. 2, p. 26;
1. Dicionário: 1.º mandamento: “Beber com assento”: beber sentado; 2.º mandamento: “Escorripichar (também escorropichar e escorrichar) o copo até ao fundo”: beber até à ùltima gota ou escorrer todo o líquido contido num recipiente; 3.º mandamento: “Fazer da garganta um rigueiro (também regueiro)”: fazer da garganta um pequeno rego onde o vinho escorre; 8.º mandamento: “Beber até ficar como um cravo”: beber até ficar como um prego, incapaz de se mexer; 10.º mandamento: “Beber até ficar com acréscimo”: beber até ficar completamente embriagado;
2. Nota: composição com Nano Banana (Gemini).)
Friday, May 08, 2026
Um boi melanqueiro
Há os que têm olhos de gabiru (observadores, astutos), os que têm olhos de gambá (pequenos, escuros, brilhantes, proeminentes), os que têm olhos de carneiro mal morto (mortiços, inexpressivos, vagos), e, entre mais uns tantos, os que têm olhos de melanqueiro* (calmos, mansos, dóceis), como se diz do boi. Era o caso de Francisco.
Francisco era levadeiro** numa fazenda e usava conscientemente desse olhar bovino para catrapiscar as mulheres ou deitar-lhes o rabo do olho***, conforme as ocasiões.
(“Cuidado” – diziam –, “que ele tem um olhar melanqueiro!”)
O malandreco parecia que vivia em permanente melancolia (ou tristeza) e algumas senhoras, nem todas, encantavam-se com isso. Mas era manha, aparência, que, de tanto hábito, se lhe entranhara.
E perguntam vocês: como é um olhar à boi melanqueiro? Pois é assim, ora vejam:
Bois!
(1. Dicionário: * “Melanqueiro”: expressão típica do mundo rural (do Minho e também da ilha da Madeira) que significa boi dócil; aplicada a uma pessoa, sugere que ela tem um olhar calmo, manso ou dócil, no caso, com melancolia;
“Melanqueiro”, «in» «Esbôço dum Vocabulário Agrícola Regional – Anais do Instituto Superior de Agronomia» (Prof. D. A. Tavares da Silva), p. 511: “Melanqueiro (boi) – Minho – dócil.”
** «Profissões Tradicionais – O "Levadeiro"» (“Cabia ao chamado “juiz da levada”, nomear os “levadeiros”, encarregues da distribuição da água para regadio, a chamada “água de giro” (tempo que decorre entre a rega de um terreno e a sua próxima rega). // Conforme a levada e o seu número de "regantes", podia ser atribuído a cada terreno uma determinada periocidade (por exemplo de 15 em 15 dias), o que fazia com que todos pudessem utilizar a água, à vez, controle feito, especialmente, no verão. // Cabia-lhe não só a fiscalização da distribuição da água, mas, também, a limpeza destes canais, das grades de retenção do lixo, bem como de outras estruturas e da zona envolvente, motivo pelo qual fazia-se acompanhar de uma foice, para arrancar o mato.”;
Com a “Fotografia: “Levadeiro, tocando búzio, para a distribuição de água e irrigação, munido da tradicional ampulheta e da lanterna de rega”, «in» CM Cultura Madeira;
e “Levada”: “As levadas são canais de irrigação, ladeadas por um percurso pedestre, construídas com o objetivo de transportar água, do lado norte da ilha (da Madeira), onde este recurso natural é abundante, até ao sul, onde é escasso, para irrigação dos terrenos” – «in» CM Cultura Madeira;
«Levada» – Wikipedia;
*** Deitar o rabo do olho: olhar disfarçadamente ou de relance;
2. Nota: composição com Nano Banana (Gemini).)
Tuesday, May 05, 2026
Touro Sentado
Touro Sentado (não confundir com o chefe Índio) é um touro do Arizona. Rural, boçal e raivoso. E também apoiante do Trump. Vai atrasado para um rodeo em Tucson e tem um ódio de morte aos cães-mosquito.
Até agora tem sido um caso de sucesso: ainda nenhum cow-boy permaneceu os 8 segundos em cima do seu lombo (John Waine, “O Outro”, bem tentou...), mas todos ficaram pela chamada montaria zerada!
Se tudo correr bem, conta aposentar-se daqui a cinco anos com direito a pasto gordo e farto e muitos descendentes.
Bois!
(1. Porque se fala em a) «Touro Sentado» (“Touro Sentado chegou a ser famoso por conduzir três mil e quinhentos indígenas sioux e cheyenne contra o Sétimo Regimento de Cavalaria Americana, que estava sob as ordens do general Custer, na batalha de Little Bighorn em 25 de junho de 1876, na qual o exército federal foi derrotado.”) – Wikipedia;
b) «John Wayne» (Actor de cinema. “Ao longo de seus 50 anos de carreira, Wayne figurou consistentemente como protagonista em filmes de faroeste”. “A partir do final da década de 1940, Wayne trabalhou regularmente com os diretores Howard Hawks e John Ford, criando com eles diversas obras-primas do género faroeste.”) – Idem;
e c) «John Ford» – Idem;
2. Já agora: a) «Arizona» ((“apelidado de Estado do Grand Canyon) é um estado no sudoeste dos Estados Unidos”) – Wikipedia;
b) «Tucson, Arizona» (“É a segunda cidade mais populosa do Arizona”) – Idem;
e c) «La Fiesta de los Vaqueros (Tucson Rodeo)» – tucsonrodeo.com;
3. Nota: composição com Nano Banana (Gemini).)
Thursday, April 30, 2026
Só estava lá a tirar a fotografia. Uma cruz suástica em Santa Cruz. Chega.
Estar com uma lata de tinta ao lado a tirar uma fotografia a um cartaz em que pintaram por baixo uma cruz suástica não faz, por si só, ser o autor da estúpida cruz.
Vem isto a propósito “de uma cruz suástica pintada junto a um cartaz do Chega (o cartaz do “Isto não é o Bangladesh”), no concelho de Santa Cruz (ilha da Madeira)”. Um vídeo mostra “José Manuel Coelho (carinhosamente conhecido por “O Coelhinho”) no local, a tirar uma fotografia, tendo ao lado um balde de tinta.”
Um exame dactiloscópico ou de grafoscopia resolveria o assunto.
José Manuel Coelho nega e defende-se da acusação de ser o autor: “Eu não estava a pintar. Eu só parei para admirar a obra de arte”. E considera que a acção faz sentido: “Passados 52 anos [do 25 de Abril], aparecem partidos saudosistas do antigamente. Querem que os portugueses passem de cavalo para burro, como diz o povo. Ora, nós não podemos passar de cavalo para burro, porque fizemos uma revolução para desenvolver o nosso país, dar liberdade às pessoas, liberdade da mulher, direitos iguais, salários decentes e boas reformas. A nossa luta é esta. Não podemos voltar para o 24 de Abril, como pretende o senhor Ventura e os seus acólitos.” “Eu só estava lá a tirar a fotografia porque achei que estava muito bem feito. É preciso voltar a expor e a denunciar os energúmenos que são contra as liberdades conquistadas em Abril. Querem que a nossa sociedade volte para trás”.
Até aqui, nada de novo, pois sabemos que André Ventura é isto, todos os dias, a toda a hora (e que se uns cartazes foram retirados por ordem judicial, outros, de idêntico teor, vieram substituí-los, de modo que a suástica como legenda até vem a propósito).
Só que desta vez, agora sabemos nós, finalmente André Ventura confessou-se ao padre (ou melhor, a Deus) e reconheceu que estava no mau caminho. Portanto, vamos dar-lhe uma oportunidade.
Ora vejam:
(1. A notícia: a) «"Só estava lá a tirar a fotografia"» – dnotícias.pt de 2026/04/29; b) «"Só estava lá a tirar a fotografia"» – SAPO (Diário de Notícias da Madeira) de 2026/04/29; e c) «José Manuel Coelho diz ter sido abordado pela PSP que lhe apreendeu material de pintura» – SAPO (Diário de Notícias da Madeira) de 2026/04/29;
2. A propósito: «José Manuel Coelho» (José Manuel da Mata Vieira Coelho) – Wikipedia;
3. Nota: composição com Nano Banana (Gemini) e imagem disponível na Web.)
Wednesday, April 29, 2026
Carlos III no Congresso e Trump recebe Carlos III na Casa Branca
Donald Trump é o típico americano médio, rural, boçal e com cabeça de minhoca (às vezes acriançado) – afinal o grupo onde arrebanha os seus seguidores. Um pouco como cá com um. Mas falta-lhe o “pedigree”, o sangue azul, que ficou na Europa e não viajou para a América.
Por isso sonha e gosta de ser o Carlos III de lá, falar como um rei e, por que não?, ganhar o Nobel da Paz e às tantas o da Eloquência (existe?).
O ego é tão elevado e está tão confiante… mas o espelho mágico assusta-se e responde-lhe: “Tira daí o cavalinho da chuva!”
(1. As notícias: a) «Carlos III no Congresso. Relação entre Reino Unido e EUA "é eterna, insubstituível, inquebrável"» (“Os fundadores dos Estados Unidos eram, nas palavras do monarca, “rebeldes com causa, muito imaginativos”.”) – RTP Notícias de 2026/04/29;
b) «Rei Carlos III apela à união transatlântica em discurso histórico no Capitólio» (“Carlos III citou com humor Oscar Wilde — "temos realmente tudo em comum com a América hoje em dia, exceto, claro, a língua".”) – Diário de Notícias de 2026/04/28;
e c) «Trump recebe Carlos III na Casa Branca com elogios aos britânicos» (“E Trump não desiludiu na curta intervenção que fez nos jardins da Casa Branca, lembrando que a sua mãe tinha uma “paixoneta” por Carlos. “Ela amava mesmo a família [real], mas também me lembro de ela dizer muito claramente: ‘Carlos, ele é tão giro...’ a minha mãe tinha uma paixoneta pelo Carlos. Acreditam?”. Recordou também a mãe do monarca, Isabel II, dizendo ter sido um privilégio conhecê-la.” – E esta, hem?) – Diário de Notícias de 2026/04/28;
2. Nota: composição com Nano Banana (Gemini).)
Tuesday, April 28, 2026
Cães-mosquito pescando homens-peixe em Galle, no Sri Lanka.
Cães-mosquito sentados no alto de uma estrutura feita de bambu, numa praia de Galle, no Sul (Sudoeste) do Sri Lanka, pescando à linha homens-peixe...
(1. Uma ideia a partir de «Nas alturas» (“Ao pôr do Sol, os pescadores sobem para um pilar (petta) feito de bambu numa praia de Galle, no sul do Sri Lanka.”) – National Geographic de 2026/04/27;
2. A propósito: a) «Galle» (“é uma cidade situada no sudoeste do Sri Lanka”) – Wikipedia; e b) «Sri Lanka» – Idem;
3. Nota: composição com Nano Banana (Gemini).)
Sunday, April 26, 2026
Rui Tavares acusa Andre Ventura de citar Adolf Hitler e mito nazi
Uma das características do fascismo (e também do nazismo) é o populismo: basicamente a subversão dos acontecimentos históricos; a alimentação do ressentimento e do ódio; o discurso truculento, fácil, vazio e incoerente; a exploração do descontentamento das pessoas com o objectivo de erodir, desgastar e desacreditar as instituições democráticas.
Foi o que fez André Ventura na sessão solene, ontem, dos 52 anos das comemorações do 25 de Abril.
Pegando numa célebre frase de Hitler, não teve pudor em adaptá-la à luta de libertação em África (legítima e reconhecida internacionalmente), à guerra colonial (condenada internacionalmente) e a todos quantos lutaram para libertar Portugal de uma ditadura (donde muitos partiram por causa da guerra, das condições de vida e falta de liberdade; um país isolado internacionalmente), desvalorizando o 25 de Abril.
Disse do 25 de Abril:
1. “Não é o dia dos capitães de Abril. É o dia dos capitães de Janeiro, de Fevereiro, de Março (passou Abril à frente), de Maio, de Junho, de Julho, de Agosto, é o dia de todas as Forças Armadas (repetiu 3 vezes). Não é o dia em que se celebram capitães de um mês, nem coronéis de outro mês.”
2. “Aqueles que aqui vêm hoje, sobem a esta tribuna e exaltam guerrilheiros que estavam a matar militares portugueses por todo o mundo. Da nossa parte eu quero que saibam (repetiu 2 vezes) que quem mata militares portugueses, quem mata autoridades portuguesas, não tem outro nome senão ser um assassino e nós não nos esqueceremos nunca deles (repetiu 2 vezes).”
3. “Apunhalados pelas costas, assim fomos.” (repetiu 6 vezes) – a frase de Hitler.
4. “Enquanto uns lutavam outros louvavam os que nos matavam, e enquanto uns lutavam por um país outros aplaudiam aqueles que matavam em nome desse país.”
5. “Sem nunca achar que esta enorme nação começou numa madrugada de Abril, esta enorme nação começou há muitos séculos atrás, uns com mais liberdade, outros com menos liberdade, uns com mais crescimento económico, outros com menos crescimento económico.”
(Rui Tavares, historiador e deputado do Livre estava atento (e também atenta a deputada do PS, Eva Cruzeiro) e acusou-o de citar por várias vezes na cerimónia uma frase de Adolf Hitler e um mito nazi: “apunhalado pelas costas”: “um mito político difundido na Alemanha após a Primeira Guerra Mundial, segundo o qual o exército alemão não teria sido vencido no campo de batalha, mas sim traído internamente por, entre outros, socialistas, bolcheviques e judeus alemães, tendo contribuído para a ascensão de Hitler do Partido Nazi” (notícia da SIC Notícias, em baixo), frase que aplicou para criticar “aqueles que "exaltam guerrilheiros que estavam a matar militares portugueses por todo o mundo"” e dizer que estes portugueses foram “apunhalados pelas costas”, convocando, assim, “um imaginário político perigoso, assente na divisão, na desconfiança e na distorção da História” (quando, na verdade, a luta de libertação em África era legítima e reconhecida internacionalmente, a guerra colonial condenada internacionalmente e o país estava isolado internacionalmente), desvalorizando o 25 de Abril.)
Muitos não se darão ao luxo, nem terão paciência, de verificar se o que disse André Ventura tem correspondência na realidade. Embora um leigo veja que não. Mas as palavras do demagogo preenchem o vazio interior de muitos que, por fraqueza, são facilmente manipuláveis. O demagogo e populista sabe disso e sabe também que esses não se interrogam, porque nem têm tempo para isso.
Uma coisa é certa: a seriedade e a cultura passaram por ele e andaram. E o seu plano é perigoso.
Definitivamente, o 25 de Abril não lhe pertence. Ele é o contrário. Está nos antípodas.
(1. A boa notícia: «Milhares de pessoas saíram à rua para celebrar os 52 anos do 25 de Abril» – RTP Notícias de 2026/04/25;
2. A notícia que nos envergonha: a) «Rui Tavares acusa André Ventura de citar Adolf Hitler e mito nazi na sessão solene» – SIC Notícias de 2026/04/25;
e b) «25 de Abril. Os discursos dos partidos políticos na Assembleia da República» (Em “Ventura critica verbas gastas nas celebrações do 25 de Abril”, AS CONSIDERAÇÕES QUE FEZ SOBRE A FRASE DE ADOLF HITLER, APLICANDO-A AO 25 DE ABRIL) – RTP Notícias de 2026/04/25;
3. A propósito: «Lenda da punhalada pelas costas» – Wikipedia;
4. Composição com Nano Banana (Gemini) e recurso a imagem disponível na Web.)
Saturday, April 25, 2026
52 anos de 25 de Abril
52 anos passados do 25 de Abril de 1974 e o país retrocede a olhos vistos nas mãos de uma classe de terra-tenentes com cabeça de minhoca. Está em nós impedir que “o dia inicial inteiro e limpo” se transforme “no céu cinzento sob o astro mudo”, em que os “vampiros”, agora mais sofisticados, continuam a vir "em bandos com pés de veludo" chupar-nos o sangue.
I
“25 de Abril
Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo”
Sophia de Mello Breyner Andresen, «in» “O Nome das Coisas”, 1974
II
“Os Vampiros
No céu cinzento sob o astro mudo
Batendo as asas pela noite calada
Vêm em bandos com pés de veludo
Chupar o sangue fresco da manada
Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada
Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada
A toda a parte chegam os vampiros
Poisam nos prédios, poisam nas calçadas
Trazem no ventre despojos antigos
Mas nada os prende às vidas acabadas
São os mordomos do universo todo
Senhores à força, mandadores sem lei
Enchem as tulhas, bebem vinho novo
Dançam a ronda no pinhal do rei
Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada
Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada
No chão do medo tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos na noite abafada
Jazem nos fossos vítimas dum credo
E não se esgota o sangue da manada
Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada
Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada
Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada
Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada
Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada”
José Afonso, “Baladas de Coimbra”, 1963
________
EM TEMPO:
1. A boa notícia: «Milhares de pessoas saíram à rua para celebrar os 52 anos do 25 de Abril» – RTP Notícias de 2026/04/25;
2. A notícia que nos envergonha: a) «Rui Tavares acusa André Ventura de citar Adolf Hitler e mito nazi na sessão solene» – SIC Notícias de 2026/04/25;
e b) «25 de Abril. Os discursos dos partidos políticos na Assembleia da República» (Em “Ventura critica verbas gastas nas celebrações do 25 de Abril”, AS CONSIDERAÇÕES QUE FEZ SOBRE A FRASE DE ADOLF HITLER, APLICANDO-A AO 25 DE ABRIL) – RTP Notícias de 2026/04/25;
________
(1. Para começar: a) «25 de Abril: um guia para celebrar a Liberdade» – SIC Notícias de 2026/04/24;
e b) «Os poderes que o 25 de Abril te deu» (“A 25 de abril de 1974, um golpe militar organizado por um grupo de jovens (LERAM BEM: JOVENS) capitães das Forças Armadas pôs fim à ditadura que se vivia em Portugal há 48 anos.” – Público de 2026/04/24;
2. Composição com Nano Banana (Gemini))
Thursday, April 23, 2026
Lula da Silva esteve em Belém com Ventura a gritar. As algemas de Ventura.
“Duas manifestações, separadas por um cordão policial, marcaram a visita de Lula da Silva ao Palácio de Belém. Uma contra o presidente brasileiro, promovida pelo Chega, outra de apoiantes.” – anteontem, dia 21 (notícia da RTP em baixo).
De um lado, a habitual barulheira e gritaria a que nos habitou o CHEGA. Desta vez com umas algemas exibidas por André Ventura, compradas por 8 euros numa loja de sexo – dizem as más línguas.
Findo o protesto, o “kit” dos brinquedos vai agora ser usado em reuniões familiares do CHEGA, mas o chicote, mais barulhento (previsto para um próximo protesto), ainda está em fase de testes.
Ficamos a aguardar...
(1. As notícias: a) «Lula da Silva foi recebido por manifestação a favor e outra contra» (COM O VÍDEO) – RTP Notícias de 2026/04/21; b) «Em visita a Portugal, Lula recebe apoio de brasileiros em manifestação em Lisboa» (“Para a nutricionista Nádia Santos, 47, Lula merece todo o apoio, por ser uma voz contra o fascismo e a xenofobia” e pela sua importância para “enfrentar o caos criado pela extrema-direita, que tem feito muito mal ao país europeu”) – Público de 2026/04/21; c) «Lula assinala sintonia entre Brasil e Portugal e brinca: “Lembrem-se disso no Mundial”» – Público de 2026/04/22; d) «Manifestação contra visita de Lula da Silva pode degradar a relação Portugal-Brasil?» (COM O DEBATE/CONFRONTO) – SIC Notícias de 2026/04/21; e e) «Lula da Silva esteve em Belém com Ventura a gritar: "Lula, ladrão, o teu lugar é na prisão"» – Diário de Notícias de 2026/04/21;
2. A propósito: a) «Acordo de Associação Mercosul-União Europeia» (“A União Europeia é o segundo parceiro comercial do Mercosul, atrás da China, e o primeiro em matéria de investimentos. Já o Mercosul, é o oitavo principal parceiro comercial extrarregional da União Europeia.”) – Wikipedia; e b) «Luiz Inácio Lula da Silva» – Wikipedia;
3. Composição com Nano Banana (Gemini), com recurso a imagem disponível na Web.)
Wednesday, April 01, 2026
Grande Prémio do Mónaco de Meio Triciclo
Sessão de treinos (antes da corrida).
Este sou eu, no meu quintal, com sete anos de idade, equipado dos pés à cabeça de Gato das Botas e empurrando meio triciclo com as pernas em marcha‑atrás.
Apreciem a elegância do equipamento, o metal enferrujado (quanto mais estragado é o bólide mais divertido é), o centro de gravidade baixo, a minha forma física felina dominando o metal com o uso da força bruta das minhas botas, e as curvas de alta velocidade (e a velocidade que vem da minha fúria e do meu estilo único) e o chiar dos pneus de borracha maciça que deixam qualquer piloto de fórmula 1, e vizinhos, com inveja.
Pista para a qual é necessária precisão milimétrica (sem retrovisor) para não acabar com as botas dentro de um canteiro e sabedoria para serpentear uma ameixoeira e duas pereiras sem bater o chapéu com a pena à d’Artagnan nos ramos baixos, tem ao fundo uma casota a servir de boxe de apoio para conserto das botas e mudança dos pneus.
Como eu era feliz!
(1. A propósito: a) «Grande Prêmio de Mônaco» (“Grande Prémio do Mónaco”) – Wikipedia; e b) «Fórmula 1» – Idem; 2. Ainda a propósito: a) «Puss in Boots» (“O Gato das Botas”) – Wikipedia; b) «Le Maître chat ou le Chat botté» (“O Gato de Botas”, conto da autoria do escritor francês Charles Perrault) – Idem; e c) «Charles Perrault» – Idem; 3. E porque se fala de «D'Artagnan» (“uma das personagens mais importantes do escritor Alexandre Dumas. D'Artagnan é considerado o quarto mosqueteiro (...)”) – Wikipedia;
4. Nota: Composição com Nano Banana (Gemini).)
Tuesday, March 31, 2026
Ele há coisas do diabo!
O Façanhudo faz um gesto obsceno e estraga o shot do Zé Cabeçudo.
Há pancadaria. Lencastres de um lado... Albuquerques do outro...
Vem a polícia...
E quem paga as favas é o dono do tasco!
(1. Dicionário: “Façanhudo”: capaz de fazer façanhas e também desordeiro e brigão; “Cabeçudo”: que tem cabeça grande e, em sentido figurado, também teimoso e estúpido; 2. Nota: Composição com Nano Banana (Gemini).)
Subscribe to:
Posts (Atom)












