Isto é de um tempo em que não havia liberdade, não se sabia onde estava um pide, ou carcará (2), informador ou bufo à escuta e se em seguida o pide nos levava para a rua do Heroísmo (no Porto)...
Germano Silva, jornalista e historiador do Porto, recorda: “Alguns empregados de café eram informadores da PIDE. No Majestic, nos anos 60, 70, era um café assim entre o pop e o rock (...), um tipo aparecia lá com uma viola, ou tocava, ou cantava, subiam para cima das cadeiras a recitar poemas, mas tudo gente de esquerda, lá ao fundo estudavam “Os Quatro Vintes”, os pintores (3), estavam ali, gente das Belas-Artes, andavam ali, e a PIDE andava lá também, queria saber. Depois havia lá um velho empregado, um empregado de café, que já tinha passado pela Brasileira e pelo Rialto, pois estava lá, era um homem já com certa idade e conhecia os pides. E quando entrava um pide ele chegava à copa e pedia alto, lá com a voz mais alta que ele podia fazer: “SAI UM CAFÉ E UM CALADINHO!” Quando ele dizia “UM CALADINHO!”, o pessoal: “chiu!, está aí a PIDE.”, mudava a conversa, passava-se a falar de futebol, ou coisas assim parecidas.” (1)
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«Post» anterior: «Dois carcarás, ou pides, no café Majestic.» (censura, PIDE e Rosa Casaco.)
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(1. A notícia: «"Quando entrava um PIDE, ele ia à copa e pedia alto sai um café e um caladinho"» (NO 2.º VÍDEO, A TRANSCRIÇÃO EM CIMA.) – SIC Notícias de 2024/04/24;
2. a) «“Quando viajava com o Benfica havia sempre um ou dois sujeitos que ninguém sabia quem eram. A gente dizia: ‘está aí um carcará’. Era a PIDE”» – Expresso, Blitz, podcast Posto Emissor, de 2026/05/12;
e b) «Carcará» (“O carcará é facilmente reconhecível, quando pousado, pelo fato de ter um penacho preto sobre a cabeça parecido com um solidéu, assim como o bico adunco e alto, que se assemelha à lâmina de um cutelo; a face, chamada de cera, varia do vermelho ou laranja quando está calmo, ao amarelo quando está irritado, disputando território ou alimento.”) – Wikipedia;
3. a) «Os Quatro Vintes» (“Os Quatro Vintes é a denominação de um grupo de artistas portugueses constituído por Jorge Pinheiro, Armando Alves, Ângelo de Sousa e José Rodrigues. // Alusão irónica a uma marca de tabaco da época — Três Vintes —, o nome do grupo prende-se com o facto de todos terem terminado os respetivos cursos com a nota de vinte valores na Escola de Belas-Artes do Porto (...)” – Wikipedia;
e b) «CARTA DE PARIS, OS QUATRO VINTES» – «in» performing the archive; artigo escrito por Egídio Álvaro para a rubrica "Carta de Paris" do Diário de Notícias, Lisboa, 1970/11/26;
4. Nota: composição com Nano Banana (Gemini).)

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