Portugal, Verão de 2026.
Afinal o que correu mal nos exames? Foram só as falhas na digitalização das folhas de resposta, os erros nas convocatórias dos professores classificadores e os problemas no acesso à plataforma para correcção das provas? E agora os atrasos? Assim, coisas fáceis de resolver? Claro que não.
“Foram falhas estruturais e sistémicas na plataforma em termos de engenharia de “software” que comprometeram a sua fiabilidade, integridade e transparência e, inclusive, a validade jurídica das classificações” (1. f)) – tudo isto não são falhas mas feridas de morte. Como compreender, por exemplo, que um dos intervenientes – o Júri Nacional de Exames – homologue exames com a classificação de “suspenso” num aluno?
Mas mais grave ainda, porque é prática que veio para ficar, são os exames baseados em respostas de escolha múltipla, os fracos conteúdos, as “questões que não exigem conhecimento abstracto e crítico”(2), um ensino que promove uma deficiente argumentação, reflexão e escrita, com inflação de notas (o que agrada a pais e alunos), e cuja classificação agora por “itens” (sem qualquer visão de conjunto) vai dar à IA Generativa “milhões de instruções gratuitas”(2) e dispensar futuramente a correcção dos professores – no fundo, a destruição da Escola, a degradação do conhecimento.
Fazendo de conta de que as provas estão todas classificadas e que todas as notas foram afixadas ontem, dia 17 de Julho (sabemos que não é assim), como anunciou o ministro mas remetendo a responsabilidade da sua publicação (passando a bola) para o Júri Nacional de Exames (o que é feio e lhe fica mal) e ao fim da tarde para os Directores das Escolas (pior ainda), a desgraça deste ministro (e, já agora, deste governo) parece não ter fim:
– A saída das primeiras notas foi prometida pelo ministro para as 19h30;
– Por volta das 18h44 soube-se que as notas do 9.º ano, que não contam para o acesso ao ensino superior, não iam ser afixadas;
– Às 19h35 soube-se que há provas sem nota com a sinalização de “suspenso” no aluno;
– Dois minutos depois, a Carnaxide chegavam os resultados dos exames mas faltava afixá-los nas pautas e migrar os dados para a plataforma;
– Às 20h45 o ministro está a ser entrevistado na SIC Notícias e começa a ser cansativo ouvi-lo!;
– Às 21h09, escolas em Coimbra começam a afixar as notas;
– Às 21h12 chegam a Vila Nova de Gaia os primeiros ficheiros, mas algumas escolas já fecharam antes de afixar as notas;
– Às 21h25 a Escola Secundária Avelar Brotero, em Coimbra, afixa as pautas; e às 21h31, na Guarda, as pautas estão a ser afixadas mas ainda não estão acessíveis;
– Escolas dizem que vão a trabalhar até à meia-noite;
Concluindo: um espectáculo que deixou alunos, encarregados de educação e o país em suspenso. Deprimente!
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(1. As notícias: a) «Fernando Alexandre prepara-se para responsabilizar diretores um a um se notas não saírem» – RTP Notícias de 2026/07/18;
b) «Classificações chegaram esta noite mas não para todos» (COM O VÍDEO: “PRIMEIRAS NOTAS COMEÇARAM A SAIR ÀS 21H20”) – RTP Notícias de 2026/07/18;
c) «EduQA garante que escolas receberam exames nacionais, mas haverá provas sem nota» (“O EduQA garantiu que as notas foram entregues às escolas ainda esta sexta-feira até às 19h30, mas que as provas com itens em falta - em consulta, reapreciação ou reclamação - serão sinalizadas como em "suspenso".”) – RTP Notícias de 2026/07/17;
d) «"Não há razão nenhuma para que hoje não sejam publicadas todas as notas." Calendário do Superior mantém-se» (“O ministro da Educação esteve esta sexta-feira no Parlamento a responder aos deputados no debate de urgência pedido pelo PCP sobre os exames nacionais.”) – TSF Rádio Notícias de 2026/07/17;
e) «Alunos que pedirem reapreciação dos exames têm mais três dias para concorrer ao superior» (“Informação relevante para estes alunos, tendo em conta que os sindicatos de professores preveem uma avalanche de pedidos de reapreciação dos exames nacionais do ensino secundário (...)” – Jornal de Notícias de 2026/07/17;
f) «Como vai ser o acesso ao Ensino Superior após o caos nos exames?» (COM O VÍDEO: Luís Vaz, encarregado de educação e engenheiro informático com mais de 17 anos de experiência em sistemas de informação, implementação e engenharia de software) – SIC Notícias de 2026/07/17;
e g) «Resultados dos exames foram divulgados mas nem todos souberam as notas» – Jornal de Negócios de 2026/07/17;
2. a) «Contra o comboio desgovernado, subimos na automotora» – Raquel Varela (2026/07/16); e b) na mesma linha de ideias o professor António Carlos Cortez (RTP Notícias, Última Hora, 2026/07/17, às 21h42);
3. Nota: fotografia do autor com elemento de composição do Nano Banana (Gemini).)

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