O padre Felinus era o Director do Colégio Santa Bárbara Quando Troveja, um colégio católico, privado e elitista. Dizia-se dele, à surdina, que era informador da PIDE/DGS e membro do Opus Dei (5).
Por estes dias, Abril de 1975 (um ano depois da revolução de Abril), andava o padre Felinus a ensinar aos conspiradores reaccionários manhas e artimanhas sobre como descapitalizar empresas e transferir fortunas para o estrangeiro quando o colégio é ocupado com o apoio dos estudantes e pais da escola pública e do próprio colégio (crianças da Primária incluídas). A partir daí foi aberto a todos, “ricos e pobres, latifundiários e trabalhadores”, com o objectivo de “dar tudo a todos, acabar com ricos e pobres.” (1, 2 e 3)
Felinus é conduzido por militares para sua protecção, saneado sob a acusação de ligação ao regime anterior e mais tarde colocado pelo Episcopado à frente de uma Caixa de Crédito Agrícola (6), área em que pela larga experiência de anos estava mais que doutorado.
1. A propósito do cartoon:
a) Ocupação da escola católica privada de Alcácer do Sal (18 de abril de 1975?):
«A vida deve ser festa, não sacrifício» (“É quase impossível deixar em palavras o que, há 52 anos, o tempo histórico fez. (…)” // “A professora Filomena Oliveira recorda a ocupação da escola católica privada de Alcácer do Sal, com o apoio dos estudantes e pais da escola pública e da própria escola, que foi aberta a todo o povo de Alcácer. O currículo devia ser integral e igual para todos, ricos e pobres, latifundiários e trabalhadores: dar tudo a todos, acabar com ricos e pobres. Ainda hoje esse edifício da antiga escola católica privada alberga a Escola Secundária de Alcácer do Sal, que o atual ministro quer destruir com o currículo flexível, o fim da carreira docente pública e a IA a substituir professores.” // “Ainda hoje o Centro de Saúde do Seixal resulta da ocupação de um prédio por médicos e utentes para construir uma unidade de saúde.”) – editorial do Jornal Maio, Raquel Varela, de 2026/04/22;
b) O ensino antes do 25 de Abril de 1974:
«Nados e Criados Desiguais» (“Programa apresentado por Eládio Clímaco, sobre a discrepância entre o ensino escolar acessível a crianças provenientes de espaços rurais e de espaços urbanos (...)”) – RTP Arquivos de 1974-11-27;
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2. Serviço Cívico Estudantil (SCE) e alfabetização:
(“No início da década de 1970, já Marcelo Caetano substituíra Salazar no governo da ditadura, (…) Portugal era um país muito marcado pela ruralidade e 25,7% da população portuguesa não sabia ler nem escrever. Entre as mulheres, a percentagem era ainda maior: 31% (…), muito poucos portugueses frequentavam o ensino secundário (2,8%) e ainda menos acediam ao ensino superior (1,6%).” // “Ainda assim, havia, no outono de 1974, 28 mil candidatos ao ingresso no ensino superior, um contingente de jovens com um vazio de um ano pela frente. Neste contexto de espera, surgiu o Serviço Cívico Estudantil, um conjunto de ações junto de populações ou instituições consideradas problemáticas ou carenciadas, que cobriam principalmente as áreas da alfabetização, saúde, segurança social, ações culturais, desporto, apoio às atividades escolares e realização de inquéritos. Foi desempenhado por estudantes candidatos à Universidade, recrutados para desempenhar a missão num ano "letivo" criado para o efeito, entre o fim do Ensino secundário e o princípio do Ensino superior.”) – Bertrand Livreiros, Marta Martins Silva em 2025-07-25;
(““Os Putos do PREC — Os Estudantes no Verão Quente de 1975”, de Pedro Prostes da Fonseca, publicado pela Guerra e Paz, foca especificamente a ação dos alunos de liceu um ano após a Revolução dos Cravos (...)” // “Aos 14 e 15 anos, viviam para a política. Participavam em medidas de gestão nos liceus ou tornavam-nas impossíveis.” // “(...) os jovens acreditavam na mudança e num mundo melhor, participavam em atividades de alfabetização e de apoio a cooperativas e comunidades desfavorecidas” // “(…) foi uma geração que fez “tudo do melhor e do pior, mas é a geração que construiu a democracia”, que “abriu caminho” depois de a geração anterior ter feito o 25 de Abril.”) – 24 notícias de 2025/05/11;
c) «Os estudantes e a Revolução: 1974-1975 – Campanha de alfabetização e educação sanitária» (CARTAZES (ABEL MANTA), PANFLETOS, FOTOGRAFIAS) – Comissão Comemorativa 50 Anos 25 Abril;
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3. a) Gestão democrática nas escolas portuguesas entre 1974 e 1976:
(“Resumo: Em Portugal, após a Revolução de Abril de 1974, há a rutura da situação política até então vigente. Emergem as primeiras organizações de caráter sindical no seio da classe docente, constituindo um marco importante da mobilização na educação em Portugal. As escolas assumem o papel de centros de decisão, desenvolvendo processos de democracia direta e de autogestão. Os sindicatos passam a ser estruturas privilegiadas de intervenção e reivindicação do corpo docente. Na tentativa de normalizar este período vivido nas escolas, é publicado o «Decreto-Lei nº 769-A/76, de 23 de outubro», que regulamenta a gestão das escolas portuguesas. Progressivamente, o modelo de gestão democrática foi assumindo a feição (neo)corporativa, proporcionando aos/às professo res/as a representação do interesse público na escola.”) – BOAVISTA, Clara (Centro de Estudos e Intervenção em Educação e Formação (CeiEF), Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa (Lisboa/Portugal)); Educação, Sociedade & Culturas, n.º 43, 2014, 45-63. (download: PDF (Português));
e b) Conquistas
– «A caminho do cinquentenário do 25 de ABRIL, avivemos a memória!» (“Para que a memória não nos falhe, recordemos algumas medidas tomadas em 1974 e 1975, que tanto contribuíram para uma maior justiça social, como foram, entre outras: a criação do Salário Mínimo Nacional (Maio 1974); a fixação do valor mínimo da pensão de invalidez e velhice (1974); a criação da pensão social destinada a pessoas que não tinham descontado para a previdência (Maio 74); a atribuição do abono de família a desempregados (1974); a criação do subsídio de Natal para pensionistas, com valor igual ao da pensão (dezembro 74); o suplemento de grande invalidez (1975) e a criação do subsídio de desemprego (1975).” // “Foram estas importantes conquistas, consagradas na própria Constituição da República (abril 1976), como o direito a um Sistema Público de Segurança Social, assente nos princípios da universalidade e da solidariedade, que viriam a garantir importantes avanços civilizacionais, a todos os portugueses, ao nível da assistência em situações de desemprego, doença, maternidade-paternidade, encargos familiares com crianças e jovens, deficiência, invalidez, velhice e morte.” // “Hoje, deparamo-nos com grandes constrangimentos que têm posto em causa muitos dos direitos alcançados.”) – FENPROF de 2023/04/17;
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4. Retrocessos
a) «Os Professores vão deixar de ser funcionários públicos?» – Conferência na Escola Secundária Camões. 1 de março de 2026. Com António Garcia Pereira (aos 7’39”), Raquel Varela, Alice Faro Santos e Sandra Duarte, Jornal Maio de 2026/03/11;
e b) Protestos (16 de Maio de 2026)
– «Professores em protesto pela revisão do estatuto da carreira docente» (“Milhares de professores saíram este sábado à rua para uma manifestação convocada pela Fenprof contra a revisão dos estatutos da carreira, mas também contra a proposta do pacote laboral.”) – RTP Notícias de 2026/05/16;
– «Fenprof leva milhares de professores à rua e anuncia adesão à greve geral» (“Os professores protestam contra a revisão dos estatutos da carreira, mas também contra a proposta do pacote laboral.”) – Diário de Notícias de 2026/05/16;
– «Professores manifestam-se em Lisboa pela valorização da carreira docente» – SIC Notícias de 2026/05/16;
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5. a) Polícia Política: Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE entre 1933 e 1945); Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE entre 1945 e 1969); Direção-Geral de Segurança (DGS entre 1969 e 1974);
e b) Opus Dei: Organização internacional de leigos, a que também pertencem sacerdotes seculares"; apoiou e participou em governos autoritários;
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6. Nacionalização das instituições de crédito:
– «Decreto-Lei n.º 132-A/75, de 14 de março»: Nacionaliza todas as instituições de crédito com sede no continente e ilhas adjacentes, com excepção do Crédit Franco-Portugais, dos departamentos portugueses do Bank of London & South America e do Banco do Brasil, das caixas económicas e das caixas de crédito agrícola mútuo;
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7. Nota: Composição com Nano Banana (Gemini).

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