Em Março e Abril de 1975 uma Brigada militar das Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica do Movimento das Forças Armadas visita uma aldeia recôndita de São Pedro do Sul com o objectivo de efectuar o levantamento das condições de vida dos seus habitantes.
Falta de estradas de acesso e, por causa disso, “as pessoas tinham de ser transportadas numa padiola cerro acima para poder receber assistência e o médico nem vinha”; “a comida que faltava, tudo o que faltava”; “a guarda-fiscal só aparecia para fazer asneira, chegava, e se apanhasse um carro de bois no meio da rua perguntava logo pela licença sabendo que não havia posses para a pagar”; terra sem luz, sem televisão, onde “o analfabetismo imperava e o nível de conhecimentos rondava o zero.”
Era assim em muitas aldeias do país.
Além das campanhas do MFA há a realçar o contributo dos estudantes com o Serviço Cívico Estudantil.
(1. A propósito: a) «Covas do Rio, retrato de uma aldeia» (“Em Março de 1975 a RTP acompanhou elementos das forças armadas num campanha de dinamização cultural a Covas do Rio (São Pedro do Sul). O objetivo era mostrar ao país como viviam as pessoas de uma aldeia portuguesa que nem estrada de acesso tinha.” // “Em 1975 o Movimento das Forças Armadas (MFA) colocou no terreno brigadas de Dinamização Cultural e Ação Cívica que percorreram o país – especialmente as zonas mais desfavorecidas (...)”) – RTP Ensina de 1975-04-01;
e b) «Covas do Rio, uma estrada a caminho» (2.ª visita: “Em abril de 1975 uma equipa do MFA e da RTP visitou pela segunda vez Covas do Rio. O objetivo foi mostrar uma reportagem realizada dias antes e, ao mesmo tempo, conhecer as reações ao anúncio da construção de uma muito esperada estrada para a aldeia.”) – RTP Ensina de 1975-04-13;
2. Outras campanhas do MFA: a) «Ação Cívica do MFA em Viseu» (“Campanha de dinamização cultural e acção cívica promovida pelo Movimento das Forças Armadas, com destaque para atuação da banda da Armada, pinturas no edifício da Caixa Geral de Depósitos e atuação de palhaços das ruas de Viseu.”) – RTP Arquivos de 1975/04/07;
b) «Dinamização Cultural e Ação Cívica do MFA» (“Programa sobre a visita do grupo de teatro amador de Loures às freguesias de Salsas e de Aveleda, no distrito de Bragança, no âmbito da campanha "Maio-Nordeste" integrada nas Campanhas de Dinamização Cultural e Ação Cívica do Movimento das Forças Armadas (MFA).”) – RTP Arquivos de 1975/06/30;
c) «ALGUMAS CAMPANHAS REALIZADAS» (“De acordo com a antropóloga Sónia Vespeira de Almeida, as Campanhas de Dinamização Cultural conheceram duas fases distintas: de 25 de outubro de 1974 a 14 de julho de 1975 e de 15 de julho a 26 de novembro de 1975. // No primeiro período, as Campanhas basearam-se no «Programa de Dinamização Cultural», tendo por base o Programa do MFA. // No segundo período, o documento orientador passou a ser o texto «Ação Cívica: Passar das Palavras aos Atos» (...) // Na primeira fase, a atuação foi de caráter itinerante e ter-se-á verificado uma maior ênfase no processo de descentralização cultural. No segundo momento, a atuação revestiu-se de um carácter mais permanente e a politização das populações tornou-se prioritária (ao que não será alheio os acontecimentos do 11 de Março) // Nesta segunda fase, é possível identificar ainda um período em que a estrutura organizativa das Campanhas se complexifica, numa tentativa de dar respostas efetivas às carências das populações e de se constituir enquanto elemento de ligação entre o povo e burocracia estatal. (...)) – «in» 50Anos25Abril;
e d) «Dinamização cultural pelo MFA» «in» “Movimento das Forças Armadas” – Wikipedia;
3. a) Serviço Cívico Estudantil (SCE) e alfabetização: «Campanhas de alfabetização no Verão Quente de 1975» (“No início da década de 1970, já Marcelo Caetano substituíra Salazar no governo da ditadura, Portugal era um país muito marcado pela ruralidade e 25,7% da população portuguesa não sabia ler nem escrever. Entre as mulheres, a percentagem era ainda maior: 31% (…), muito poucos portugueses frequentavam o ensino secundário (2,8%) e ainda menos acediam ao ensino superior (1,6%).” // “Ainda assim, havia, no outono de 1974, 28 mil candidatos ao ingresso no ensino superior, um contingente de jovens com um vazio de um ano pela frente. Neste contexto de espera, surgiu o Serviço Cívico Estudantil, um conjunto de ações junto de populações ou instituições consideradas problemáticas ou carenciadas, que cobriam principalmente as áreas da alfabetização, saúde, segurança social, ações culturais, desporto, apoio às atividades escolares e realização de inquéritos. Foi desempenhado por estudantes candidatos à Universidade, recrutados para desempenhar a missão num ano "letivo" criado para o efeito, entre o fim do Ensino secundário e o princípio do Ensino superior.”) – Bertrand Livreiros, Marta Martins Silva em 2025-07-25;
e b) «Os estudantes e a Revolução: 1974-1975 – Campanha de alfabetização e educação sanitária» (CARTAZES (ABEL MANTA), PANFLETOS, FOTOGRAFIAS) – «in» 50 Anos 25 Abril;
4. «Movimento das Forças Armadas» – Wikipedia;
5. Nota: Composição com Nano Banana (Gemini).)

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