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Sunday, July 26, 2026

O gesto do manguito, Zé Povinho, Rafael Bordalo Pinheiro e Pork and Cheese

Diz-se que a carne inglesa enlatada (“Corned Beef”) que os ingleses davam às tropas portuguesas na Grande Guerra era intragável e sabia a carne de macaco – de facto, não era essa a alimentação dos portugueses, que detestavam o “Corned Beef” e apreciavam porco e feijão (“Pork and Beans”), ou porco e queijo (“Pork and Cheese”), palavras estas que, para os ingleses, soavam (e soam) a “Portuguese”.

Por causa destes “falsos amigos”, ou “falsos cognatos”, “palavras que soam da mesma maneira ou se escrevem de forma parecida em línguas diferentes, mas têm significados diferentes”, o encontro do “Zé Povinho” (“aqui num estado arisco e insolente”) com o “Beef” (“o gentleman inglês”) não está a correr nada bem...

Tememos pela segurança do “Totó”...

Pode ser que se safe...



(1. A alimentação: «Grande Guerra: como era a alimentação na frente de combate?» (“Os soldados do CEP odiavam a comida dos “beef” (alcunha dada aos ingleses, com origem – pensa-se – no facto de os primeiros guardas da Torre de Londres serem designados por ‘beefeaters’).

Quanto aos Britânicos, eram críticos acérrimos da alimentação dos militares portugueses, a quem chamavam Pork and Beans, devido ao gosto nacional por carne de porco e feijão. Ou Pork and Cheese, vocábulos foneticamente similares a Portuguese, e que tinham em conta o visível amor pátrio dos nossos expedicionários pelo queijo.”) – Jornalíssimo de 2023/03/30;

2. a) O gesto (manguito) do «Zé Povinho» (“a personificação nacional portuguesa”, que “tem como característica principal o gesto do manguito (o "Toma!"), representando a sua faceta de revolta e insolência.”;

Surgiu pela primeira vez na 5.ª edição do periódico "A Lanterna Mágica", a 12 de Junho de 1875, na caricatura intitulada "Calendário 'Portuguez'", alusiva aos impostos, onde se representa o então Ministro da Fazenda, Serpa Pimentel*, a sacar ao Zé Povinho uma esmola de três tostões para Santo António de Lisboa (representado por Fontes Pereira de Melo) com o "menino" (D. Luís I) ao colo, tendo ao lado o comandante da Guarda Municipal, de chicote na mão, presente para prevenir uma eventual resistência.”;

* António de Serpa Pimentel

O próprio Bordalo Pinheiro define-o como “uma figura cheia de contradições”: “O Zé Povinho olha para um lado e para o outro e… fica como sempre… na mesma.” “Mas se ele é paciente, crédulo, submisso, humilde, manso, apático, indiferente, abúlico, céptico, desconfiado, descrente e solitário, também não deixa por isso de nos aparecer, em constante contradição consigo mesmo, simultaneamente capaz de se mostrar incrédulo, revoltado, resmungão, insolente, furioso, sensível, compassivo, arisco, activo, solidário, convivente...”) – Wikipedia;

b) «Banana (gesto)» (“fazer um manguito (em Portugal)”; “consiste em dobrar um braço para fazer um formato de L, com a palma da mão fechada apontando para cima, enquanto a outra mão, em seguida, agarra o bíceps do braço dobrado, e o antebraço dobrado é então levantado na vertical enfaticamente.”; a versão brasileira acrescenta quepara concluir este gesto é preciso mandar o dedo do meio.”; significaignorar o que alguém acabou de dizer ou demonstrar oposição a algo.”) – Wikipedia;

e c) «Rafael Bordalo Pinheiro» (“O seu nome está intimamente ligado à caricatura portuguesa”; “É o autor da representação popular do Zé Povinho, que se veio a tornar num símbolo do povo português.

Foi ele que se fez "ouvir" com as suas caricaturas da queda da monarquia.”) – Wikipedia;

3. Nota: composição com Nano Banana (Gemini).)

A Grande Guerra, o Corpo Expedicionário Português e a Guerra das Latas

Uma das guerras mais trágicas de que há memória foi a guerra de trincheiras da Flandres que, no ano de 1918, opôs latas de conserva de sardinhas, latas de conserva de atuns, bacalhaus* e garrafas de vinho da marca Padeira de Aljubarrota contra conservas enlatadas de carne de vaca da marca “Corned Beef”, bolachas de água e sal, latas de marmelada e latas de chá.

Se já tivemos “revoltas” como as do grelo (1903, Coimbra), da batata (1917, Lisboa), da farinha (1931, Ilha da Madeira), do leite (1936, Ilha da Madeira) e do milho (1942, concelho de Leiria) também não espanta esta das latas.

Tudo começou quando um dia a enlatada de sardinha chamou à enlatada de carne de vaca da marca “Corned Beef” intragável e aí instalou-se a guerra. A sardinha enlatada tinha ouvido dizer de um soldado do Corpo Expedicionário Português, interveniente na Grande Guerra que então decorria, que a carne inglesa enlatada que os ingleses davam às tropas portuguesas era intragável e sabia a carne de macaco**. Vai daí entrou em estado de desaforo, desafiou uma “Corned Beef” e gerou-se a guerra: onde antes estavam aliados passaram a estar inimigos, de tal modo que no final das duas guerras, em Versalhes, foram assinados dois tratados de paz: o da Grande Guerra e o das Latas.

Disse quem viu, um tipo com muita lata que já cá não está, que aquilo foi tão feio que a partir do Tratado o mundo das latas nunca mais foi o mesmo! E é bem verdade pois desde aí não houve uma Segunda Grande Guerra das Latas.



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* «Início da indústria conserveira em Portugal - Primeiras empresas» – Conservas de Portugal – Museu Digital da Indústria Conserveira»;

Na verdade, sardinhas e atuns de conserva e bacalhaus não chegavam às trincheiras da Flandres e às bocas dos soldados do Corpo Expedicionário Português (CEP) que aí lutavam (com sorte talvez chegasse um bacalhau para a ceia de Natal de ‘17);

** Diz-se no texto que “a carne inglesa enlatada (“Corned Beef”) que os ingleses davam às tropas portuguesas era intragável e sabia a carne de macaco – de facto, não era naturalmente essa a alimentação dos portugueses, que detestavam o “Corned Beef” e apreciavam porco e feijão (“Pork and Beans”), ou porco e queijo (“Pork and Cheese”), palavras estas que, para os ingleses, soavam (e soam) a “Portuguese”;
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(1. A alimentação: «Grande Guerra: como era a alimentação na frente de combate?» (“A subsistência alimentar dos membros do Corpo Expedicionário Português (CEP) era maioritariamente da competência dos Ingleses, e foi ratificada num convénio assinado entre os aliados a 3 de Janeiro de 1917. Desta forma, competia às forças britânicas fornecer uma ração constituída por pão, carne, doce, queijo, açúcar, sal, pimenta, mostarda, leite condensado, legumes verdes, batatas, manteiga, pickles, rum, tabaco e fósforos. A carne podia ser substituída por corneed beef (carne*** enlatada ou salgada), e o pão, por bolacha. Portugal providenciava a substituição do chá por café, e o fornecimento do tão amado vinho português.

*** carne de bovino

As queixas eram frequentes, relativas à composição, quantidade e qualidade dos ingredientes. O “gosto britânico” não era o mesmo do português. Os soldados do CEP odiavam a comida dos “beef” (alcunha dada aos ingleses, com origem – pensa-se – no facto de os primeiros guardas da Torre de Londres serem designados por ‘beefeaters’).

Quanto aos Britânicos, eram críticos acérrimos da alimentação dos militares portugueses, a quem chamavam Pork and Beans, devido ao gosto nacional por carne de porco e feijão. Ou Pork and Cheese, vocábulos foneticamente similares a Portuguese, e que tinham em conta o visível amor pátrio dos nossos expedicionários pelo queijo.”) – Jornalíssimo de 2023/03/30;

2. a) «Corpo Expedicionário Português» (“O Corpo Expedicionário Português (CEP) foi a principal força militar portuguesa que participou na frente europeia da Primeira Guerra Mundial.” // “A partida de milhares de homens para a Flandres francesa gerou, no entanto, um clima de descontentamento nacional, avolumado pelos enormes gastos a suportar pelo governo.”) – Wikipedia;

e b) «Corpo Expedicionário Português (1914 – 1919).» – Arquivo Histórico Militar;

3. «Batalha de La Lys (1918)» (“Nesta batalha, que marcou negativamente a participação de Portugal na Primeira Guerra Mundial, os exércitos alemães infligiram uma pesada derrota às tropas portuguesas, constituindo o maior desastre militar português depois da batalha de Alcácer-Quibir, em 1578.”) – Wikipedia;

4. Relacionada com a participação de Portugal na I Grande Guerra: «Revolta da Batata (1917)» (“A participação de Portugal na I Grande Guerra (1914-1918) agravou de forma severa as condições de vida da população portuguesa.” // “Em maio de 1917, tiveram lugar, na região de Lisboa, assaltos populares a mercearias, padarias, restaurantes e outros estabelecimentos comerciais, em consequência da falta de víveres.” // “Na origem dos incidentes terá estado o aumento súbito do preço da batata, alimento muito procurado pelas classes mais desfavorecidas, devido à escassez de pão.”) – Portal do Parlamento;

5. «Tratado de Versalhes (1919)» (“O Tratado de Versalhes foi um tratado de paz assinado pelas potências europeias que encerrou oficialmente a Primeira Guerra Mundial (...)”) – Wikipedia;

6. «Centenário Portugueses na Primeira Grande Guerra» (“No site da RTP, estão disponíveis os mais significativos materiais de arquivo da estação pública sobre o tema.”) – RTP Notícias de 2019/12/27;

7. Nota: composição com Nano Banana (Gemini).)