“Vai, vai, vai”, disse o pássaro: “o teu ser não suporta demasiada realidade.” – T. S. Eliot.*
Por vezes acontece alguns governos desligarem-se da realidade. Vivem fora dela. Constroem narrativas e entretêm-nos com coisas acessórias.
As manifestação de rua, as acampadas pela habitação, contra a lei das rendas, a que temos vindo a assistir, são a expressão, justa, do descontentamento popular. Ao reprimir ou silenciar um protesto através da força, o poder político e as forças de segurança tentam forçar o “regresso artificial à normalidade”, criando a ilusão de que está tudo bem.
Para o actual governo de Montenegro a contestação social das ruas é a “demasiada realidade” de que fala o pássaro, a realidade que o governo é incapaz de ver (ou não suporta ver) e também a sua vulnerabilidade que por teimosia é incapaz de admitir.
Seja como for, o povo luta nas ruas para que a lei das rendas caia. E que vai cair é o mais certo!
(1. As notícias: a) «Madrugada de violência em Lisboa e no Porto: nova carga policial nas acampadas faz dezenas de feridos» (COM A GALERIA DE IMAGENS: Ricardo Sá Fernandes (Foto 24); Deputado do PS Pedro Delgado Alves (Foto 25); Representantes políticos de quadrantes da esquerda (Foto 31); Cães, Bastonadas, Feridos e Detenções (Fotos 38 a 43); Início da intervenção do Corpo de Intervenção na Praça D. João I, no Porto (Fotos 53 a 59; Rosto de jovem manifestante no rescaldo dos confrontos (Foto 60). “O advogado dos manifestantes em Lisboa, Ricardo Sá Fernandes, caracterizou a intervenção como “desnecessária, desproporcional e ilegal” e já anunciou que irá haver uma “participação criminal” contra o ministro.”) – Público de 2026/11/01;
b) “No Porto, à terceira carga sobre a acampada, um polícia sacou da arma entre a multidão”, titula o Público, mesma data;
c) “Polícia avançou contra manifestantes, duas Mães pela Acampada entre os 13 detidos”, titula o Público, mesma data, e, no corpo da notícia, “No rescaldo, entre os manifestantes, há vários feridos e 13 detidos: no Porto, sete pessoas foram levadas para a esquadra, quatro mulheres, entre as quais duas integrantes do movimento Mães Pela Acampada, e três homens. Em Lisboa, há indicação de seis pessoas detidas.”;
d) «Carga policial em protesto pela habitação no Rossio: manifestantes apontam 10 detidos e seis feridos» (“Vários órgãos de comunicação social testemunharam detenções e relataram a desproporcionalidade da carga policial, com petardos e bastonadas.” // “A acampada no Rossio e a atuação da polícia de madrugada foram acompanhados por elementos do Mecanismo Nacional de Prevenção da Provedoria de Justiça, que durante o dia também observaram a manifestação.”) – CNN Portugal de 2026/11/01;
(“A intervenção policial, por parte de elementos do Corpo de Intervenção da PSP, começou pelas 04h30, em Lisboa e no Porto” //
“Vários órgãos de comunicação social testemunharam detenções e relataram a desproporcionalidade da carga policial, com petardos e bastonadas.” //
“A acampada no Rossio e a intervenção policial desta madrugada foram acompanhadas por elementos do Mecanismo Nacional de Prevenção da Provedoria de Justiça, que também tinham estado presentes na manifestação de sábado.” //
“Mourana Monteiro, socorrista voluntária da equipa médica da acampada de Lisboa, adiantou à SIC num balanço inicial que existiam vários feridos, com “feridas abertas na zona da nuca, potenciais fraturas nos braços e mãos, hematomas na face e na zona da cabeça, nas costas”. “Enquanto estávamos a fugir houve duas pessoas que estavam feridas e nós identificámo-nos e o que recebemos foram empurrões contra a parede com os escudos”, acrescentou.” //
“O subintendente Sérgio Soares confirmou esta manhã que o homem que surge nas imagens com uma arma de fogo é um agente da PSP à paisana. A Acampada do Porto acusa o polícia de ter apontado a arma à cabeça de manifestantes na Avenida dos Aliados, cerca das 05h15, quando estes se encontravam reunidos após a intervenção policial.” //
“A Amnistia Internacional Portugal criticou o "uso excessivo e desproporcionado da força" pela PSP nas acampadas de Lisboa e do Porto e anunciou que vai contactar com urgência o ministro da Administração Interna para denunciar alegadas violações de direitos humanos.” //
“O advogado Ricardo Sá Fernandes, que representa manifestantes da Acampada de Lisboa, anunciou que vai apresentar uma participação criminal por abuso de poder contra o ministro da Administração Interna, Luís Neves, e o diretor nacional da PSP, Coelho de Moura, segundo a agência Lusa, citada pelo Observador.”) – SAPO de 2026/11/01;
(“Antecipando a intervenção policial, os deputados do PS Pedro Delgado Alves e Eva Cruzeiro, do Livre Jorge Pinto, Isabel Mendes Lopes e Paulo Muscho e do BE Fabian Figueiredo estiveram na Praça do Rossio, em Lisboa, e apelaram ao comandante do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, Iúri Rodrigues, para evitar o uso desproporcional da força contra os manifestantes.”);
No Porto, Marc Ricardo Silva, repórter de imagem da CMTV, que estava a gravar, devidamente identificado, com outros jornalistas à volta, foi agredido à bastonada numa das pernas, logo no início, pelo Corpo de Intervenção da PSP; o repórter e o Sindicato dos Jornalistas vão apresentar queixa por estar em causa um atentado à liberdade de imprensa e de informação;
(“Em representação dos manifestantes da Acampada de Lisboa, o advogado Ricardo Sá Fernandes disse este domingo que vai avançar com participação criminal contra o ministro da Administração Interna, Luís Neves, e o diretor nacional da PSP, Coelho de Moura, acusando-os de "abuso de poder" após a carga policial desta madrugada.”) – Correio da Manhã de 2026/11/01;
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2. «Acampada do Porto pela Habitação» – Instagram;
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3. Nota: composição com base em fotografia do autor (Pr. D. João I, no Porto, 31/10/2026, às 19h55) e Nano Banana (Gemini); pretende ser uma representação evocativa dos acontecimentos, às 4h30 de Domingo, não necessariamente fiel, mas apenas para que fique, quanto ao essencial, na memória – e não mais se esqueça!;
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* Tradução do verso por Maria de Lourdes Guimarães: “Go, go, go, said the bird: human kind / Cannot bear very much reality”, T. S. Eliot, poema “Burnt Norton” da obra “The Four Quartets” (Quatro Quartetos), de 1936.;
«Quatro Quartetos» – Wikipedia; «Quatro Quartetos» – Wikiquote.)
