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Sunday, September 14, 2025

Elevadores presos por um fio. Manutenção do elevador da Glória. IMT.

Um semibárbaro (isto é, um tipo que vive no Império Romano, mas é lusitano, português) vai muito descansado na sua vidinha quando encontra no caminho dois romanos e os interpela:



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("Esta omissão poderá ser determinante na atribuição de responsabilidades civis e criminais: o município de Lisboa, através da Carris, optou por um modelo contratual minimalista para um sistema que transporta milhares de pessoas por dia num declive acentuado, expondo os passageiros a um risco inconcebível. //

"Perante isto, o contraste entre Carris e STCP é avassalador e demonstra que o problema é de gestão e de exigência. No Porto, os eléctricos históricos têm direito a centenas de operações programadas, medições rigorosas, registos de torque, ensaios não destrutivos e análises de tendências de desgaste; em Lisboa, os ascensores tinham direito apenas a um olhar de relance e a um visto de conformidade. A mesma empresa, dois contratos, dois mundos.")

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(1. As notícias: a) «Engenheiro que denunciou desinvestimento sofreu retaliação da Carris» – RTP Notícias de 2025/09/13;

("Um engenheiro mecânico que denunciou desinvestimento na manutenção da Carris foi expulso das instalações da empresa onde trabalhou 50 anos. Carlos Gaivoto disse que os trabalhadores estão a ser intimidados. Já a Carris acusou o engenheiro de interferir nas investigações ao acidente.")

b) «Elevadores. Presos por um fio» – SOL de 2025/09/12;

("As carruagens dos funiculares de Lisboa são uma ofensa ao conhecimento científico aplicado há décadas para proteção da vida humana em transportes públicos.")


("Isto significa que a substituição do cabo tractor, efectuada no ano passado no Elevador da Glória pela MNTC – e que a Carris ainda não quis disponibilizar ao PÁGINA UM –, não poderia ter sido tratada como uma mera operação de manutenção rotineira. Por lei, mesmo para elevadores históricos, a Carris deveria ter instruído um processo administrativo prévio junto do IMT, contendo “análise de segurança para a fase de entrada em serviço e relatório de segurança” e posteriormente uma declaração que a alteração fora terminada acompanhada de “documentos que demonstrem a conformidade da instalação com os requisitos essenciais do regulamento”. Nessa linha, teria de ser enviado um “dossier técnico contendo o relatório final dos ensaios e verificações realizadas”. //

"E mais: mesmo em elevadores históricos seria inadmissível que fossem colocados cabos que não estivessem homologados. A legislação refere que caso o IMT verificasse que “um componente de segurança provido de marcação CE de conformidade” pudesse colocar “em risco a segurança e a saúde de pessoas ou a segurança de bens” tinha a competência para determinar “a proibição da sua utilização ou a restrição ao seu campo de aplicação”. Ora, a Carris nem sequer quis informar ainda o PÁGINA UM quem foi o fornecedor do cabo e qual foi o custo. //

"A pergunta que agora se impõe, perante o desastre do Elevador da Glória, é simples: cumpriu a Carris todos estes passos? Foram submetidos ao IMT o projecto de substituição do cabo, a análise de segurança e o plano de ensaios? Existe relatório final de ensaios assinado por entidade independente? Foi emitida autorização de entrada em serviço antes de o elevador retomar a operação?";

2. Nota: desenho a lápis do autor, colorido digitalmente (o lusitano (português) e o centurião romano das histórias do Astérix), e composição com imagens disponíveis na Web, nomeadamente o legionário nas mesmas histórias.)

Thursday, September 11, 2025

Manutenção do Elevador da Glória. O que diz Minerva.



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("Esta omissão poderá ser determinante na atribuição de responsabilidades civis e criminais: o município de Lisboa, através da Carris, optou por um modelo contratual minimalista para um sistema que transporta milhares de pessoas por dia num declive acentuado, expondo os passageiros a um risco inconcebível. //

"Perante isto, o contraste entre Carris e STCP é avassalador e demonstra que o problema é de gestão e de exigência. No Porto, os eléctricos históricos têm direito a centenas de operações programadas, medições rigorosas, registos de torque, ensaios não destrutivos e análises de tendências de desgaste; em Lisboa, os ascensores tinham direito apenas a um olhar de relance e a um visto de conformidade. A mesma empresa, dois contratos, dois mundos.")

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("Em 2022, a MNTC venceu o concurso público com uma proposta de cerca de 995 mil euros – cerca de 42% abaixo do preço-base. Apesar de não ter qualquer experiência no sector e de não possuir sequer o alvará da Direcção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) à data do concurso, venceu com base no único critério de adjudicação: o preço. Porquê? A Carris ainda não explicou.")

e b) «Elevador da Glória com problemas de concepção e manutenção»  (COM A ENTREVISTA) – RTP Notícias de 2025/09/07.

("Esta é a opinião do engenheiro Fernando Branco, antigo professor do Técnico, que depois de ler o primeiro documento sobre o acidente afirma que os passageiros estavam condenados. Os sistemas alternativos de travagem não conseguiriam impedir a tragédia.")

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("Desde 2019 – e não desde 2022, como erradamente se escreveu inicialmente –, a MNTC ficou também responsável pela manutenção dos ascensores lisboetas." (corrigido pela Página 1M em 2025/09/13));;


("A substituição do cabo do Elevador da Glória (...) foi executada no ano passado pela MNTC, empresa responsável pela manutenção dos ascensores de Lisboa desde Setembro de 2022, mas não existem garantias de que os seus técnicos possuíam as certificações exigidas por lei para inspeccionar e intervir em sistemas técnicos desta complexidade.")
("Desde 2019 – e não desde 2022, como erradamente se escreveu inicialmente –, a MNTC ficou também responsável pela manutenção dos ascensores lisboetas." (corrigido pela Página 1M em 2025/09/13));;

2. Quem supervisiona? O outsourcing (política de privatizações e externalização). A investigação. O futuro:

«O trambolho do Elevador da Glória» – por Fernando Santos e Silva, engenheiro eletrotécnico, "LPP / Lisboa Para Pessoas" em 2025/09/09

("Uma das questões ligadas ao desinvestimento prende-se com a opção nas empresas públicas de operação e gestão de infraestruturas para entrega por externalização (outsourcing) da manutenção especializada. Tal como oportunamente denunciado pelos órgãos dos trabalhadores e por técnicos da hierarquia das empresas, essa política traduz-se na perda de capacidade oficinal das empresas e na não substituição dos operários especializados que vão saindo por reforma, perdendo-se “know-how”. //

"Dado que esta questão está mais ou menos relacionada com os critérios da política de privatizações, ela fica assim inquinada por razões ideológicas e não técnicas, omitindo-se muitas vezes os exemplos negativos em outros países, desde o caso do ferry Herald of Free Enterprise até aos acidentes na ferrovia inglesa. //

"Muito dificilmente se poderá justificar financeiramente a opção pela externalização quando o que eventualmente se poupará (veja-se o caso dos concursos anulados por preços superiores ao estimado nos cadernos de encargos) é menos do que o que se perde em controle e monitorização. Não se põe em causa a competência de técnicos de empresas externas, que mediante investimento poderiam ser admitidos pelo operador ou gestor de infraestruturas públicos.");

3. Dicionário: a) "Minerva", deusa da sabedoria, da estratégia, da arquitectura, engenharia e artes; b) "Bárbaros", os povos fora do Império ou não-romanos (no caso em cima, no sentido da "externalização".); c) "Caldário", sala nas termas romanas que era aquecida e munida com banho de imersão; e d) "Quadriga", carro ou carroça conduzida por quatro cavalos lado a lado;

4. Nota: desenho a lápis do autor, colorido digitalmente (a paisagem e o centurião romano das histórias do Astérix), e composição com imagens disponíveis na Web, nomeadamente o legionário nas mesmas histórias.)

Tuesday, September 09, 2025

Moedas: Não sou um moderado fofinho. Fofinho vs sicários.

Frágil! Lidar com pinças!




2. a) As mentiras de Carlos Moedas. Sistemas de redundância. Reposição da confiança dos cidadãos. Entrevista a Fernando Medina e Miguel Poiares Maduro:

«Fernando Medina à Renascença: "Moedas mente para fugir do Moedas oportunista de 2021"» (A ENTREVISTA COMPLETA: "O antigo autarca da Câmara de Lisboa acusa Carlos Moedas de mentir sobre o caso "Russiagate" e nas afirmações que fez sobre o ministro Jorge Coelho e a tragédia de Entre-os-Rios. Fernando Medina considera que o atual autarca não tem "idoneidade" para ocupar o cargo e que "Carlos Moedas de 2025 já está demitido por Moedas de 2021.") – Rádio Renascença de 2025/09/08;

("Segundo o jornal Polígrafo, as afirmações de Carlos Moedas não correspondem, por isso, à verdade. Jorge Coelho não tinha conhecimento de qualquer problema estrutural. O que o ex-ministro sabia é que a ponte tinha danos no pavimento. A demissão de Jorge Coelho foi uma decisão política, ao contrário do que Carlos Moedas sugeriu, este domingo, na entrevista à SIC.") – SIC Notícias de 2025/09/08;

("No derradeiro telefonema que fez a António Guterres – narrado ao autor da biografia pelo atual secretário-geral da ONU – Jorge Coelho deixa clara a natureza da sua decisão: – Não há outra forma. Uma coisa desta dimensão exige uma tomada de posição radical. São muitos mortos, pá. Temos de dar o exemplo. Se não saio, isto vira-se contra ti.”" – Fernando Esteves, autor da biografia “O Todo-Poderoso”, publicada pela editora Matéria-Prima no ano de 2014.) – Polígrafo de 2025/09/08;

e c) «“Carlos Moedas de 2025 já está demitido por Carlos Moedas de 2021”, diz Fernando Medina» ("O ex-autarca adianta ainda que lhe causou “repugnância” Carlos Moedas ter afirmado no domingo, numa entrevista na SIC sobre o desastre no Elevador da Glória, que o antigo ministro Jorge Coelho tinha informações sobre a fragilidade da ponte de Entre-os-Rios antes da tragédia.") – O Jornal Económico de 2025/09/09;

3. Os documentos:

«Elevador da Glória. Divulgados novos documentos» (os contratos assinados com a Carris e a MNTC, os concursos, a deliberação do CA da Carris para ajuste directo, versões não assinadas e rubricadas (e versões completas), externalização da manutenção dos elevadores, o primeiro relatório da inspecção, esquema de funcionamento do ascensor, fotografias da situação dos trambolhos e do cabo que se libertou e, também, os relatórios das inspecções diárias.) – por Mário Rui André, jornalista e editor do "LPP / Lisboa Para Pessoas" em 2025/09/07;

4. Nota: desenho a lápis do autor, colorido digitalmente (a paisagem e o centurião romano das histórias do Astérix), e composição com imagens disponíveis na Web, nomeadamente o legionário nas mesmas histórias.)

Câmara de Lisboa aprova portal da transparência. Pois aqui ninguém foge.

Apesar de não ter feito declarações aos jornalistas após a reunião extraordinária (da Câmara de Lisboa, ontem, segunda-feira), já que saiu a meio, Carlos Moedas "continuará a dar a cara", garantiu o vice-presidente da Câmara, Filipe Anacoreta Correia.” – Notícia em baixo.

Mas as nossas câmaras estavam lá e captaram-no a sair disfarçado...



(1. A notícia: a) «Câmara de Lisboa aprova portal da transparência e apoios às vítimas do acidente no Elevador da Glória» – SIC Notícias de 2025/09/08; e b) «Moedas “abandonou a reunião” de Câmara e não ficou para audição do presidente da Carris, acusam PS e Livre» – ECO de 2025/09/08; 2. Nota: composição com imagens disponíveis na Web, nomeadamente o legionário romano das histórias do Astérix.)