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Tuesday, October 28, 2014

"Espancamento de uma mulher por um soldado dentro de uma egreja"

Padre escapou pela porta da sacristia

(Títulos de há 160 anos ou pouco mais completados agora para melhor entendimento)


(Ficha Histórica da Revista universal lisbonense: jornal dos interesses physicos, moraes e litterarios por uma sociedade estudiosa - Castilho, António Feliciano de, red. - Existências: T. 1, n. 1 (1 Out. 1841)-a. 13, s. 3 (Ago. 1853))

Tuesday, May 22, 2012

O pesamenteiro

Conhecia toda a gente, vila e redondezas. Não havia vivalma que não entabulasse conversa com ele e fizesse amizade. 

Soube de mais um que se fora para a terra da verdade. Pôs pés ao caminho e foi apresentar pêsames.

(Alguém disse: “Vem aí o pesamenteiro!”) 

A história do costume: a boa pessoa que era, a vida é madrasta, os bons é que se vão, nunca descambando para a tristeza-desgraça, levantando o moral, lembrando os momentos picarescos, avivando o apetite, uma graçola aqui outra acolá… Criar ambiente, deixar as horas passar até os enlutados sentirem fome de rabo

(Quando havia picurruchada, sempre pronta a lambuzar-se e fora de estados fúnebres, ainda melhor!)

Come co’a gente…” 
Ora essa! Que maçada…” 
Que não, que não era maçada… 
Pois se não é…” toca a ir dar ao dente! (não o disse mas pensou) E só podia ser assim, porque a seguir à funerária e ao padre o pesamenteiro era uma autêntica instituição, espécie de cronista social que se tinha de trazer nas palmas da mão… 

(E como aquela gente comia!)


(1. Pesamenteiro (brasileirismo): aquele que, a pretexto de dar pêsames, se introduz nas casas para comer; 2. Fome de rabo (sentido figurado): muita vontade de comer; fome extrema; 3. Picurruchada (brasileirismo): pequenada)