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Tuesday, October 01, 2024

Uma primeira edição do mafarrico


No sótão do padre Feliscerto repousam tralhas. Assim, à primeira vista: hábitos talares, 50 pares de sapatos, cálices e copos, faqueiros de alpaca, garrafas de vinho do Porto (algumas por abrir), um divã, cadeiras partidas, um baú, várias ferramentas, caixas de lápis, um relógio de cuco, um despertador de corda, uma lanterna, um ioió, um view-master, uma rã-brinde de bolo-rei, um cavalinho castanho, uma trotinete vermelha da sobrinca, alguns livros velhos, e fora das tralhas uma coruja residente...

É sabido que o entretenimento preferido do mafarrico é dar a volta à Terra e divertir-se e entre os muitos locais que frequenta tem uma predilecção especial por lugares esconsos e pelos sítios do padre, não só para o tentar mas também para o espiar e lhe encontrar os pontos fracos.

E é precisamente no sótão do padre Feliscerto que encontra uma 1.ª edição sua, o que o deixa boquiaberto.

Não há dúvidas que o mafarrico anda a perder qualidades!


Wednesday, August 14, 2024

Quando o mafarrico se disfarçou no relevo da porta do sacrário


Não é a primeira vez que o temerário padre Feliscerto dá de caras com o mafarrico (deve ser sina de padre). Uma vez foi na “noite de 28 de Março” (assim ficou conhecida a noite), quando em Carregosa choveu a cântaros, e só não choveu gatos e cães porque isto aqui não é a Inglaterra. Desta vez – e porque o padre é coca-bichinhos –, deu com o espertalhão a escapulir-se pelo buraco da fechadura do sacrário para de seguida, sorrateiro, se disfarçar no relevo da porta. Mas como o padre sobreviveu da outra vez, na noite da enxurrada, fez “vista grossa” e enganou o sacripanta.

(Está visto que o mafarrico desconhecia que em criança o padre Feliscerto, quando estava doente e “preso” na cama, se habituara a ver nos veios da janela do quarto alguns dos seus familiares, e monstros, e que, portanto, observação e treino não lhe faltavam.)

É por causa desta e de outras que já há quem pense que o mafarrico está a perder qualidades...


E porque se fala da “noite de 28 de Março”: «Quando o temerário padre Feliscerto enfrentou a depressão Nelson...»e da “perda de qualidades do mafarrico”: «Uma primeira edição do mafarrico»