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Saturday, May 26, 2007

Histórias de urinar na rua

Aqui há uns anos atrás uma situação idêntica à descrita na local do JN de hoje (Homem multado por urinar na rua) passou-se no Porto, com algumas diferenças:

1. O interpelado pela PSP local não era engenheiro;
2. Do grupo de policiais o que o interpelou foi, curiosamente, uma mulher-polícia;
3. Foi para a esquadra não pela situação em si mas pelo facto de ter dito à senhora:

«Você, com uma voz tão bonita, até dava para ir para telefonista!»


Legenda: polícias (homens) virando costas por uma questão de pudor

Desta história resultou uma multa que o prevaricador exibia com orgulho no bolso da camisa pois, dizia, «era ainda maior que o papel do IRS»!


(Jornal de Notícias de 2007/05/26: «Homem multado por urinar na rua»)

Friday, August 17, 2018

Os "uritrottoir", especialmente o da ilha de Saint-Louis

Zig e Zag falam dos urinóis ecológicos de Paris, especialmente do "uritrottoir" da ilha de Saint-Louis (cartoon):

















(1. A notícia: "Urinóis ecológicos em Paris criam polémica" - Público de 2018/08/13; 2. Os "uritrottoir" em imagens; 3. E histórias de urinar a céu aberto neste "blog".)

Friday, January 23, 2009

Uma das razões que levam os gatos a fugir de alguns cães…

… é precisamente por estes tresandarem a queijo.

Certo dia deram-lhe um rottweiler, ou parecença disso, e logo tratou de se esmerar nos cuidados a dar ao animal. Diga-se de passagem que era um roedor maldito de sapatos. Um dia foi de malas aviadas – posto num táxi – e ala para uma quinta, donde não se soube mais notícias dele. Garantiu-lhe uma casa, ao menos, e, assim, não lhe ficou a pesar nada na consciência.

Desse tempo elaborou um manual que rezava assim:

«1.º mês:

a) Se mãe não vacinada, vacinar já.

b) Não dar banho.

c) Escovar o pêlo com uma escova para eliminar os pêlos mortos e poeiras. Não utilizar guardanapos ou outras coisas besuntadas que lhe podem dar brilho ao pêlo mas o põem a cheirar a bife ou a batatas fritas.

d) Não deixar morder as peúgas e os sapatos do dono que cheira que tresanda dos pés (não é boa ideia que o cão aprenda a “snifar” o dono).

e) Enquanto não for vacinado não está autorizado a ir à rua cheirar as nalgas dos outros cães; só ao colo para ver os carros passar.

f) Colocar “frontlyne” no pescoço, em quantidade certa, para não o tornar apaneleirado e também para as carraças e pulgas não se ficarem a rir.

g) Biscoito limpa dente, um bocadinho ao deitar, e nada de chiclets da marca Pirata.

h) Utilizar o “tic-tac” de um relógio para o adormecer; não colocar o relógio de cuco da sala pois pode engoli-lo ao bater das horas e sufocar.

i) Ossos com pasta de dentes colgate têm flúor e substituem as rodas dos carrinhos da chavalada e as peúgas e os sapatos do dono.

j) Água, sim; leite, nunca; vinho está fora de hipóteses. Comida: granulado júnior (nunca granulado sénior); uma vez de manhã, outra à noite.

k) Não dar bolachas; o mousse de chocolate é para o dono.

l) Não castigar o cão por urinar ou fazer as suas necessidades – afinal é um bebé – mas não exagerar ao ponto de lhe pôr fraldas.

Mês e meio:

a) Se mãe vacinada, vacinar agora; é a hora da “pica” e, por isso, há que encorajá-lo: «Lindo menino! Não dói nada! Pronto, já está.». Já pode ir à rua e iniciar-se no “putedo”.

b) Continuar a não dar banho.

c) Continuar com o granulado júnior.

d) Manter as regras anteriores, etc..

1 ano:

a) Se não é cão d’água – e não é –, banho só uma vez por ano; não aproveitar a lavagem do carro para lavar o cão; cão ensebado é cão protegido e cheira menos a cão; uma das razões que levam os gatos a fugir de alguns cães é precisamente por estes tresandarem a queijo.

b) Levá-lo periodicamente ao veterinário; nunca ao cabeleireiro e barbeiro também não; cão também não precisa de camisola e peúgas pois já tem pêlo em barda (saber se há cão tipo pêssego careca?).

c) Granulado normal (ou sénior); quando velhote, granulado para a 3.ª idade; eventualmente, restos de comida mas nunca de escabeche ou que levem molho de francesinha ou de bifana; ossos de frango, nunca; trincar e roer “costelinhas” fazendo equipa com o dono, sim.

d) Ordens curtas e firmes do género: «Chega de Internet, Rott!».

e) Não deixar que a sogra desautorize o dono; se o cão escolher a sogra é pôr a sogra e o cão na rua!

f) Tratar o cão com meiguice; tal como as crianças, não há cães maus! Há, sim, cães hiperactivos ou sobredotados; dar-lhe uma boa dose de labirintos para o cansar e nada de calmantes pois pode ficar bronco.

g) ... ... ...»

E chega de manual. Arre!

Friday, August 17, 2012

A retrete

Sanita, latrina, retrete, sentina, trono... Tudo nomes para a mesma coisa. A retrete, no sentido de objecto com cisterna e mecanismo para manejar uma reserva de água, foi inventada nos finais do século XVI por John Harington e ainda hoje perdura. Talvez por pouco tempo a crer na aposta de Bill Gates em a querer reinventar.

Na tropa não havia sanita, pelo menos com assento e tampo - a bem da higiene. Fazia-se de cócoras e apontava-se para um buraco em louça e era carregar a artilharia. Com gente atrás à espera, a berrar, a dar bocas... Há quem as forre. Homem que é homem gosta do tampo virado para cima, aponta-se melhor, rega-se melhor, assobia-se melhor. Faz-se por baixo, luzem ideias por cima. A bem da vida, da política, das invenções. Certo é que defecar a céu aberto numa noite de Verão continua a ser uma das melhores apostas: dá para apreciar o estrelar do céu e ao mesmo tempo sentir a aragem refrescante nas partes pudendas. Urinar nas cidades, desafiando as autoridades, é um risco calculado mas que sabe bem. E tudo serve: cantos de igreja (atrás de Deus ou nas barbas Dele), canteiros, o portal da Maria, tudo o que for buraco escuro e recôndito; conhecem-se monumentos, lê-se e absorve-se a toponímia da cidade...

Sanitas a energia solar por sua vez geradoras de energia ou produtoras de carvão biológico e água limpa ou ainda transformadoras de resíduos são apostas actuais. Longe vão os tempos em que a porcaria a céu aberto ia toda para o campo, a regar couves... E que boas que elas eram!

Ainda assim, o melhor mesmo é apostar na decoração das louças, transformá-las em objectos de arte, ora recobertas a ouro ora aveludadas, para que fiquem objectos onde se possa pousar o prato e comer, apresentáveis às visitas, convidativas...

A retrete é o espelho da nossa cara, da nossa condição humana. Sobre ela poder-se-iam escrever tratados de história, análises sociológicas, histórias cómicas e macabras. Todos dariam páginas e páginas de sabedoria…


(1. A notícia: «Bill Gates premeia protótipos de sanitas do século XXI» - Público de 2012/08/15; 2. Retrete (Portugal):  bacia, privada ou trono (linguagem popular do Brasil); 3. «Vaso sanitário» – Wikipedia; 4. «1589 d.C.- John Harington - Inventor del Retrete» - Curiosidades de la Ciencia)