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Sunday, July 05, 2026

A Herança da feiticeira


E perguntam vocês (que são muito curiosos):

Mas afinal que herança é essa?

Nós desvendamos: Água de Lutécia, Visco, Pó de dentes de Pterodáctilo, Raiz de Mandrágora, Raspas de Mandioca, Asas de Morcego, Teias de Aranha, Olhos de Tritão, Rabo de Gato, Cauda de Lagartixa, Pó de Carvão, Sal de Frutas e Pozinhos de Perlimpimpim (estes à parte, em testamento cerrado).

Tudo metido no caldeirão. Depois, é só cozinhar em lume brando e ir mexendo. Eficácia à prova de bala e não fere a legítima!


(1. Já agora, porque se fala de «Madame Min» – Wikipedia; 2. Nota: Composição com Nano Banana (Gemini).)

Saturday, May 31, 2025

Palheiro do boi, feiticeiras e histórias de bruxas da serra

I - “As feiticeiras fogem do cheiro a bitoque como o diabo foge da cruz”

Já vai há muito tempo. Não havia electricidade, só luz a petróleo, e as feiticeiras desciam das serras e vagavam à noite cantando o trá-lá-lá*, trá-lá-lé, / vamos rapar o pelo do boi do Zé, / ver se está bom de sangue, quentinho e apuradinho, / amanhã, trá-lá-lá, trá-lá-lé, / vai o couro do buzico**, / ai Deus, e u é?***, e dias depois o boi mirrava e embarcava, para desgosto do fazendeiro: “ai os meus bifes e tostões!” Para evitar a demanda, os mais calejados mosqueavam o pelo do boi com mostarda, prática que vinha de pais e avós, e nunca deve ser esquecida, que diziam, e bem, que as feiticeiras fogem do cheiro do bitoque à tuga**** como o diabo foge da cruz.

Fotografia do autor com filtro: o "palheiro do Anacleto" que agora é da "Cambada".

II - “Nunca um advogado deve ter uma cliente feiticeira”

Era uma vez uma feiticeira que nunca mais morria porque não conseguia entregar o mando. Uma dor d’alma vê-la definhar!, vai e não-vai, mas ninguém se abeirava do leito da quase-defunta com medo de tocá-la.

Chamaram o padre Feliscerto*****, doutorado nestas coisas. Quando a feiticeira disse “Pega!”, e podia ser para um adulto ou uma criança, o padre pegou numa vassoura pelo cabo e apontou-lha; se a tocasse, o mando, que é o seu dom e é invisível, passava para a vassoura e a feiticeira morria. Depois, sem a largar, o padre abrasava-a e fim de história.

Desta vez não correu bem ao padre Feliscerto. A velha era sabida. Não foi na treta do padre, pois tinha um plano. Pensaram: talvez com um advogado resulte. Ora na terra havia um, homem pequenino e impudente, conhecido por ser procurador de velhas carentes e endinheiradas e por outras trafulhices. Era procurador dela também. E chamaram-no. “Pega!”, disse a feiticeira. Movido pela soberba, o causídico pegou no testamento que sabia ser a seu favor. 

E foi assim que a feiticeira passou o mando, arranjou um herdeiro e pôde morrer, e o agora advogado-feiticeira anda pela calada da noite a cantarolar o trá-lá-lá, trá-lá-lé, / vou rapar a barba ao Zé, / e depois rapar-lhe o dinheirinho, / ai Deus, e u é?...


(1. Dicionário: a) no título: palheiro: construção rústica para guardar animais, culturas da terra e também os utensílios agrícolas; e b) no texto: *O Super-Pateta em acção depois de comer os seus super-amendoins; **Criança pequena ou pouco desenvolvida; ***Forma arcaica de perguntar “Ai Deus, onde está?”; ****E por falar em «Bitoque à Tuga» «in» Tuga na Cozinha;

2. a) «Um menino daquele tempo», por Sílvia Mata, «in» Jornal da Madeira de 2024/05/05; e b) «Fradas, de Gil Vicente» «in» Teatro da Rainha, 2003/11/12;

*****Para além desta história (que não correu bem ao padre Feliscerto), outras do padre Feliscerto: a) «Uma primeira edição do mafarrico»; b) «Quando o mafarrico se disfarçou no relevo da porta do sacrário»; e c) «Quando o temerário padre Feliscerto enfrentou a depressão Nelson...».)

Wednesday, February 24, 2021

Quando o feitiço se virou contra a feiticeira!


A noite presta-se a muitas coisas. A mais estranha de todas acontece junto à capela do Senhor da Pedra, em Miramar. Mais estranha se torna se for noite de lua cheia, o mar estiver bravo e a maré subir mais que o esperado. Foi o que aconteceu na noite em que bruxa e clientes (era Inverno), entretidos pela cerimónia, acabaram rodeados por um abraço de mar, sem fuga possível. No início do areal o taxista esperava e divertia-se com aquela gente estranha presa na capela, castigada pelas ondas. Chegada a baixa-mar lá saíram, com cara de assarapantados. Mas valeu a pena esperar pois foi um bom dinheiro!


Tuesday, December 16, 2014

"Feiticeiras"

muito matreiras

(Títulos de há 160 anos ou pouco mais completados agora para melhor entendimento)


(Ficha Histórica da Revista universal lisbonense: jornal dos interesses physicos, moraes e litterarios por uma sociedade estudiosa - Castilho, António Feliciano de, red. - Existências: T. 1, n. 1 (1 Out. 1841)-a. 13, s. 3 (Ago. 1853))