Wednesday, October 15, 2014

Um papagaio chamado Nigel…

Zig fala de um papagaio chamado Nigel que saiu de casa a falar inglês e regressou a casa a falar espanhol; Zag ouve-o atentamente (cartoon):

















(1. A notícia: «Papagaio desaparecido regressa a casa a falar espanhol» - Jornal de Notícias de 2014/10/14; 2. A mesma notícia no The Telegraph, mesma data: «British parrot missing for four years returns speaking Spanish»; 3. O diálogo anacrónico do Zig é uma referência – e vem a que propósito? – à célebre Armada Invencível, ano de 1588 (texto retirado da Wikipedia). É o que dá ler as notícias sem fazer as pausas.)

Wednesday, October 08, 2014

Professor Marcelo? Ou Professor Pardal?

Zig e Zag falam das desventuras do PPD/PSD numa célebre noite de 9 de Abril de 1975 em Beja e com elas a aventura do actual comentador político Professor Marcelo Rebelo de Sousa (cartoon):

















(1. A notícia: «A noite em que Marcelo Rebelo de Sousa andou feito pardal pelos telhados de Beja» - Público de hoje; 2. A propósito: «Professor Pardal» - Wikipedia; 2. E, já agora, «Marcelo Rebelo de Sousa» - Wikipedia)

Monday, October 06, 2014

Esquiço de uma construção extraterrestre em forma de barco

















(donde se conclui que nos andam a copiar)


(1. Extraterrestres neste «blog»; 2. Nota: desenho digital feito com o "rato"; acrescentaram-se dois elementos presentes em «Há uma floresta invisível no céu...» (neste «blog») e em «A Lua» (Desenhoscorvomanias))

Uma folha de caderno

«Abriu o livro de geografia nas páginas das guardas e leu o que tinha escrito numa delas: o seu nome e o local onde se encontrava.

Stephen Dedalus
Aula de Rudimentos
Colégio de Clongowes Wood
Sallins
Condado de Kildare
Irlanda
Europa
Mundo
Universo

Isto estava escrito com a sua letra; e Fleming, certa noite, por brincadeira, havia escrito na página oposta:

Stephen Dedalus é o meu nome,
A Irlanda é a minha nação.
Clongowes é o sítio onde vivo,
O céu é o lugar do meu coração.

Leu os versos do fim para o princípio, mas assim deixavam de ser poesia. Depois, leu a página do fim para o princípio, até chegar ao seu nome. Ali estava ele; e voltou a ler até ao final. Que haveria depois do universo? Nada. Mas haveria alguma coisa em volta do universo, a mostrar onde ele acabava antes que começasse o nada? Não podia ser um muro; mas poderia haver uma linha muito, muito fina, em redor de tudo. Era uma coisa imensa, pensar em tudo e em todos os lugares. (…)» - James Joyce, «in» Retrato do Artista Quando Jovem, Cap. I



























(1. O «Universo» visto neste «blog» - Wikipedia; 2. A propósito: «James Joyce» - Wikipedia; 3. Como curiosidade, aqui fica um nome que é abundantemente citado no livro: «Charles Stewart Parnell (1846-1891), nacionalista irlandês que chefiou o movimento da Autonomia Irlandesa no Parlamento (1880-1890)» - N. do A.); e texto na Wikipedia)

O Brasão d’O Rei




















«Post» antecedente: «Uma sepultura para o senhor abutre, se faz favor!»


(A propósito: «Heráldica» - Wikipedia)

Uma sepultura para o senhor abutre, se faz favor!

«No Crac dos Cavaleiros de Rodes, cujas ruínas se erguem num alcantilado perto de Tripoli, existe um túmulo anónimo que tem a seguinte inscrição: «Não era aqui». Não há dia em que não medite nestas palavras. São tão claras e, ao mesmo tempo, encerram todo o mistério que nos é dado suportar.

«(…) Com efeito, atracámos hoje para enterrar o corpo que inchara monstruosamente e deixava um rasto de fedor que atraiu uma nuvem de abutres. Por cima dos suportes do toldo da popa instalara-se já o rei do bando, um formoso abutre de brilhante azeviche, com gorjeira cor de laranja e opulenta coroa de plumas rosadas. Pestanejava deixando cair uma membrana azul celeste com a regularidade de um obturador fotográfico. Sabíamos que enquanto ele não desse a primeira bicada no cadáver os outros não se aproximariam. Quando abríamos a cova, no limite entre a praia e a selva, olhava-nos do seu posto de atalaia com uma dignidade não isenta de certo desprezo. Há que reconhecer que a beleza do majestoso animal se impunha a ponto de a sua presença dar ao apressado funeral um ar heráldico, uma altivez militar de harmonia com o silêncio do lugar, interrompido apenas pelo embate da corrente contra o fundo chato da barca.» - Alvaro Mutis «in» A Neve do Almirante (Diário do Gajeiro).

Mas quis o destino que o rei de tanto se fixar naquela sepultura entrasse nela e acabasse por lá ficar pregado. Não se admirem: algo idêntico já foi relatado num filme de Akira Kurosawa.



Quem hoje visitar o lugar - e estiver atento – poderá ainda ver, como foi dito, o “pestanejar” azul celeste do rei...


«Post» seguinte: «O Brasão d’O Rei»


(1. Alvaro Mutis «in» A Neve do Almirante (Diário do Gajeiro): «Empresas y tribulaciones de Maqroll el Gaviero» - Wikipedia; 2. «O Abutre» - «in» Blog Aves de Rapina e uma reflexão: como o Xurandó relatado n’A Neve do Almirante é um rio imaginário talvez este abutre também o seja. Fiquemo-nos, portanto, com um Quebra-ossos, do Velho Mundo, a viver no Novo Mundo. Os abutres – no caso, condores e urubus – decerto não levarão a mal; 3. O filme de Akira Kurosawa: no episódio Os corvos, de Sonhei estes sonhos, o jovem Kurosawa «entra nos quadros de Van Gogh, corre à procura do pintor até vê-lo desaparecer no Campo de trigo com corvos» - «in» «O cinema no túnel de Van Gogh» - Escrever Cinema; 4. «O cheiro dos grifos» - neste «blog»; 5. Animação a partir de imagens disponíveis na Web)

Thursday, September 25, 2014

O pecado original

Zig e Zag falam do pecado original (cartoon):

















(1. Baseado no artigo «Adán y Eva: ¿origen o parábola?», por Ariel Alvarez Valdés», «in» SIN TAPUJOS; 2. Quem é «Ariel Álvarez Valdés»? - Wikipedia; 3. «Gênesis» – Wikipedia)

Tuesday, September 23, 2014

Precisa-se urgentemente de um SIGINVA para a vespa asiática!

Zig e Zag falam da vespa asiática (cartoon):

















(1. a) As notícias: «Viana registou 448 ninhos de vespa asiática» («Atualmente, de acordo com os números avançados pela autarquia, estão identificados para destruição 67 exemplares, 25 dos quais com carácter de urgência.») - Jornal de Notícias de 2014/08/29 e notícia idêntica na edição de hoje em papel; b) «Bombeiros de Viana já detectaram este ano 216 ninhos de vespa asiática» - Público, mesma data; 2. Já agora, «Conheça a vespa "assassina" que ameaça Portugal» - Idem de 2014/09/07; 3. SIGIC: Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia)

Monday, September 22, 2014

Até Deus falha!

Zig e Zag falam dos falhanços de Deus (cartoon):

















(1. Baseado no artigo «Adán y Eva: ¿origen o parábola?», por Ariel Alvarez Valdés», «in» SIN TAPUJOS; 2. Quem é «Ariel Álvarez Valdés»? - Wikipedia; 3. «Gênesis» – Wikipedia)

Lobo do mar de trazer por casa

Zig e Zag falam de mapas de tesouros (cartoon):

















(1. Poema sobre «O velho lobo do mar»: «Dorival Caymmi – O mar (1940)», «in» Recanto das Letras; 2. Um Lobo do mar da banda desenhada: «Capitão Haddock» - Wikipedia; 3. Mensagens em garrafas: a) «S.O.S. garrafa» - neste «blog» em 2012/09/03 (e a notícia: «Descoberta garrafa com a mensagem mais antiga do mundo»; b) «MENSAGENS EM GARRAFAS! 8 HISTÓRIAS MUITO CURIOSAS!», «in» Vodkanerd)

Sunday, September 21, 2014

Dragões-de-Komodo

Subtítulo:

Ah! sinto-me como um dragão com hálito de limão!
(histórias sem fim à vista)

– A história é contada assim: – disse a Mãe.

– Nas ilhas de Komodo, Rinca, Gili Motang e Flores, na Indonésia, vivem, felizes, os maiores dragões vivos à face da Terra e o maior dos varanos; se outros dragões houve, com asas, poderes mágicos e hálito de fogo só se sabe pelas iluminuras medievais, pela mitologia ou então pelo cinema. Pois os desta história vivem em Komodo, não têm asas nem poderes mágicos, tão pouco cospem fogo; mas não é por isso que deixam de ser menos temíveis.


– Claro está – continuou a Mãe – que quem está a dar os primeiros passos comete sempre os seus erros, embora não seja bem o caso, pelo menos desta vez, do nosso pequeno dragão que chega diante do pai, com ar de vitória, estás a ver?, e lhe dá esta terrível notícia: «Pai! hoje, pela primeira vez na minha vida, lavei os dentes!» – Joãozinho deu uma sonora gargalhada e perguntou: – E o pai que lhe disse?



– Ora! o que qualquer pai dragão assustado diria… Que é coisa que nunca se faz, que os dentes, na espécie deles, quanto mais fétidos, melhor. E para exemplificar o pai dragão pôs a língua de fora, e, saracoteando-a, apontou à bocadura e disse: «É aqui dentro, na queixada, na nossa língua, que trabalham para nós umas bactérias terríveis, uma simples mordidela e a infecção faz o resto, isto se o bicho não morrer antes de susto, e olha, disse o pai abanando para cima e para baixo com a cabeça, para que não houvesse dúvidas, já vi muito bicho a abortar e a parir antes do tempo só de nos olhar!»; o pai dragão estava imparável: «E vens tu agora, que ainda cheiras a cueiros, dar cabo da nossa reputação? malbaratar os nossos pergaminhos!?» e dizendo isto lá se calou mas só porque tinha que dar um estalo com a língua para saborear um naco de carne apodrecida que se tinha soltado de entre os dentes. – Isso é que foi um bate-barbas! – sentenciou o Joãozinho. – Pois foi. Até eu estou cansada – admirou-se e riu-se a Mãe.

– Só que o pai dragão estava enganado! – disse a Mãe. – Pelos vistos o filhote de dragão tinha-se estreado nas artes da caça para desgraça de uma galinha preta. Como era um dragãozinho diabrete, assim como tu! – aqui a Mãe riu do disparate, – com um apurado sentido de humor, coisa aliás nada habitual nos dragões da sua idade e se calhar até na maioria dos dragões adultos, lavar os dentes para ele era uma forma humorística de dizer cerrar os dentes na pobre, estás a ver?, pelo menos foi esta a explicação que deu aos pais, e dando-a tal como entrou saiu a correr, com aquele andar trangalhadanças que têm os dragões, bamboleando a cabeça ora para a esquerda ora para a direita mas velozes como uma bala, pois a essa hora já a vítima devia estar a desfalecer nalgum canto.

– Não gostava nada de ser galinha preta! – disse o Joãozinho. E riu.

– O pai dragão – continuou a Mãe: – ainda pensou que o filho era um caso psiquiátrico, às tantas era hiperactivo, mas sobredotado não devia ser pois não via a quem pudesse sair e até comentou com a dracena sua mulher: «este nosso filho às vezes tem uns comportamentos um tanto ou quanto surrealistas!» – E eu, Mãe? – quis saber o Joãozinho. A Mãe fez que não ouviu: – Bem, para estar de bem com Deus e com o Diabo a mãe dragão atacou o mau humor do pai dragão duma forma simples e sábia, dizendo: «É da maneira que é menos um prato na mesa.» E pronto! Joãozinho, fim de história. E agora vamos ao que interessa, a ver se o meu menino aprendeu alguma coisa…

Joãozinho estava com ar de quem tem uma pulga atrás da orelha, um sorriso malandro?

– Mas nós não somos dragões! não é Joãozinho? Ora toca lá a lavar a dentuça para que o menino com bom hálito tussa… – A Mãe gostava especialmente de fazer rimas pois sabia que esta era a melhor forma de levar a água ao seu moinho. Mas Joãozinho, no intervalo de uma escovadela, a boca cheia de pasta de dentes e tentando fazer bolhas com a boca, ainda quis saber:

– E o dragão sempre caçou a galinha preta, Mãe?

– Fica para amanhã. Vá! mais uma esfregadela…

– E contas?

– Conto. Agora bochechar…

– Ah! sinto-me como um dragão com hálito de limão!


(1. «Dragão-de-komodo», ou crocodilo-da-terra (Varanus komodoensis) - Wikipedia; 2. O «Dragão» ao longo da História - idem; 3. Só para nós, humanos: «Prevenção e higiene oral - Perguntas e respostas úteis» - Ordem dos Médicos Dentistas; 4. Já agora: o significado de a) cheirar a cueiros: ser muito novo ainda; cueiro: faixa de baeta ou flanela, pano em que se envolve o corpo das crianças por baixo e especialmente as nádegas; e de b)“bate-barbas”: Batibarba: palmada por baixo do queixo; em sentido figurado: "repreensão severa". Bate-barba (o mesmo que batibarba): discussão acalorada; 5. E perguntam vocês: o que é isso de ter um “comportamento surrealista”? Fiquemo-nos por esta explicação – superficialíssima –, que é a que mais serve a esta história: aquele que joga com as palavras para produzir um efeito de diversão, ou tem um comportamento desconcertante – talvez o pai dragão quisesse dizer que o filho não regulava bem dos pirolitos! – Mas vai-se explicar a fundo, a preceito, a um dragão o que é surrealismo!? o que é “humor negro”!? e dar-lhe depois com uma sebenta nas ventas e pô-lo a estudar!? Claro que não.)

Saturday, September 20, 2014

Paisagem indiscreta com lanchão

















«Post» antecedente: «Paisagem indiscreta»


(1. O desenho em cima (feito com o rato) é a reprodução da fotografia do "Seival", «a única escuna, também chamada "lanchão", que chegou a Laguna"» e que se pode ver no «post» «O "Mar Republicano" de Garibaldi», no «blog» «O Mar das Garrafas / Barcos em Garrafas», de David Luna de Carvalho; acrescentou-se o elemento sempre presente na série "olhares/paisagens indiscretas";

2. Vale a pena destacar (também pela excelência da escrita) a "Introdução" àquele «blog»:

«O Capitão Haddock da banda desenhada do Tintin é uma boa caricatura de como se atribui a relação entre o mar e as garrafas ao alcoolismo dos marinheiros. No entanto a relação que mais nos interessa é a de que os marinheiros tinham com as garrafas já vazias. Tal como com o álcool, a atenção requerida pela introdução de modelos de veleiros no interior de garrafas -pelos seus gargalos- fazia-os evadirem-se da sua dura realidade. Ao contrário das fantasias de Baco o resultado desta outra relação era uma fantasia perdurável com um significado quase bíblico, o do buraco da agulha e do camelo. (...)»;

3. A fotografia é de «5 de julho de 1908, em Laguna, pelo farmacêutico Tácito Pinho», pode ler-se em «Barco Seival», «in» popa.com.br;

4. Por fim: «Seival, lanchão - imagens no google».)