"Salta-Pocinhas, raposa matreira, lambisqueira e senhora de muita treta"
(como dizia Aquilino Ribeiro n’O Romance da Raposa)
desta vez é posta à prova pelo Musaranho, senhor de muita ronha e algum ranho…
(
1. Composição a partir do original «Red Fox catching mouse under snow» - National Geographic; 2. A propósito d'«As imagens do ano premiadas pela National Geographic» («A natureza, os lugares e as pessoas, vistos pelos vencedores do edição de 2012 do concurso de fotografia da revista National Geographic.») - Público de 2013/01/10; 3. «Musaranho-pigmeu» - Wikipedia; 4. Dicionário: ronha (no contexto): malícia, velhacaria; indivíduo manhoso, velhaco, matreiro.)
Linguagem dos malandros e de carvoeiras, para fintar a polícia. Dos malandros? Sim. Pois não é falada pelos bacanos.
A regra é a seguinte: troca-se a última sílaba ou última sílabas da palavra para o início (mas nem sempre é assim...) e acrescenta-se um i no fim, de acordo com a melhor prática:
Calão dá
Ãocali e
Fala calão? dá
Alafi_ãocali?
Parece fácil? Vejam esta:
Zerfai maui séfrai plétacómi,
que é o mesmo que dizer
Fazer uma frase completa…
É linguagem de Alfama,
de Fám'álfi.
Bem, adiante... Isto já vai há algum tempo... Ensinavam as avós aos netos (se calhar para ludibriar os pais):
Eupeu seipei fapalarpar apa línpíngupuapa dospos pêspês
Já estão a ver que é a língua dos pês e aqui a regra consiste em repetir cada sílaba substituindo a consoante inicial pela letra pê ou acrescentando-a ao ditongo. Outras variantes são possíveis, tudo depende da imaginação!
(
1. Ontem, no Jornal das 8 na TVI (o vídeo, minuto 41:44); 2. A propósito: «Alfama» - Wikipedia e «A linguagem do calão», segundo Aquilino Ribeiro - Ciberdúvidas da Língua portuguesa)