Friday, March 27, 2020

Coronavírus - Um lenço do Far West

Zig fala do lenço que o desenhador fez para o Zag a propósito do Coronavírus (cartoon):






















(«Coronavírus» neste «blog»)

Wednesday, March 25, 2020

Coronavírus - Passagem "a salto" da fronteira

Nos finais dos anos 40 do século passado, André, um preso político, fugido da prisão, conhece o contrabandista Lambaça que o passa, "a salto", na fronteira. São "cinco dias e cinco noites" em que dois homens com princípios e motivações completamente diferentes acabam por conquistar o respeito um do outro.

Ano 2020. Fecharam as fronteiras. Desta vez o espírito salta-pocinhas típico português, perante um desgraçado coronavírus, fá-lo voltar às velhas estratégias do passar "a salto" a fronteira. E aí não faltam rios e riachos com água pelos pés, caminhos e estradas velhas de meter dó, cancelas e tabiques de morrer a rir e calhaus e sombras onde dá vontade de merendar, de modo que passar a fronteira é uma brincadeira de criança.

Imagem do Jornal da Tarde de 2020/03/25, na SIC, a que se acrescentou "14 Dias, 14 Noites".





















Antes havia uma guarda-fiscal do lado de cá que não hesitava em disparar no couro do André e do Lambaça e uns "carabineros" do lado de lá, que eram complacentes. Mas hoje guardas de um lado e do outro perderam o traquejo, já não têm memória, e nem sabem disparar. De modo que o único conselho possível que podemos dar aos senhores salta-pocinhas que passem a fronteira à sorrelfa é o de lavarem bem as mãos à entrada, esfregarem-nas bem na relva ou num tronco de árvore que esteja à mão e manterem o distanciamento social. Até porque passar ao magote dá muito nas vistas!


(1. «De quarentena ou isolamento: e agora?» - SIC Notícias de 2020/03/16; 2. O filme e o livro: «"Cinco Dias, Cinco Noites" (excerto)» e na Infopédia; 3. «Coronavírus» neste «blog».)

Coronavírus - Distanciamento Social






















(1. A propósito: «O novo coronavírus: factos, respostas e previsões II» - Público de 2020/03/22; 2. Nota: imagem a partir do filme (aos 9:37 minutos): «Charlie Chaplin: Easy Street (1917)» - YouTube.)

Monday, March 23, 2020

Coronavírus - A Biblioteca de Marques Mendes

Fruto do confinamento às nossas casas enquanto a pandemia não é ultrapassada desta feita os comentários de Marques Mendes no jornal da noite deste Domingo, na SIC, foram feitos de sua casa, tendo por pano de fundo parte da sua biblioteca.

Análise de Marques Mendes no jornal da noite de 2020/03/22, na SIC.
Como nós agora não temos nada que fazer fomos à procura de alguns títulos sugestivos. E descobrimos estes:

"2017 AS FRASES DO ANO",
"Política de A a Z",
"Europa de A a Z".

O que significa que de A a Z nada escapa a Marques Mendes!


«Post» seguinte: «Coronavírus - A Biblioteca de Marques Mendes - II»


(A propósito: 1. «Coronavirus disease (COVID-19) advice for the public» - World Health Organization; 2. «COVID-19» - Direção-Geral da Saúde; 3. «Pandemia de COVID-19» e «Pandemia de COVID-19 por país» - Wikipedia)

Tuesday, March 10, 2020

Técnica de rolamento ventral

Homarus, que se diz fidalgo dos sete costados, o último dos últimos do Velho do Restelo, saltaria da mortalha se a sua etiqueta se confundisse com a de um caranguejo, bicho plebeu, mas isto já foi dito noutra página.

E porque não há a imperfeição absoluta desta vez vamos realçar a nobre qualidade de Homarus, o Senhor Lavagante de Patas Azuis, que é a de ser um verdadeiro artista na técnica de rolamento ventral, palavras que não são parábola para nada e muito menos piada.

Ora vejam:

Sunday, February 23, 2020

Até amanhã, meus senhores, se Eu quiser.

O Lacerda tinha uma teoria curiosa: um homem devia ter um tempo de vida estipulado e enquanto vivesse gozar de boa saúde. Findo o prazo morria e não havia cá aquela coisa de ir p'ra outra vida.

O Lacerda morreu de morte súbita aos 78 anos. Um dia regressou. Logo os amigos quiseram saber como era a tal outra vida. Que era uma festa permanente, respondeu. Mais curiosos ainda, perguntaram-lhe como era Deus. Um tipo porreiro, da borga, mas só soube que era Ele quando um dia, depois de uma grande jantarada, Ele se levantou e disse: Até amanhã, meus senhores, se Eu quiser.

O Lacerda andava chateado como um peru. Primeiro, porque nunca desejara ter uma outra vida; segundo, porque conhecendo a que tivera do lado de cá era um desperdício de tempo andar a repetir tudo de novo. Um dia atravessou-se à frente de um autocarro e morreu segunda vez. Os amigos têm uma leve suspeita de que terá ido parar ao Inferno, onde quem preside é o Diabo.

O riso do Diabo, 1975?, desenho a caneta de tinta da china.














A verdade é que o Lacerda até hoje não regressou e já faz bastante tempo. De modo que os amigos estão sem saber como são por lá os salamaleques e se aquilo é assim tão mau como dizem.


(1. A propósito: o «Diabo» neste «blog»; 2. Dicionário: salamaleque: a) do árabe, salam'alaik, a paz esteja convosco (saudação entre os muçulmanos); b) equivalente a rapapé: cumprimento afectado ou exagerado; grande reverência ou mesura.)

Wednesday, February 19, 2020

Se Homarus não tem sangue azul pelo menos tem patas azuis!

Plínio, O Velho, morreu durante a erupção do Monte Vesúvio em 79 d.C. e deixou para a posteridade a mandíbula mas não é certo que seja a dele. Rosa Bugairido suicidou-se mil novecentos e tal anos depois. O suposto crânio de Plínio, O Velho, repousa no Museu Histórico Nacional Dell'Arte Sanitaria de Roma com a seguinte etiqueta: "Crânio das escavações de Pompéia e atribuído a Plínio". Já o de Rosa Bugairido está desaparecido no fundo do mar. Dela apenas se viu um olho e parte dos miolos que ficaram colados aos percebes da maré baixa e se foram com a maré alta. Não há, pois, qualquer etiqueta dela.

Chamaram os isótopos e vêm agora dizer que o queixo do dito Plínio pertence a um escravo africano. Faz sentido, pois histórias dizem que Plínio pediu a um escravo que lhe acelerasse a sua morte no calor agonizante e, assim, provavelmente os seus ossos misturaram-se com os do escravo no fragor da desgraça. De modo que não temos um Plínio mas meio Plínio. Uma espécie híbrida com etiqueta plausível?

Homarus, que se diz fidalgo dos sete costados, o último dos últimos do Velho do Restelo, saltaria da mortalha se a sua etiqueta se confundisse com a de um caranguejo, bicho plebeu. Não que não fosse merecido, atendendo à carranca que tem. Mas os restos mortais de Homarus, conhecido por ser pistoleiro rancoroso, cheio de presunção e água benta e mau como as cobras, totó com as crustáceas de soalheiro - e isto espanta! -, salteador de rochedos, que são os quintais lá do sítio, exímio em rasteiras e pancada, misturados com os de um vulgar caranguejo até dava vontade de rir.

Homarus, o Lavagante de Patas Azuis.
Mas dizem: Ah, isso, esse, um ser desses não existe! Existe, sim senhor.

É o Lavagante de Patas Azuis! E, como podem ver, se Homarus não tem sangue azul pelo menos tem patas azuis!


(1. Sobre o crânio de Plínio, O Velho: «Here Lies the Skull of Pliny the Elder, Maybe» - The New York Times de 2020/02/14;

2. Um parente de Homarus: «Homarus gammarus» - Wikipedia;

3. Dicionário: a) "Ser um Velho do Restelo": ser conservador, resistente a mudanças; personagem de Luís Vaz de Camões na sua obra “Os Lusíadas” (Canto VI); b) "Mortalha": lençol ou túnica que envolve um cadáver; c) "Carranca", aqui, no texto: rosto sombrio, carregado; cara de mau humor; d) O provérbio "Presunção e água benta, cada qual toma a que quer": não há limites para a vaidade, para a soberba; e) "Totó", no sentido do texto: nabo; palerma; pateta; tanso; f) "Crustáceas de soalheiro", por analogia com "mulheres de soalheiro": mulheres coscuvilheiras;

4. «Rosa Bugairido» neste «blog»: alusão a Madeira de Buxo (Madera de Boj (1999)), de Camilo José Cela.)

Friday, February 07, 2020

Aqui há gato!

"Aqui há gato!": expressão popular que indica suspeitas ou dúvidas relativamente a alguma coisa. Sabemos que também pode ser um restaurante, uma livraria infantil e o nome de um livro, um café com literatura gatil, um bar, um filme de comédia.

Não é o caso mas faz de conta. Aqui o gato aguarda altivo, impassível, feito floreira para vergonha dos gatos, que o dono ou a dona abra a porta. E se abrir? Será que entra?

Porto, Rua de Álvaro de Castelões (entrada de casa)














E quando a personalidade de um homem se transfere para um gato chamado Senhor Patas Peludas?




(A propósito: a) «Significado / definição de gatos no Dicionário Priberam»; b) Sinopse do filme «Aqui Há Gato!» (comédia, 2016) - Cine-Cartaz do Público.)

Friday, December 20, 2019

Elsa, A Deprimida

Era assim antigamente, os cães eram o Boby, o Twisty, o Leão, mas hoje já temos o Joaquim, o Manuel, o Abel, e só não temos o Caim por causa dos padres e duma pretensa ofensa aos direitos dos canídeos.

Ora o que se passa com os cães passa-se agora com as tempestades e depressões e vai daí ganharam nome de gente, numa relação tipo tu cá tu lá. A bem da igualdade umas têm nomes femininos e outras nomes masculinos.

Ontem o país foi assolado pela depressão Elsa e admira-se a sua força que nada fica a dever ao marido que chega amanhã, o senhor Fabien. Gentes do Porto precaveram-se (?) e colocaram um aviso a Elsa, válido para qualquer tempestade ou depressão. Reza assim: "Nesta cidade as tempestades pagam portagem!"

Porto, Rua da Constituição, hoje de manhã, depois da depressão Elsa.














"Ai é?" - disse a Elsa. "Então aguentem-se."

Está visto. Está declarada a guerra!


(1. A notícia: «Elsa parte e chega o Fabian» - RTP Notícias; 2. a) «Ciclone» (ou depressão atmosférica) e b) «Tempestade» - Wikipedia.)

Tuesday, December 17, 2019

Aí vai chumbo!

É um urso? Ou um lobo da era quaternária?

É o yeti? O Abominável Homem das Neves?














Excluída está a hipótese de ser o lobo. Para isso ser verdade teria que haver por ali umas graciosas e saborosas sindioceras que a gente não vê, coisa aliás que já vai há muito tempo. Mas com paus de cuspir fogo vemos dois e esses conhecemos de ginjeira!

Portanto, são dois homens.


(1. Aqui ficam para os mais curiosos: 

a) «Quaternário» ("Na escala de tempo geológico, o Quaternário era o período da Era Cenozoica do Éon Fanerozoico que congregava as Épocas Pleistocena e Holocena." - Wikipedia; 

b) "I Mammali Giant di l'Era Cenizoica": Sindiocera «in» «Mammiferi Giganti è Megafauna Scritti è Profiles» - EFerrit (ver Syndyoceras, 83 de 91); 

c) «Iéti» ("homem da montanha" ou Abominável Homem das Neves) - Wikipedia)

Monday, December 16, 2019

Os azares de um artista

É bem verdade que não se deve mexer naquilo que está quieto, retocar o que era suposto ser definitivo. É coisa que quase sempre dá asneira principalmente quando não se é um Leonardo da Vinci.

Era para ser: "Lobos", desenho a caneta e lápis de aguarela, 2019.

O lombo do lobo preto estava demasiado esguio. O artista foi-o encorpando, a tal ponto que o lobo se transformou num urso. Que chatice! Para agravar a situação agora o lobo à esquerda parece que vai abocanhar o nosso uivante lobo preto. Bem, sempre há a solução do Photoshop. Ninguém vai desconfiar.

Mas eis que o artista teve a ideia luminosa de transformar o fracasso em piada. E vai daí pensou: "É isso, se saiu mal vamos então gozar com o desenho!"

Wednesday, November 27, 2019

Quartel de Santo Ovídio, hoje de manhã, dia 26-11-2019, no Porto

Em 2006 as forças militares deixaram o Quartel-General da Região Militar do Norte (Quartel de Santo Ovídio), edifício junto à Praça da República (cujo nome inicial foi de "Praça de Santo Ovídio"), na cidade do Porto. Hoje serve de instalações ao Comando do Pessoal do Exército.

O movimento de soldados e praças a que as gentes do Porto se habituaram perdeu-se daí para cá. Mas hoje de manhã houve uma agradável surpresa, como podem ver:

Monday, November 18, 2019

O acidente foi aparatoso mas só houve baba e ranho!

O Joãozinho estava a brincar com os seus carrinhos na janela de um 12.º andar.  Já era noite e tarde. Ora aconteceu que numa perseguição policial, numa curva mal calculada, o carrinho vermelho saiu disparado das mãos do Joãozinho e voou pelos ares para o fosso da noite. Ainda bateu numa e noutra varanda mas não se deteve no prédio e acabou por cair no paralelo da rua. Carros dos verdadeiros passaram, uns para cima, outros para baixo, mas o Joãozinho, dali, do seu posto de comando, nunca mais o viu. Acabara de perder o seu carro de estimação!

Não que adiantasse, mas chorou baba e ranho e ainda apanhou um ralhete do pai que queria ver o Star Wars, O Despertar da Força, que estava a dar na TVI24.

A história correu no prédio e um vizinho, no dia seguinte, acabou por encontrar o carrinho vermelho no estado que agora se pode ver.

Fotografia por telemóvel














Não havia dúvidas, o carrinho fora atropelado tal o estado em que se encontrava. Melhor dito: fora literalmente passado a ferro! Mas foi entregue e passou a constar do monte da sucata do Joãozinho. E até com um certo orgulho!


(A propósito: «Star Wars: Episode VII - The Force Awakens» - Wikipedia)