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Monday, May 11, 2020

Coronavírus - A biblioteca de Marques Mendes, o fim.

Com o regresso à estação de televisão do comentador, chega finalmente ao fim a saga da biblioteca de Marques Mendes.

Cabe agora fazer uma análise a tudo quanto escrutinámos e ver se de facto chegamos a algumas conclusões válidas.

Repararam que fizemos tábua rasa das análises políticas domingueiras, não porque não tivessem o seu valor mas porque não era esta a nossa finalidade. Debruçámo-nos sobre o conteúdo da biblioteca, verificámos se era mexida ou não, e, por acaso, só nos esquecemos de verificar se limpavam o pó aos livros. Mas achamos que sim, seria coisa que se notava logo pois onde há livros poeirentos há aranhiços e nós não vimos nenhum. Quisémos saber se aquilo era uma biblioteca para inglês ver, isto é, se era para consumo voyeurista dos portugueses ou antes, e como deve ser, uma biblioteca realmente digna do nome.

Tiramos agora algumas conclusões:

1.ª - Trata-se de uma biblioteca generalista que aborda as frases do ano, a política e outras coisas de A a Z, com autores conhecidos e para todos os gostos, uns mais eruditos, outros, se calhar, nem tanto. Isso abona a favor do seu proprietário.

Análise de Marques Mendes no jornal da noite de 2020/05/10, na SIC.


2.ª - Tem, como qualquer biblioteca, um adereço, que, no caso, é um passepartout, invocativo de alguma memória familiar. Fica bem, pois alegra o olhar. Notámos também que há livros que, por falta de espaço, são depositados por cima de outros, mas isso é a coisa mais normal do mundo.

3.ª - Não é uma biblioteca a armar ao pingarelho. Não há livros encadernados a couro e debroados a letras douradas. São, tudo indica, livros de uso.

4.ª - É uma biblioteca bastante variada em termos de cores, sendo certo que algumas dessas cores se destacaram, ou porque mudassem de lugar, ou porque desaparecessem subitamente, ou porque andassem de tempos a tempos às cambalhotas, ou seja, de cabeça para baixo. Foi o caso de um certo livro amarelo.

5.ª - Como em todas as bibliotecas que são bibliotecas tem que haver sempre uma nova entrada, um caloiro, um livro que vem apimentar o gosto. Foi o caso dum certo livro azul. E quando assim acontece geralmente sai um velho, no caso um vermelho que foi para outras paragens. O desaparecimento de um livro, ao contrário do que se possa pensar, é um bom sinal pois toda a gente sabe - ou devia saber - que quando um livro vai de viagem o mais certo é estar na casa de banho ou então na mesinha de cabeceira. Quem lê verdadeiramente lê em qualquer lugar e muita da boa cultura adquire-se sentado na sanita mesmo enquanto se assobia. Excelente sinal, portanto.

6.ª - O livro azul levantou uma interrogação maior pois não chegamos a saber se se prendia com algum entusiasmo por OVNIS e conspirações alienígenas. Seja como for, livros deste género ou fascículos de banda desenhada, policiais, livros de espiões vindos do frio, ficam sempre bem numa biblioteca e podem impressionar muito as visitas.

Por tudo isto tiramos o chapéu a Marques Mendes e à sua biblioteca!


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(«Coronavírus» neste «blog» e «Coronavírus - Até os extraterrestres estão preocupados!» (idem))

Sunday, April 12, 2020

Coronavírus - A Biblioteca de Marques Mendes - IV

O nosso faro policial não abrandou na tentativa de encontrar uma explicação sociológica para a biblioteca de Marques Mendes bem como para os hábitos e motivações pessoais do seu proprietário.

Grão a grão enche a galinha o papo e, assim, pelo menos enquanto durar o confinamento, lá chegaremos.


Análise de Marques Mendes no jornal da noite de 2020/04/12, na SIC


Desta vez dois livros de lombada aparentemente de cor cinza trocaram de lugar entre si: o mais alto mudou-se da direita para a esquerda. Será que Marques Mendes está-se a render aos fascínios de António Costa? Fica a pergunta.

A outra observação parece, por enquanto, inócua para a solução: o livro amarelo que andava constantemente aos trambolhões - ora de cabeça para baixo ora de cabeça para cima - deu lugar a uma nova entrada, um livro azul. Mas vamos ficar de olho neste livro azul sem esquecer o amarelo que por agora desapareceu do mapa. Talvez esteja aqui a chave final do problema!


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(«Coronavírus» neste «blog»)

Monday, April 06, 2020

Coronavírus - A Biblioteca de Marques Mendes - III

Desenganem-se os que pensam que a biblioteca de Marques Mendes não é mexida.

Análise de Marques Mendes no jornal da noite de 2020/04/05, na SIC.





















Nós estamos atentos e verificamos que há um livro amarelo que de tempos a tempos anda de cabeça para baixo (22 de Março). Ora isso é um bom sinal! 


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(«Coronavírus» neste «blog»)

Monday, March 30, 2020

Coronavírus - Teletrabalho e Padres-Nossos

Se não foi dito assim foi dito quase assim:

Isto É GOZAR com quem TRABALHA, programa de Ricardo Araújo Pereira de 2020/03/29, na SIC.






















(«Coronavírus» neste «blog»)

Coronavírus - A missa

Imagem do jornal da noite de 2020/03/29, na SIC.






















(«Coronavírus» neste «blog»)

Coronavírus - A Biblioteca de Marques Mendes - II

Ainda que escurecida pelas luzes da câmara para prevenir a coscuvilhice, a biblioteca de Marques Mendes continua, uma semana depois, aparentemente na mesma.

Análise de Marques Mendes no jornal da noite de 2020/03/29, na SIC.




















Porém, um elemento novo, decorativo, salta à vista: um passepartout e, dentro, uma fotografia que aparenta ser do início do século passado. Uma senhora a subir uma escada? E quem será? 

Seja como for, continuamos sem saber quais as letras do abecedário que são mais consultadas naquela biblioteca. Mas com tempo lá chegaremos. 


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(«Coronavírus» neste «blog»)

Friday, March 27, 2020

Coronavírus - Foi assim no início mas já poucos se lembram

Foi assim no início, antes de ser decretado o estado de emergência, mas já poucos se lembram.

O trapichense motoqueiro Aníbal entrou no café aos esses, pediu e foi servido e nem dois minutos passados espirrou em cima do balcão com força de elefante. Fugiu toda a gente. A desinfecção foi imediata e o motoqueiro corrido do estabelecimento com impropérios de porcalhão para cima.

E enquanto ia e não ia lá foi dizendo que a doença se combatia com máscaras, látex e galochas, que álcool era grupe, menos de 70 ou 80 graus não eram suficientes e que as máscaras da Rússia que antes eram a 40 cêntimos estavam agora a 3 euros e tal, uma exploração. Estava bêbedo que nem um cacho.

Representação possível de um coronavírus














Na rua continuou com a lengalenga. Vocês acham que as máscaras ganham à doença?, e respondia, ganham se não tivermos croquetes na mão (e de facto tinha um), é o que vos digo. O Pitéu e o Gaibéu que até nem eram de provocar riam à descarada.

Foi uma sorte, ninguém adoeceu, de modo que é quase certo dizer que de vizinho ruim nem o vírus quis saber!


(1. «Coronavírus» neste «blog»; 2. Nota: "De vizinho ruim nem o diabo quis saber": provérbio português.)

Wednesday, March 25, 2020

Coronavírus - Passagem "a salto" da fronteira

Nos finais dos anos 40 do século passado, André, um preso político, fugido da prisão, conhece o contrabandista Lambaça que o passa, "a salto", na fronteira. São "cinco dias e cinco noites" em que dois homens com princípios e motivações completamente diferentes acabam por conquistar o respeito um do outro.

Ano 2020. Fecharam as fronteiras. Desta vez o espírito salta-pocinhas típico português, perante um desgraçado coronavírus, fá-lo voltar às velhas estratégias do passar "a salto" a fronteira. E aí não faltam rios e riachos com água pelos pés, caminhos e estradas velhas de meter dó, cancelas e tabiques de morrer a rir e calhaus e sombras onde dá vontade de merendar, de modo que passar a fronteira é uma brincadeira de criança.

Imagem do Jornal da Tarde de 2020/03/25, na SIC, a que se acrescentou "14 Dias, 14 Noites".





















Antes havia uma guarda-fiscal do lado de cá que não hesitava em disparar no couro do André e do Lambaça e uns "carabineros" do lado de lá, que eram complacentes. Mas hoje guardas de um lado e do outro perderam o traquejo, já não têm memória, e nem sabem disparar. De modo que o único conselho possível que podemos dar aos senhores salta-pocinhas que passem a fronteira à sorrelfa é o de lavarem bem as mãos à entrada, esfregarem-nas bem na relva ou num tronco de árvore que esteja à mão e manterem o distanciamento social. Até porque passar ao magote dá muito nas vistas!


(1. «De quarentena ou isolamento: e agora?» - SIC Notícias de 2020/03/16; 2. O filme e o livro: «"Cinco Dias, Cinco Noites" (excerto)» e na Infopédia; 3. «Coronavírus» neste «blog».)