Sunday, October 18, 2026

Manifestantes no Porto decidem voltar a acampar na Praça D. João I

Ontem, Sábado, dia 17, manifestantes do movimento “Acampada pela Habitação” voltaram a colocar tendas na Praça D. João I, no Porto, e Lisboa (Rossio) e outras cidades receberam também manifestações pelo direito à habitação.

O célebre fado, triste destino dos portugueses, da elegia da pobreza do antes do 25 de Abril de '74, plasmado em “Uma Casa Portuguesa”, da Amália (1952), voltou.

Só que desta vez perdeu-se o pudor. Já nem “A alegria da pobreza”, nem as “Quatro paredes caiadas”. E não dá para a comida.


Madrugada de 18 e os manifestantes mantêm-se na rua, no Porto e em Lisboa. No Porto, um incêndio em caixotes do lixo, facilmente controlado pelos bombeiros, terá sido provocado por elementos infiltrados de extrema-direita como acto de provocação.

“Numa casa portuguesa fica bem
Pão e vinho sobre a mesa
E se à porta humildemente bate alguém
Senta-se à mesa com a gente
Fica bem essa franqueza, fica bem
Que o povo nunca a desmente
A alegria da pobreza
Está nesta grande riqueza
De dar e ficar contente

Quatro paredes caiadas
Um cheirinho a alecrim
Um cacho d'uvas doiradas
Duas rosas num jardim
Um São José de azulejos
Mais o Sol da primavera
Uma promessa de beijos
Dois braços à minha espera”

(Inc.)

Simplificadamente, para compreendermos o contexto:

1. Preços da habitação entre Abril e Junho subiram 16,5%, segundo o EUROSTAT.

2. Em Lisboa 116% do salário médio vai para pagar a casa. E os salários não acompanham a subida.

3. No mês de Julho o valor mediano da avaliação bancária foi de 2.240€/m2, um salto de 15% face ao período homólogo de 2025.



2. Sábado, dia 17/10/2026, no Porto: a) «Manifestantes no Porto decidem voltar a acampar na Praça D. João I» (““Ficamos aqui ou não?”, perguntou, durante a Assembleia Popular da Habitação, uma das manifestantes ao microfone no centro da praça onde se concentram centenas de pessoas que, em uníssono e em alta voz, gritaram “sim”.” // ““Rendas de milhão e o povo sem tostão””) – Público de 2026/10/17;

b) «Tendas voltaram à Praça D. João I e manifestantes querem dialogar com a Câmara» (COM O VÍDEO. “Os protestos pelo direito à habitação prosseguiram com tendas montadas no Porto, na Praça D. João I, e em Lisboa, no Rossio. A indignação saiu à rua, agora em várias cidades, com Lisboa e Faro a juntarem-se ao grito que partiu do Porto.”) – Jornal de Notícias de 2026/10/17;

c) «Manifestantes no Porto decidem voltar a acampar na Praça D. João I» (COM O VÍDEO. “Os manifestantes pretendem ainda prolongar o protesto para depois de 20 de outubro caso "não haja uma mudança".” // “Exigem, por fim, a demissão de Pedro Duarte, o presidente da câmara do Porto, pela forma como as autoridades enfrentaram a manifestação na madrugada da última quinta-feira.”) – RTP Notícias de 2026/10/17;

e d) «Habitação: Manifestantes no Porto decidem voltar a acampar na Praça D.João I» (““Vamos ficar hoje, amanhã e até quando for preciso, não vamos a lado nenhum, não nos vergarão“”) – ECO de 2026/10/18;

3. Sábado, dia 17/10/2026, em Lisboa: a) «Solidários com "companheiros do Porto", milhares protestam em Lisboa por direito à habitação» (“Protesto do movimento "Acampada" monta tendas no Rossio, no mesmo dia em que decorreu manifestação da CGTP.”) – Público de 2026/10/17;

e b) «Protesto pela habitação em Lisboa. Manifestantes montam tendas no Rossio» (COM O VÍDEO.) – RTP Notícias de 2026/10/17;

4. Como começou: actuação policial: a) «“Estás a dar-me pontapés porquê?”: noite de grande violência na Acampada do Porto pela Habitação» (COM O VÍDEO. “Pedro Duarte, presidente da Câmara do Porto, disse que iria ser “absolutamente implacável com qualquer tentativa de colocação de tendas”.”) – Público de 2026/10/15;



5. «Manifestar,» (“Queremos de volta um país que não seja um misto de um pacóvio vendedor de imobiliária, a la PSD e IL, com um arruaceiro, o Chega, e um bem comportado porteiro desta choldra, o PS.”) – Raquel Varela em 2026/10/15;

6. Nota: pormenor de fotografia do autor.)

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