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Monday, December 11, 2023

Os leitões de Marcelo e o dragão de Marques Mendes

Quando em 9 de Outubro de 2015 Marcelo Rebelo de Sousa anunciou a sua candidatura à Presidência da República tinha tudo a seu favor: além de jornalista, fazedor de opiniões, professor universitário, fez de tudo um pouco: atravessou o Tejo a nado com uns calções à Maria Cachucha, andou fugido feito pardal pelos telhados de Beja nos tempos difíceis do PREC e em directo, na televisão, ofereceu um leitão da Bairrada ao Júlio Magalhães…

Ontem, no jornal da noite da SIC, e a pedido de gentes de Monção, Marques Mendes levou um dragão que entregou à jornalista Clara de Sousa.

Sabe-se, porque já vem do passado, que num espaço de grande audiência um leitão ou um dragão são chave mais que certa para o sucesso. Daí que não espante que Marques Mendes venha a ser o próximo Presidente da República.

"E assim São Jorge (Marques Mendes) derrotou o dragão!" (os possíveis concorrentes) – finalizou, agradecendo, a jornalista.



(1. Final do Jornal da Noite: Marques Mendes: "Estive há dias em Monção, num jantar de Natal (...) e então pediram-me muito para lhe entregar uma espécie de dragão. É o símbolo de Monção, das festas de Monção, que simboliza a luta entre o bem e o mal (...), mas fazem muita questão que você tenha em casa este símbolo (...)";

Clara de Sousa: "E assim São Jorge derrotou o dragão e assim fechamos também, por hoje, o comentário de Luís Marques Mendes. Muito obrigada.";

2. A festa de Monção ou festa da Coca: 

a) Durante as festas realiza-se um combate entre São Jorge e o dragão Coca. A Coca é um dragão todo verde, à excepção do topo da cabeça, do dorso e das goelas que são de cor vermelha; tem duas asas e a cauda é retorcida; a cabeça é móvel e a boca abre-se e fecha-se constantemente, o que por vezes assusta o cavalo e dificulta a vida ao cavaleiro; deita fumo pelas orelhas (e não pelas ventas); e só é derrotado quando a língua e as orelhas são atingidas com golpes certeiros (o cavaleiro deve espetar a sua lança na garganta do monstro e cortar-lhe a orelha). Se São Jorge (que representa o bem) derrotar no combate a Coca (que representa o mal) tal significa que serão boas as sementeiras e as colheitas, mas se a Coca assustar o cavalo o ano será mau e de fome; a Coca vive no rio Minho e é uma figura zoomórfica; além desta há outras Cocas em Espanha e uma em França: 

«O que significa a luta entre São Jorge e o dragão Coca» (COM O VÍDEO) - Diário de Notícias de 2013/05/15 e 


b) A Coca ou Cuca, o célebre bicho-papão, é um ser feminino (o masculino é Coco, nome do fruto de uma espécie de carvalho) usado para assustar as crianças; é representada por uma panela, abóbora ou cabaça furada em três ou quatro lugares, imitando uma cara (cabeça) e com uma luz dentro; posta durante a noite num local escuro servia para assustar quem passasse; vem daqui a expressão “a Coca fica à coca” (a Coca fica a ver, a espreitar) e o Coco toma a forma escura, de uma sombra, e fica de guarda – ambos são “parentes” do diabo; abóboras, cabaças, cabeças, caveiras, capuzes e gigantes todos andam de mãos-dadas:
 

3. Neste «blog» e a propósito:


Monday, August 28, 2023

Marques Mendes poderá ser candidato à Presidência da República

"Se eu um dia achar que com uma candidatura à Presidência da República posso ser útil ao País (...) tomarei essa decisão" - Marques Mendes, ontem, no seu espaço habitual de comentário na SIC. À semelhança do que aconteceu com Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes tem também a vantagem de ser conhecido por comentar num canal televisivo de grande audiência. Se vier a ser presidente vai ser uma "ganda nóia!"


Recuemos no tempo...

2007 foi um ano de trapalhadas: um desaguisado com José Miguel Júdice (9 de Julho), um braço de ferro com Menezes (6 de Agosto) e a perda das eleições directas para a presidência do PSD (28 de Setembro); gorando-se o desejo de ser primeiro-ministro em 2009, iniciou uma longa travessia do deserto.

Em 2019 já é visto por todo o lado quando o Vasco Brazão foi escutado a dizer à irmã que há cá no Reino um papagaio-mor, o que não era nenhuma imagem literária, nem linguagem de contrabandista de Alfama; deitaram-se a adivinhar quem era: o Presidente da República?, o Marques Mendes?, o Miguel Sousa Tavares?, o José Miguel Júdice?, o próprio Vasco Brazão a fugir com o rabo à seringa? e imaginou-se uma de inúmeras versões de um papagaio-mor: que era maneirinho, cabia em todo o lado, até num bolso, tinha sempre trunfos na manga, um ar doutoral e era tipicamente português. Ficou a insinuação.

2020, em tempos de pandemia, é o ano decisivo dos comentários a partir de casa em que os portugueses ficaram a conhecer a sua biblioteca, os seus gostos literários e a perceber se os livros eram mexidos ou não. 

Se for eleito há que ter sempre à mão um palanque e uma cadeirinha de criança. Evita-se a galhofa do mundo. Quem é que gosta de ver o presidente do seu país fora da fotografia ou sentado com os pés no ar, como um catraio de escola, motivo da javardice mundial? Tomados estes cuidados, por que não dizer: viva o Marques Mendes a Presidente!



«“Ganda” é corruptela de «grande», e “nóia” é o termo gírio para «paranóia, afectação», segundo nos diz o Dicionário da Porto Editora. A expressão já existia no linguajar popular, principalmente entre os jovens, mas celebrizou-se mediaticamente por constituir bordão de linguagem de uma personagem que parodia Marques Mendes (...) no programa “Contra-Informação”, do canal 1 da televisão estatal, RTP.» - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa. "Contra-informação" é um «programa de sátira política e social, com bonecos que caricaturam figuras públicas da sociedade portuguesa e internacional», pode ler-se em RTP Arquivos; o primeiro episódio foi para o ar em 1996-04-29 e o último em 2007-12-31; 


Quem é «Luís Marques Mendes» - Wikipedia)