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Wednesday, April 22, 2020

Coronavírus - A Biblioteca de Marques Mendes - V

O mistério do Livro Azul

Era nas falsas folhas de rosto dos livros que Fabien colocava o seu nome para que não houvesse dúvidas de que era o proprietário. Fazia isso também para dar valor a cada livro, mostrando que era um livro lido, não um livro só, abandonado. Abaixo do nome, numa segunda linha, ia o nome completo de Margaret, depois uma vírgula, e logo à frente, a cidade onde viviam, Paris.

Assim foram marcados uns quinhentos livros. E assim permaneceram durante anos, expostos, lidos e estimados.

Mas um dia as circunstâncias mudaram. Os livros viajaram para outra casa, ganharam uma nova companheira - Christine - e a segunda linha nas falsas folhas de rosto passou a ser uma intrusa da casa. Acrescentar uma terceira linha não costuma ser bem visto nestas ocasiões e nem a terceira linha se via de bom grado a conviver com a sua rival. De modo que a solução foi amputar dos 500 livros dono, rival e cidade nas falsas folhas de rosto, com muita tristeza, é certo, mas também como prova de tolerância pela terceira linha que sofria - e se calhar ainda sofre - de psicose maníaco-depressiva, vulgo bipolaridade.

O facto é que quinhentas falsas folhas de rosto foram rasgadas e meticulosamente deitadas a um cesto que não chegou a ir para o lixo. Recolhidas e guardadas à sucapa, esperam pelo dia em que voltem a unir-se aos livros a que pertencem. É uma questão de tempo e paciência. Quando a terceira linha já não estiver a ver.

Análise de Marques Mendes no jornal da noite de 2020/04/19, na SIC



Na biblioteca havia um livro especial, conhecido por Livro Azul. O Livro Azul era muito valioso por ser uma primeira edição de que restam uma meia dúzia de exemplares. Tirando a falsa folha de rosto que lhe está em falta está como novo. Provavelmente já não vai a tempo de ser recauchutado. Foi entretanto vendido e comprado num alfarrabista, e é tudo quanto se sabe. E dos 500 restam agora 499.

Será este o Livro Azul que vemos agora na biblioteca de Marques Mendes? O mistério Azul continua. Não percam os próximos episódios!


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Sunday, April 12, 2020

Coronavírus - A Biblioteca de Marques Mendes - IV

O nosso faro policial não abrandou na tentativa de encontrar uma explicação sociológica para a biblioteca de Marques Mendes bem como para os hábitos e motivações pessoais do seu proprietário.

Grão a grão enche a galinha o papo e, assim, pelo menos enquanto durar o confinamento, lá chegaremos.


Análise de Marques Mendes no jornal da noite de 2020/04/12, na SIC


Desta vez dois livros de lombada aparentemente de cor cinza trocaram de lugar entre si: o mais alto mudou-se da direita para a esquerda. Será que Marques Mendes está-se a render aos fascínios de António Costa? Fica a pergunta.

A outra observação parece, por enquanto, inócua para a solução: o livro amarelo que andava constantemente aos trambolhões - ora de cabeça para baixo ora de cabeça para cima - deu lugar a uma nova entrada, um livro azul. Mas vamos ficar de olho neste livro azul sem esquecer o amarelo que por agora desapareceu do mapa. Talvez esteja aqui a chave final do problema!


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Monday, May 11, 2020

Coronavírus - A biblioteca de Marques Mendes, o fim.

Com o regresso à estação de televisão do comentador, chega finalmente ao fim a saga da biblioteca de Marques Mendes.

Cabe agora fazer uma análise a tudo quanto escrutinámos e ver se de facto chegamos a algumas conclusões válidas.

Repararam que fizemos tábua rasa das análises políticas domingueiras, não porque não tivessem o seu valor mas porque não era esta a nossa finalidade. Debruçámo-nos sobre o conteúdo da biblioteca, verificámos se era mexida ou não, e, por acaso, só nos esquecemos de verificar se limpavam o pó aos livros. Mas achamos que sim, seria coisa que se notava logo pois onde há livros poeirentos há aranhiços e nós não vimos nenhum. Quisémos saber se aquilo era uma biblioteca para inglês ver, isto é, se era para consumo voyeurista dos portugueses ou antes, e como deve ser, uma biblioteca realmente digna do nome.

Tiramos agora algumas conclusões:

1.ª - Trata-se de uma biblioteca generalista que aborda as frases do ano, a política e outras coisas de A a Z, com autores conhecidos e para todos os gostos, uns mais eruditos, outros, se calhar, nem tanto. Isso abona a favor do seu proprietário.

Análise de Marques Mendes no jornal da noite de 2020/05/10, na SIC.


2.ª - Tem, como qualquer biblioteca, um adereço, que, no caso, é um passepartout, invocativo de alguma memória familiar. Fica bem, pois alegra o olhar. Notámos também que há livros que, por falta de espaço, são depositados por cima de outros, mas isso é a coisa mais normal do mundo.

3.ª - Não é uma biblioteca a armar ao pingarelho. Não há livros encadernados a couro e debroados a letras douradas. São, tudo indica, livros de uso.

4.ª - É uma biblioteca bastante variada em termos de cores, sendo certo que algumas dessas cores se destacaram, ou porque mudassem de lugar, ou porque desaparecessem subitamente, ou porque andassem de tempos a tempos às cambalhotas, ou seja, de cabeça para baixo. Foi o caso de um certo livro amarelo.

5.ª - Como em todas as bibliotecas que são bibliotecas tem que haver sempre uma nova entrada, um caloiro, um livro que vem apimentar o gosto. Foi o caso dum certo livro azul. E quando assim acontece geralmente sai um velho, no caso um vermelho que foi para outras paragens. O desaparecimento de um livro, ao contrário do que se possa pensar, é um bom sinal pois toda a gente sabe - ou devia saber - que quando um livro vai de viagem o mais certo é estar na casa de banho ou então na mesinha de cabeceira. Quem lê verdadeiramente lê em qualquer lugar e muita da boa cultura adquire-se sentado na sanita mesmo enquanto se assobia. Excelente sinal, portanto.

6.ª - O livro azul levantou uma interrogação maior pois não chegamos a saber se se prendia com algum entusiasmo por OVNIS e conspirações alienígenas. Seja como for, livros deste género ou fascículos de banda desenhada, policiais, livros de espiões vindos do frio, ficam sempre bem numa biblioteca e podem impressionar muito as visitas.

Por tudo isto tiramos o chapéu a Marques Mendes e à sua biblioteca!


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(«Coronavírus» neste «blog» e «Coronavírus - Até os extraterrestres estão preocupados!» (idem))

Monday, April 06, 2020

Coronavírus - A Biblioteca de Marques Mendes - III

Desenganem-se os que pensam que a biblioteca de Marques Mendes não é mexida.

Análise de Marques Mendes no jornal da noite de 2020/04/05, na SIC.





















Nós estamos atentos e verificamos que há um livro amarelo que de tempos a tempos anda de cabeça para baixo (22 de Março). Ora isso é um bom sinal! 


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Monday, March 30, 2020

Coronavírus - A Biblioteca de Marques Mendes - II

Ainda que escurecida pelas luzes da câmara para prevenir a coscuvilhice, a biblioteca de Marques Mendes continua, uma semana depois, aparentemente na mesma.

Análise de Marques Mendes no jornal da noite de 2020/03/29, na SIC.




















Porém, um elemento novo, decorativo, salta à vista: um passepartout e, dentro, uma fotografia que aparenta ser do início do século passado. Uma senhora a subir uma escada? E quem será? 

Seja como for, continuamos sem saber quais as letras do abecedário que são mais consultadas naquela biblioteca. Mas com tempo lá chegaremos. 


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(«Coronavírus» neste «blog»)

Tuesday, April 28, 2020

Coronavírus - A Biblioteca de Marques Mendes - VI

Se tivéssemos que fazer uma História dos Livros e ordená-la por cores dois surgiriam à cabeça: o Livro Vermelho, de Mao Tsé-Tung, e o Livro Verde, de Kadhafi. Ainda encontraríamos um terceiro, pois é comum que as Bíblias tenham capa preta e letras douradas, embora nos digam que o preto não é cor.

Análise de Marques Mendes no jornal da noite de 2020/04/26, na SIC



Já antes aqui tínhamos falado de um certo livro azul que está na biblioteca de Marques Mendes e interrogámo-nos na altura se seria um que pensamos conhecer e que por agora não revelamos para manter o suspense. Mas o problema é que livros azuis, raros, há alguns e o mais parecido que encontrámos foi o Project Blue Book. Chegados aqui, perguntámo-nos: será o relatório, em forma de livro, que está ali na estante ou o filme coberto com uma capa?

Ainda assim fica a pergunta: Será que Marques Mendes é um entusiasta de OVNIS e conspirações alienígenas? Fica a questão que vamos resolver em breve. Está prometido!


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(1. O "Livro Vermelho" de Mao Tsé-Tung:

O "Fim da História", a "Síntese", não termina com a conquista do poder pelo proletariado. A luta de classes continua mesmo depois do proletariado conquistar o poder.

Na luta de classes existem "classes antagónicas", que tenderão irremediavelmente a combater-se, e "classes não-antagónicas", cujos interesses não são necessariamente antagónicos. É o caso dos intelectuais em relação aos camponeses ou destes em relação aos operários;

2. E o "Livro Verde" de Kadhafi: «'Livro Verde’ resumia pensamento de Kadhafi durante governo da Líbia» - Globo.com;

3. E porque se fala de alienígenas: «Project Blue Book» - Wikipedia;

4. «Coronavírus» neste «blog»)

Monday, August 28, 2023

Marques Mendes poderá ser candidato à Presidência da República

"Se eu um dia achar que com uma candidatura à Presidência da República posso ser útil ao País (...) tomarei essa decisão" - Marques Mendes, ontem, no seu espaço habitual de comentário na SIC. À semelhança do que aconteceu com Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes tem também a vantagem de ser conhecido por comentar num canal televisivo de grande audiência. Se vier a ser presidente vai ser uma "ganda nóia!"


Recuemos no tempo...

2007 foi um ano de trapalhadas: um desaguisado com José Miguel Júdice (9 de Julho), um braço de ferro com Menezes (6 de Agosto) e a perda das eleições directas para a presidência do PSD (28 de Setembro); gorando-se o desejo de ser primeiro-ministro em 2009, iniciou uma longa travessia do deserto.

Em 2019 já é visto por todo o lado quando o Vasco Brazão foi escutado a dizer à irmã que há cá no Reino um papagaio-mor, o que não era nenhuma imagem literária, nem linguagem de contrabandista de Alfama; deitaram-se a adivinhar quem era: o Presidente da República?, o Marques Mendes?, o Miguel Sousa Tavares?, o José Miguel Júdice?, o próprio Vasco Brazão a fugir com o rabo à seringa? e imaginou-se uma de inúmeras versões de um papagaio-mor: que era maneirinho, cabia em todo o lado, até num bolso, tinha sempre trunfos na manga, um ar doutoral e era tipicamente português. Ficou a insinuação.

2020, em tempos de pandemia, é o ano decisivo dos comentários a partir de casa em que os portugueses ficaram a conhecer a sua biblioteca, os seus gostos literários e a perceber se os livros eram mexidos ou não. 

Se for eleito há que ter sempre à mão um palanque e uma cadeirinha de criança. Evita-se a galhofa do mundo. Quem é que gosta de ver o presidente do seu país fora da fotografia ou sentado com os pés no ar, como um catraio de escola, motivo da javardice mundial? Tomados estes cuidados, por que não dizer: viva o Marques Mendes a Presidente!



«“Ganda” é corruptela de «grande», e “nóia” é o termo gírio para «paranóia, afectação», segundo nos diz o Dicionário da Porto Editora. A expressão já existia no linguajar popular, principalmente entre os jovens, mas celebrizou-se mediaticamente por constituir bordão de linguagem de uma personagem que parodia Marques Mendes (...) no programa “Contra-Informação”, do canal 1 da televisão estatal, RTP.» - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa. "Contra-informação" é um «programa de sátira política e social, com bonecos que caricaturam figuras públicas da sociedade portuguesa e internacional», pode ler-se em RTP Arquivos; o primeiro episódio foi para o ar em 1996-04-29 e o último em 2007-12-31; 


Quem é «Luís Marques Mendes» - Wikipedia)

Monday, May 04, 2020

Coronavírus - "Um cego é o que temos aqui"

Na dança do livro azul um ali à beira sempre saltou à vista e tinha lombada vermelha com o nome de José Saramago. Mas esse livro desapareceu. Provavelmente porque Marques Mendes o tem à sua mesinha de cabeceira, e, quem sabe?, se lá não estarão as notas ao Ensaio sobre a Cegueira? Se bem se lembram uma epidemia de cegueira branca espalha-se numa cidade e o governo decide colocar as pessoas infectadas em quarentena. Apenas uma mulher mantém uma visão lúcida perante os acontecimentos: “O medo cega, disse a rapariga dos óculos escuros, São palavras certas, já éramos cegos no momento em que cegámos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos, Quem está a falar, perguntou o médico, Um cego, respondeu a voz, só um cego, é o que temos aqui.

Análise de Marques Mendes no jornal da noite de 2020/05/03, na SIC.



















O medo torna-nos primitivos.

Paralelamente - e nada acontece por acaso, dizem. - um novo título que até aqui se escondia nas costas de Marques Mendes deu a lombada à luz, a Teoria Geral do Direito Civil do Mota Pinto? E perguntam vocês: mas afinal o que tem a ver a Teoria Geral do Direito Civil com o Ensaio sobre a Cegueira? Sinceramente, não sabemos. Mas se calhar há uma relação qualquer... Fica para exercício da vossa imaginação.


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(1. A propósito: «Ensaio sobre a Cegueira» - Wikipedia; 2. «Coronavírus» neste «blog» e «Coronavírus - Até os extraterrestres estão preocupados!» (idem))

Monday, March 23, 2020

Coronavírus - A Biblioteca de Marques Mendes

Fruto do confinamento às nossas casas enquanto a pandemia não é ultrapassada desta feita os comentários de Marques Mendes no jornal da noite deste Domingo, na SIC, foram feitos de sua casa, tendo por pano de fundo parte da sua biblioteca.

Análise de Marques Mendes no jornal da noite de 2020/03/22, na SIC.
Como nós agora não temos nada que fazer fomos à procura de alguns títulos sugestivos. E descobrimos estes:

"2017 AS FRASES DO ANO",
"Política de A a Z",
"Europa de A a Z".

O que significa que de A a Z nada escapa a Marques Mendes!


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(A propósito: 1. «Coronavirus disease (COVID-19) advice for the public» - World Health Organization; 2. «COVID-19» - Direção-Geral da Saúde; 3. «Pandemia de COVID-19» e «Pandemia de COVID-19 por país» - Wikipedia)