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Saturday, June 23, 2007

Hoje é «noite de São João» no Porto. A grande folia!

«Santo António já se acabou,
O São Pedro está-se a acabar
São João, São João, São João
Dá cá um balão para eu brincar!»




O povo sai às ruas. Corre corre sem parar. Guerreiam-se martelos no ar. Vergam-se alhos-porros a cheirar. E cheira a brasas com sardinhas. Come-se. Bebe-se. E dança-se. É tudo nas ruas. É um mar de gente por toda a cidade, das Fontainhas à Foz! E lá pela madrugada, em jeito de despedida, para não falhar a tradição, vai haver orvalhadas!


(1. Jornal de Notícias de 2007/06/23: «Todos ao palco do S. João»; 2. Vídeos «São João do Porto» - YouTube; 3. «Santo António já se acabou... Venha conhecer o nosso S. João» «in» Jardim de Infância Vasco da Gama; 4. São João do Porto e Festa Junina - Wikipedia; 5. A propósito: «Cancioneiro» - Tuna Feminina de Medicina do Porto)

Sunday, October 18, 2026

Manifestantes no Porto decidem voltar a acampar na Praça D. João I

Ontem, Sábado, dia 17, manifestantes do movimento “Acampada pela Habitação” voltaram a colocar tendas na Praça D. João I, no Porto, e Lisboa (Rossio) e outras cidades receberam também manifestações pelo direito à habitação.

O célebre fado, triste destino dos portugueses, da elegia da pobreza do antes do 25 de Abril de '74, plasmado em “Uma Casa Portuguesa”, da Amália (1952), voltou.

Só que desta vez perdeu-se o pudor. Já nem “A alegria da pobreza”, nem as “Quatro paredes caiadas”. E não dá para a comida.


Madrugada de 18 e os manifestantes mantêm-se na rua, no Porto e em Lisboa. No Porto, um incêndio em caixotes do lixo, facilmente controlado pelos bombeiros, terá sido provocado por elementos infiltrados de extrema-direita como acto de provocação.

“Numa casa portuguesa fica bem
Pão e vinho sobre a mesa
E se à porta humildemente bate alguém
Senta-se à mesa com a gente
Fica bem essa franqueza, fica bem
Que o povo nunca a desmente
A alegria da pobreza
Está nesta grande riqueza
De dar e ficar contente

Quatro paredes caiadas
Um cheirinho a alecrim
Um cacho d'uvas doiradas
Duas rosas num jardim
Um São José de azulejos
Mais o Sol da primavera
Uma promessa de beijos
Dois braços à minha espera”

(Inc.)

Simplificadamente, para compreendermos o contexto:

1. Preços da habitação entre Abril e Junho subiram 16,5%, segundo o EUROSTAT.

2. Em Lisboa 116% do salário médio vai para pagar a casa. E os salários não acompanham a subida.

3. No mês de Julho o valor mediano da avaliação bancária foi de 2.240€/m2, um salto de 15% face ao período homólogo de 2025.

4. Travar a nova lei do arrendamento viabilizada pela abstenção do Chega após acordo entre PSD e Chega (lei que será discutida na especialidade).



2. Sábado, dia 17/10/2026, no Porto: a) «Manifestantes no Porto decidem voltar a acampar na Praça D. João I» (““Ficamos aqui ou não?”, perguntou, durante a Assembleia Popular da Habitação, uma das manifestantes ao microfone no centro da praça onde se concentram centenas de pessoas que, em uníssono e em alta voz, gritaram “sim”.” // ““Rendas de milhão e o povo sem tostão””) – Público de 2026/10/17;

b) «Tendas voltaram à Praça D. João I e manifestantes querem dialogar com a Câmara» (COM O VÍDEO. “Os protestos pelo direito à habitação prosseguiram com tendas montadas no Porto, na Praça D. João I, e em Lisboa, no Rossio. A indignação saiu à rua, agora em várias cidades, com Lisboa e Faro a juntarem-se ao grito que partiu do Porto.”) – Jornal de Notícias de 2026/10/17;

c) «Manifestantes no Porto decidem voltar a acampar na Praça D. João I» (COM O VÍDEO. “Os manifestantes pretendem ainda prolongar o protesto para depois de 20 de outubro caso "não haja uma mudança".” // “Exigem, por fim, a demissão de Pedro Duarte, o presidente da câmara do Porto, pela forma como as autoridades enfrentaram a manifestação na madrugada da última quinta-feira.”) – RTP Notícias de 2026/10/17;

e d) «Habitação: Manifestantes no Porto decidem voltar a acampar na Praça D.João I» (““Vamos ficar hoje, amanhã e até quando for preciso, não vamos a lado nenhum, não nos vergarão“”) – ECO de 2026/10/18;

3. Sábado, dia 17/10/2026, em Lisboa: a) «Solidários com "companheiros do Porto", milhares protestam em Lisboa por direito à habitação» (“Protesto do movimento "Acampada" monta tendas no Rossio, no mesmo dia em que decorreu manifestação da CGTP.”) – Público de 2026/10/17;

e b) «Protesto pela habitação em Lisboa. Manifestantes montam tendas no Rossio» (COM O VÍDEO.) – RTP Notícias de 2026/10/17;

4. Como começou: actuação policial: a) «“Estás a dar-me pontapés porquê?”: noite de grande violência na Acampada do Porto pela Habitação» (COM O VÍDEO. “Pedro Duarte, presidente da Câmara do Porto, disse que iria ser “absolutamente implacável com qualquer tentativa de colocação de tendas”.”) – Público de 2026/10/15;



5. «Manifestar,» (“Queremos de volta um país que não seja um misto de um pacóvio vendedor de imobiliária, a la PSD e IL, com um arruaceiro, o Chega, e um bem comportado porteiro desta choldra, o PS.”) – Raquel Varela em 2026/10/15;

6. Nota: pormenor de fotografia do autor.)

Tuesday, June 24, 2025

Festas São João Porto 2025

Noite de 23 de Junho. Por toda a cidade sente-se o cheiro a sardinhas e são lançados balões e fogo de artifício. Em Paranhos também houve festa. Várias fotografias foram tiradas e, juntas, deram este resultado:



(1. As notícias: a) «No São João "não pode faltar música, animação e sardinha no pão"» – Porto Canal de 2025/06/23; b) «Guia para celebrar o São João no Porto pela madrugada fora» – SIC Notícias de 2025/06/22; e c) «São João Porto 2025 - Fogo de Artifício (espetáculo na íntegra)» – portal de notícias do Porto em 2025/06/23; 2. A propósito: «Festa de São João do Porto» – Wikipedia.)

Monday, October 26, 2026

Protesto pela Habitação. Carga policial em Lisboa e no Porto

I

Enquanto a CRP de 1976, no seu n.º 1 do art.º 45.º, consagra que o direito de reunião e manifestação é reconhecido a todos os cidadãos, em locais abertos ao público, sem qualquer tipo de autorização, o Decreto-Lei n.º 406/74, de 29 de Agosto, anterior à aprovação da Constituição, exige a necessidade de comunicação prévia (não de autorização) e impõe limitações ao exercício do direito de manifestação que são inconstitucionais. É neste decreto que a polícia se baseia para justificar a ordem de desmontagem das tendas e a dissolução dos protestos a partir da meia-noite e meia (que são medidas restritivas da liberdade constitucional de manifestação), alegando que a permanência prolongada (acampar) desvirtua a natureza da manifestação e configura ocupação ilícita do espaço público ou crime de desobediência.

No Sábado, dia 24/10/2026, decorreram no País várias manifestações pacíficas pelo direito à habitação: Lisboa, Porto, Faro, Coimbra e Braga. Juntando milhares de pessoas – jovens, pais e avós – e uma central sindical: a CGTP.
                                                                                                       
No Porto, a pedido da polícia, o silêncio foi respeitado. A condição era que os manifestantes se mantivessem em silêncio, podendo permanecer, mas teriam de retirar as tendas. (Mesmo assim, que se saiba não há moradores na Pr. D. João I e, no Rossio, se os há, são muito poucos.)

Acontece que as tendas são um símbolo da manifestação e não tendas de uma feira e muito menos de um parque de campismo.

No Porto, a polícia estabeleceu um cordão à volta da Praça D. João I impedindo que os manifestantes nas zonas do Teatro Rivoli, parte superior e inferior da Praça e Rua de Sá da Bandeira pudessem entrar no interior da Praça.

Na madrugada de Domingo, simultaneamente em Lisboa e no Porto, a polícia, ilegalmente, carregou sobre manifestantes pacíficos, com bastões e cães.
                                                   
Algemou-os, num espectáculo indigno.

E no entanto já houve acampadas da JSD frente ao Ministério da Educação, dos empresários da restauração, dos bombeiros sapadores no Porto e nada do que aconteceu agora aconteceu na altura.

E bem, porque as acampadas não são ilegais.

Qualquer intervenção policial está constitucionalmente vinculada aos princípios da necessidade, adequação e proporcionalidade. Não foi o caso.

Mas, perante uma ordem ilegítima, qualquer cidadão, ou grupo de cidadãos, tem o direito de oferecer resistência (art.º 21.º da CRP de 1976).

No Sábado, Luís Montenegro se não cavou a sua própria sepultura e ditou o seu fim político anda lá perto.


II

Simplificadamente, para compreendermos o contexto, e o essencial:

1. Preços da habitação entre Abril e Junho subiram 16,5%, segundo o EUROSTAT. (*)

2. Em Lisboa 116% do salário médio vai para pagar a casa. E os salários não acompanham a subida. (**)

3. No mês de Julho o valor mediano da avaliação bancária foi de 2.240€/m2, um salto de 15,2% face ao período homólogo (2025). (***)

4. Travar a nova lei do arrendamento acordada entre Chega e PSD.



(1. Direito à manifestação: 

a) «Mais de 200 juristas assinam carta aberta pelo "direito à manifestação"» (“Mais de 200 juristas de todo o país já assinaram uma carta aberta pelo direito de manifestação, reagindo à resposta das autoridades sobre as manifestações em defesa da habitação realizadas em várias cidades.” // “Ora, os direitos fundamentais “não podem ser esvaziados através de interpretações restritivas ou de práticas que, sob a invocação da manutenção da ordem pública, comprometam o seu exercício efetivo”, constatam.”) – Diário de Notícias de 2026/10/25;

b) «Carta Aberta, de 2026/10/24, “Pela defesa do direito de manifestação e das liberdades democráticas”» com a ligação para a subscrever (“Preocupa-nos, por isso, qualquer tentativa de deslegitimar a contestação social ou de transformar o exercício de direitos fundamentais num problema de segurança pública. Uma democracia não se mede apenas pelos direitos que proclama, mas também pela forma como os respeita e garante, sobretudo quando são exercidos para contestar decisões dos poderes instituídos.”) – última actualização: 25/10 às 20:18: 413 subscritores;

e c) Vídeo de Garcia Pereira: «Direito à Manifestação» – Jornal Maio (YouTube) de 2026/10/22;

2. Madrugada de 25/10/2026, Domingo: 

a) «Habitação: acampadas de Lisboa e Porto contam mais de 50 feridos, PSP fala em 11» (COM AS FOTOS e o VÍDEO. “A polícia deteve 31 pessoas por desobediência durante a madrugada, 25 em Lisboa e seis no Porto.” // “(…) as organizações das duas acampadas referem mais de 50 (feridos): pelo menos 20 em Lisboa, 30 no Porto.”) – Público de 2026/10/25;

b) «Carga policial em Lisboa e no Porto. Protesto pela Habitação termina com confrontos» (COM O VÍDEO. “Foi uma madrugada violenta em Lisboa e no Porto. A carga policial aconteceu em simultâneo no Rossio e na Praça D. João I. E provocou feridos. Há também 31 detidos.”) – RTP Notícias de 2026/10/25;

e c) «Carga policial contra acampada pela habitação no Porto termina com seis feridos e seis detidos» (COM O VÍDEO. “PSP removeu 54 tendas da praça D. João I, onde há uma semana já tinha ocorrido outra carga policial.”) – TVI Notícias de 2026/10/25;

3. Noite de 2026/10/24, Sábado: 

a) «Pais e filhos saem à rua aos milhares em luta por mais habitação: “Temos de ser muitos”» (“Milhares de pessoas participaram este sábado nos protestos pela habitação, em Lisboa e Porto, mas também em concentrações mais pequenas em Coimbra, Braga e Faro. Houve críticas à repressão policial.”) – Público de 2026/10/24;

b) «"25 mil egoístas" estiveram na manifestação pela habitação em Lisboa» (“"Se calhar estão aqui 25 mil egoístas", apontou João Veloso, um dos porta-vozes da Acampada de Lisboa, numa alusão a declarações do primeiro-ministro, Luís Montenegro (PSD).”) – Jornal de Notícias de 2026/10/25;

e c) «Mega acampada em Lisboa: nunca se viram tantas tendas no Rossio» (COM O VÍDEO. “A repórter Luísa Saragoça dá conta da nova acampada em Lisboa, a maior desde que começaram os protestos pelo direito à habitação.”) – CNN Portugal de 2026/10/24, 20h09;

4. Para a noite de 25/10/2026, Domingo: 

a) «“Mais casas, menos bastão!”: acampadas regressam com concentrações em Lisboa e no Porto» (“Acampada de Lisboa convoca protesto “Mais casas, menos bastão!” para às 17h, na Praça D. Pedro IV. Acampada do Porto concentra-se às 19h: "Por cada bastonada, mais apoio mútuo e mais organização."”) – Diário de Notícias de 2026/10/25;

5. Referências bibliográficas:




(***) «Inquérito à Avaliação Bancária na Habitação» – Instituto Nacional de Estatística em 2026/08/26;

6. Nota: composições com base em fotografias das emissões televisivas, feitas em Nano Banana (Gemini) – representações evocativas dos acontecimentos, não necessariamente fiéis, para que apenas fiquem, quanto ao essencial, na memória, e não mais se esqueçam!)

Friday, October 16, 2026

Acampada do Porto pela Habitação

Cerca de 40 pessoas ficaram feridas depois da intervenção à bastonada na madrugada de ontem, 15/10/2026, no Porto, para pôr fim ao protesto “Acampada do Porto pela Habitação” numa altura em que já não havia jornalistas no local.

Simplificadamente, para compreendermos o contexto:

1. Preços da habitação entre Abril e Junho subiram 16,5%, segundo o EUROSTAT.

2. Em Lisboa 116% do salário médio vai para pagar a casa. E os salários não acompanham a subida.

3. No mês de Julho o valor mediano da avaliação bancária foi de 2.240€/m2, um salto de 15% face ao período homólogo de 2025.

4. Travar a nova lei do arrendamento viabilizada pela abstenção do Chega após acordo entre PSD e Chega (lei que será discutida na especialidade).

Ontem, à noite, às 20h18, milhares de manifestantes juntaram-se na Praça D. João I, e, pelas 21h13, foram até à Câmara Municipal do Porto. “Não são escassas pessoas”, como disse Luís Montenegro. São muitos, é a maior parte dos portugueses que trabalham e é uma luta de todos! Novos e velhos.


Ouvem-se palavras de ordem contra a violência policial e também “O Povo é quem mais ordena!” 

23h46, 15/10/2026: militantes da extrema-direita introduzem-se na manifestação com o objectivo de causar desacatos.



2. Actuação policial: «“Estás a dar-me pontapés porquê?”: noite de grande violência na Acampada do Porto pela Habitação» (COM O VÍDEO) (“Pedro Duarte, presidente da Câmara do Porto, disse que iria ser “absolutamente implacável com qualquer tentativa de colocação de tendas”.”) – Público de 2026/10/15;

3. Depois do Porto: a) «Depois do Porto, manifestantes prometem acampada pela habitação em Lisboa este sábado» – Diário de Notícias de 2026/10/15; 


4. «Manifestar,» (“Queremos de volta um país que não seja um misto de um pacóvio vendedor de imobiliária, a la PSD e IL, com um arruaceiro, o Chega, e um bem comportado porteiro desta choldra, o PS.”) – Raquel Varela em 2026/10/15;

5. Nota: A partir de várias composições feitas em Nano Banana (Gemini), procedeu-se às colagens e obteve-se esta imagem que pretende ser uma representação evocativa dos acontecimentos, não necessariamente fiel, apenas que fique, quanto ao essencial, na memória – e não mais se esqueça!)

Friday, October 23, 2026

Acampada pela Habitação. Na Praça D. João I não há moradores

Enquanto que a CRP de 1976, no seu n.º 1 do art.º 45.º, consagra que o direito de manifestação existe sem ser preciso qualquer tipo de autorização, o Decreto-Lei n.º 406/74, de 29 de Agosto, anterior à CRP, e que não foi expurgado das inconstitucionalidades, exige não o pedido de autorização mas a necessidade de comunicação prévia, impondo limitações. É neste decreto que a polícia e o MAI, erradamente, se baseiam para justificar a ordem de desmontagem das tendas e a dissolução dos protestos a partir da meia-noite e meia, alegando que a permanência prolongada (acampar) desvirtua a natureza da manifestação e configura ocupação ilícita do espaço público ou crime de desobediência.

Já agora:

Pergunta: Está em causa no período nocturno o direito ao repouso, tranquilidade e saúde dos residentes na Pr. D. João I, no Porto, pelo ruído causado?

Resposta: Que se saiba, não há moradores na Pr. D. João I.

Pergunta: O direito de manifestação passa a ocupação privada do domínio público quando lá se colocam tendas?

Resposta: Que se saiba, as tendas são uma metáfora para o problema da habitação.

Pergunta: A permanência contínua e a pernoita de dezenas (ou centenas) de pessoas na via pública sem infraestruturas adequadas cria problemas de saúde pública e higiene urbana?

Resposta: Que se saiba, um Festival Meo Marés Vivas cria mais.

Pergunta: Resistir a ordens ilegais constitui crime de desobediência?

Resposta: Pelos vistos, sim.


Simplificadamente, para compreendermos o contexto:

1. Preços da habitação entre Abril e Junho subiram 16,5%, segundo o EUROSTAT. (*)

2. Em Lisboa 116% do salário médio vai para pagar a casa. E os salários não acompanham a subida. (**)

3. No mês de Julho o valor mediano da avaliação bancária foi de 2.240€/m2, um salto de 15,2% face ao período homólogo (2025). (***)

4. Travar a nova lei do arrendamento viabilizada pela abstenção do Chega após acordo entre PSD e Chega (lei que será discutida na especialidade).


(1. As notícias: a) «Ações da PSP durante acampadas "foram ilegais", diz advogado Manuel Magalhães e Silva» (“O advogado Manuel Magalhães e Silva considera ilegais as intervenções da Polícia de Segurança Pública (PSP) durante as acampadas em Lisboa e no Porto.” // “Na antena da SIC Notícias, o advogado refere que existe a "possibilidade legal e constitucionalmente consagrada" de resistir a “ordens ilegais”.”) – SIC Notícias de 2026/10/22;

b) «"O direito de manifestação existe sem ser preciso qualquer autorização", mas "isso não acontece"» (“O advogado Tiago Machado analisa as declarações do ministro da Administração Interna sobre as manifestações que decorrem em Lisboa e no Porto.”) – CNN Portugal de 2026/10/21;

c) «"Na Praça D. João I não há moradores. Hora tardia não me parece uma justificação legítima [para a carga policial]"» (COM O VÍDEO e a análise do advogado Manuel Magalhães e Silva) – CNN Portugal de 2026/10/16;

e d) «Advogado do Movimento Acampada acusa PSP de uso “perfeitamente desproporcional” da força no Porto» (“Em declarações, o advogado (Tiago Machado, advogado do Movimento Acampada) afirmou que estava no local e que nunca tinha assistido a uma situação semelhante nos seus 49 anos de vida. Segundo o jurista, os manifestantes estavam tranquilos e tinham interrompido o ruído depois de um pedido feito pelas autoridades.”) – SIC Notícias de 2026/10/15;


3. «Manifestar,» (“Queremos de volta um país que não seja um misto de um pacóvio vendedor de imobiliária, a la PSD e IL, com um arruaceiro, o Chega, e um bem comportado porteiro desta choldra, o PS.”) – Raquel Varela em 2026/10/15;

4. Referências bibliográficas:




(***) «Inquérito à Avaliação Bancária na Habitação» – Instituto Nacional de Estatística em 2026/08/26;

5. Nota: composição com base em fotografia do autor (Pr. D. João I, no Porto) e Nano Banana (Gemini).)

Monday, November 02, 2026

Madrugada de violência em Lisboa e no Porto nova carga policial

“Vai, vai, vai”, disse o pássaro: “o teu ser não suporta demasiada realidade.” – T. S. Eliot.*

Por vezes acontece alguns governos desligarem-se da realidade. Vivem fora dela. Constroem narrativas e entretêm-nos com coisas acessórias.

As manifestação de rua, as acampadas pela habitação, contra a lei das rendas, a que temos vindo a assistir, são a expressão, justa, do descontentamento popular. Ao reprimir ou silenciar um protesto através da força, o poder político e as forças de segurança tentam forçar o “regresso artificial à normalidade”, criando a ilusão de que está tudo bem.

Para o actual governo de Montenegro a contestação social das ruas é a “demasiada realidade” de que fala o pássaro, a realidade que o governo é incapaz de ver (ou não suporta ver) e também a sua vulnerabilidade que por teimosia é incapaz de admitir.

Seja como for, o povo luta nas ruas para que a lei das rendas caia. E que vai cair é o mais certo!



(1. As notícias: a) «Madrugada de violência em Lisboa e no Porto: nova carga policial nas acampadas faz dezenas de feridos» (COM A GALERIA DE IMAGENS: Ricardo Sá Fernandes (Foto 24); Deputado do PS Pedro Delgado Alves (Foto 25); Representantes políticos de quadrantes da esquerda (Foto 31); Cães, Bastonadas, Feridos e Detenções (Fotos 38 a 43); Início da intervenção do Corpo de Intervenção na Praça D. João I, no Porto (Fotos 53 a 59; Rosto de jovem manifestante no rescaldo dos confrontos (Foto 60). “O advogado dos manifestantes em Lisboa, Ricardo Sá Fernandes, caracterizou a intervenção como “desnecessária, desproporcional e ilegal” e já anunciou que irá haver uma “participação criminal” contra o ministro.”) – Público de 2026/11/01;

b) “No Porto, à terceira carga sobre a acampada, um polícia sacou da arma entre a multidão”, titula o Público, mesma data;

c) “Polícia avançou contra manifestantes, duas Mães pela Acampada entre os 13 detidos”, titula o Público, mesma data, e, no corpo da notícia, “No rescaldo, entre os manifestantes, há vários feridos e 13 detidos: no Porto, sete pessoas foram levadas para a esquadra, quatro mulheres, entre as quais duas integrantes do movimento Mães Pela Acampada, e três homens. Em Lisboa, há indicação de seis pessoas detidas.”;

d) «Carga policial em protesto pela habitação no Rossio: manifestantes apontam 10 detidos e seis feridos» (“Vários órgãos de comunicação social testemunharam detenções e relataram a desproporcionalidade da carga policial, com petardos e bastonadas.” // “A acampada no Rossio e a atuação da polícia de madrugada foram acompanhados por elementos do Mecanismo Nacional de Prevenção da Provedoria de Justiça, que durante o dia também observaram a manifestação.”) – CNN Portugal de 2026/11/01;

(“A intervenção policial, por parte de elementos do Corpo de Intervenção da PSP, começou pelas 04h30, em Lisboa e no Porto” //

“Vários órgãos de comunicação social testemunharam detenções e relataram a desproporcionalidade da carga policial, com petardos e bastonadas.” //

“A acampada no Rossio e a intervenção policial desta madrugada foram acompanhadas por elementos do Mecanismo Nacional de Prevenção da Provedoria de Justiça, que também tinham estado presentes na manifestação de sábado.” //

“Mourana Monteiro, socorrista voluntária da equipa médica da acampada de Lisboa, adiantou à SIC num balanço inicial que existiam vários feridos, com “feridas abertas na zona da nuca, potenciais fraturas nos braços e mãos, hematomas na face e na zona da cabeça, nas costas”. “Enquanto estávamos a fugir houve duas pessoas que estavam feridas e nós identificámo-nos e o que recebemos foram empurrões contra a parede com os escudos”, acrescentou.” //

“O subintendente Sérgio Soares confirmou esta manhã que o homem que surge nas imagens com uma arma de fogo é um agente da PSP à paisana. A Acampada do Porto acusa o polícia de ter apontado a arma à cabeça de manifestantes na Avenida dos Aliados, cerca das 05h15, quando estes se encontravam reunidos após a intervenção policial.” //

“A Amnistia Internacional Portugal criticou o "uso excessivo e desproporcionado da força" pela PSP nas acampadas de Lisboa e do Porto e anunciou que vai contactar com urgência o ministro da Administração Interna para denunciar alegadas violações de direitos humanos.” //

“O advogado Ricardo Sá Fernandes, que representa manifestantes da Acampada de Lisboa, anunciou que vai apresentar uma participação criminal por abuso de poder contra o ministro da Administração Interna, Luís Neves, e o diretor nacional da PSP, Coelho de Moura, segundo a agência Lusa, citada pelo Observador.”) – SAPO de 2026/11/01;

(“Antecipando a intervenção policial, os deputados do PS Pedro Delgado Alves e Eva Cruzeiro, do Livre Jorge Pinto, Isabel Mendes Lopes e Paulo Muscho e do BE Fabian Figueiredo estiveram na Praça do Rossio, em Lisboa, e apelaram ao comandante do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, Iúri Rodrigues, para evitar o uso desproporcional da força contra os manifestantes.”); 

No Porto, Marc Ricardo Silva, repórter de imagem da CMTV, que estava a gravar, devidamente identificado, com outros jornalistas à volta, foi agredido à bastonada numa das pernas, logo no início, pelo Corpo de Intervenção da PSP; o repórter e o Sindicato dos Jornalistas vão apresentar queixa por estar em causa um atentado à liberdade de imprensa e de informação;

(“Em representação dos manifestantes da Acampada de Lisboa, o advogado Ricardo Sá Fernandes disse este domingo que vai avançar com participação criminal contra o ministro da Administração Interna, Luís Neves, e o diretor nacional da PSP, Coelho de Moura, acusando-os de "abuso de poder" após a carga policial desta madrugada.”) – Correio da Manhã de 2026/11/01;
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3. Nota: composição com base em fotografia do autor (Pr. D. João I, no Porto, 31/10/2026, às 19h55) e Nano Banana (Gemini); pretende ser uma representação evocativa dos acontecimentos, às 4h30 de Domingo, não necessariamente fiel, mas apenas para que fique, quanto ao essencial, na memória – e não mais se esqueça!;
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* Tradução do verso por Maria de Lourdes Guimarães: “Go, go, go, said the bird: human kind / Cannot bear very much reality”, T. S. Eliot, poema “Burnt Norton” da obra “The Four Quartets” (Quatro Quartetos), de 1936.;

«Quatro Quartetos» – Wikipedia; «Quatro Quartetos» – Wikiquote.)

Monday, January 08, 2024

Discurso de António Costa no 24.º Congresso Nacional do PS

FIL, 2024/01/05
(Sempre que possível, os parágrafos acompanham os aplausos.)

(cumprimentos)

Saudações. A pluralidade do PS.

"Quero, naturalmente, começar por saudar o novo secretário-geral do Partido Socialista e desejar-lhe do Fundo do Coração todas as felicidades do mundo, as maiores felicidades. Primeiro, felicidades políticas, mas também as maiores felicidades pessoais. Você merece, Pedro Nuno. Força! Vamos em frente! Vamos ganhar as próximas eleições! 

Esta eleição demonstrou a vitalidade do Partido Socialista, a vitalidade de um partido que em pouco mais de um mês enfrentou uma situação muito difícil, diria até traumática, mas que conseguiu superar com uma mobilização absolutamente extraordinária dos nossos militantes que massivamente participaram nesta eleição do novo secretário-geral do Partido Socialista.

Um partido que honrou a sua história de pluralidade, sendo a eleição do Pedro Nuno Santos a de uma eleição participada, participada com a candidatura do Daniel Adrião, participada com a candidatura de José Luís Carneiro, a quem eu saúdo democrática e calorosamente pelo contributo que deram para a afirmação da qualidade do Partido Socialista.

É esta pluralidade que faz com que o PS não seja um partido qualquer na sociedade portuguesa, porque é um partido que representa um amplo espaço político, da esquerda e do centro, que só se representa e só tem representação aqui no Partido Socialista. 

Um partido que se mobilizou, que disputou de uma forma plural a liderança, mas que aqui está hoje, como é timbre do Partido Socialista, unido em torno da nova liderança, em torno do Pedro Nuno Santos, o nosso novo secretário-geral.


Uma nova geração. Um novo impulso.

"Um partido que demonstra a sua vitalidade. Que no ano em que celebramos 50 anos da nossa história passa o testemunho para uma nova geração: o Pedro Nuno é o primeiro secretário-geral do Partido Socialista que nasceu depois da fundação do Partido Socialista; o Pedro Nuno vai ser o primeiro primeiro-ministro que nasceu depois da Revolução de Abril.

E este é um sinal do significado do que é um partido que tem 50 anos, um partido que tem uma longa história ao serviço de Portugal e ao serviço dos portugueses. O Pedro Nuno nasceu no ano 1977 quando Mário Soares e Medeiros Ferreira pediram a adesão de Portugal à então CEE; atingiu a maioridade em 1985 quando António Guterres formou o nosso primeiro governo, e aqui está hoje líder do Partido Socialista para dar continuidade a estes 50 anos de história que têm muito futuro. 

Uma nova geração que significa necessariamente um novo impulso, uma nova energia e um novo olhar sobre os problemas, sobre as questões, sobre as soluções, e que vai seguramente, desta nova geração prosseguir o que devemos prosseguir, mudar o que devemos mudar, e fazer algo que cada uma das gerações do PS fez: acrescentar ao que as anteriores fizeram e dar novas respostas para os novos problemas. É isso que seguramente nós teremos com Pedro Nuno Santos.


Liberdade. Igualdade. Projecto europeu. Estado Social.

"O PS, Camaradas, é maior do que a soma de todos nós. O PS é um partido com uma longa história e é um partido, um grande partido nacional e popular. É um partido que tem uma identidade muito clara e que todos os portugueses conhecem. Nós somos o partido da liberdade e da democracia. Nós somos o partido do projecto europeu e da Europa connosco. Nós somos o partido do combate às desigualdades. Nós somos o partido da construção do Estado Social. Nós somos um partido que tem uma relação afectiva única com os portugueses - aqueles que dizem que nós somos o partido da mãozinha -, porque somos a relação afectiva de quem em todos os momentos de confrontação foi o partido da concórdia; que em todos os momentos de divisão fomos a ponte de união entre as portugueses e entre os portugueses; onde sempre houve um excluído nós fomos solidários. E nós somos aqueles que os portugueses sabem que nunca faltámos quando foi necessário, nunca faltámos nos momentos mais difíceis que Portugal e os portugueses tiveram que enfrentar.


Inovar. Ousar. Derrubar muros.

"É por termos esta história e esta identidade tão forte que nós podemos inovar. Que nós podemos hoje ousar. Que nós podemos rasgar novos horizontes. O PS que em 2015 assinou os acordos com o Partido Comunista Português, com o Partido Ecologista Os Verdes, com o Bloco de Esquerda, foi o mesmo PS que nas ruas se bateu em 1975 para garantir a liberdade e a democracia e combater a deriva totalitária da Revolução.

E derrubámos esses muros e não deixaremos voltar a erguer esses muros porque o que nós criámos foi um novo padrão de governabilidade do nosso país, uma nova oportunidade de governação à esquerda, e essa oportunidade provou bem, e é por isso que nunca mais os muros voltarão a existir dentro da esquerda portuguesa. 


Alterações climáticas

"O PS foi sempre o partido contemporâneo das causas do seu tempo. A maior causa do nosso tempo, hoje, é mesmo o combate às alterações climáticas - o Duarte Cordeiro já falou aqui e todos os dias faz muito para contrariar o risco das alterações climáticas. Mas ao longo destes 8 anos nós podemo-nos orgulhar de termos sido o primeiro país do mundo, na COP de Marraquexe(*), em 2016, a assumir o compromisso da neutralidade carbónica em 2050. Fomos o primeiro país a antecipar este compromisso para 2045, na lei do clima que aprovámos na Assembleia da República. E é com muito orgulho que vemos a Comissão Europeia dizer que Portugal é o país mais bem preparado na União Europeia para atingir a neutralidade carbónica. E a Comissão Europeia não nos diz isto por favor. Diz isto porque fizemos boas políticas, na área da energia mas também na área da mobilidade: como o passe-social que trouxemos, acessível para todas as famílias; e como temos vindo a desenvolver as redes de Metro em Lisboa e no Porto; o sistema de mobilidade do Mondego; a ligação entre Olhão, Faro e Loulé, através de transporte público; ou o BRT, em Braga(**); ou o do estudo para o quadrilátero urbano em Braga, Barcelos, Guimarães e Famalicão; porque é assim, como é na ferrovia, que nós podemos transformar efectivamente a redução, alcançar a redução das emissões e combater as alterações climáticas.

(*) Marraquexe, Marrocos, COP22 sobre as alterações climáticas.
(**) “Bus Rapid Transit”: arranca em 2024 e é para estar concluída até final de 2026.


Mais liberdade

"E, sim, nós abraçamos as causas novas mas não nos esquecemos das causas antigas: a maior de todas, a causa da liberdade. Ainda hoje a Assembleia da República aprovou a liberdade na autodeterminação de género, da mesma forma que aumentámos as oportunidades de quem quer ter filhos poder ter filhos porque alargámos a procriação medicamente assistida, porque autorizamos a gestação de substituição e, também, porque reforçamos a dignidade de todos os cidadãos no momento da morte podendo a morte ser medicamente assistida. Sim, hoje, no país, há mais liberdade do que havia anteriormente.


Mais democracia e descentralização

"Nos 50 anos de Abril continuamos a bater-nos por mais democracia e por isso alargamos a lei da paridade dos 33% para os 40%. Acabámos com os truques na feitura das listas e garantindo que não pode haver mais de duas pessoas do mesmo género, sequencialmente, na mesma lista. Temos mais democracia porque avançamos na descentralização como nunca se tinha avançado na descentralização e por acordo com os municípios. O acordo que permitiu passar 22 novas competências e em especial na educação, na saúde e na acção social, garantindo melhores serviços públicos a todas as portuguesas e a todos os portugueses. Avançámos até onde pudemos na regionalização - sabemos que não tivemos parceiro para fazer a regionalização; sabemos que temos um Presidente que não nos deixava fazer a regionalização - mas levamos até onde o pudemos fazer, democratizando a eleição dos presidentes das CCDR’s, dos vice-presidentes das CCDR’s, integrando as diferentes políticas regionais no âmbito das CCDR’s. Sim. Há mais liberdade, há mais democracia no final destes 8 anos.


COVID. Austeridade. Contas certas e o diabo não veio.

"Fomos sempre o partido da Europa e lutámos 8 anos por ter uma melhor Europa. E demos um contributo fundamental para quando chegou a crise do COVID todos compreendessem que não podíamos voltar a responder da mesma forma como não tínhamos respondido perante a crise do Euro em 2008/2011. E demos um contributo muito importante porque conseguimos provar e demonstrar que era possível virar as páginas da austeridade e ter contas certas. E esta mudança foi uma mudança conceptual da maior importância e por isso é preciso compreender o que é que significa ter contas certas. 

Ter contas certas não é só termos eliminado os portes e termos hoje uma dívida menor do que tínhamos anteriormente. Não, as contas certas é porque nós conseguimos simultaneamente eliminar os cortes, descongelar carreiras, reduzir o IRS, aumentar pensões, aumentar prestações sociais, aumentar salários da função pública, aumentar o investimento público e, ao mesmo tempo, nós conseguimos diminuir o défice, diminuir a dívida. Porque nós conseguimos aumentar salários e ao mesmo tempo criar empregos; nós conseguimos aumentar salários e aumentar o investimento das empresas; nós conseguimos aumentar salários e aumentar as exportações; nós conseguimos aumentar salários e melhorar a nossa produtividade; nós conseguimos aumentar salários E O DIABO NÃO VEIO, NÃO VEIO E NÃO VEIO!(***)

(***) labéu da Direita em 2015.


Um segredo/anedota do diabo

"Eu vou agora revelar um segredo, que é: por que é que o diabo não veio? O diabo não veio por uma razão muito simples: é que o diabo é a Direita e porque os portugueses não devolveram o poder à Direita.


Pobreza, exclusão social e desigualdades.

"As desigualdades são a nossa causa de sempre e ao longo destes 8 anos não demos tréguas ao combate às desigualdades. A principal de todas, a mais importante, a que historicamente gerou o movimento socialista - as desigualdades sociais - e vimos aqui (fazendo o gesto de que o vídeo foi passado no Congresso), são menos 660.000 pessoas que se conseguiram libertar da pobreza e da situação de exclusão social. São todos os índices de desigualdades que melhoraram. Mas são também as outras desigualdades, porque com a lei da agenda do trabalho digno nós melhorámos as condições de conciliação entre a vida pessoal, familiar e profissional, aumentando e balizando as licenças de parentalidade, mas também criámos condições para que essa conciliação exista com o programa da creche gratuita que já abrange 85.000 crianças e que há de abranger em Outubro 140.000 crianças se a Direita não vier para desfazer o que está a ser feito.

Nas outras desigualdades. Eliminámos a proibição dos casais do mesmo género poderem adoptar crianças: hoje também podem ter filhos, podem ser livres no amor e podem ser livres na família que querem constituir.

A Assembleia da República ainda esta semana confirmou, contra o veto do Presidente da República, a nova lei das Ordens que dá liberdade de acesso às profissões reguladas aos nossos jovens, fazendo que quem é licenciado em Direito e quer ser advogado que possa ser advogado, mais médicos possam ser médicos em Portugal, e é essa liberdade que aumenta a igualdade de todos ao acesso à profissão. Aumentámos a igualdade relativamente aos deficientes com a criação da protecção social única para os deficientes. Criámos e alargámos a igualdade dos portugueses que residem no estrangeiro com o recenseamento automático, com o consulado virtual, mas ao mesmo tempo também a igualdade dos estrangeiros que vivem em Portugal graças ao acordo de mobilidade no âmbito da CPLP ou à separação definitiva que fizemos entre as funções policiais que cabem às polícias e as funções de integração que cabem à administração pública, e isto cria maior igualdade para todos, dos portugueses que vivem lá e dos estrangeiros que vivem cá.


Segurança Social

"Sim, e continuamos o trabalho que Mário Soares iniciou de construção do nosso Estado Social. E podemos dizer, com orgulho, que quando chegámos ao governo a Direita dizia que a Segurança Social estava falida, pois nós vamos a eleições dizendo: alargamos em 40 anos a sustentabilidade da nossa segurança social.


Abandono escolar precoce

"É. É. Reduzimos para metade o abandono escolar precoce - uma condição fundamental para o desenvolvimento do futuro, porque não há igualdade de oportunidades, não há sucesso no futuro se as crianças não poderem concluir o seu percurso educativo - e quando nós chegámos ao governo era 13,7% a taxa de abandono escolar precoce, a meta que existia era de chegarmos aos 10%, pois nós já vamos nos 6,7% e se continuarmos no governo o abandono escolar precoce vai continuar a reduzir porque continuaremos com boas políticas que se traduzem no abandono escolar precoce.


SNS

"Sim, o Serviço Nacional de Saúde tem muitos problemas. Agora imaginem os problemas que teriam se não tivéssemos aumentado, como aumentámos em 72%, o orçamento no Serviço Nacional de Saúde. 


Política pública de habitação

"Mas o PS é um partido do seu tempo e sabemos que o Estado Social hoje não se faz só com segurança social, não se faz só com Escola Pública, não se faz só com o Serviço Nacional de Saúde. Nós precisamos de política pública de habitação e esse foi um novo pilar do Estado Social que ao longo destes anos nós fomos desenvolvendo. 

Há problemas? Claro que há problemas. Mas é mesmo por isso que nós estamos cá, é por isso que está cá o PS, é que é o PS que vai resolver os problemas.


Prevenção e combate aos incêndios florestais

"Nós vivemos um drama terrível em 2017 com os incêndios mas foi o PS e o governo que mudaram a política, dando uma prioridade clara à prevenção. E graças ao trabalho do João Pedro Matos Fernandes e do Duarte Cordeiro nós hoje fazemos melhor prevenção. E graças ao trabalho do Eduardo Cabrita e do José Luís Carneiro não fazemos melhor combate, temos mais prevenção, temos melhor combate, temos menos incêndios florestais, menos área ardida apesar do risco de incêndio ter sido todos os anos maior do que o anterior.


Qualificação dos jovens, Porta 65-Jovem e IRS Jovem.

"Sim, nós sabemos que os jovens, muitos dos nossos jovens, finalmente conseguiram realizar um sonho que o país tinha há décadas, para não dizer há séculos, de alcançarmos os níveis de qualificações da União Europeia: estamos acima do nível de jovens com 20 anos a frequentar o ensino para cima da média Europeia. Eu sei que muitos destes jovens hoje vivem angustiados e a sentir uma enorme injustiça, pelos salários que ainda são pagos em Portugal não corresponderem aos salários que são pagos nos países mais desenvolvidos da Europa. Nós sabemos isso, mas ao contrário de outros que lhes disseram para emigrar nós lutamos para que fiquem entre nós, para que seja entre nós que construam hoje o futuro.

E foi por isso que na agenda do trabalho digno nós eliminámos o ser jovem como um critério para a possibilidade da contratação a prazo, para combater a precariedade dos jovens trabalhadores. Foi por isso que reforçámos o programa porta 65 lançando o porta 65-Jovem(****) e nas políticas de habitação há um claro apoio à habitação jovem. Foi por isso que criámos o IRS Jovem. Os jovens porventura não sabem porque só agora chegaram ao mercado de trabalho mas se tivessem chegado ao mercado de trabalho quando a Direita governava não havia IRS jovem e pagavam tudo o que tinham a pagar sem o IRS jovem e os descontos introduzidos pelo IRS jovem.

(****) O Porta 65-Jovem é um programa de incentivo ao arrendamento por jovens.


Prémios salariais para jovens licenciados e com mestrado

"E porque sabemos que é preciso sempre fazer mais e melhor, é que o Orçamento de Estado deste ano introduz pela primeira vez o pagamento de um prémio salarial a quem se licenciou ou a quem concluiu o mestrado. Quem concluiu a licenciatura e entra no mercado de trabalho receberá o equivalente a um ano de propina pelo número de anos equivalente ao dos cursos que frequentou. Quem entra no mercado de trabalho com mestrado receberá um ano de propina pelo número de anos que frequentou o mestrado. São 697 euros por ano para quem concluiu a licenciatura; 1500 euros por ano para quem concluiu o mestrado. Sim, nós não desistimos dos nossos jovens e queremos que seja aqui, em Portugal, que eles construam o seu futuro.

É por isso, Camaradas, que eu, com toda a franqueza, tenho de dizer: é possível fazer melhor mas há uma coisa que podem estar certos: só o PS fará melhor que o PS!


Agradecimentos

"Caras e Caros Camaradas! Vão ter um fim de semana longo de trabalho e por isso vou abreviar. E vou abreviar dizendo muito obrigado. Muito, muito, obrigado pela confiança que em mim depositaram há 9 anos para liderar o Partido Socialista. É uma honra enorme ter podido ser secretário-geral do Partido Socialista, dar continuidade a uma história que Mário Soares iniciou e que depois dele  - Vítor Constâncio, Jorge Sampaio, António Guterres, Ferro Rodrigues, José Sócrates, António José Seguro - todos deram continuidade. Foi uma enorme honra ter liderado um partido que é o maior partido autárquico nas freguesias, que é o maior partido autárquico nos municípios, que tem uma grande força sindical, que já foi governo nos Açores e vai voltar brevemente a ser governo nos Açores. 

Quero agradecer-vos todo o apoio que sempre tive do partido: os militantes do partido, os dirigentes do partido, do grupo parlamentar do partido, em todos os momentos muito difíceis que nós vivemos também ao longo destes 8 anos. Sim, governar não são só coisas boas. São também coisas difíceis, coisas duras, sofre-se também, mas sofre-se com alegria quando se faz aquilo em que se acredita que se está a fazer. E o partido sempre me deu apoio. Deu-me apoio quando foi difícil conciliar os nossos parceiros à esquerda com as exigências da Comissão Europeia. Deram-me apoio quando foi difícil evitar as sanções a Portugal, quando foi necessário lutar para sairmos do procedimento por défice excessivo. Deram-me sempre apoio durante os 2 anos da pandemia e onde tivemos sempre de adoptar medidas tão duras, semana a semana, quando olhando para trás às vezes tenho dificuldade em perceber como foi necessário, como foi possível, e como aconteceu. Deram-me apoio em todos os momentos destes 2 anos de inflação muito dura, da invasão da Ucrânia pela Rússia, que provocou em todo o mundo na sequência da pandemia. 

Muito obrigado pelo apoio que me deram em todos os momentos de grande crise política que tivemos que enfrentar, designadamente em 2022, e estou certo que esse apoio que me deram é o apoio que vão dar ao Pedro Nuno Santos, agora em que mais uma vez os portugueses vão ser chamados a resolver a crise política que lhes foi criada.

Estes anos não foram os anos do António Costa. Estes anos foram os anos do PS. Foram os anos de uma grande equipa. 

Quero aqui agradecer, obviamente, a todos aqueles que nos vários governos trabalharam comigo. Quero agradecer muito em particular ao Carlos César, Presidente do nosso partido. Quero agradecer ao Eduardo Ferro Rodrigues e ao Augusto Santos Silva que nos honraram presidindo às Assembleias da República. Quero agradecer aos secretários-gerais adjuntos que comigo trabalharam: Ana Catarina Mendes, José Luís Carneiro, o João Torres, muito obrigado pelo vosso trabalho. Quero agradecer aos líderes parlamentares que comigo trabalharam: o Carlos César, a Ana Catarina Mendes e o Eurico Brilhante Dias. Muito obrigado. 

Quero agradecer com muita saudade, eterna saudade, é um grande amigo, fez um trabalho extraordinário na direção do Partido Socialista: Luís Patrão(*****).

(*****) Faleceu em 2023. (aplausos de pé, do próprio, da mesa e da assembleia.)

E agora quatro agradecimentos particulares, permitam-me. À Ana Catarina Mendes e ao Duarte Cordeiro, que desde as eleições primárias até às últimas eleições foram-se sucedendo e alternando como directores das minhas campanhas. Muito obrigado Ana Catarina, muito obrigado Duarte. Quero agradecer à Maria Manuel Leitão Marques e à Mariana Vieira da Silva: da agenda para a década até ao último programa do governo coordenaram a definição das nossas políticas. Muito obrigado Maria Manuel, muito obrigado Mariana. 

E... - já há 42 anos que venho a congressos e é o 20º Congresso a que venho, portanto não é altura para me emocionar - … e quero agradecer muito profundamente à minha mulher, à Fernanda, que verdadeiramente merecia... (aplausos) bom, verdadeiramente merecia ser militante honorária do PS ou, melhor, militante honorária da JS.

Bom... Caras e Caros Camaradas, juntos ganhámos todas as eleições nacionais que travámos desde constituímos governo. Ganhámos as Autárquicas de 2017 e as Autárquicas de 2021. Ganhámos as eleições europeias de 2019. Ganhámos as eleições legislativas de 2019 e 2022. E foram vitórias do PS, não foram vitórias do António Costa. Foram vitórias de todos os que votaram no PS, de todos os que foram eleitos no PS, foram todas vitórias do PS. 

E é por isso que vos digo: podem-me ter derrubado mas não me derrotaram. Podem ter derrubado o nosso governo mas não derrubaram o Partido Socialista. O Partido Socialista está aqui, o Partido Socialista está aqui forte, o Partido Socialista está aqui vivo, o Partido Socialista está aqui rejuvenescido, com uma nova energia, uma nova liderança. E com o Pedro Nuno Santos nós vamos, estamos prontos, para a luta e preparados para vencer. Sempre, sempre, sempre para servir Portugal. Sempre, sempre, sempre para servir as portuguesas e os portugueses, com o Pedro Nuno Santos! Viva o Partido Socialista! Viva o PS! Viva Portugal!"


(«Costa: "Podem ter-me derrubado, mas não me derrotaram" - como aconteceu» (mais à frente, a partir dos 43:26, o discurso de António Costa) – Observador de 2024/01/05)