Wednesday, December 19, 2018

Monday, December 17, 2018

Luta de moscas

O que seriam as crianças sem as moscas? Enquanto a mãe anda distraída na cozinha apanha-se uma - e há várias que andam a sobrevoar a mesa - e afoga-se a desgraçada na sopa. "Não é nada connosco" e reza-se para que não haja mais sopa na cozinha.

A mosca é daqueles animais de que ninguém ouve falar. Nem o PAN, o Partido dos Animais e da Natureza se preocupa com as moscas. Atirar o pau ao gato é condenável mas quem liga a uma criança que se entretém a fazer churrasco de mosca focando-lhe o Sol no lombo com uma lupa? - Receita - Convém que o animal estrebuche. Morte lenta. Depois é apreciar o aroma que se desenvolve no ar. Uma delícia!

Um golpe de Karaté

A mosca é daqueles animais cujo fim mais provável é cair na "toca" da aranha. Vai distraída, não vê a rede, o muro, e catrapumba! É a Natureza, a puta da vida. - Receita - Apanha-se a mosca e tendo o cuidado de a deixar em estado de atordoamento coloca-se cuidadosamente a ovípara na tal "toca" de modo que ela vibre. "Campainha, cheguei!" - diz a mosca. "Estás aí?" - responde a aranha. É ver então a rapidez com que a agasalha, um primor de estola que lhe põe feita de seda! "Que rica sopinha!" - as aranhas são assim.

Uma coisa é certa: o gosto das aranhas por sopas de mosca é inversamente proporcional ao gosto das crianças por sopas, ainda que levem feijões. E como elas - as moscas, entenda-se - andam sempre a pairar sobre as comidas de uma ou de outra forma têm o fim que merecem.


(1. A propósito: a) «Musca domestica» - Wikipedia e b) «Moscas» - por Por Lília de Lima Andrade, «in» InfoEscola; 2. E porque se fala em Karaté: «Caratê» - Wikipedia; 3. Dicionário: «Catrapumba!»? «Pumba!»: voz que serve para sugerir a queda de um corpo, um acontecimento geralmente desagradável; 3. Nota: composição a partir de imagens disponíveis na Web.)

Confronto de dois nós de lençol

























(1. A propósito: «Teatro de sombras» - Wikipedia e «Imagens de sombras chinesas no Google»; 2. Composição a partir de imagem disponível na Web)

Thursday, December 13, 2018

O fantasma da sotaina

Dizem que os fantasmas são brancos, translúcidos, cor de nuvem, tipo lençol ao alto com ponta amarrada a fazer de pé e no topo dois buracos a fazer de olhos. Esta é a forma que têm de aparecer ao mundo pois na verdade são invisíveis. O gozo maior que têm é pregar partidas aos humanos. A rasteira e o empurrão são das mais preferidas. 

Todos os fantasmas atravessam séculos além de atravessar paredes. São navegadores do tempo. Já eram vistos no Antigo Egipto. Representações em cavernas da Pré-História dão conta da sua existência mesmo entre espécies humanas já extintas, como o Neanderthal. São, por isso, uma espécie de História Universal ambulante. Os fantasmas sempre acompanharam a espécie humana e outras subespécies humanas de modo que há 65 milhões de anos não existiam. Sabemos, portanto, que não foi por culpa deles que os dinossauros se extinguiram.

Como em tudo na vida aqui também há os de mau gosto. Usam a sotaina em vez do lençol, coisa em desuso entre nós. Os fantasmas jovens, tipo Artur, O Fantasma Justiceiro, quando em berço ainda se davam as primeiras cruzadas, escangalham-se a rir quando vêem um vestido à padre e assobiam-lhe. Quando não lhe chamam lençol de viúva, pá de construção civil ao alto cheia de botões, o que calhar. Nisto, os fantasmas, têm um sentido de humor muito britânico. Ou será francês?

Eis, portanto, o nosso fantasma da sotaina:

Dizem que os fantasmas são brancos, translúcidos, cor de nuvem... mas este não é.
























(1. «Artur, o Fantasma Justiceiro» e o «O Falcão [1ª série]» - Bedeteca Portugal; 2. E ainda «Artur e fantasmas» neste «blog».)

Saturday, December 08, 2018

Thursday, December 06, 2018

Oumuamua. A explicação.

Oumuamua, que em havaiano quer dizer "um mensageiro de longe que chega primeiro", foi detectado pela primeira vez a 19 de Outubro de 2017 e suscitou desde logo a curiosidade e a especulação.

Nave alienígena? Plataforma de transporte de detritos que uns tipos algures lançaram para o lixo, cá para o nosso lado? Ou rocha voadora atirada com o propósito de nos espiar? Ou, ainda, uma mensagem extraterrestre para nós descodificarmos?

A NASA diz que é um "objecto interestelar" que atravessou o nosso sistema solar para nunca mais voltar, contrariando a trajectória normal dos cometas.

Mas uma imagem mais pormenorizada prova que todas as explicações dadas estão erradas:

A NASA diz que é um objecto interestelar. Na verdade, trata-se de um cachalote errante no Universo. Como lá foi parar é que não se sabe.

















Na verdade, trata-se pura e simplesmente de um cachalote errante no Universo.

Como lá foi parar é que não se sabe.


(1. As notícias: a) «New Study Shows What Interstellar Visitor ‘Oumuamua Can Teach Us» - NASA, 2018/03/27; b) «E se `Oumuamua, o objeto interestelar em forma de charuto, for um cometa e não um asteroide?» - Observador de 2018/06/28; 2. A propósito: «Cachalote» - Wikipedia; 3. Para os amantes de «alienígenas» -  neste «blog»; 4. Nota: composição a partir de imagens disponíveis na Web.)

Wednesday, December 05, 2018

Diz-se toupeira ou diz-se e-toupeira?

E perguntam vocês: o que é uma toupeira? Ou melhor, o que é uma e-toupeira?

É um mamífero. Rápido a identificar e a consumir a sua presa também é dos mais rápidos a comer. Só para terem uma pequena ideia, uma e-toupeira pode identificar 28 processos do CITIUS num minuto, guardá-los na despensa, e, num abrir e piscar de olhos, devorá-los em 647 partes. De cérebro pequeno é, no entanto, rápido a decidir. O pior que tem é exalar borbulhas nos ecrãs dos computadores.

Diz-se toupeira ou diz-se e-toupeira?



















Possui, como já se viu, uma dieta muito rica. Além de processos - como por exemplo processos a correr na segurança social -, aprecia especialmente e-mails, é de passwords, adora camisolas desportivas, bilhetes para jogos, tudo dentro de um salutar convívio com a direcção e a claque do clube, principalmente aos Domingos. Há toupeira que veste fato e gravata e há toupeira que prefere fato de treino. Quando não anda como Deus a pôs ao mundo.

É um ser voraz.

E não é mentira que é muito, muito, esperta. Muito mais que os humanos!

Sou encarnado 
desde pequenino,
cheira a poema
(mas não é)

Toupeiras dixit:

Toupeira 1: Eu não posso pensar que alguma vez na justiça possa haver flebites.

Toupeira 2: Nunca ouvi falar que nós comêssemos camisolas e tão-pouco passwords, que eu saiba só minhocas. E, já agora, quatro passwords, quero dizer minhocas, não acham pouco?

Toupeira 3: Acima de tudo sou galego.

Utilizadora: A pirâmide foi violada. Alguém está a trabalhar com a minha password e há montes de sarcófagos pelo chão nuns comes-e-bebes que fizeram depois de uma invasão à segurança social.

Toupeira 4: Nunca, nunca, nunca, nunca, nunca comi tal comida. Nem sei de quantas pratadas estou acusado, sinceramente.

Toupeira 2: O Quasimodo tem umas camisolinhas para mim, espero que não sejam como as outras que foram ao forno e ficaram como um caracol.

Toupeira 2: Quando vou ver a bola arranjo sempre uns bilhetinhos naqueles lugares VIP onde estão as toupeiras boazonas. Quem gostar de pernas e peitos de truz venha ter comigo.

Toupeira 5: Posso-lhe dizer que não comi nada disso, a única coisa que comi foi umas lesmas à Bolhão Pato.

Toupeira 3 (para a Toupeira 2): Há uma vaga na toca dos troféus. Quer aproveitá-la para o seu sobrinho que está desempregado?

Toupeira 1: Uma sucessão de acusações todas elas falsas e infundadas. Além disso, não sou bilheteiro das tocas. Assino de cruz. Recebo mail e meto Ok.

Toupeira 3: Camisolas e bilhetes não é tráfico de influência. É simpatia à moda oriental.

Pergunta-se: será que tantos montículos vão parir uma só toupeira? Ou como se diz entre gente: será que a montanha vai parir um rato?


«Post» antecedente: 
«Toupeiras de superfície» 


(1. A notícia: «"e-toupeira". Começa o debate instrutório» - RTP Notícias de 2018/12/03; 2. A propósito: «Talpidae» (Toupeira) - Wikipedia; 3. Dicionário: «‘Dixit’» - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa; 4. Nota: composição a partir de imagens disponíveis na Web.)

Tuesday, December 04, 2018

Sunday, December 02, 2018

Afinal o Monstro dos Perdigotos era informador da PIDE!

Veio agora a descobrir-se, por um cartão que nos chegou, que o Monstro dos Perdigotos era informador da PIDE no "antes do 25 de Abril".

Para os mais novos - que não sabem o que isto é - diga-se que o informador era uma categoria menor dentro da polícia de vigilância do Estado - mas não menos perigoso -, ou seja, um tipo que se senta na mesa ao lado, no café, e se põe de orelha em riste a escutar as conversas dos outros. Logo sai de mansinho e vai à delegação mais próxima delatar a conversa. E é aí que começa o cabo dos trabalhos para o pobre e imprevidente cidadão mais inspirado que, com umas gotas de álcool a mais no sangue, ou verborreia em excesso, zangado com a sogra, irritado com o trabalho, e confiante que há orelhas moucas em volta, falou de mais e pôs em causa a segurança do Estado. E leia-se por segurança do Estado o que é contra Deus, Pátria e Família, simples palavras como vermelho em vez de encarnado ou esquecer de dizer Sua Excelência o Senhor Presidente do Conselho antes de dizer o nome - que não andou na escola connosco -, uma gravíssima falta de educação.



















Vindo a terreiro defender-se, o Monstro dos Perdigotos lá foi dizendo que tal cartão era necessário a fim de ter acesso à documentação de um tal Bicancas - que tem morada no Inferno mas anda a dar voltas pela Terra a divertir-se - e poder efectuar a sua tese de doutoramento: "Como contrapartida, fazia uns trabalhitos para a polícia, mais por pedagogia do que por outra coisa, também por folha de serviço, dizia-se assim e não curriculum, e para não ser incomodado, o que era normal à época. Não era daí que vinha grande mal ao mundo. Aliás, quem é que ia adivinhar que se viesse a dar uma cambalhota, um trambolhão como o do 25 de Abril? E não diz aí que estou integrado no actual regime político? Pois estava e estou." - Empertigou-se.

Mas pondo de lado a semântica, isto cá para nós: É ou não é um cartão todo catita?!


(1. Uma notícia curiosamente não coincidente: «WHATSAPP-CHECK: Cavaco Silva foi informador da PIDE?» (Adianta-se já a resposta: Não. Não foi. Apenas preencheu um formulário para ter acesso a documentação classificada. Só que alguém, maldosamente, colou-lhe a fotografia num "cartão de informador". E isso é crime? É. E tem piada? Tem para alguns. Para outros não.) - Polígrafo de 2018/11/28; 2. Onde começou a "notícia": «Cavaco Silva “informador” da PIDE?!» - 2015/08/27, «in» tempo de recordar; 3. A propósito: «O Monstro dos Perdigotos» - e o «Bicancas» - neste «blog»; 4. E a famigerada «Polícia Internacional e de Defesa do Estado» - Wikipedia; 5. Nota ao Monstro dos Perdigotos: fotografia do autor.)

Monday, November 19, 2018

Sunday, November 18, 2018

Um Neandertal em Nova Iorque

Alguém desconfia?

























É uma mistura de Neandertal com Quasimodo, o Corcunda de Notre Dame...


(1. A notícia: «Violentos, os neandertais? Não mais do que nós» - Público de 2018/11/16; 2. «Neanderthal» neste «blog»3. E porque se fala em «Quasimodo» - Wikipedia; 4. Notas: a) a ideia de um "Neanderthal" em Nova Iorque vem no Público:

"Para lá deste debate sobre as razões da sua extinção, a forma como os neandertais foram tantas vezes retratados nem sempre lhes foi muito lisonjeira. Eram vistos como rudes e violentos. Mas, entretanto, também já foram representados no extremo oposto - dizendo-se que, se usassem um fato, uma gravata e um chapéu, passariam despercebidos no metro de Nova Iorque." - excerto do artigo de Teresa Firmino;

b) o "nosso Neanderthal" é uma composição a partir da imagem existente na notícia do Público, com o corpo do Quasimodo («Quasimodo 1923.jpg»), num dia de neve em Nova Iorque («Neve em Nova York provoca caos no transporte público e trava a cidade» - Folha de S. Paulo de 2018/11/16))