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Tuesday, September 25, 2007

Lengalenga moderna para o menino comer a sopinha toda

Aqui fica a intrusão acidental da local «Laços familiares no Governo russo» (Jornal de Notícias de hoje) no Livro do Génesis, em jeito de lengalenga (moderna, actual) para o menino comer a sopinha toda:

(1.ª colher)

«Este é o livro das gerações de Adão. A nova composição do Governo russo mantém os laços familiares. No dia em que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez.»

- Ah! Ah! Ah!

- Vá meu menino, só mais uma colher!

(3.ª colher)

«Adão viveu cento e trinta anos, Os ministros de Victor Zubkov foram apresentados, ontem, por Vladimir Putin, que não aceitou o pedido de demissão do ministro da Defesa, Serguei Serdiukov, e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, e pôs-lhe o nome de Sete.»

- Ah! Ah! Ah!

- Aí vai aviãozinho!


Legenda: as sopas dos meninos de hoje já não vão com histórias de metralhas! Têm que ter mais condimento...

(4.ª colher)

«E foram os dias de Adão, depois que gerou a Sete, oitocentos anos; e gerou filhos e filhas que considerou não ser correcto continuar num Governo dirigido pelo seu sogro, Victor Zubkov.»

- Ah! Ah! Ah!

- Que lindo menino!

(6.ª colher)

«Sete viveu cento e cinco anos, e gerou a Enos. Os laços familiares também não impediram a nomeação de Tatiana Golikova para o cargo de ministra da Saúde.»

- Ah! Ah! Ah!

- Que riqueza! É só mais esta!

(7.ª colher)

Viveu Sete, depois que gerou a Enos, oitocentos e sete anos; e gerou filhos e filhas. Golikova é casada com o ministro da Indústria e Energia.»

- Ah! Ah! Ah!

(Algumas colheres depois)

- Que lindo menino, comeu a sopinha toda!


(1. A notícia; 2. A propósito: «Bíblia» (Génesis - 5), Tradução de João Ferreira de Almeida, L.C.C. - Publicações Eletrônicas, http://www.culturabrasil.pro.br/ e «Matusalém - Ambiguidade a respeito da datação de Génesis» - Wikipedia; 3. Uma versão antiga: «Lengalenga para o Joãozinho comer a sopinha toda» - neste «blog»)

Monday, October 27, 2025

História muito sucinta de Nabucodonosor Terceiro contada para a galhofa

Nabucodonosor Terceiro Reles de Serra-Nozmoscada de Louza-Peralta é descendente de um tipo que conquistou Casal de Cinza aos Mouros no séc. XIII e vem nos Lusíadas; em miúdo, dava-lhe vontade de rir ver um tipo de armadura de ferro exposto na parede do corredor lado a lado com um tipo de colete e gravata e um outro com casaco pêlo de ovelha e bigode farto. O de gravata era um citadino conservador que quis partir parte de parte do mundo ao meio e o do casaco pêlo de ovelha era um rural socialista engenhocas. Quis um dia que a filha do citadino, Serra-Nozmoscada, casasse com um filho do rural, Louza-Peralta.

(Algures, lá para trás, havia um “ovelha ronhosa” mas esse “foi para França, não se sabendo se aí deixou descendência...”)

Mais três gerações, as citadinas de nariz adunco que se evidenciavam pela boquilha, o andar à “Mae West”, as estolas em pele de raposa e os chapéus, e os broches e regalos, deram lugar às beirães perliquitetes, como a Belle Starr, uma mulher de charme que dá balas mas se usasse burka era um estorvo.

(Na verdade, Nabucodonosor Terceiro era metade de metade de Serra-Nozmoscada e de Louza-Peralta.)

Legenda: Belle Starr, uma mulher de charme que dá balas.


(1. A propósito: a) «Nabucodonosor II» – Wikipedia; b) «Casal de Cinza» (“O Senhor JOÃO BRAGAL, disse ao CREADO do CARPINTEIRO, que fosse à PESSOLTA, passando pela SRª. DA PÓVOA, buscar a GATA e a metesse na TORRE de CASAL DE CINZA”) – «in» As couves do vizinho, de 2013/08/20; c) «A lengalenga de Casal de Cinza» (“O Carpinteiro disse ao Creado de João Bragal que fosse à Pessolta buscar a Gata para a Torre de Casal de Cinza”) – Expresso de 2010/02/04; d) «Mae West» (actriz de cinema) – Wikipedia; e e) «Belle Starr» (“foi uma famosa bandida americana”) – Wikipedia;

2. Dicionário: a) “ovelha ronhosa”: alguém que não é bem aceite num grupo ou numa família (e “ronha”: espécie de sarna que ataca os animais; também velhacaria e falta de vontade para trabalhar ou para agir); b) “estola”: peça de vestuário feminino, geralmente de peles, de forma análoga à da estola dos sacerdotes; c) “broche”: jóia ou adorno com um alfinete para prender como enfeite na roupa ou para prender um xaile ou lenço; d) “regalo”: peça de vestuário com a forma de um rolo, geralmente de peles, aberto nas extremidades, por onde se enfiam as mãos para as proteger do frio; e e) “Perliquitete”: aqui, como aquela que é afectada ou vaidosa;

3. Desenho a caneta, do autor, a partir de uma concorrente de um “reality show”, depois colorido digitalmente.)

Thursday, June 14, 2007

Ainda há dúvidas que Filipe La Féria fica?

Titula o Jornal de Notícias de ontem que o «futuro do Rivoli (está) nas mãos de "Jesus Cristo Superstar"» e logo no começo do texto é dito que «a continuidade de Filipe La Féria no Rivoli dependerá do êxito do espectáculo (...)»



A crer na lengalenga de que Jesus Cristo não deixa nada por mãos alheias (principalmente as que lhe dizem directamente respeito) e se já creditou o evento, então Filipe La Féria pode dormir descansado!...


(1. A notícia de ontem; 2. As notícias de hoje no mesmo jornal: «Primeiro dia do resto da vida do Rivoli» e «Protesto à porta da estreia»; 3. Jesus Christ Superstar - Wikipedia; 4. Filipe La Féria - idem)

Sunday, November 04, 2018

Lengalenga para o Joãozinho comer a sopinha toda, como de outras vezes...

Mão morta
Vai bater àquela porta.
A qual língua?
Mão morta
Vai bater àquela língua.
Como? Se o alemão é
Língua morta?
ah! ah! ah!
Vá, só mais uma...

Mão morta
Vai bater àquela porta.
A qual língua?
Mão morta
Vai bater àquela língua.
Como? Se o polaco é
Língua morta?
ah! ah! ah!
Vá, só mais uma...

Mão morta
Vai bater àquela porta.
A qual língua?
Mão morta
Vai bater àquela língua.
Como? Se o francês é
Língua morta?
ah! ah! ah!
Vá, só mais uma...

Mão morta
Vai bater àquela língua morta.
Como? Se a língua está
Morta?
ah! ah! ah!
Vá, só mais uma...

Mão morta
Vai bater àquela porta morta.
Como? Se a porta está
Morta?
ah! ah! ah!
Aí vai a última...
Que lindo menino,
Comeu a sopinha toda!

Mãe,
Amanhã há mais?
Há mais sopa e
Mais mão morta...
Vamos limpar a boquinha
Seu fuinha?
ah! ah! ah!


(1. A propósito: 

a) «– Era uma vez, quando Nosso Ford era ainda deste mundo, uma rapazinho que se chamava Reuben Rabinovitch. Reuben era filho de pais de língua polaca. – O director interrompeu-se. – Sabem o que é o polaco, calculo.
– Uma língua morta.
– Como o francês e o alemão – acrescentou outro estudante, exibindo zelosamente a sua sabedoria.»

(Huxley, Aldous, “Admirável Mundo Novo”, Colecção Mil Folhas - Público, n.º 47, 2003, p. 37);

b) «Aldous Huxley» e o seu romance «Admirável Mundo Novo» - Wikipedia;

2. Ainda a propósito: a) «Trava-línguas e Lengalengas», «in» Amiguinhos da Escola; e b) «Mão morta, mão morta», «in» Lenga-lengas e trava-línguas);

3. Lengalengas neste «blog»)

Friday, March 27, 2020

Coronavírus - Foi assim no início mas já poucos se lembram

Foi assim no início, antes de ser decretado o estado de emergência, mas já poucos se lembram.

O trapichense motoqueiro Aníbal entrou no café aos esses, pediu e foi servido e nem dois minutos passados espirrou em cima do balcão com força de elefante. Fugiu toda a gente. A desinfecção foi imediata e o motoqueiro corrido do estabelecimento com impropérios de porcalhão para cima.

E enquanto ia e não ia lá foi dizendo que a doença se combatia com máscaras, látex e galochas, que álcool era grupe, menos de 70 ou 80 graus não eram suficientes e que as máscaras da Rússia que antes eram a 40 cêntimos estavam agora a 3 euros e tal, uma exploração. Estava bêbedo que nem um cacho.

Representação possível de um coronavírus














Na rua continuou com a lengalenga. Vocês acham que as máscaras ganham à doença?, e respondia, ganham se não tivermos croquetes na mão (e de facto tinha um), é o que vos digo. O Pitéu e o Gaibéu que até nem eram de provocar riam à descarada.

Foi uma sorte, ninguém adoeceu, de modo que é quase certo dizer que de vizinho ruim nem o vírus quis saber!


(1. «Coronavírus» neste «blog»; 2. Nota: "De vizinho ruim nem o diabo quis saber": provérbio português.)

Wednesday, December 20, 2006

Caixa de 20 amigos

O recém auto intitulado presidente chegou ao pé dos clientes do café com uma folha de várias linhas já numeradas e foi convencendo um a um a entrarem para a caixa dos vinte amigos, explicando todas as vantagens possíveis. Logo ao primeiro:

- Pagas uma jóia de 25 euros, podes pagar em três vezes. Começa a 6 de Janeiro e pagas 5 euros por semana e mais 2 para um número, de 1 a 49, vá, escolhe um número, qual é o teu número?, pronto, já está, é o 26. Depois pode-te sair um bacalhau, um presunto, sem o embruuulho, claaaro!, leva-lo debaixo do braço. Quem não pagar paga multa! (enquanto isto ia pondo nomes)

Um cliente: - Eu sou o tesoureiro, antes do fim do ano fujo com o dinheiro!

Outro: - O presidente é ele? (apontando para o dono do café)

Um outro, mas não interessado: - Claro!, é o que mais rouba! (gargalhada geral)

Outro ainda: - 5 euros por semana vezes 52 semanas são…

O presidente: - depois recebes, depois recebes tudo ao fim do ano…

O mais velho (acabado de inscrever): - Isso dos 20 amigos é para 20 números?

O presidente: - Nããão…, claro que não! (e logo desviando a conversa) - É bonito: às tantas já estás a distribuir o presunto pelos amigos e todos a beber, é uma festa!, já se passou comigo. E as multas? As multas é que dá! Claro que pode haver dois que não paguem, mas esses não têm mais pés nesta casa. No final há um jantar…

Um cliente (interessado): - pode ser um almoço?, têm que me avisar antes, que eu posso estar de serviço…

O presidente: - … e um envelope!

Um cliente querendo ser já o secretário: - e há os levantamentos, tem que levantar! Se não levantar tem multa, os levantamentos é que dá!

Um que estava escondido a um canto escrevinhando num livro (guindando-se já ao lugar de tesoureiro): - a contabilidade é toda explicada, juros, pagamentos, levantamentos…

O presidente: - E há os forasteiros, que também jogam para os números, mas o jantar, esse, é para os 20 amigos. É uma forma de juntar dinheiro. Não haja dúvidas!, é bonito!, é bonito!

E, assim, com esta lengalenga toda num curto espaço de tempo já estava meia folha de sócios preenchida!

Monday, September 21, 2026

Uma cerca dura 3 anos, um cachorro dura 3 cercas...

Encontrámos uma lengalenga curiosa (um provérbio alemão antigo?) e decidimos continuá-la com um burro, um corvo e uma fénix (sendo possíveis outras variantes). Deu nisto:


(1. E perguntam vocês: que ave é essa chamada de «Fénix»? (“Hesíodo, poeta grego do século VIII a.C., afirmou que a fénix viveria nove vezes o tempo de existência do corvo, que tem uma longa vida. Outros cálculos mencionaram até 97 200 anos.”) – Wikipedia;

2. Para quem não gostar de fazer contas: 3, 9, 27, 81, 243, 729 e 2187;

3. Nota: composição com Nano Banana (Gemini).)

Friday, January 02, 2009

2009

Todos os anos é sempre a mesma lengalenga.

Às primeiras badaladas doze uvas-passas, uma por cada desejo. Alternativas: saltar para o tampo de uma cadeira, bater tachos e panelas, deitar fora coisas velhas, ir à praia e dar três mergulhos... E nisto há os optimistas e os seus arqui-inimigos, os pessimistas.

Ora isto é já velho como a sé de Braga!

Nada melhor então que dizer assim: este ano não vai ser nem pior nem melhor, vai, sim, ser «um ano muito eleitoral».


(«Um ano muito eleitoral», «in» Diário de Notícias de hoje.)

Saturday, August 19, 2023

A número 1

Tio Patinhas (Glasgow (Escócia), 1867 - ainda vivo)*. Tudo começou quando ganhou a sua "moeda número um" e a partir daí passou a ser o pato mais rico do mundo. Avarento, gosta de nadar em dinheiro e guarda a moedinha da sorte num cofre-forte.

A verdade é que o pato tem de estar sempre de olho no seu arqui-rival: o magnata e gastador Patacôncio**, que com ele compete, mas também briguento, sabotador e contratador de meliantes, e nos seus arqui-inimigos: uns mascarados gordos, desajeitados e mal-cheirosos*** e uma "trularuca" toutinegra vesuviana que se dedica às artes da magia**** (entre outros pés-rapados), gente de mau feitio, do piorio, habituada às grades ou a caldos de morcego e pozinhos de perlimpimpim, capaz de tudo, incluindo a trambiquice, de se atirar ao chão por causa de uma casca de caracol pensando ser a sua número um, só para a roubar. 

Vem isto a propósito da aqui "número 1 corvomanias red wine", a garrafa da sorte, a de muitas e muitas mais. Quantos são!? Quantos são!?





(1. No texto: a) *«Tio Patinhas» - Wikipedia; **b) «Patacôncio» - Idem; ***c) «Irmãos Metralha» - Idem; ****e d) «Maga Patalójika» - Idem; 2. A propósito: «Red Wine» - Idem; 3. Dicionário: «Trularuca» (meio do 2.º parágrafo): no texto, com o sentido divertido de "maluca"; não tendo sido encontrada a palavra nos dicionários, e, portanto, sendo aqui inventada, sugere-se a aglutinação(?) de "maluca" com "trula birula" (esta, sim, encontrada como lengalenga para entreter bebés.); 4. Garrafa com desenho a caneta de tinta Nankin e aplicação de filtro.)

Saturday, September 30, 2006

Lengalenga para o Joãozinho comer a sopinha toda

Sou um bicho da seda
Uma lagarta da couve
Uma lagarta, não!
Um lagarto

(olha que rica sopinha!)

Sou a sopa do menino
A sopa, não!
O sapo

(voa, voa, colher-aviãozinho pr'á boca do meu menino...)

Sou a amora das silvas
As silvas do amor

(vá, só mais esta papinha...)

... ... ...

Sou a leoa
A leoa, não!
O leão

(que lindo menino, comeu a sopinha toda!)


(1975)

Friday, October 30, 2015

Os duelos sem fim de Dom Rodolfo e do alfaiate Meireles

I – Quando dom Rodolfo se travou de razões com o alfaiate Meireles

Acontece…
Dom Rodolfo travou-se de razões
Com o alfaiate Meireles
Era contenda de famílias
Vinha de pais e avós…

O senhor mantém o que disse?
Respondeu-lhe o Meireles:
Não retiro uma vírgula,
Venha daí seu Calígula
E escolha as armas
Eu digo-lhe quem é o reles!

Pode ser pistolas
Seu artolas?
Pode ser o que quiser
Dar-lhe um tiro, seu balofo
É um prazer dom Rodolfo.

No dia seguinte
No pontão do Farol
Ao fim da tarde
Pela missa das sete
Compareceram as testemunhas:
O homem da taverna por dom Rodolfo
O conde de Abranches pelo alfaiate Meireles
Mais a aldeia
O juiz
O padre – para os sacramentos
O coveiro – para o funeral
E a Maria Machadinha, afilhada do alfaiate Meireles,
Para a cena dos gritos e do chilique.
O alfaiate Meireles ficou do lado do farol
Próximo do penhasco
Dom Rodolfo,
Do lado das casas
Perto do tasco.
Deram-se os passos
O juiz ordenou
O povo estava em pulgas
E nem se coçava
Dois estalidos se ouviram
E o Meireles cai ao chão
Esticado como um cão!

Mas eis que – Milagre! –
O alfaiate Meireles se levanta
Sacode o pó e canta:
O botão em prata
Da casaca do alfaiate
Salvou o alfaiate,
O quanto vale ser alfaiate!

E a aldeia cantarolava:
Sobrou uma missa
Sobrou uma cova
Foi o botão em prata
Da casaca do alfaiate
Que salvou o alfaiate
O quanto vale ser alfaiate!

II – Quando o alfaiate Meireles se travou de razões com dom Rodolfo

Acontece…
Desta vez foi o alfaiate Meireles que se travou de razões
Com dom Rodolfo
Era contenda de famílias
Vinha de pais e avós…

O senhor mantém o que disse?
Respondeu-lhe dom Rodolfo:
Não retiro uma vírgula,
Venha daí seu Calígula
E escolha as armas
Eu digo-lhe quem é o balofo!

Pode ser pistolas
Seu artolas?
Pode ser o que quiser
Dar-lhe um tiro, seu reles
É um prazer alfaiate Meireles.

No dia seguinte
No pontão do Farol
Ao fim da tarde
Pela missa das sete
Compareceram as testemunhas:
O conde de Abranches pelo alfaiate Meireles
O homem da taverna por dom Rodolfo
Mais a aldeia
O juiz
O padre – para os sacramentos
O coveiro – para o funeral
E a Maria Machadinha, afilhada do alfaiate Meireles,
Para a cena dos gritos e do chilique.
Dom Rodolfo ficou do lado do farol
Próximo do penhasco
O alfaiate Meireles,
Do lado das casas
Perto do tasco.
Deram-se os passos
O juiz ordenou
O povo estava em pulgas
E nem se coçava
Dois estalidos se ouviram
E dom Rodolfo cai ao chão
Esticado como um cão!

Mas eis que – Milagre! –
Dom Rodolfo se levanta
Sacode o pó e canta:
O brasão em prata
Da casaca do fidalgo
Salvou dom Rodolfo,
O quanto vale ser brasonado!

E a aldeia cantarolava:
Sobrou uma missa
Sobrou uma cova
Foi o brasão em prata
Da casaca do fidalgo
Que salvou dom Rodolfo
O quanto vale ser brasonado!

III – Quando o filho de dom Rodolfo se travou de razões com o filho do alfaiate Meireles

Acontece…
Desta vez foi o filho de dom Rodolfo que se travou de razões
Com o filho do alfaiate Meireles
Meteram-se os pais
Era contenda de famílias
Vinha de pais e avós…

Como metia menores
A coisa resolveu-se com os pais
O seu filho mantém o que disse?
Respondeu-lhe o Meireles:
Diz que não retira uma vírgula,
Venha daí seu Calígula
E escolha as armas
Eu digo-lhe quem tem um filho reles!

Pode ser pistolas
Seu artolas?
Pode ser o que quiser
Dar-lhe um tiro, pelo meu filho, seu balofo
É um prazer dom Rodolfo.

No dia seguinte
No pontão do Farol
Ao fim da tarde
Pela missa das sete
Compareceram as testemunhas:
O homem da taverna por dom Rodolfo
O conde de Abranches pelo alfaiate Meireles
Mais a aldeia
O juiz
O padre – para os sacramentos
O coveiro – para o funeral
Os filhos de dom Rodolfo e do alfaiate Meireles
E a Maria Machadinha, afilhada do alfaiate Meireles,
Para a cena dos gritos e do chilique.
O alfaiate Meireles ficou do lado do farol
Próximo do penhasco
Dom Rodolfo,
Do lado das casas
Perto do tasco.
Deram-se os passos
O juiz ordenou
O povo estava em pulgas
E nem se coçava
Dois estalidos se ouviram
E o Meireles cai ao chão
Esticado como um cão!

Mas eis que – Milagre!–
O alfaiate Meireles se levanta
Sacode o pó e canta:
O botão em prata
Da casaca do alfaiate
Salvou a honra do filho do alfaiate,
O quanto vale ser alfaiate!

E a aldeia cantarolava:
Sobrou uma missa
Sobrou uma cova
Foi o botão em prata
Da casaca do alfaiate
Que salvou a honra do filho do alfaiate,
O quanto vale ser alfaiate!

IV – Quando o filho do alfaiate Meireles se travou de razões com o filho de dom Rodolfo

Acontece…
Desta vez foi o filho do alfaiate Meireles que se travou de razões
Com o filho de dom Rodolfo
Meteram-se os pais
Era contenda de famílias
Vinha de pais e avós…

Como metia menores
A coisa resolveu-se com os pais
O seu filho mantém o que disse?
Respondeu-lhe dom Rodolfo:
Diz que não retira uma vírgula,
Venha daí seu Calígula
E escolha as armas
Eu digo-lhe quem tem um filho balofo!

Pode ser pistolas
Seu artolas?
Pode ser o que quiser
Dar-lhe um tiro, pelo meu filho, seu reles
É um prazer alfaiate Meireles.

No dia seguinte
No pontão do Farol
Ao fim da tarde
Pela missa das sete
Compareceram as testemunhas:
O conde de Abranches pelo alfaiate Meireles
O homem da taverna por dom Rodolfo
Mais a aldeia
O juiz
O padre – para os sacramentos
O coveiro – para o funeral
Os filhos do alfaiate Meireles e de dom Rodolfo
E a Maria Machadinha, afilhada do alfaiate Meireles,
Para a cena dos gritos e do chilique.
Dom Rodolfo ficou do lado do farol
Próximo do penhasco
O alfaiate Meireles,
Do lado das casas
Perto do tasco.
Deram-se os passos
O juiz ordenou
O povo estava em pulgas
E nem se coçava
Dois estalidos se ouviram
E dom Rodolfo cai ao chão
Esticado como um cão!

Mas eis que – Milagre! –
Dom Rodolfo se levanta
Sacode o pó e canta:
O brasão em prata
Da casaca do fidalgo
Salvou a honra do filho de dom Rodolfo,
O quanto vale ser brasonado!

E a aldeia cantarolava:
Sobrou uma missa
Sobrou uma cova
Foi o brasão em prata
Da casaca do fidalgo
Que salvou a honra do filho de dom Rodolfo
O quanto vale ser brasonado!

V – Quando o pai de dom Rodolfo se travou de razões com o pai do alfaiate Meireles

Acontece…
Desta vez foi o pai de dom Rodolfo que se travou de razões
Com o pai do alfaiate Meireles
Meteram-se os filhos
Era contenda de famílias
Vinha de pais e avós…

Como metia idosos
A coisa resolveu-se com os filhos
O seu pai mantém o que disse?
Respondeu-lhe o Meireles:
Diz que não retira uma vírgula,
Venha daí seu Calígula
E escolha as armas
Eu digo-lhe quem tem um pai reles!

(…)

(é uma lengalenga que, com as devidas adaptações, pode meter a criada (“como metia criadagem / a coisa resolveu-se com os patrões”), o vizinho, etc.. Ao gosto e imaginação de cada um…)

Só mais esta:

VI – Quando o cão de dom Rodolfo mordeu o cão do alfaiate Meireles

Acontece…
Desta vez foi o cão de dom Rodolfo que mordeu
O cão do alfaiate Meireles
Meteram-se os donos
Era contenda de famílias
Vinha de pais e avós…

Como metia canídeos
A coisa resolveu-se com os donos
O senhor não sabe dar educação ao seu cão?
Respondeu-lhe o Meireles:
Já falei com ele, diz que sim,
Venha daí seu Calígula
E escolha as armas
Eu digo-lhe quem tem um cão reles!

(…)


(1. «Duelo» - Wikipedia; 2. Dicionário: a) duelo: combate singular entre duas pessoas, precedido de desafio ou repto, escolha de testemunhas e indicação de local e armas; contenda entre dois indivíduos ou dois Estados desavindos; luta com armas iguais; b) sacramento: a confissão, a comunhão e a extrema-unção, que os católicos recebem, quando em perigo de morte; c) extrema-unção: um dos sete sacramentos, que se confere a um doente em perigo de vida; d) afilhado: o que é apadrinhado no baptismo, no registo de nascimento, no casamento ou em acto de doutoramento; protegido; favorecido; não sendo aqui o caso, é também a testemunha de um duelo; e) chilique ou chelique: este, termo popular, significando delíquio, desmaio nervoso, desfalecimento, perda dos sentidos.)