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Saturday, February 28, 2026

Fievel – Um Conto Português. Fievel Mousekewitz

Fievel é um ratinho russo que vive na Ucrânia. Após um ataque de gatos, Fievel e os donos decidem emigrar para Portugal (não só pelos gatos mas também pelo Zelensky e pelo Putin), acreditando que neste país não há gatos e que os ratos estão no topo da pirâmide.

Desviam um avião que era para os assuntos particulares do Zelensky – azar o dele! – e lá vão eles todos contentes sem saberem que em Portugal morava um terrível primeiro-ministro de extrema-direita que odiava ratos.

Chegado a Portugal, julgando-se salvo e livre viu que a realidade era bem diferente. Mas como era muito esperto decidiu filiar-se no partido do governo, depois perseguir os ratos seus parentes, e por aí adiante até chegar aos ratos que se disfarçavam de gatos. E quanto aos gatos propriamente ditos não se preocupou muito pois estavam todos domesticados. Comprou terrenos, dívidas, salvou alguns que andavam com a corda na garganta, tornando-os mais pobres, e começou a fazer vida de multimilionário, sempre apregoando o neoliberalismo. Recebeu, inclusive, uma medalha de mérito que reza assim: “quase um ronaldo!” e foi-lhe conferido estatuto humano.

Agora é um rato – melhor, uma ratazana – que veste roupas de marca, usa relógios e adereços em ouro, fuma charutos cubanos e só lê livros sobre investimentos.

Sempre que pode (e é quase sempre), passa o tempo deitado numa espreguiçadeira que diz bem de si: “vida esplêndida”.

Ei-lo:



(1. A propósito: «Fievel – Um Conto Americano» – Wikipedia; 2. Composição com Nano Banana (Gemini).)

Tuesday, December 27, 2011

Em enterro de cão, gato não chora

Do conto “Lulu” em “A República dos Corvos”, de José Cardoso Pires:

«Durante algum tempo pensei que aquele ódio ao meu amigo viesse da simpatia que ele tinha pelos gatos. Ou que devia ter, não sei. Nunca falámos sobre o assunto mas nada mais natural que um tradutor de T. S. Eliot gostasse de gatos, uma vez que tratava com eles por escrito e a vários nomes, gato Augustus, gato Alonzo, gato Roly-Poly, e se gostava era coisa que não poderia passar despercebida a um lobo d’alsácia tão ortodoxo como o Duque. Em enterro de cão, gato não chora – princípios destes nunca esquecem, não é assim? E tratando-se de gatos famosos na lenda e famosos na rima, pior ainda.»

Antigamente, cão e gato que se dessem eram uma aberração. Hoje é vê-los no You Tube, para gáudio de crianças, adultos e mais velhos, de pata dada, rechonchudos, peludos, numa resignação como só há muito, muito tempo, se viu na história da arca de Noé que juntou um animal de cada espécie lado a lado. Neste céu dos nossos pensamentos ainda lá estão o cordeiro e o lobo, a impala e o leão coexistindo pacificamente, amigo com inimigo!

Onde está o pêlo eriçado, o bigode no ar, o gatázeo espetado? O arrelia-cães, aquela coisa fina e nobre que manda às urtigas o dono que não lhe dê aparas e leite?

Onde está o pêlo-de-cão a cheirar a queijo que tresanda, o dente arreganhado? O mata-gatos, velho sabujo sevandija?

Pacificaram-se. Perderam-se.

Assim, ainda vamos ver em enterro de cão gato a chorar!


(José Cardoso Pires neste «blog»)

Wednesday, February 19, 2014

Alegrem-se gatos!

Borrifem vossos fluidos nos cães!



Miem de noite, durmam de dia!



Sonhem... Namorem...



pró São João há ninhadas!




(1. Segundo a Wikipedia «o Duetto buffo di due gatti (tradução literal: Dueto humorístico dos dois gatos, em português chamado apenas Dueto dos Gatos), é uma peça popular para dois sopranos (...)», e, «embora esta peça seja geralmente atribuída a Gioachino Rossini, ela não foi, de fato, escrita por ele; é uma compilação escrita em 1825, com passagens retiradas principalmente de sua ópera Otello, de 1816. O autor da compilação foi, provavelmente, o compositor inglês Robert Lucas Pearsall, que usou nesta ocasião o pseudônimo de “G. Berthold”.» Seja como for, o humor é uma marca na obra de Rossini: a este respeito, um interessante artigo do jornal Público de 2014/02/05, da jornalista Cristina Fernandes («Uma ópera de Rossini borbulhante como champanhe») apresenta, em destaque, a seguinte citação de Emilio Sagi (encenador), bem reveladora: «As óperas de Rossini, sobretudo as cómicas, possuem uma espécie de ‘loucura organizada’, que é muito contemporânea. Encontramos vários paralelos com o teatro do absurdo.»; 2. A propósito: «Anexo: Óperas de Gioachino Rossini»«Ópera-bufa» - Wikipedia; 3. Gatos neste «blog»)

Wednesday, March 28, 2018

Lei n.° 15/2018, de 27 de Março. Cão Sabidão! Lá para Junho vamos jantar fora?

A lei ao pormenor:

A presente lei possibilita a permanência de animais de companhia em estabelecimentos comerciais ou não. 

Art.° 1.° 
Entende-se por animal de companhia aquele que faz companhia. 

Art.° 2.° 
Entende-se por cão de assistência o cão que presta assistência e treinado para esse fim. 

Art.° 3.° 
É possível a permanência de animais de companhia em espaços fechados de comércio, serviços e restauração nas seguintes circunstâncias: 

1. Quando exista dístico que expressamente autorize a presença de animais de companhia. O dístico, de carácter genérico, pode ter o logótipo de um crocodilo ou outro animal qualquer. 

2. A presença de animais de companhia não pode ultrapassar a relação de um animal para quatro pessoas. 

3. Os animais de companhia não podem ter uma envergadura maior que a de um pónei, sendo que, neste caso, a relação admitida é a de um animal para oito pessoas. 

4. Esgotada a lotação deve ser afixado o respectivo letreiro com os seguintes dizeres: "Este estabelecimento está cheio de animais". 

5. Os animais de companhia podem permanecer em área própria denominada creche, devidamente assinalada e adequada a cada espécie. 

6. Além da creche, os estabelecimentos poderão ter espaços adequados para o convívio dos animais de companhia ou outros espaços onde possam alimentar-se, desde que devidamente assinalados.

7. Os estabelecimentos estão obrigados a ter instalações sanitárias para os animais de companhia, devidamente assinaladas.

8. Fora destas situações os animais de companhia deverão estar junto ao dono, amarrados à perna da cadeira ou à perna da mesa, sempre do lado da parede.

9. No caso de saguis, salamandras, iguanas ou animais de poleiro estes podem ser trazidos ao ombro ou em cima da cabeça. 

10. Peixes e víboras e outras espécies podem ser transportados em aquários, caixas ou sacos, sendo colocados em assento próprio para o efeito. 

11. No caso dos aquários estes não podem ultrapassar o tamanho de um cacifo para gatos. 

12. É expressamente proibido ter animais de companhia ao colo nos restaurantes pois é uma circunstância que leva os animais a abocanhar a toalha ou a lamber o prato do vizinho. 

13. Juntando-se duas mesas de quatro não poderão ai permanecer dois animais da mesma espécie, dada a tendência que têm para a fornicação, nem dois de espécies diferentes e reconhecidamente beligerantes, como sejam cobras e hamsters, cães e gatos, pássaros e minhocas, etc.. 

14. Os animais de companhia não poderão permanecer, ainda que juntos ao dono, ao lado de áreas de passagem, zonas de serviço ou locais onde estão expostos alimentos.

15. Os animais de companhia não podem participar do repasto dos donos ou seus acompanhantes e muito menos fruir das sobras.

16. Os funcionários dos estabelecimentos caso queiram fazer carícias aos animais de companhia deverão fazê-lo com luvas.

17. No caso de comprovadas rinites, sinusites ou outras alergias dos clientes ou do funcionário o dono do animal de companhia terá que se afastar com o seu animal para local adequado e, não sendo possível fazê-lo, será convidado a sair com o animal do estabelecimento. 

18. Não são permitidos animais que tresandem a queijo ou que estejam, ainda que esporadicamente, a sacudir o pêlo ou a coçar-se. Constituem excepção os gatos quando se lambem, pois esta é uma atitude higiénica, mas já o ferrar a pulga no intervalo da lambidela não é permitido. 

19. Tratando-se de animais de companhia como camaleões estes não podem caçar moscas ou mosquitos no estabelecimento. 

20. Tratando-se de osgas e aranhas estas não poderão ser colocadas em mesas ou paredes.

21. Os animais de companhia devem ter documento que ateste não serem portadores de doença, a ser apresentado caso seja solicitado. 

22. Fora da creche, dos locais de convívio e alimentação próprios ou das instalações sanitárias não são permitidas as falas dos animais e estes devem permanecer sossegados. 

23. Os animais de companhia que usem rodinhas ou tenham outras fragilidades físicas, que se encontrem prenhes, e ainda os imberbes, têm atendimento prioritário juntamente com os donos, devendo os restantes clientes ceder-lhes a vez. 

Art.° 4.° 
É criado o provedor do animal. 

Art.° 5.° 
A presente lei entra em vigor 90 dias após a sua publicação.


(1. E a lei tal como vem no Diário da República; 2. A "posteriori": "Já abriu o restaurante vegetariano que é o primeiro cat café do Porto. Miau!" - ("O Porto dos Gatos fica na Avenida Rodrigues de Freitas e apresenta uma carta diversificada e 100% vegan. Pode escolher enquanto convive com felinos como o Fausto e a Cuca.") - Público (Fugas) de 2018/03/29; 3. "Autárquicas: PAN Faro quer promover proteção animal com figura do provedor" - Diário de Notícias de 2017/09/28)

Tuesday, July 24, 2007

Galinhas Velociraptor mongoliensis, melros Tyrannosaurus rex, políticos Broncosaurus

Longe vai o tempo do Pimpinela Escarlate, gato preto de gravata branca e fino que nem um coral! Ou do tigre da Malveira, tigre autêntico, a que ninguém punha a mão no pêlo. Dormiam ao relento, sem pulgas a atormentá-los, peixe amassado com batata cozida com um fio de azeite e tarraçadas de leite era tudo quanto bastava! E o pêlo luzia. Além disso ginástica por entre muros era coisa que não lhes faltava!

Agora não. Agora já não é assim. Acabaram-se os quintais, as crianças sofrem de alergias e os velhos animais, vulgares, já não nos bastam.



Agora o que está a dar são os animais exóticos (pelo menos é o que diz o Diário de Notícias de hoje sob o título «Os exóticos são os novos animais de companhia»). Coisas assim como gatos cósmicos (e pior ainda são os gatos interactivos), parentes de salamandras e dinossauros… Dinossauros?! Sim. Vêm aí as réplicas dos lagartos, em tamanho reduzido: galinhas Velociraptor mongoliensis, melros Tyrannosaurus rex, políticos Broncosaurus (Ah!?)…

Bem. Até virem e não virem fiquemos com as feitiçarias do Harry Potter (se é que já têm o livro)!

P.S.: Sem sabermos, por via de muita falta de higiene que anda por aí, nem imaginámos quantos animais exóticos coleccionámos em nossas casas, por baixo dos tapetes, no azulejo descascado junto à sanita, ao pé do cesto dos restos da comida na cozinha, no pêlo da barba envolto em creme de barbear e grudado no espelho da casa de banho…


(1. A notícia e notícia relacionada no mesmo jornal: «Fiscalização em Portugal é insuficiente»; 2. Dinossauro e algumas espécies como o Velociraptor mongoliensis e o Tyrannosaurus rex (Broncosaurus será qualquer coisa como «lagarto bronco») - Wikipedia; 3. «Gatos cósmicos» e «Animais interactivos à venda para este Natal» (2006) - neste «blog»; 4. A propósito: «As confusões de Harry Potter (lançamento mundial envolto em polémicas)» - Jornal Expresso de 2007/07/23 e «Último volume de Harry Potter vendeu onze milhões em 24 horas» - Jornal Público da mesma data; 5. E ainda a propósito: O Pimpinela Escarlate - o filme «in» Warner Bros. Estúdios)

Saturday, April 07, 2012

Um gato chamado Gaspar mas que não é Vítor... (II)

Conselho de Gatos

COMUNICADO

1. O Conselho de Gatos, reunido hoje, dia 7, tomou conhecimento das infelizes declarações do senhor Honório Novo no passado dia 4 relativamente a um nosso associado - gato Gaspar - em que visava, simultaneamente, um seu homónimo (humano, de primeiro nome Vítor).

2. Infelizes, porque o senhor Honório Novo não faz outra coisa senão passar a vida a falar de economia e finanças com o nosso associado.

3. Percebe-se, agora, o alcançe e a motivação do nome dado ao nosso associado.

4. Este Conselho e o gato Gaspar não se revêem em trocadilhos de mau gosto envolvendo o nome de um associado.

5. É decisão firme do gato Gaspar mandar às malgas o enlatado que lhe é fornecido diariamente pelo senhor Honório Novo e passar à sua condição normal de gato de quintal, ou seja, vadio.

6. Por último, aconselha todos os seus associados a não aceitar dono cara-de-pau com piadas à maneira de Brejnev.

Conselho de Gatos, em 2012/04/07
(com a presença do gato Gaspar)


Antecedentes: «Um gato chamado Gaspar mas que não é Vítor...» (neste «blog» em 2012/04/04)


(Já agora: «Leonid Brejnev» - Wikipedia)

Wednesday, October 24, 2007

Tudo por causa de um gato! E lá foi o gato!

«Mulher ferida a tiro por causa de um gato», titula o Jornal de Notícias de hoje – O gato estava encurralado mas o dono ao ver que os vizinhos que se prestaram a salvá-lo o metiam num saco pensou para com os seus botões – e bem, pois nunca se sabe! – que iam fazer dele almoçarada de coelho à caçador e sem mais toca a armar-se e enquanto o diabo esfrega um olho aí vai chumbo!

O gato, esse, mal se viu de caminho livre pela frente disparou como seta para não mais ser visto. É que, para gato que é gato, tratou-se de uma injúria às artes de bem trepar, coisa que não pode acontecer a gato nascido pelo São João (os melhores) e muito menos a quem é primo afastado do Gato das Botas, senhor de linhagem.


Legenda: o nosso gato, percorrendo a noite sozinho, bem para longe de casa, com olhos raiados de choro, que é o mesmo que dizer indignação e vergonha!

E ainda ter que aguentar o gozo da passarada (que lá do alto, tal como Deus, tudo vê), os risinhos dos ratos de bueiro e os miados irónicos dos gatos maltrapilhos das redondezas que desancava como gente grande? Não! Isso nunca! Antes ser um eterno errante.


(1. A notícia (que não diz tudo); 2. O primo afastado: «Gato de Botas» «in» «sotaodaines.chrome.pt»; 3. Outro primo (neste «blog») sob o título «Gatos cósmicos»)

Thursday, March 04, 2021

Gato em cima de forno a lenha

Gato que é gato está sempre à cuca, até a dormir. Dia é para esticar o corpo ou enrolá-lo e vale qualquer caixa, qualquer ponto alto, o buraco menos suspeito. Já a noite, para os que podem sair, é para explorar a cidade e cansar o corpo. 

Este aqui, depois do longo passeio nocturno e da malga de leite da manhã, mais um carapau frito sem espinha, tudo bem aconchegado no papo, escolheu um velho forno a lenha para uma soneca.

E ei-lo que acorda e, se calhar, já esta a sonhar com mais aventuras e outro carapau!


(Sabiam que além dos "sem raça definida" existem pelo menos 47 raças de gatos domésticos? Vejam aqui a «Lista de raças de gatos domésticos» - Wikipedia)

Thursday, January 08, 2009

«Aquilo não eram cães, eram lobos!»

«Relatório de Ocorrências

Exmos. Senhores,

Venho por este meio comunicar a V. Exa. que, mais uma vez(,) o recinto da Jeropiga Bota Abaixo (casa de pasto com horta e aviário) foi invadido por dois cães, que voltaram a atacar os Gansos, causando a morte a mais um. Neste momento existem somente quatro Gansos.

Gostaria de realçar que no passado estas situações eram raras ou quase inexistente(s), sendo agora mais frequentes desde que existem dois cães a viver dentro da Jeropiga Bota Abaixo, bem como o aumento de Gates(Gatos).

Sem outro assunto de momento.

O Vigilante: Fuinhas»

O dono dos cães (e dos gatos, gates como escreve o vigilante) disse:
«Aquilo não eram cães, eram lobos!»


(A propósito: «Jeropiga ou geropiga? Responde Camilo» «in» Assim Mesmo)

Friday, October 28, 2022

O tempo está bravo!



O tempo está bravo e pela chuva que passa na vidraça produzem-se imagens fantasmagóricas. Nestes dias bem se pode dizer que tem chovido a cântaros! Ou a potes! Não é chuva contínua mas quando cai é aos baldes e traz estragos valentes. A boa notícia é que, por aqui, ainda não está a chover gatos e cães porque isso é lá com os ingleses!

Alguns, que julgam que a estrada é deles, transformam-se em diabólicos condutores: à aproximação de uma poça (e há muitas), ou de uma sarjeta a abarrotar de folhas e lama, aceleram só pelo puro prazer de ver o peão envolto numa massa informe, pintado e encharcadinho até aos ossos. “Problema dele, que se afastasse, não fosse pela berma, que respeitasse o Nissan.” Não se livra de um “que grandessíssimo filho da puta!” mas já vai longe, quentinho e de vidros fechados.

Ora isto é só um exemplo do quanto mal a chuva faz.


(1. A expressão inglesa “It’s raining cats and dogs!” (literalmente: “está a chover gatos e cães”) é o equivalente para a nossa expressão “chove a potes!” ou “chove a cântaros!” (chove muito!); 2. Em cima, "Chove a cântaros!": desenho e colagem a partir de desenhos anteriores do autor: rato, caneta e filtros.)

Tuesday, July 10, 2007

O Sheriff Dom Fox Terrier!

«Polícia deita mão ao mata-gatos» titula o Jornal da Madeira de hoje – Desta vez a polícia fez-se acompanhar de um Fox Terrier que espetou uma valente dentada no matador!



Os gatos (desde o Abissínio ao Toyger, passando pelos sem raça definida (SRD)) regozijaram-se pela notícia!


(1. A notícia; 2. Cão e Fox Terrier - Wikipedia; 3. Outra vez o Fox Terrier «in» The Dog's Times - Fox Terrier - Fevereiro-2001; 4. Gato doméstico - idem; 5 - A propósito: Al Capone - Wikipedia)

Friday, January 23, 2009

Uma das razões que levam os gatos a fugir de alguns cães…

… é precisamente por estes tresandarem a queijo.

Certo dia deram-lhe um rottweiler, ou parecença disso, e logo tratou de se esmerar nos cuidados a dar ao animal. Diga-se de passagem que era um roedor maldito de sapatos. Um dia foi de malas aviadas – posto num táxi – e ala para uma quinta, donde não se soube mais notícias dele. Garantiu-lhe uma casa, ao menos, e, assim, não lhe ficou a pesar nada na consciência.

Desse tempo elaborou um manual que rezava assim:

«1.º mês:

a) Se mãe não vacinada, vacinar já.

b) Não dar banho.

c) Escovar o pêlo com uma escova para eliminar os pêlos mortos e poeiras. Não utilizar guardanapos ou outras coisas besuntadas que lhe podem dar brilho ao pêlo mas o põem a cheirar a bife ou a batatas fritas.

d) Não deixar morder as peúgas e os sapatos do dono que cheira que tresanda dos pés (não é boa ideia que o cão aprenda a “snifar” o dono).

e) Enquanto não for vacinado não está autorizado a ir à rua cheirar as nalgas dos outros cães; só ao colo para ver os carros passar.

f) Colocar “frontlyne” no pescoço, em quantidade certa, para não o tornar apaneleirado e também para as carraças e pulgas não se ficarem a rir.

g) Biscoito limpa dente, um bocadinho ao deitar, e nada de chiclets da marca Pirata.

h) Utilizar o “tic-tac” de um relógio para o adormecer; não colocar o relógio de cuco da sala pois pode engoli-lo ao bater das horas e sufocar.

i) Ossos com pasta de dentes colgate têm flúor e substituem as rodas dos carrinhos da chavalada e as peúgas e os sapatos do dono.

j) Água, sim; leite, nunca; vinho está fora de hipóteses. Comida: granulado júnior (nunca granulado sénior); uma vez de manhã, outra à noite.

k) Não dar bolachas; o mousse de chocolate é para o dono.

l) Não castigar o cão por urinar ou fazer as suas necessidades – afinal é um bebé – mas não exagerar ao ponto de lhe pôr fraldas.

Mês e meio:

a) Se mãe vacinada, vacinar agora; é a hora da “pica” e, por isso, há que encorajá-lo: «Lindo menino! Não dói nada! Pronto, já está.». Já pode ir à rua e iniciar-se no “putedo”.

b) Continuar a não dar banho.

c) Continuar com o granulado júnior.

d) Manter as regras anteriores, etc..

1 ano:

a) Se não é cão d’água – e não é –, banho só uma vez por ano; não aproveitar a lavagem do carro para lavar o cão; cão ensebado é cão protegido e cheira menos a cão; uma das razões que levam os gatos a fugir de alguns cães é precisamente por estes tresandarem a queijo.

b) Levá-lo periodicamente ao veterinário; nunca ao cabeleireiro e barbeiro também não; cão também não precisa de camisola e peúgas pois já tem pêlo em barda (saber se há cão tipo pêssego careca?).

c) Granulado normal (ou sénior); quando velhote, granulado para a 3.ª idade; eventualmente, restos de comida mas nunca de escabeche ou que levem molho de francesinha ou de bifana; ossos de frango, nunca; trincar e roer “costelinhas” fazendo equipa com o dono, sim.

d) Ordens curtas e firmes do género: «Chega de Internet, Rott!».

e) Não deixar que a sogra desautorize o dono; se o cão escolher a sogra é pôr a sogra e o cão na rua!

f) Tratar o cão com meiguice; tal como as crianças, não há cães maus! Há, sim, cães hiperactivos ou sobredotados; dar-lhe uma boa dose de labirintos para o cansar e nada de calmantes pois pode ficar bronco.

g) ... ... ...»

E chega de manual. Arre!

Friday, May 15, 2026

Quando o Zé é um therian, um rato-canguru das montanhas...

Está-se sempre a aprender até morrer. Nunca tínhamos ouvido falar (certamente por distracção), mas a verdade é que há uns tipos e tipas que se identificam como Therians, ou seja, não se enquadram na espécie a que pertencem biologicamente.

Vivem na fronteira entre o humano e o animal, vestindo-se, agindo e vocalizando como um cão, um gato, etc.. 

Complicado? É. Distúrbio patológico? A ciência que diga.

A verdade é que a hashtag #therian tem milhares de milhões de visualizações. Esperteza, ou não, essa «Tendência “therian” já chegou a Portugal através do TikTok» – SAPO de 2026/02/24 (*).

Fomos investigar e encontrámos – como dissemos atrás – cães, gatos e, também, raposas – os mais comuns.

Este aqui é obra! Para nós é o Zé (bem disfarçado). Mas ele diz que não, que é um teriano, um rato-canguru das montanhas:




2. «Rato-canguru de San Quintin» (“Dipodomys gravipes”; “Em 2016 foi declarado como possivelmente extinto”) – Wikipedia;

3. Notas: a) O aqui Rato-canguru das montanhas foi inventado para efeitos de história; e b) Composição com Nano Banana (Gemini).)

Friday, February 07, 2020

Aqui há gato!

"Aqui há gato!": expressão popular que indica suspeitas ou dúvidas relativamente a alguma coisa. Sabemos que também pode ser um restaurante, uma livraria infantil e o nome de um livro, um café com literatura gatil, um bar, um filme de comédia.

Não é o caso mas faz de conta. Aqui o gato aguarda altivo, impassível, feito floreira para vergonha dos gatos, que o dono ou a dona abra a porta. E se abrir? Será que entra?

Porto, Rua de Álvaro de Castelões (entrada de casa)














E quando a personalidade de um homem se transfere para um gato chamado Senhor Patas Peludas?




(A propósito: a) «Significado / definição de gatos no Dicionário Priberam»; b) Sinopse do filme «Aqui Há Gato!» (comédia, 2016) - Cine-Cartaz do Público.)

Friday, March 11, 2022

Nas folhas dos jornais que estavam a calafetar as portas da casa dos Castelares...

Este texto faz parte de uma versão mais completa de “Nas folhas dos jornais que estavam a calafetar as portas da casa dos Castelares para que não entrassem as baratas estavam...”. O livro de estilo é o de Camilo José Cela. Aqui fica a segunda parte, sujeita a revisão quando se juntarem as partes.

II

Nas folhas dos jornais que estavam a calafetar as portas da casa dos Castelares para que não entrassem as baratas estavam, entre outros anúncios, pasta medicinal couto, há um século a cuidar da sua boca, petinga, Ala Arriba, sardinella longiceps (70%), óleo vegetal (29%), piri-piri e sal, e, como não podia deixar de ser, o desbaratizante matabarata, mata também ácaros, piolho da criança e pulga do gato, é um erro dar banho aos gatos, escreve na sua crónica semanal dona Caralhuda de Valadouro, Carmela Conacha Brava discorda, mais sobre estas senhoras nas pp. 10, 110 e 152 de A Cruz de Santo André, 1994, Camilo José Cela, 2003 Bibliotex Editor, para o Diário de Notícias, as baratas há quem as coma, também há quem coma a Caralhuda e a Conacha, mas isso são outras histórias, continuando, chineses, coreanos, e coreanos também são os portugueses que vendem em Porriño, vem n'A Cruz de Santo André, p. 130, edição já citada, e ainda tailandeses são grandes apreciadores de baratas, quando fritas é de comer e chorar por mais, uma barata bem preparada deve ficar estaladiça como o leitão da Bairrada.

Não hei-de morrer sem degustar uma barata com 320 milhões de anos, disse a Carmela Conacha Brava, mas caso aqui o primo da Caralhuda de Valadouro carregue no botão nuclear e nos mande a todos para os anjinhos pode bem acontecer que venhamos a ser pasto e repasto de uma, de modo que o melhor é esquecer o fóssil e berrar abaixo as baratas!, abaixo barata-americana, barata-alemã, barata-australiana, barata-oriental, barata-de-Madagáscar!, abaixo barata marrom fuligem ou negra ou barata verde e amarela, cor de bandeira!, baratas só mesmo com matabarata em cima do lombo, e o mesmo para as centopeias.

Baratas no Parlamento levam à suspensão da comissão de Trabalho, isto foi título de imprensa em 17 de Maio de 2018, já ninguém se lembra mas na altura deu muito que rir, a Carmela Conacha Brava acha que o amor devia ser explicado nas escolas através de circuitos electrónicos, com contadores e flip-flops.

Não foi a 17 mas sim a 13 de Maio de 1917, pastoreavam na serra d’Aire três pastorinhos quando relampejando lhes apareceu por cima de uma pequena azinheira uma rapariga com um metro e dez de altura, de uma beleza nunca vista e alva como uma nuvem, unia-se por um feixe de luz a uma nave que depois partiu vertiginosamente com a imagem dentro, sobre estes factos dona Caralhuda de Valadouro acha que se trata do comandante Dan Dare, vem no Falcão, formato grande, saíram 82 números, e que o holograma teve por finalidade fazer crer aos pastorinhos que a senhora que lhes falava era a senhora do Rosário, Carmela Conacha Brava fala da grande guerra e dos bolcheviques e que, por cá, o clero andava de candeias às avessas com as autoridades republicanas por causa da lei da separação, festejava-se um dia santo, dia muito importante para a fé, e que o bispo, tendo conhecimento dos factos do arbusto, disso se aproveitou mandando um prelado ao lugar, a fim de espiar e conspirar, coisa que não correu lá muito bem, foi preciso arregimentar alguns nobres descontentes para malhar nos maçons e derrubar o Afonso, ateu feroz, e umas tantas senhoras da alta sociedade dadas ao vinho, dona Caralhuda de Valadouro, que também sabe destas coisas, acrescenta que o cardeal, mais tarde em resposta a acusações de fraude, disse que os acontecimentos do arbusto foram impostos à igreja, o que talvez seja verdade atendendo à participação e ao empenho de um certo advogado, ferveroso católico e miguelista, grande proprietário, irmão e ministro de ordens e conferências religiosas, mais tarde sidonista, e interessado na manha, o facto é que Deus andava muito triste com a falta de fé dos portugueses, concordando, sim, com as teses do clericalismo neotomista e da teologia positivista, cuja ideia principal era que o milagre é uma interrupção momentânea das leis da natureza por vontade Dele, mas dona Caralhuda de Valadouro não arreda pé da sua teoria do Dan Dare e acha um disparate a ideia de unir os portugueses pelo arrependimento e a oração ou pôr no mesmo saco a aparição e o militante católico e beato Nuno de Santa Maria, o Nuno Álvares, o da batalha de Aljubarrota, coisa que, disse, mais não foi que esperteza saloia do presidente do conselho que se mancomunou com o cardeal, esta e outras coisas vinham descritas nas folhas dos jornais que estavam a calafetar as portas da casa dos Castelares para que não entrassem as baratas e uma, assaz curiosa, com data de 19, dava conta da revolta da batata, eram tempos de fome de cão, vem na Ilustração Portuguesa, n.º 589, de 4 de Junho de 1917, pp. 448-449.

As baratas declararam guerra à humanidade, incluindo gente de hábitos talares, invadindo casas, bibliotecas e conventos, as cozinhas, os armazéns, cantos e buracos esconsos, isto é coisa que vem de há muito tempo, certo é que as baratas são mal vistas, tanto é assim que duas baratas que subiam uma colina foram abatidas a tiro de fisga por dois frades, veio no Novidades e fez furor.


Doutras vezes, os Castelares: «Da importância e valor relativo das coisas. O azulejo.», 2024/08/27; «Uma bola vinda do nada», 2019/08/12.

Wednesday, January 11, 2012

Confusão de narizes!

- Matilde! Vem cá.
- Qual de nós?respondeu a Matilde.
- Ah! Desculpa, minha filha, não eras tu…

E perguntam vocês: quem é afinal a Matilde?

Pois bem. Matilde é uma víbora da Tanzânia, a recente aquisição da família. Uns têm gatos à mistura com cães e tartarugas; outros são assim, mais refinados nos gostos!


(Uma notícia em tudo quase idêntica: «Descoberta uma nova víbora na Tanzânia» - Público de 2012/01/10)

Tuesday, December 12, 2006

Mas que grande cegada!

Dois homens discutiam num balcão de café:

- Pior que a bomba atómica são as armas químicas, por exemplo, a variúla, desaparece tudo: cães, gatos, plantas e pessoas, só os edifícios ficam em pé...

- Nã, nã! (risos), isso são as armas bialógicas!


(Referências:
1 -
Armas de destruição maciça
2 -
Bomba atómica
3 -
Armas químicas
4 -
Armas biológicas

À parte:
Cegada)

Friday, October 05, 2007

Benzedura de animais e não cozedura

«Dezenas de pessoas foram ao parque (em Valongo) benzer os animais», titula o Jornal de Notícias de hoje. Sabe-se que entre cães e gatos e pessoas (ficaram de fora frangos, coelhos, perus, vacas, porcos e outros do género que fazem a delícia das nossas mesas e a gente já sabe que levam outros temperos) todos foram benzidos, isto é, aspergidos com água benta, cerimónia que em anos anteriores sempre trouxe bons resultados (afiança o padre e afiançam os presentes), como se pode aliás constatar:

1. Mike (um cão) nunca mais roeu as rodas do triciclo do Zezé

2. O Pintinhas (um gato) nunca mais precisou de se purgar no relvado do quintal do vizinho onde este pratica mini-golfe

3. O Citroën (outro gato) deixou de miar às esquinas como se fosse a buzina de um carro tipo anos sessenta e pôs completamente de lado os calmantes para dormir

4. O Tretas (um papagaio) já diz trezentas e cinquentas palavras e trinta frases completas com sujeito, predicado e complemento directo e responde à letra e a propósito se for desafiado e isto é só o começo

5. O Vermelhinho (um Bico de Lacre) já anda no ombro do dono acompanhando-o todos os domingos à missa e segue o ritual católico do levantar/sentar, sempre que é para isso, e dá o biquinho às pessoas ao lado quando o padre anuncia «abençoai-vos na paz do Senhor»

6. O Branquinho (um cão de raça caniche) nunca mais precisou de ser tosquiado pois o pêlo regenera-sa por si próprio, na altura certa

7. O Corvomanias (um corvo) criou um «blog» e começou a andar de bicicleta

8. O...



Chega! Que isto é milagre!


(A notícia)