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Wednesday, November 04, 2026

Ministro da Defesa alvo de ataque informático

O telemóvel do Ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, foi alvo de um ataque informático que permitiu a terceiros enviar mensagens em seu nome. Uma chatice do catano para um ministro da Defesa e logo numa altura em que o mundo anda de candeias às avessas: o Zelensky pegado com o Trump (com o Putin nem se fala), o Bolsonaro com o Augusto Canário, o Montenegro com o Volksvargas, o Zeca Diabo com o Vilhena, os negócios das fragatas, os drones e os segredos militares e a contaminação dos solos e aquíferos na Praia da Vitória pelo armazenamento e manuseamento de combustíveis e outros poluentes pela Força Aérea norte-americana na base das Lajes onde as vaquinhas pastam, dão leite e bifes e andam por aí a contaminar a malta, e muitas mais coisas que não se sabem…

A virose foi de tal ordem que se estendeu ao “laptop”, ao frigorífico e até ao gato. Bastou mandar às malgas as actualizações, por falta de tempo ou excesso de trabalho, vá-se lá saber agora!, ou a má utilização, e o vírus, sorrateiro, fuinhas, instalou-se na rede e começou a fazer das suas: pôs-se a brincar com quem trabalha.

A coisa soube-se só depois da empregada de limpeza ter recebido do “carcará”, do “malandrim”, que se fazia passar pelo ministro, uma mensagem de arrendamento de um T3 por 250 euros. E, claro, como ela é pobre e pobre regateia sempre o preço, como quem não quer a coisa perguntou ao ministro se não fazia mais baratinho?

Caiu o carmo e a trindade!

Podia-se ter dado um caso gravíssimo, lá isso podia. Mas graças a Deus resolveu-se logo ali porque um colega de governo, o Luís Neves, prontificou-se de imediato a vender-lhe um “telelé” topo de gama, mais um “laptop”, já agora um “desktop” e uma impressora, um frigorífico e um gato em louça, tudo produtos em excelente estado, caríssimos, que lhe vieram parar às mãos de um leilão do tempo em que era polícia.

Caso para dizer que mesmo na desgraça ainda há gente boa!


Agora a sério: para além das regras básicas de segurança, tenham sempre um anti-vírus pago e actualizado e limitem os contactos telefónicos que possam ser associados a grupos no WhatsApp: num smartphone (Android) basta ir a Definições → Privacidade → Grupos → e escolher os “contactos” que podem ser associados a Grupos. E lembre-se que não basta trocar de equipamento se os nossos procedimentos continuarem a ser errados!


(1. As notícias: a) «WhatsApp de Nuno Melo usado para pedir dinheiro. Ministro acabou por trocar de telemóvel» (“Telemóvel de Nuno Melo já não permitia atualizações de segurança. Fraude foi detetada pelo assessor”) – Expresso de 2026/11/02;

b) «Telemóvel do ministro da Defesa alvo de ataque informático que enviou mensagens em nome de Nuno Melo» (“O ataque envolveu o "desvio de comunicações" e a duplicação de contactos, o que permitiu a terceiros enviar mensagens através da aplicação 'WhatsApp' fazendo­-se passar pelo governante, mas que a situação se resolveu com a troca de telemóvel.”) – SIC Notícias de 2026/11/02;



2. Já agora, porque se fala de contaminação de solos e aquíferos na Praia da Vitória: «Açores lançam novo concurso para remediação de solos contaminados na Terceira» – Observador de 2026/08/18;

3. Dicionário: a) “laptop”: computador portátil; b) “carcará”: nome que se dava aos pides (a polícia política de antes do 25 de Abril); c) “telelé”: o mesmo que telemóvel; e d) “desktop”: computador de secretária (ou de mesa) constituído por uma unidade separada do teclado;

4. Nota: composição com Nano Banana (Gemini) e imagem disponível na Web.)

Monday, October 12, 2026

Brasil 4 x 1 Itália | Final do Mundial de 1970

Final do Mundial de Futebol de 1970, no Estádio do Dragão, no Porto.

Ainda o Brasil estava empatado com a Itália a um golo...

Spaghetti (n.º 10), conhecido pelos brasileiros por “Grandão Perna Comprida” devido à sua altura (1,88m, um tamanho extraordinário para um lateral-esquerdo na sua época), corria que nem uma lebre.

E faz o impossível: arranca em direcção à baliza adversária (do Brasil), frente à baliza simula o remate, finalmente chuta e a bola bate no poste e não entra!

Ele há coisas do diabo!

Acontece aos melhores.


Claro que tudo isto é inventado. A única semelhança é o nome Facchetti (n.º 3) com Spaghetti (Giacinto Facchetti, o “Grandão Perna Comprida”, que, de facto, media 1,88m de altura) e a final do Mundial de Futebol de 1970 que, porém, não ocorreu no Porto mas sim no Estádio Azteca, na cidade do México (Até porque Portugal nunca organizou a fase final de um Mundial de futebol sénior masculino e tão pouco se qualificou para este). A peripécia do falhanço do golo é só para apimentar a coisa.

E como verdade fica também que o Brasil sagrou-se campeão mundial pela terceira vez tendo derrotado a Itália por 4-1.


(1. «A EXIBIÇÃO MAIS ASSUSTADORA DE PELÉ NUMA FINAL DO MUNDIAL» (Aos minutos 8:44 – 9:04 o “Grandão Perna Comprida” Facchetti) – Germano Socceer

BRASIL 4 x 1 ITÁLIA | FINAL DO MUNDIAL DE 1970
Estádio: Azteca, Cidade do México, México
Data: 21 de junho de 1970
Competição: Mundial de 1970 – Final
Espectadores: 107.412;

2. A propósito: a) «Copa do Mundo FIFA de 1970» – Wikipedia; b) «Final da Copa do Mundo FIFA de 1970» (Com o “Caminho até à Final”, os “Detalhes da partida”, “Ficha técnica” e “Estatísticas”) – Wikipedia; e c) «Giacinto Facchetti» – Wikipedia;

3. Nota: composição e “gif” feito em Nano Banana (Gemini).)

Saturday, May 09, 2026

Os Dez Mandamentos do Borracho

Ao meio-dia já o diabo andava dentro dele a nadar em vinho.*

Prática tinha, mas faltava a cartilha, a lei fundamental...


Os Dez Mandamentos do Borracho (que os borrachos “seguem à risca”) são citados no «Esbôço dum Vocabulário Agrícola Regional – Anais do Instituto Superior de Agronomia» (Prof. D. A. Tavares da Silva), p. 506, onde se diz que os mesmos “se encontram compendiados nos “Estudos Dourienses” (3), pág. 48 – Abade de Baçal – e que são:

  1.º – Beber com assento;
  2.º – Escorripichar o copo até ao fundo;
  3.º – Fazer da garganta um rigueiro;
  4.º – Beber até ficar farto;
  5.º – Beber sempre do branco e do tinto;
  6.º – Beber a qualquer pretexto;
  7.º – Beber do seu, do alheio e do de empréstimo;
  8.º – Beber até ficar como um cravo;
  9.º – Beber no estio, na primavera, no inverno e no outono;
10.º – Beber até ficar com acréscimo.

Êstes dez mandamentos encerram-se em dois; convém saber:

  1.º – Beber sempre; e
  2.º – Nunca deixar de beber.”


(* “– Ol­he, sôr João, eu não dou duas rasas de mil­ho pel­o dote que esse homem há de dar ao fil­ho; mas, apesar de tudo, digo‑l­he que vá ter com el­e, que nada se perde. Você sabe pintar as coisas a preceito. Veja se l­he toca no interior. O homem acabou de tomar a sagrada hóstia há pouco; pode ser que o demo l­he fugisse do corpo. Aproveite a maré; que el­e, depois do meio dia, tem dentro de si o diabo a nadar em vinho; e l­á por horas mortas l­ê uns l­ivros que esconde de todos os padres que l­á vão. Ol­he que, para ter tudo, até borrachão se fez; mas é tão hipócrita, que se prega a dormir toda a tarde, e diz à parva da mãe que está a fazer oração mental­. Ah! bom fueiro!...” – Camilo Castelo Branco, «O Demónio do Ouro»; Edição de Cristina Sobral; INCM, Lx, 2014; Livraria Editora de Mattos Moreira e Comp.ª; Vol. I, Cap. 2, p. 26;

1. Dicionário: 1.º mandamento: “Beber com assento”: beber sentado; 2.º mandamento: “Escorripichar (também escorropichar e escorrichar) o copo até ao fundo”: beber até à ùltima gota ou escorrer todo o líquido contido num recipiente; 3.º mandamento: “Fazer da garganta um rigueiro (também regueiro)”: fazer da garganta um pequeno rego onde o vinho escorre; 8.º mandamento: “Beber até ficar como um cravo”: beber até ficar como um prego, incapaz de se mexer; 10.º mandamento: “Beber até ficar com acréscimo”: beber até ficar completamente embriagado;

2. Nota: composição com Nano Banana (Gemini).)

Tuesday, March 31, 2026

Ele há coisas do diabo!

O Façanhudo faz um gesto obsceno e estraga o shot do Zé Cabeçudo.

Há pancadaria. Lencastres de um lado... Albuquerques do outro...

Vem a polícia...

E quem paga as favas é o dono do tasco!



(1. Dicionário: “Façanhudo”: capaz de fazer façanhas e também desordeiro e brigão; “Cabeçudo”: que tem cabeça grande e, em sentido figurado, também teimoso e estúpido; 2. Nota: Composição com Nano Banana (Gemini).)

Sunday, July 06, 2025

Pernas para que vos quero?

Este coelho-bravo foge do gato-bravo como o diabo foge da cruz... Cada um com a sua bravura!



(1. A propósito: a) «Coelho-europeu» (coelho-bravo); e b) «Gato-bravo» – Wikipedia; 2. Nota: fotografia da transmissão televisiva do programa “Caçadores Selvagens”, T.1 Ep.9, RTP2, 2025/06/27.)

Saturday, May 31, 2025

Palheiro do boi, feiticeiras e histórias de bruxas da serra

I - “As feiticeiras fogem do cheiro a bitoque como o diabo foge da cruz”

Já vai há muito tempo. Não havia electricidade, só luz a petróleo, e as feiticeiras desciam das serras e vagavam à noite cantando o trá-lá-lá*, trá-lá-lé, / vamos rapar o pelo do boi do Zé, / ver se está bom de sangue, quentinho e apuradinho, / amanhã, trá-lá-lá, trá-lá-lé, / vai o couro do buzico**, / ai Deus, e u é?***, e dias depois o boi mirrava e embarcava, para desgosto do fazendeiro: “ai os meus bifes e tostões!” Para evitar a demanda, os mais calejados mosqueavam o pelo do boi com mostarda, prática que vinha de pais e avós, e nunca deve ser esquecida, que diziam, e bem, que as feiticeiras fogem do cheiro do bitoque à tuga**** como o diabo foge da cruz.

Fotografia do autor com filtro: o "palheiro do Anacleto" que agora é da "Cambada".

II - “Nunca um advogado deve ter uma cliente feiticeira”

Era uma vez uma feiticeira que nunca mais morria porque não conseguia entregar o mando. Uma dor d’alma vê-la definhar!, vai e não-vai, mas ninguém se abeirava do leito da quase-defunta com medo de tocá-la.

Chamaram o padre Feliscerto*****, doutorado nestas coisas. Quando a feiticeira disse “Pega!”, e podia ser para um adulto ou uma criança, o padre pegou numa vassoura pelo cabo e apontou-lha; se a tocasse, o mando, que é o seu dom e é invisível, passava para a vassoura e a feiticeira morria. Depois, sem a largar, o padre abrasava-a e fim de história.

Desta vez não correu bem ao padre Feliscerto. A velha era sabida. Não foi na treta do padre, pois tinha um plano. Pensaram: talvez com um advogado resulte. Ora na terra havia um, homem pequenino e impudente, conhecido por ser procurador de velhas carentes e endinheiradas e por outras trafulhices. Era procurador dela também. E chamaram-no. “Pega!”, disse a feiticeira. Movido pela soberba, o causídico pegou no testamento que sabia ser a seu favor. 

E foi assim que a feiticeira passou o mando, arranjou um herdeiro e pôde morrer, e o agora advogado-feiticeira anda pela calada da noite a cantarolar o trá-lá-lá, trá-lá-lé, / vou rapar a barba ao Zé, / e depois rapar-lhe o dinheirinho, / ai Deus, e u é?...


(1. Dicionário: a) no título: palheiro: construção rústica para guardar animais, culturas da terra e também os utensílios agrícolas; e b) no texto: *O Super-Pateta em acção depois de comer os seus super-amendoins; **Criança pequena ou pouco desenvolvida; ***Forma arcaica de perguntar “Ai Deus, onde está?”; ****E por falar em «Bitoque à Tuga» «in» Tuga na Cozinha;

2. a) «Um menino daquele tempo», por Sílvia Mata, «in» Jornal da Madeira de 2024/05/05; e b) «Fradas, de Gil Vicente» «in» Teatro da Rainha, 2003/11/12;

*****Para além desta história (que não correu bem ao padre Feliscerto), outras do padre Feliscerto: a) «Uma primeira edição do mafarrico»; b) «Quando o mafarrico se disfarçou no relevo da porta do sacrário»; e c) «Quando o temerário padre Feliscerto enfrentou a depressão Nelson...».)

Saturday, June 15, 2024

Desfile da celebração do aniversário do rei Carlos III

Pior que um rei só um presidente armado em reizinho.


Carlos III completa 76 anos a 14 de Novembro mas manda a tradição que o aniversário seja celebrado oficialmente em Junho. Com soldadinhos de chumbo, bonecos que outrora foram o gáudio da criançada.

Brincar aos soldadinhos... Brincar aos cabeças-de-giz (os antigos sinaleiros)... Pois, então, vejam uma em baixo (em 4) que nem hoje lembra ao diabo...


(1. As notícias: a) «Kate Middleton marca presença no aniversário do rei Carlos III» - RTP Notícias de 2024/06/15; e b) Há um ano (2023) o bolo parecia estar um pouco duro: «Carlos III faz 75 anos: as imagens do monarca a cortar a primeira fatia do bolo de aniversário» - SIC Notícias de 2023/11/14;


3. a) Miniatura de figura humana, geralmente militar: «Soldadinho de chumbo» - Wikipedia; e b) Um conto de Hans Christian Andersen: «O Soldadinho de Chumbo» - Idem;

4. Uma que nem hoje lembra ao diabo: «Instantâneos (73): quando os “cabeças de giz” recebiam cabazes de Natal» - «in» O sal da história;

5. Notas: a) “cabeça de espuma anti-puff”: filtro de protecção contra o ruído ambiente, o vento, a respiração ou o impacto da saliva...; e b) alterou-se a legenda da imagem, sem alterar o sentido.)

Tuesday, June 11, 2024

Um Porsche 911 RSR com a matrícula 666 LUC emendada

Vimos anteriormente que um vendedor entregou à sua cliente um Porsche com o n.º da besta (666) e as iniciais de Lúcifer (LUC). Tentando emendar a mão, entregou um novo carro. Aparentemente com uma nova matrícula.

Mas o diabo não descansa e é matreiro...



«Post» anterior: «Um Porsche 911 RSR com a matrícula 666 LUC»


(Nota:
fotografia do autor)

Friday, June 07, 2024

Eleições Europeias 2024. Os Resultados Eleitorais ou o Dia Seguinte.


Isto é para digerir no próximo Domingo à noite ou nos dias seguintes. Mas publica-se já, antecipadamente.

“É o tempo da justiça”, “é o tempo pré-eleitoral”, “é o tempo eleitoral”, é o tempo do caraças... e foge o diabo da cruz quando lhe dá jeito. (a)


(a) Pois é! Descobrimos o tempo de Marcelo Rebelo de Sousa. Tem 3 dias: 


minuto 2:14: 

“Recordo a visita que vos fiz há praticamente 10 anos, e, na altura, eu ousei como que prever, não profetizar, que quando não houvesse a unidade na direita, se ela porventura ocorresse, a divisão da direita o Observador uniria; que quando houvesse problemas no diálogo entre uma parte significativa da esquerda e uma parte significativa da direita haveria o Observador para fazer esse diálogo; quando houvesse necessidade de aproximação do sistema político em relação à sociedade, à sociedade civil, o Observador também lá estaria para cumprir essa missão. Numa palavra: a comunicação social portuguesa necessita de mais projectos assim. Este é, de facto, excepcional.”

Onde já vimos coisas assim? 

BALSEMÃO, Francisco Pinto, «Memórias», 2023, Expresso, vol. 3, p. 181:

“É interessante, aliás, registar que muitas das pessoas que trabalharam comigo em lugares cimeiros da área criativa e até das áreas de gestão e comercial e às quais muito devo tentaram, mais cedo ou mais tarde, “vingar-se”, lançando os seus próprios projetos. Penso que o objetivo de todos terá sido – provavelmente também por outras razões, incluindo o aliciamento por sectores políticos e económicos que me eram adversos e que os financiavam – a necessidade de mostrar que seriam capazes de fazer melhor, saindo da minha sombra. Numa interpretação freudiana: matar o pai.

Infelizmente para eles, todos ou quase todos falharam:

MARCELO REBELO DE SOUSA foi um dos fundadores do “Semanário”, em 1983 (…) Depois de um longo estertor, financiado, durante anos, por RICARDO SALGADO, a publicação fechou em 2009, mas “faleceu” muito antes.”

BALSEMÃO, Francisco Pinto, «Memórias», 2023, Expresso, vol. 3, p. 215:

“Entretanto, pouco tempo depois, saiu o nº 1 do “Sol”, o grande semanário que JOSÉ ANTÓNIO SARAIVA inventara para destruir o Expresso e onde um dos principais colaboradores era – adivinhem? – MARCELO REBELO DE SOUSA. Não foi muito longe.”


(1. A propósito das eleições: a) «Marta Temido apela ao voto das mulheres» – RTP Notícias (Europeias 2024), de 2024/06/07; b) «Marta Temido garante que abstenção ao voto “é uma preocupação”» – SIC Notícias, mesma data; 2. Nota: composição sobre fotografia do autor de 2022.)

Sunday, March 03, 2024

Campanha Legislativas 2024. A gaffe de Nuno Melo: Pedro em vez de Montenegro.

Nuno Melo pede uma vitória robusta para o seu principal adversário político, Pedro Nuno Santos. A verdade é que o subconsciente o traiu, o diabo agiu e a boca falou a verdade.



(A notícia: «Gaffe? Nuno Melo ironiza troca de Montenegro por Pedro Nuno» - SIC Notícias de 2024-03-02)

Monday, January 08, 2024

Discurso de António Costa no 24.º Congresso Nacional do PS

FIL, 2024/01/05
(Sempre que possível, os parágrafos acompanham os aplausos.)

(cumprimentos)

Saudações. A pluralidade do PS.

"Quero, naturalmente, começar por saudar o novo secretário-geral do Partido Socialista e desejar-lhe do Fundo do Coração todas as felicidades do mundo, as maiores felicidades. Primeiro, felicidades políticas, mas também as maiores felicidades pessoais. Você merece, Pedro Nuno. Força! Vamos em frente! Vamos ganhar as próximas eleições! 

Esta eleição demonstrou a vitalidade do Partido Socialista, a vitalidade de um partido que em pouco mais de um mês enfrentou uma situação muito difícil, diria até traumática, mas que conseguiu superar com uma mobilização absolutamente extraordinária dos nossos militantes que massivamente participaram nesta eleição do novo secretário-geral do Partido Socialista.

Um partido que honrou a sua história de pluralidade, sendo a eleição do Pedro Nuno Santos a de uma eleição participada, participada com a candidatura do Daniel Adrião, participada com a candidatura de José Luís Carneiro, a quem eu saúdo democrática e calorosamente pelo contributo que deram para a afirmação da qualidade do Partido Socialista.

É esta pluralidade que faz com que o PS não seja um partido qualquer na sociedade portuguesa, porque é um partido que representa um amplo espaço político, da esquerda e do centro, que só se representa e só tem representação aqui no Partido Socialista. 

Um partido que se mobilizou, que disputou de uma forma plural a liderança, mas que aqui está hoje, como é timbre do Partido Socialista, unido em torno da nova liderança, em torno do Pedro Nuno Santos, o nosso novo secretário-geral.


Uma nova geração. Um novo impulso.

"Um partido que demonstra a sua vitalidade. Que no ano em que celebramos 50 anos da nossa história passa o testemunho para uma nova geração: o Pedro Nuno é o primeiro secretário-geral do Partido Socialista que nasceu depois da fundação do Partido Socialista; o Pedro Nuno vai ser o primeiro primeiro-ministro que nasceu depois da Revolução de Abril.

E este é um sinal do significado do que é um partido que tem 50 anos, um partido que tem uma longa história ao serviço de Portugal e ao serviço dos portugueses. O Pedro Nuno nasceu no ano 1977 quando Mário Soares e Medeiros Ferreira pediram a adesão de Portugal à então CEE; atingiu a maioridade em 1985 quando António Guterres formou o nosso primeiro governo, e aqui está hoje líder do Partido Socialista para dar continuidade a estes 50 anos de história que têm muito futuro. 

Uma nova geração que significa necessariamente um novo impulso, uma nova energia e um novo olhar sobre os problemas, sobre as questões, sobre as soluções, e que vai seguramente, desta nova geração prosseguir o que devemos prosseguir, mudar o que devemos mudar, e fazer algo que cada uma das gerações do PS fez: acrescentar ao que as anteriores fizeram e dar novas respostas para os novos problemas. É isso que seguramente nós teremos com Pedro Nuno Santos.


Liberdade. Igualdade. Projecto europeu. Estado Social.

"O PS, Camaradas, é maior do que a soma de todos nós. O PS é um partido com uma longa história e é um partido, um grande partido nacional e popular. É um partido que tem uma identidade muito clara e que todos os portugueses conhecem. Nós somos o partido da liberdade e da democracia. Nós somos o partido do projecto europeu e da Europa connosco. Nós somos o partido do combate às desigualdades. Nós somos o partido da construção do Estado Social. Nós somos um partido que tem uma relação afectiva única com os portugueses - aqueles que dizem que nós somos o partido da mãozinha -, porque somos a relação afectiva de quem em todos os momentos de confrontação foi o partido da concórdia; que em todos os momentos de divisão fomos a ponte de união entre as portugueses e entre os portugueses; onde sempre houve um excluído nós fomos solidários. E nós somos aqueles que os portugueses sabem que nunca faltámos quando foi necessário, nunca faltámos nos momentos mais difíceis que Portugal e os portugueses tiveram que enfrentar.


Inovar. Ousar. Derrubar muros.

"É por termos esta história e esta identidade tão forte que nós podemos inovar. Que nós podemos hoje ousar. Que nós podemos rasgar novos horizontes. O PS que em 2015 assinou os acordos com o Partido Comunista Português, com o Partido Ecologista Os Verdes, com o Bloco de Esquerda, foi o mesmo PS que nas ruas se bateu em 1975 para garantir a liberdade e a democracia e combater a deriva totalitária da Revolução.

E derrubámos esses muros e não deixaremos voltar a erguer esses muros porque o que nós criámos foi um novo padrão de governabilidade do nosso país, uma nova oportunidade de governação à esquerda, e essa oportunidade provou bem, e é por isso que nunca mais os muros voltarão a existir dentro da esquerda portuguesa. 


Alterações climáticas

"O PS foi sempre o partido contemporâneo das causas do seu tempo. A maior causa do nosso tempo, hoje, é mesmo o combate às alterações climáticas - o Duarte Cordeiro já falou aqui e todos os dias faz muito para contrariar o risco das alterações climáticas. Mas ao longo destes 8 anos nós podemo-nos orgulhar de termos sido o primeiro país do mundo, na COP de Marraquexe(*), em 2016, a assumir o compromisso da neutralidade carbónica em 2050. Fomos o primeiro país a antecipar este compromisso para 2045, na lei do clima que aprovámos na Assembleia da República. E é com muito orgulho que vemos a Comissão Europeia dizer que Portugal é o país mais bem preparado na União Europeia para atingir a neutralidade carbónica. E a Comissão Europeia não nos diz isto por favor. Diz isto porque fizemos boas políticas, na área da energia mas também na área da mobilidade: como o passe-social que trouxemos, acessível para todas as famílias; e como temos vindo a desenvolver as redes de Metro em Lisboa e no Porto; o sistema de mobilidade do Mondego; a ligação entre Olhão, Faro e Loulé, através de transporte público; ou o BRT, em Braga(**); ou o do estudo para o quadrilátero urbano em Braga, Barcelos, Guimarães e Famalicão; porque é assim, como é na ferrovia, que nós podemos transformar efectivamente a redução, alcançar a redução das emissões e combater as alterações climáticas.

(*) Marraquexe, Marrocos, COP22 sobre as alterações climáticas.
(**) “Bus Rapid Transit”: arranca em 2024 e é para estar concluída até final de 2026.


Mais liberdade

"E, sim, nós abraçamos as causas novas mas não nos esquecemos das causas antigas: a maior de todas, a causa da liberdade. Ainda hoje a Assembleia da República aprovou a liberdade na autodeterminação de género, da mesma forma que aumentámos as oportunidades de quem quer ter filhos poder ter filhos porque alargámos a procriação medicamente assistida, porque autorizamos a gestação de substituição e, também, porque reforçamos a dignidade de todos os cidadãos no momento da morte podendo a morte ser medicamente assistida. Sim, hoje, no país, há mais liberdade do que havia anteriormente.


Mais democracia e descentralização

"Nos 50 anos de Abril continuamos a bater-nos por mais democracia e por isso alargamos a lei da paridade dos 33% para os 40%. Acabámos com os truques na feitura das listas e garantindo que não pode haver mais de duas pessoas do mesmo género, sequencialmente, na mesma lista. Temos mais democracia porque avançamos na descentralização como nunca se tinha avançado na descentralização e por acordo com os municípios. O acordo que permitiu passar 22 novas competências e em especial na educação, na saúde e na acção social, garantindo melhores serviços públicos a todas as portuguesas e a todos os portugueses. Avançámos até onde pudemos na regionalização - sabemos que não tivemos parceiro para fazer a regionalização; sabemos que temos um Presidente que não nos deixava fazer a regionalização - mas levamos até onde o pudemos fazer, democratizando a eleição dos presidentes das CCDR’s, dos vice-presidentes das CCDR’s, integrando as diferentes políticas regionais no âmbito das CCDR’s. Sim. Há mais liberdade, há mais democracia no final destes 8 anos.


COVID. Austeridade. Contas certas e o diabo não veio.

"Fomos sempre o partido da Europa e lutámos 8 anos por ter uma melhor Europa. E demos um contributo fundamental para quando chegou a crise do COVID todos compreendessem que não podíamos voltar a responder da mesma forma como não tínhamos respondido perante a crise do Euro em 2008/2011. E demos um contributo muito importante porque conseguimos provar e demonstrar que era possível virar as páginas da austeridade e ter contas certas. E esta mudança foi uma mudança conceptual da maior importância e por isso é preciso compreender o que é que significa ter contas certas. 

Ter contas certas não é só termos eliminado os portes e termos hoje uma dívida menor do que tínhamos anteriormente. Não, as contas certas é porque nós conseguimos simultaneamente eliminar os cortes, descongelar carreiras, reduzir o IRS, aumentar pensões, aumentar prestações sociais, aumentar salários da função pública, aumentar o investimento público e, ao mesmo tempo, nós conseguimos diminuir o défice, diminuir a dívida. Porque nós conseguimos aumentar salários e ao mesmo tempo criar empregos; nós conseguimos aumentar salários e aumentar o investimento das empresas; nós conseguimos aumentar salários e aumentar as exportações; nós conseguimos aumentar salários e melhorar a nossa produtividade; nós conseguimos aumentar salários E O DIABO NÃO VEIO, NÃO VEIO E NÃO VEIO!(***)

(***) labéu da Direita em 2015.


Um segredo/anedota do diabo

"Eu vou agora revelar um segredo, que é: por que é que o diabo não veio? O diabo não veio por uma razão muito simples: é que o diabo é a Direita e porque os portugueses não devolveram o poder à Direita.


Pobreza, exclusão social e desigualdades.

"As desigualdades são a nossa causa de sempre e ao longo destes 8 anos não demos tréguas ao combate às desigualdades. A principal de todas, a mais importante, a que historicamente gerou o movimento socialista - as desigualdades sociais - e vimos aqui (fazendo o gesto de que o vídeo foi passado no Congresso), são menos 660.000 pessoas que se conseguiram libertar da pobreza e da situação de exclusão social. São todos os índices de desigualdades que melhoraram. Mas são também as outras desigualdades, porque com a lei da agenda do trabalho digno nós melhorámos as condições de conciliação entre a vida pessoal, familiar e profissional, aumentando e balizando as licenças de parentalidade, mas também criámos condições para que essa conciliação exista com o programa da creche gratuita que já abrange 85.000 crianças e que há de abranger em Outubro 140.000 crianças se a Direita não vier para desfazer o que está a ser feito.

Nas outras desigualdades. Eliminámos a proibição dos casais do mesmo género poderem adoptar crianças: hoje também podem ter filhos, podem ser livres no amor e podem ser livres na família que querem constituir.

A Assembleia da República ainda esta semana confirmou, contra o veto do Presidente da República, a nova lei das Ordens que dá liberdade de acesso às profissões reguladas aos nossos jovens, fazendo que quem é licenciado em Direito e quer ser advogado que possa ser advogado, mais médicos possam ser médicos em Portugal, e é essa liberdade que aumenta a igualdade de todos ao acesso à profissão. Aumentámos a igualdade relativamente aos deficientes com a criação da protecção social única para os deficientes. Criámos e alargámos a igualdade dos portugueses que residem no estrangeiro com o recenseamento automático, com o consulado virtual, mas ao mesmo tempo também a igualdade dos estrangeiros que vivem em Portugal graças ao acordo de mobilidade no âmbito da CPLP ou à separação definitiva que fizemos entre as funções policiais que cabem às polícias e as funções de integração que cabem à administração pública, e isto cria maior igualdade para todos, dos portugueses que vivem lá e dos estrangeiros que vivem cá.


Segurança Social

"Sim, e continuamos o trabalho que Mário Soares iniciou de construção do nosso Estado Social. E podemos dizer, com orgulho, que quando chegámos ao governo a Direita dizia que a Segurança Social estava falida, pois nós vamos a eleições dizendo: alargamos em 40 anos a sustentabilidade da nossa segurança social.


Abandono escolar precoce

"É. É. Reduzimos para metade o abandono escolar precoce - uma condição fundamental para o desenvolvimento do futuro, porque não há igualdade de oportunidades, não há sucesso no futuro se as crianças não poderem concluir o seu percurso educativo - e quando nós chegámos ao governo era 13,7% a taxa de abandono escolar precoce, a meta que existia era de chegarmos aos 10%, pois nós já vamos nos 6,7% e se continuarmos no governo o abandono escolar precoce vai continuar a reduzir porque continuaremos com boas políticas que se traduzem no abandono escolar precoce.


SNS

"Sim, o Serviço Nacional de Saúde tem muitos problemas. Agora imaginem os problemas que teriam se não tivéssemos aumentado, como aumentámos em 72%, o orçamento no Serviço Nacional de Saúde. 


Política pública de habitação

"Mas o PS é um partido do seu tempo e sabemos que o Estado Social hoje não se faz só com segurança social, não se faz só com Escola Pública, não se faz só com o Serviço Nacional de Saúde. Nós precisamos de política pública de habitação e esse foi um novo pilar do Estado Social que ao longo destes anos nós fomos desenvolvendo. 

Há problemas? Claro que há problemas. Mas é mesmo por isso que nós estamos cá, é por isso que está cá o PS, é que é o PS que vai resolver os problemas.


Prevenção e combate aos incêndios florestais

"Nós vivemos um drama terrível em 2017 com os incêndios mas foi o PS e o governo que mudaram a política, dando uma prioridade clara à prevenção. E graças ao trabalho do João Pedro Matos Fernandes e do Duarte Cordeiro nós hoje fazemos melhor prevenção. E graças ao trabalho do Eduardo Cabrita e do José Luís Carneiro não fazemos melhor combate, temos mais prevenção, temos melhor combate, temos menos incêndios florestais, menos área ardida apesar do risco de incêndio ter sido todos os anos maior do que o anterior.


Qualificação dos jovens, Porta 65-Jovem e IRS Jovem.

"Sim, nós sabemos que os jovens, muitos dos nossos jovens, finalmente conseguiram realizar um sonho que o país tinha há décadas, para não dizer há séculos, de alcançarmos os níveis de qualificações da União Europeia: estamos acima do nível de jovens com 20 anos a frequentar o ensino para cima da média Europeia. Eu sei que muitos destes jovens hoje vivem angustiados e a sentir uma enorme injustiça, pelos salários que ainda são pagos em Portugal não corresponderem aos salários que são pagos nos países mais desenvolvidos da Europa. Nós sabemos isso, mas ao contrário de outros que lhes disseram para emigrar nós lutamos para que fiquem entre nós, para que seja entre nós que construam hoje o futuro.

E foi por isso que na agenda do trabalho digno nós eliminámos o ser jovem como um critério para a possibilidade da contratação a prazo, para combater a precariedade dos jovens trabalhadores. Foi por isso que reforçámos o programa porta 65 lançando o porta 65-Jovem(****) e nas políticas de habitação há um claro apoio à habitação jovem. Foi por isso que criámos o IRS Jovem. Os jovens porventura não sabem porque só agora chegaram ao mercado de trabalho mas se tivessem chegado ao mercado de trabalho quando a Direita governava não havia IRS jovem e pagavam tudo o que tinham a pagar sem o IRS jovem e os descontos introduzidos pelo IRS jovem.

(****) O Porta 65-Jovem é um programa de incentivo ao arrendamento por jovens.


Prémios salariais para jovens licenciados e com mestrado

"E porque sabemos que é preciso sempre fazer mais e melhor, é que o Orçamento de Estado deste ano introduz pela primeira vez o pagamento de um prémio salarial a quem se licenciou ou a quem concluiu o mestrado. Quem concluiu a licenciatura e entra no mercado de trabalho receberá o equivalente a um ano de propina pelo número de anos equivalente ao dos cursos que frequentou. Quem entra no mercado de trabalho com mestrado receberá um ano de propina pelo número de anos que frequentou o mestrado. São 697 euros por ano para quem concluiu a licenciatura; 1500 euros por ano para quem concluiu o mestrado. Sim, nós não desistimos dos nossos jovens e queremos que seja aqui, em Portugal, que eles construam o seu futuro.

É por isso, Camaradas, que eu, com toda a franqueza, tenho de dizer: é possível fazer melhor mas há uma coisa que podem estar certos: só o PS fará melhor que o PS!


Agradecimentos

"Caras e Caros Camaradas! Vão ter um fim de semana longo de trabalho e por isso vou abreviar. E vou abreviar dizendo muito obrigado. Muito, muito, obrigado pela confiança que em mim depositaram há 9 anos para liderar o Partido Socialista. É uma honra enorme ter podido ser secretário-geral do Partido Socialista, dar continuidade a uma história que Mário Soares iniciou e que depois dele  - Vítor Constâncio, Jorge Sampaio, António Guterres, Ferro Rodrigues, José Sócrates, António José Seguro - todos deram continuidade. Foi uma enorme honra ter liderado um partido que é o maior partido autárquico nas freguesias, que é o maior partido autárquico nos municípios, que tem uma grande força sindical, que já foi governo nos Açores e vai voltar brevemente a ser governo nos Açores. 

Quero agradecer-vos todo o apoio que sempre tive do partido: os militantes do partido, os dirigentes do partido, do grupo parlamentar do partido, em todos os momentos muito difíceis que nós vivemos também ao longo destes 8 anos. Sim, governar não são só coisas boas. São também coisas difíceis, coisas duras, sofre-se também, mas sofre-se com alegria quando se faz aquilo em que se acredita que se está a fazer. E o partido sempre me deu apoio. Deu-me apoio quando foi difícil conciliar os nossos parceiros à esquerda com as exigências da Comissão Europeia. Deram-me apoio quando foi difícil evitar as sanções a Portugal, quando foi necessário lutar para sairmos do procedimento por défice excessivo. Deram-me sempre apoio durante os 2 anos da pandemia e onde tivemos sempre de adoptar medidas tão duras, semana a semana, quando olhando para trás às vezes tenho dificuldade em perceber como foi necessário, como foi possível, e como aconteceu. Deram-me apoio em todos os momentos destes 2 anos de inflação muito dura, da invasão da Ucrânia pela Rússia, que provocou em todo o mundo na sequência da pandemia. 

Muito obrigado pelo apoio que me deram em todos os momentos de grande crise política que tivemos que enfrentar, designadamente em 2022, e estou certo que esse apoio que me deram é o apoio que vão dar ao Pedro Nuno Santos, agora em que mais uma vez os portugueses vão ser chamados a resolver a crise política que lhes foi criada.

Estes anos não foram os anos do António Costa. Estes anos foram os anos do PS. Foram os anos de uma grande equipa. 

Quero aqui agradecer, obviamente, a todos aqueles que nos vários governos trabalharam comigo. Quero agradecer muito em particular ao Carlos César, Presidente do nosso partido. Quero agradecer ao Eduardo Ferro Rodrigues e ao Augusto Santos Silva que nos honraram presidindo às Assembleias da República. Quero agradecer aos secretários-gerais adjuntos que comigo trabalharam: Ana Catarina Mendes, José Luís Carneiro, o João Torres, muito obrigado pelo vosso trabalho. Quero agradecer aos líderes parlamentares que comigo trabalharam: o Carlos César, a Ana Catarina Mendes e o Eurico Brilhante Dias. Muito obrigado. 

Quero agradecer com muita saudade, eterna saudade, é um grande amigo, fez um trabalho extraordinário na direção do Partido Socialista: Luís Patrão(*****).

(*****) Faleceu em 2023. (aplausos de pé, do próprio, da mesa e da assembleia.)

E agora quatro agradecimentos particulares, permitam-me. À Ana Catarina Mendes e ao Duarte Cordeiro, que desde as eleições primárias até às últimas eleições foram-se sucedendo e alternando como directores das minhas campanhas. Muito obrigado Ana Catarina, muito obrigado Duarte. Quero agradecer à Maria Manuel Leitão Marques e à Mariana Vieira da Silva: da agenda para a década até ao último programa do governo coordenaram a definição das nossas políticas. Muito obrigado Maria Manuel, muito obrigado Mariana. 

E... - já há 42 anos que venho a congressos e é o 20º Congresso a que venho, portanto não é altura para me emocionar - … e quero agradecer muito profundamente à minha mulher, à Fernanda, que verdadeiramente merecia... (aplausos) bom, verdadeiramente merecia ser militante honorária do PS ou, melhor, militante honorária da JS.

Bom... Caras e Caros Camaradas, juntos ganhámos todas as eleições nacionais que travámos desde constituímos governo. Ganhámos as Autárquicas de 2017 e as Autárquicas de 2021. Ganhámos as eleições europeias de 2019. Ganhámos as eleições legislativas de 2019 e 2022. E foram vitórias do PS, não foram vitórias do António Costa. Foram vitórias de todos os que votaram no PS, de todos os que foram eleitos no PS, foram todas vitórias do PS. 

E é por isso que vos digo: podem-me ter derrubado mas não me derrotaram. Podem ter derrubado o nosso governo mas não derrubaram o Partido Socialista. O Partido Socialista está aqui, o Partido Socialista está aqui forte, o Partido Socialista está aqui vivo, o Partido Socialista está aqui rejuvenescido, com uma nova energia, uma nova liderança. E com o Pedro Nuno Santos nós vamos, estamos prontos, para a luta e preparados para vencer. Sempre, sempre, sempre para servir Portugal. Sempre, sempre, sempre para servir as portuguesas e os portugueses, com o Pedro Nuno Santos! Viva o Partido Socialista! Viva o PS! Viva Portugal!"


(«Costa: "Podem ter-me derrubado, mas não me derrotaram" - como aconteceu» (mais à frente, a partir dos 43:26, o discurso de António Costa) – Observador de 2024/01/05)

Wednesday, December 20, 2023

Clube de Profetas da Desgraça

I

Em resposta às afirmações de Pedro Passos Coelho, ontem, Terça-feira, de que a demissão de António Costa, na sequência do processo Operação Influencer, se deveu a "indecente e má figura", António Costa, Primeiro-Ministro demissionário, respondeu (ao fim da tarde): “O azedume não merece comentário. Deve ser muito cansativo andar 8 anos à espera que o diabo chegue. O diabo nunca mais chega e depois sai isto".

II

Durante o jantar de Natal do grupo parlamentar do Partido Socialista, no seu discurso, António Costa disse que “cada geração de líder do PSD vai sendo uma espécie de clube de profetas da desgraça”.

Fomos rebuscar o baú das recordações e encontramos estes dois que ainda andam por aí a lançar fogachos:



(1. a) «Costa responde a Passos: "Deve ser muito cansativo andar 8 anos à espera que o diabo chegue"» – Diário de Notícias de 2023/12/19; e b) «António Costa: "Cada geração de líderes do PSD vai sendo uma espécie de clube de profetas da desgraça"» – Diário de Notícias da mesma data; 2. Notícias com “barbas” mas para não esquecer: a) «Pedro Passos Coelho: «Não somos surdos nem cegos...»» - Neste «blog» em 2012/09/22; e b) «Cavaco Silva, O Semeador» – Idem, em 2013/07/25)

Monday, December 11, 2023

Os leitões de Marcelo e o dragão de Marques Mendes

Quando em 9 de Outubro de 2015 Marcelo Rebelo de Sousa anunciou a sua candidatura à Presidência da República tinha tudo a seu favor: além de jornalista, fazedor de opiniões, professor universitário, fez de tudo um pouco: atravessou o Tejo a nado com uns calções à Maria Cachucha, andou fugido feito pardal pelos telhados de Beja nos tempos difíceis do PREC e em directo, na televisão, ofereceu um leitão da Bairrada ao Júlio Magalhães…

Ontem, no jornal da noite da SIC, e a pedido de gentes de Monção, Marques Mendes levou um dragão que entregou à jornalista Clara de Sousa.

Sabe-se, porque já vem do passado, que num espaço de grande audiência um leitão ou um dragão são chave mais que certa para o sucesso. Daí que não espante que Marques Mendes venha a ser o próximo Presidente da República.

"E assim São Jorge (Marques Mendes) derrotou o dragão!" (os possíveis concorrentes) – finalizou, agradecendo, a jornalista.



(1. Final do Jornal da Noite: Marques Mendes: "Estive há dias em Monção, num jantar de Natal (...) e então pediram-me muito para lhe entregar uma espécie de dragão. É o símbolo de Monção, das festas de Monção, que simboliza a luta entre o bem e o mal (...), mas fazem muita questão que você tenha em casa este símbolo (...)";

Clara de Sousa: "E assim São Jorge derrotou o dragão e assim fechamos também, por hoje, o comentário de Luís Marques Mendes. Muito obrigada.";

2. A festa de Monção ou festa da Coca: 

a) Durante as festas realiza-se um combate entre São Jorge e o dragão Coca. A Coca é um dragão todo verde, à excepção do topo da cabeça, do dorso e das goelas que são de cor vermelha; tem duas asas e a cauda é retorcida; a cabeça é móvel e a boca abre-se e fecha-se constantemente, o que por vezes assusta o cavalo e dificulta a vida ao cavaleiro; deita fumo pelas orelhas (e não pelas ventas); e só é derrotado quando a língua e as orelhas são atingidas com golpes certeiros (o cavaleiro deve espetar a sua lança na garganta do monstro e cortar-lhe a orelha). Se São Jorge (que representa o bem) derrotar no combate a Coca (que representa o mal) tal significa que serão boas as sementeiras e as colheitas, mas se a Coca assustar o cavalo o ano será mau e de fome; a Coca vive no rio Minho e é uma figura zoomórfica; além desta há outras Cocas em Espanha e uma em França: 

«O que significa a luta entre São Jorge e o dragão Coca» (COM O VÍDEO) - Diário de Notícias de 2013/05/15 e 


b) A Coca ou Cuca, o célebre bicho-papão, é um ser feminino (o masculino é Coco, nome do fruto de uma espécie de carvalho) usado para assustar as crianças; é representada por uma panela, abóbora ou cabaça furada em três ou quatro lugares, imitando uma cara (cabeça) e com uma luz dentro; posta durante a noite num local escuro servia para assustar quem passasse; vem daqui a expressão “a Coca fica à coca” (a Coca fica a ver, a espreitar) e o Coco toma a forma escura, de uma sombra, e fica de guarda – ambos são “parentes” do diabo; abóboras, cabaças, cabeças, caveiras, capuzes e gigantes todos andam de mãos-dadas:
 

3. Neste «blog» e a propósito:


Thursday, November 09, 2023

Influencers, filme de Natal a não perder!



Sinopse (primeira cena):

Um grupo de meninos mal-comportados e em dificuldades – “os influencers” – invocam o nome do pai terreno em vez de invocarem o santo nome de Deus em vão. Cai o carmo e a trindade. Segue-se uma empolgante (e hilariante) história de polícias e ladrões... 

Partes do guião: 

Numa aldeia, onde nada se passa, a notícia de uma investigação a uns meninos mal-comportados – “os influencers” – e ao seu pai, pelas responsabilidades parentais que tem, cai que nem uma bomba e é conversa de tascos e cafés. 

Não-arguidos: o Lítio e o Hidrogénio Verde.

Tudo começa com escutas telefónicas depois de lautas e bem regadas refeições, quando a verdade e o vinho falam mais alto. Mão do diabo, um regabofe!

Por fim, numa busca, é encontrado dinheiro vivo escondido em livros e caixas de vinho. Seja lá o que isso for – pois há que averiguar se é dinheiro com pernas – o caso é muito grave.

Para apimentar a coisa, e pelo meio, há a participação de norte-americanos e ingleses. E de umas belas e estonteantes acompanhantes de luxo.

Ou seja, corrupção internacional ao mais alto nível, com cenas dignas de Hitchcock e James Bond.

Nos cafés e nos tascos há opiniões para todos os gostos: uns acham que se os corruptos fossem tantos como se diz, estavam as cadeias cheias. Outros dizem que faltam meios de investigação aos polícias e por isso estão vazias: “’inda outro dia vi um investigador a andar de trotineta e com as calças ponteadas!” Outros, ainda, comparam uma investigação a pesca à linha. Que não! Que não! “O arrastão é que dá, traz logo muito peixe. Até o fedelho do Sebastião, um filho da terra, que trabalha na capital e sabe muito destas coisas, o diz.”

“Influencers”: 

Um filme a não perder, com estreia no Natal. Prometidas várias temporadas e séries, pelo menos até 2032.

Produções André Ventura. Realização do Ministério Público. Com a empolgante participação de Manuel Magalhães e Silva, no papel de “Hercule Poirot” – advogado e investigador privado. 

Filme adequado a todas as idades e muito educativo.




(1. Do que não se fala e que é com toda a certeza o mais importante e o que de mais valioso Portugal perde: «Sines 4.0©: Investment of up to €3.5 billion in Portugal to build large-scale global green data centres» - Start Campus em Abril de 2021; 2. Dos miserabilismos de que se fala hoje: «Operação Influencer: há mais de 20 escutas entre António Costa e principais suspeitos» - Expresso; 3. Primeira notícia: «Governo investigado: António Costa é suspeito e vai ser alvo de inquérito pelo Supremo Tribunal de Justiça» - Expresso de 2023/11/07; 4. O parágrafo de António Costa: «Nota para a comunicação social - Inquérito DCIAP» - Comunicado do Portal do Ministério Público, mesma data; 5. Já se falava em 2021: «Caso hidrogénio verde. STJ valida escuta com António Costa» (Novembro e Dezembro de 2020) - RTP de 2021/01/23; 6. Nota: composição a partir de imagens disponíveis na Web e que já serviu para “O Mordomo do...” (neste “blog”).)

Saturday, November 12, 2022

Duas senhoras com saias armadas por crinolina...

Estamos em 1850. Duas senhoras com saias armadas por crinolina recebem duas cabeças feitas em cera de abelha e os cavalheiros têm que usar bandejas de cabo longo para as entregar.

Ninguém sabe quem são. Mas, a avaliar pelas expressões, logo elas se encantam com a qualidade da cera e a perfeição daqueles dois.

Cento e setenta e dois anos depois identificamo-los como sendo Putin e Macron.

Ele há coisas do diabo!



(1. A propósito: a) «Crinolina, a moda que matou mais de 3.000 mulheres» – «in» Observador; e b) «Crinolina» – Wikipedia; 
2. «Escultura de cera» – Idem; 
3. E porque se fala de abelhas: a) Abelha-caucasiana («Apis mellifera caucasia») – Idem; e b) Abelha-Europeia («Abelhas com ferrão: Abelha-Europeia (Apis mellifera mellifera)» – «in» Cursos CPT;
4. Já agora: a) «Vladimir Putin» – Wikipedia; e b) «Emmanuel Macron» – Idem;
5. Nota: desenhos a lápis do autor sobre imagem disponível na Web (original de George Cruikshank, «in» The Comic Almanack, 1850))

Sunday, August 08, 2021

Chorões da nossa Praça Pública

Há inúmeras maneiras de chorar e entre elas fazer chorar as pedrinhas da calçada. Há os que choram lágrimas de crocodilo, os que choram por um aumento, os que comem e choram por mais, os que choram na entrega da medalha dos 50 anos de trabalho (e noutras homenagens), os que choram na hora da partida (e da chegada), os que querem chorar e não conseguem e os que só deitam uma lágrima (e para estes há as carpideiras), os que choram de tanto rir (e morrem a rir), os de bom coração que choram baba e ranho (e não é de bom tom levar a ranheta às calças), os teatrais que choram encarnando um personagem e mais uns tantos que escapam e onde se inclui o diabo.

Uma coisa é certa: chorar requer arte. É o caso do choro de Luís Filipe Vieira com o seu lencinho branco. Quem, neste país de chorões, não fica sensibilizado ao ver este quadro e não verte uma lágrima!?


(E perguntam vocês (desprevenidos da bola e doutras coisas): quem é «Luís Filipe Vieira»? A resposta aqui na Wikipedia.) 

Wednesday, July 21, 2021

O Patriarca

“O Velho” era um miúdo de sete, oito anos de idade a quem os mais velhos, de quinze, dezasseis, chamavam assim. Era impressionante ver uma criança com cara de velho e também a maldade com que os mais velhos o tratavam, por isso se diz que o diabo não quer nada com as crianças. O nome verdadeiro também não ajudava: Sosípatro mais uns tantos nomes que nem ao diabo lembra e não se diz mais porque o rapaz ainda pode ser vivo e levar a mal. Há pais terríveis a dar nomes!

Ora acontece que um mal nunca vem só e como o mundo é muito grande (ao contrário do que dizem) vai daí, como diz a notícia, que há mais um que “antes de ser Velho também já o era”. E a quem nos referimos? A esse mesmo: “The old man”, Richard Benjamin Harrison, “uma das figuras principais do reality show “O Preço da História” (“Pawn Stars”)”.

Agora, que o vemos como homem de negócios, bem sucedido e avô, fica sendo “O Patriarca”. Nome bem mais respeitável!


(1. A propósito: a) «Quem foi Richard Harrison, “o velho” de “O Preço da História”?» - «in» magg.sapo.pt; e b) «Richard Benjamin Harrison» - Wikipedia; 2. Nota: à direita, imagem d’O Preço da História no Canal Blaze.)

Thursday, June 11, 2020

Jeanne Louise Calment e um contrato que saiu caro

Zig e Zag falam de uma convenção de usufruto vitalício que nem ao diabo lembra (cartoon):



(«Jeanne Calment» ("a pessoa mais velha já documentada da História") - Wikipedia)

Saturday, April 11, 2020

Coronavírus - A regra do distanciamento social de Harpagão

Estamos no ano da graça de 1668 e dá para rir. Harpagão é um velho agiota, agiota até dizer chega. Dizem até que processou o gato do vizinho por ter comido o resto de um pernil de carneiro. Imaginem se fosse borrego da Páscoa!

A história é-nos contada por Molière: na cena da igreja, o nosso Harpagão (Louis de Funès) furta-se a dar a esmola tal como diabo a fugir da cruz.

A peste negra já levava uns três séculos e pico e da Covid-19 ninguém sonhava. Mas se fosse hoje todos diriam que Harpagão simplesmente cumpriu - e bem - a regra do distanciamento social. Ora vejam:




(1. «O avarento e Acerca do autor» (Molière) - Google Books; 2.  Para os mais curiosos: «Louis de Funès» - Wikipedia; 3. A propósito: «Peste negra» (1343 a 1353) - Wikipedia; 4. «Coronavírus» neste «blog».)

Friday, March 27, 2020

Coronavírus - Foi assim no início mas já poucos se lembram

Foi assim no início, antes de ser decretado o estado de emergência, mas já poucos se lembram.

O trapichense motoqueiro Aníbal entrou no café aos esses, pediu e foi servido e nem dois minutos passados espirrou em cima do balcão com força de elefante. Fugiu toda a gente. A desinfecção foi imediata e o motoqueiro corrido do estabelecimento com impropérios de porcalhão para cima.

E enquanto ia e não ia lá foi dizendo que a doença se combatia com máscaras, látex e galochas, que álcool era grupe, menos de 70 ou 80 graus não eram suficientes e que as máscaras da Rússia que antes eram a 40 cêntimos estavam agora a 3 euros e tal, uma exploração. Estava bêbedo que nem um cacho.

Representação possível de um coronavírus














Na rua continuou com a lengalenga. Vocês acham que as máscaras ganham à doença?, e respondia, ganham se não tivermos croquetes na mão (e de facto tinha um), é o que vos digo. O Pitéu e o Gaibéu que até nem eram de provocar riam à descarada.

Foi uma sorte, ninguém adoeceu, de modo que é quase certo dizer que de vizinho ruim nem o vírus quis saber!


(1. «Coronavírus» neste «blog»; 2. Nota: "De vizinho ruim nem o diabo quis saber": provérbio português.)